terça-feira, 19 de julho de 2011

GRATIDÃO


Que poderei retribuir ao Senhor por tudo aquilo que me tem dado?

Erguerei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor!

Salmo 116

sábado, 16 de julho de 2011

QUERER É PODER

        Além daquelas ameaças que sempre rondaram nossas vidas, hoje se acresce uma incerteza: a de saber, se quando saímos de casa iremos voltar.
Todos os dias jornais e TV nos proporcionam avalanches de notícias tristes. Enchentes, deslizamento de barreiras aqui, vendavais ali, terremoto acolá e como se não bastasse humanos se voltam contra seus semelhantes, fazem reféns, colocam sob mira de revólveres, assaltam, matam.
Foi um entre tantos, o caso daquela moça que passava casualmente pela calçada de um estabelecimento comercial que acabara de ser assaltado.
O bandido, tem-se que usar este termo, o bandido em fuga rouba-lhe o celular, prossegue correndo, não sem voltar-se para trás, disparar contra ela e a pobrezinha morre ali mesmo, na hora, antes que tenha tido tempo de refazer-se do trauma sofrido. É mais uma vítima indefesa a perder a vida.
        Não foi a primeira, não será a última, malgrado nosso.
        A tudo assistimos atônitos, sentindo-nos impotentes.  É verdade que não nos falta consciência de que importa proceder a uma mudança real de paradigmas; importa crer que somos todos responsáveis e como tal devemos procurar saber o que é que devíamos fazer e não estamos fazendo, como devemos agir e não estamos agindo, nos omitimos.
        A maioria de nós está inerte, a maioria aboletou-se no banquinho de sua comodidade e não assumimos nosso lugar no grande espetáculo da vida, não desempenhamos nosso papel na luta em que tantos pessoas cotidianamente se cansam e se consomem buscando transformar as situações de injustiça que existem, procurando despertar nossos governantes que dormem, enfim tudo fazendo até porque, como está todos acabam perdendo.
Há crianças vindo ao mundo de forma irresponsável, seus direitos, apesar do slogan “criança prioridade absoluta”, não são respeitados. Suas mães não teem como proporcinar-lhes um ambiente sadio onde se desenvolverem, alimento suficiente, as vezes ainda que o mínimo do mínimo indispensável.
Comem mal, vestem-se mal, não estudam porque acabam desestimuladas e abandonam a escola, trocam a casa pela rua, mas há sempre uma forma que acaba por lhes permitir saber que existe um mundo mais atraente do que aquele em que vivem.. Descobrem também que é com dinheiro que se compra “tudo”.
E porque são frágeis, acabam por se tornar presas fáceis dos chefões de poderosas quadrilhas e ainda adolescentes enveredam pelos caminhos pedregosos do tráfico, do assalto à mão armada, dos homicídios, etc, etc. Muitos morrem antes  da vida amanhecer.
Viver sob o temor do que nos pode acontecer de um momento para o outro, pois ninguém está livre, é certo não é a solução.
Existem muitas pessoas vigorosas e capazes que sob  o pretexto de se terem aposentado,  entregam-se a dolce far niente, mesmo sendo capazes de contribuir para que as coisas mudem.
Conclama-se todos a arregaçarem as mangas. É preciso querer e querer é poder.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Velho...


De tão vergados
seus ombros,
o corpo
não se rege mais.

Os passos se tornaram
incertos...
E a vida lhe pesa
ainda mais.

Caminha,
como quem ainda
tem para onde ir.

Mas não vai tão longe,
a passada larga
estreita agora se refaz.

Não se rege,
            já não lhe pedem opinião,                 
seus conceitos
não importam mais não.

Suas idéias geniais?
de luz,
de grandeza,
de certezas,
a quem importa mais?

Ah! o tempo,,,
que murcha os lábios...
enruga a face...
e os cabelos prateiam...

Que estranho fator
é envelhecer!

As experiências,
a sabedoria,
a ciência,
que valeram tanto
e por tanto tempo
são patrimônios,
históricos sim,
nada mais!


sexta-feira, 1 de julho de 2011

UNIÃO ESTÁVEL

Apesar da clareza com que penso que escrevi os diversos artigos já publicados sobre união estável, não me cessam de chegar e-mails de pessoas que os leem, mas continuam com interrogações. Certamente, por detalhes particulares que guardam particular aspecto com a própria situação em que se encontram e que muitas vezes afligem.   

