domingo, 14 de janeiro de 2018

PE JOSE PEDRO LUCCHI



O Pe. Pedro Lucchi está passando por uma situação desagradável em sua vida, exatamente por ser padre e ter sido arrolado como testemunha de um algoz que tem contra si, não só a força da lei penal, mas toda uma sociedade que clama por justiça.

Em processo penal, existe a fase em que Ministério Público e Defesa, exercida por advogado, deve arrolar pessoas como testemunhas. Elas serão ouvidas, respondendo a perguntas que forem formuladas pelo Juiz e os citados, MP e advogado. O fim é que mediante o que as mesmas disserem, sem mentiras, venham conseguir o melhor resultado para sucesso  das respectivas teses.

Arrolar um padre (que assim como celebrou o casamento dos dois,  celebrou a Missa de 7° dia por Milena), como testemunha em favor dele (o chicote que bateu) claro que causou  impacto, máxime em se tratando deste homicídio que causou tanto clamor social qual foi o da médica Milena Gottardi. E pode não passar de um “faz de conta”, como é muitíssimo provável. A Lei permite à defesa o “jus spetaculandi”, (inventei), em favor da ampla defesa.

Se a Lei autoriza condução coercitiva de quem intimado não comparecer o mesmo não acontece no sentido de pretender que diga coisas das quais não sabe. No caso do Pe. Lucchi, ele pode responder simplesmente que tudo o que sabe foi o que os jornais noticiaram, como noticiaram, não deve emitir opinião, porque prova são fatos e não hipóteses, achismos, ou assemelhados. 

Ainda, se o que ocasionou a lembrança do seu nome pelo réu, tiver motivo no fato de como sacerdote, ter feito qualquer intervenção em momento de litígio do casal, é ainda em decorrência de tal ofício que está sujeito ao segredo do que ouviu, nos termos do Código Canônico:

Segundo o direito canônico da Igreja Católica, o segredo sacramental da confissão é inviolável, mesmo que a pessoa revele um crime. A relação entre padre e fiel segue as determinações morais e éticas do sigilo profissional – e que estão previstas na lei. Segundo o artigo 154 do Código Penal, a quebra de sigilo é punível com multa e até detenção de três meses a um ano, quanto ao padre pode ser excomungado, no caso, pela Igreja. E os artigos 229 do Código Civil e 207 do Código Penal dizem que padres e outros profissionais não podem ser obrigados a quebrar o segredo mesmo em depoimento judicial.

Confissão é um ato sigiloso, sigilosas são interferências do sacerdote em litígio de um casal ou qualquer outra, no mesmo exercício sacerdotal.

A Constituição prevê a liberdade de culto, por extensão há de respeitar os atos, ritos o que for que decorra das práticas religiosas. E ai se encontra  o sigilo da confissão.   

A família do Pe. Pedro está sofrendo com ele, ao mesmo tempo os fiéis católicos dos quais é Pastor também estão rezando com força nessa intenção e não só eles, mas os que  conhecem  o padre e lhe querem muito  bem.

Deus não despreza os que Nele confiam. O Espírito Santo colocará na boca do Pe. Lucchi a palavra certa. Por fim, consolemo-nos, porque como escreveu o Apóstolo Paulo ao romanos: tudo concorre para  o bem dos que amam a Deus.

Marlusse Pestana Daher                                                                  Promotora de Justiça aposentada
14/01/2018.


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

DOMINAI A TERRA


        Após ter criado a terra e constatado que o resultado estava muito bom, Deus quis criar um outro ser, que tivesse além de todos os atributos que a tal criatura dera, outros, tais como: capacidade de perceber e discernir sobre o que o rodeia, inteligência e capacidade para entre muito mais, determinar-se pela própria vontade. E criou a pessoa humana, nada menos que à sua imagem e semelhança.  De pronto, fê-la ciente das competências que devia ter, das quais todas as outras seriam decorrentes. E disse-lhe: crescei, povoai a terra e dominai-a.