Isto só consagra a certeza de que em se tratando de gente, mesmo que as aparências possam levar a crer que esse e aqule são o mesmo caso, pode não ser, ou não é. Gente é assim, cada pessoa é indivíduo.
Voltemos a considerar o que diz a Constiuição e a Lei. A primeira diz que: - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. (§ 3º). Proteção do Estado quer dizer se aplica a união estável e lhe são estendidos direitos e obrigações inerentes à sociedade conjugal com faculdade do respectivo exercício igualmente pelo homem e pela mulher.(§ 5º). Ambos segundo o art  art. 226 que prevê: a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. (O Supremo Tribunal Federal passou borracha nas palavras homem e mulher).
A união estável se dá entre um homem e uma mulher, portanto é uma sociedade hetero sexual,  é entidade familiar, está sob a proteção do Estado e deve ser facilitada sua conversão em casamento, é evidente que implica em os conviventes poderem-se casar.
A viúva e o viúvo que contrairem novas núpcias não perdem eventual pensão que recebam uma vez que esta,  uma vez obtida, se integra como valor indispensável  à sua sobrevivência. E mesmo que o outro tenha posses bastante, o direito não é retirado, é também patrimômino que o(a) beneficiado(a) levará, até como forma asseguratória às vezes somente como uma certa independência financeira, sempre tão útil em qualquer fase da vida.
Conviventes que depois de anos decidem casar, apenas transformam em de direito uma circunstância em verdade, apenas de fato. “Os anos de casa” que antecedem as núpcias não se apagam como se o casamento acrescentasse obrigações ou espurgasse um passado.
Por analogia, pode ser dito que o regime de comunhão de bens, anterior à lei é o universal, ao passo que depois dela, certamente, importa em ser interpretado como parcial, isto é, no caso de separação só será partilhado o que tiver sido adquirido pelo esforço comum dos dois. A herança que se constitui em expectativa de direito, se reserva igualmente, exclusivamente a quem for herdeiro(a).
Em todos os casos de litígio ou resolução não pacífica de partilha é necessário aferir pormenorizadamente as diversas circunstâncias. União estável como já foi dito é como no casamento, comunhão que se dá desde o afeto aos bens materiais, pelo que, quem se tiver acomodado deixando o peso do provimento da família somente a cargo de uma das partes não poderá arguir direitos.
Ma é lógico que a faina doméstica continuará representando concurso para os fins familiares. 

domingo, 26 de junho de 2011

PAI NOSSO

Pai Nosso que estás no céu, na terra e em toda parte, faze que quando eu disser: seja feita a tua  vontade, todo meu ser esteja unido à minha vontade; que todo o meu ser se una aos meus lábios e brote do mais profundo de mim o propósito de que “assim seja”. 

Eu sei que nem sempre é fácil!

Não é fácil porque nosso entendimento humano é desproporcionalmente menor que teu desígnio de amor e assim não alcança tudo que queres.

Essa constatação, no entanto atesta a importância da fé sem a qual se torna impossível comungar com a tua vontade. Dá-nos pois de fazer por onde esta fé que é dom cresça em nós.

Quando o mistério ultrapassa nossa inteligência só mediante uma fé profunda é possível prosseguir sem vacilar. Precisamos ter fé.

Pai, no dia em que fomos batizados enxertados no Corpo de Cristo e passamos a ser da sua própria natureza, infundiste em nós o dom da fé, asseguraste assim que mediante  o exercício de tal virtude nos fosse possível  saber dar valor a tudo que nos dás. Que não nos afastemos de teus caminhos, que não nos tornemos surdos a tua voz e que cumpramos com dignidade teu mandamento de amor.

Com Maria, nossa mãe terna e boa, queremos aprender o dom da humildade e não obstante a diferença que existe entre nós criaturas e Tu que és Deus, acreditemos no teu amor!

Para que em seguida partamos para onde quer que esse amor nos convide para dizer aos outros da alegria que nos invade por tanto favor e partilhemos o privilégio indecantável de “termos sido tornados dignos de estar em Tua presença e TE servir”.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

D. DUNINHA


Ela não tinha água encanada em casa, mas também já superara o tempo de lavar roupa à beira do rio. Pernas dentro dágua, uma prancha de madeira sabiamente colocada um pouco em terra, a outra na água, à passagem de águas límpidas, sem poluição de qualquer sorte, as lavadeiras colocavam peça sobre peça, depois de molhá-las. Passavam sabão na primeira e esfregavam uma por uma. A espuma que desprendia de uma peça, passava para a outra e claro, se revertia em economia.
Roupa toda ensaboada era colocada no “corador”. Geralmente, uma extensão coberta de grama verde. A sabedoria ensinou que primeiro se usava o centro e pouco a pouco até chegar “na beirada”, para não pisar em nenhuma peça.
Ali, haurindo os efeitos do sol, as roupas clareavam de dar gosto ver. Depois de um tempo eram recolhidas para o enxágüe, quando então se dava inversamente, eram apanhadas de fora para dentro. Muitas vezes, ainda estavam quentinhas... e eram habilmente enxaguadas.
No princípio o “floc floc” que era mais intenso, havia mais sabão, sumia e a peça podia ser torcida.
Mas D. Duninha que conheceu esse processo, já lavou roupa à beira de cisterna. Retirava água, mediante acionamento de manivela que trazia o balde cheio enchendo grandes bacias, onde o processo de esfrega se repetia. Passava ao “corador”. Mesmo tempo de espera, até o enxague e estendimento.
Roupa seca, vinha a hora de passar e não era fácil,  mas ninguém reclamava. O ferro de ferro mesmo, era acionado pelas mãos num movimento pendular dos braços, melhor se de encontro ao vento para que ficasse quente a contento.
“Não se assopra ferro perto da roupa, as faíscas podem queimá-las”. Ainda convém uma outra coisa, cuidado ao assoprar o ferro, pode dar tonteira, a pessoa cair e se queimar. 
Foi Deolinda que na manhã de hoje falou-me de D. Duninha, sua avó,  curiosamente, ao mesmo tempo em que me falava, se questiona: “acho que naquele tempo não tinha amaciante” ao que respondo: tinha não, as mãos das lavadeiras eram de tal forma sensíveis aos misteres desempenhados que sem errar sabiam quando o sabão já fora  todo retirado.
A roupa lavada e passada era muito bem dobrada e envolvida numa peça maior, formava uma trouxa. “Minha avó colocava na cabeça para carregá-la até a casa da dona, não caia de jeito nenhum, ela até dançava”.
E aqui fiquei eu pensando numa senhora de pouco mais de cinquenta anos, que pelas circunstâncias, máxime as da época, parecia ter muito mais, que percorria boas distâncias, com uma trouxa na cabeça, em equilíbrio singular e que chegando à portaria do edifício onde seriam entregues, a pedido do porteiro e de quem mais estivesse por ali, não se fazia de rogada, dançava alegremente ritmos baianos, evoluindo de forma incrível, mas muito natural, como aprendera ainda menina lá no sertão onde nasceu.
22/6/2011 15:31

MÃE INDIA

            Ganhei um calendário deste ano, pequeno, desses que vai-se virando as páginas à medida que os meses passam.  Tem sempre uma figura ilustrativa e abaixo, o mês que transcorre.
Cada figura representativa de mulher vai demonstrando a grandeza dessa espécie do gênero humano. Todas muito lindas, mas a que mais me impressionou, tocou, silenciou, fez refletir, foi a que representa uma índia despida, agachada, na coxa esquerda o filho de meses que ela segura; com a outra mão, a direita, segura com carinho um pequeno animal que avidamente lhe suga o peito.
Não há qualquer indicação de quem fotografou ou pintou em tela aquele momento mágico, mas que importa, se o que importa é a certeza de que alguém tendo estampado tal momento o fez com uma índia, não com qualquer mulher branca, ou de outra raça diversa da sua. Só ela por sua natureza de tal gesto é capaz.
Sinto sempre uma grande pena dos índios que se deixaram civilizar, daqueles que se tornaram milionários e como outro empresário qualquer, precisa de viver em casa com muros altos, cachorros bravios soltos circulam em volta, além de também bem alta cerca elétrica, para que ninguém ouse penetrar onde guarda um tesouro.
Cacique Seattle
A perda de identidade desses povos significa perda irreparável para a raça humana, para a vida, para a biodiversidade, para a sustentabilidade. Dificilmente, se encontrará um outro autor que crie um outro Cacique Seatlle que seja suficientemente audaz diante de um Presidente egoísta que lhe quis comprar floresta, terras, espaço a quem respondeu: Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.        
É essa identidade com a terra o sentir-se parte dela que faz a mãe índia repartir do próprio peito o leite com que alimenta o próprio filho. É a certeza de que      a terra é dom de Deus e os frutos que ela produz são de todos.     
Ao menos tivéssemos colhido os tesouros da identidade índia perdida, a terra não estaria em agonia.

                                                                 (Nova postagem por ter sido cancelado por engano).