        Há milhões de anos! Podemos ficar por aqui pensando, quanto era estupendo tudo e quanta beleza havia para qualquer banda em direção da qual se olhasse. Quanta pureza no ar que se respirava, quanta harmonia no canto dos pássaros; quanta destreza na floresta cujos galhos balouçavam ao impacto dos ventos; que sinfonia ininterrupta espargiam os oceanos no seu destino de espraiar-se e voltar aos seus pontos de partida, absolutamente certos de que há limites que lhe são impostos a partir da imensa área que lhe foi destinada. Aqueles mangues, plenos de mistérios indecantáveis. Animais inumeráveis, de todas as cores, de todos os portes, de impensadas espécies.  Vida a explodir por toda parte! Uma biodiversidade que jorra poesia e produz a ópera jamais repetida ou sequer aproximada, quanto mais igualada, por mais geniais que sejam estes esplêndidos compositores dos quais temos notícia.

        Mas a pessoa virou homem, olvidou-se da semelhança. E pouco a pouco, pela facilidade de satisfazer suas necessidades, sem sequer precisar distanciar-se de onde estivesse, sem reparar que, a certo ponto, precisou andar, viajar um pouco mais, para encontrar com que subsistir, prosseguiu inconsciente. Sem plantar, colhia, com as próprias mãos, com alguns instrumentos primitivíssimos, seguiram-se aperfeiçoamentos...  Hum!!!  por fogo é uma boa solução, poupa-se força e se apressa resultado. Depredação...   Exaustão!

        Bem, com ou mais consciência, a grande verdade é que chegamos ao exaurimento do potencial da terra. Depois de milhões de anos que não estão incluídos no nosso calendário e só depois de 1950 anos, a partir de quando os anos contamos, é que algumas iniciativas começaram a ser adotadas. Movimentou-se a ONU, realizando diversas Conferências, entre elas a da Biodiversidade, no Brasil, em 1992. As nações se mobilizaram. Passou-se a falar que o meio ambiente conta. Surgiram ONGs. Hoje, se fala em aquecimento da terra, em exaustão do solo. A terra está desproporcionalmente povoada. A revolução industrial debita-se a queda nas taxas de natalidade nos países que se industrializaram. O sonho da cidade grande ou as intempéries circunstanciais ocorridas no campo promoveram a migração de um grande contingente para as periferias das cidades. Desatentos os (des)governos privilegiaram ricos que se tornaram milionários. Aos marginalizados, sem outra alternativa,   restou povoar a terra e como povoam!

        Dominai a terra. Sim, dominai, porque você, pessoa, lhe é superior e toda a grandeza que ela encerra é para estar a seu serviço, agir sempre em seu favor. Dominai-a, no sentido certo, ou de que todo domínio requer um respeito que seja recíproco. Uma relação de ternura até. Não, lhe causando transtornos! Não, desrespeitando seu ritmo e suas forças! Não, sugando-a! Não, privando-a do próprio tempo! Não, deixando de restituir-lhe o que lhe empresta.

         Ou que todos virem eunucos. Ao menos assim, teremos certeza de que não haverá futuras gerações e consequentemente ninguém virá a ser privado dos bens da terra, condições sem as quais é impossível ter vida.

Marlusse Pestana Daher
24 de janeiro de 2014





[1] 10 h

AINDA É TEMPO

AINDA É TEMPO mas como a gente não faz a hora vai retardando.  Escrevi este artigo há quinze anos, note-se que ainda serve.

        Ouvindo entrevista de um cientista político conclui, o que já entrevia, que as pesquisas para eleição de deputado estadual refletem a falta de possibilidade da maioria dos candidatos divulgarem suas idéias, permanecendo desconhecidos, não se elegerem e tudo ficar como antes.

 O que predomina é a focalização das atenções nos dois candidatos a Governador, a tendência a votar nos mesmos, principalmente, nos que fizeram muitos distorcidos favores ou distribuem “oncinhas”, notas de 50 reais, (dizem alguns). Um Cláudio Vereza, que não é otário, pode não se reeleger.

Percebe-se no eleitor, uma irrefreável sede de obter vantagem, mesmo chamando o candidato de ladrão (título outorgado indistintamente a políticos), ou sabendo que é completamente desprovido de virtudes, se dele recebe algo, o resto que se dane.

Nos bastidores da Frente Popular Parlamentar, do PSB, um gemido seco domina o ânimo geral. Provavelmente, uma única (re)eleição, é o que acontecerá. Um detalhe é evidente, o partido aceitou um candidato a governador, sem nenhuma relação com sua história, ligado a outros candidatos a deputado com quem tem toda afinidade desejada e que no entanto, apesar de tudo, também correm  risco de não eleição.

Citado candidato, aboletado na sua t r a d i ç ã o, (ou sei lá o quê) ignorou os candidatos do seu partido, que pelo menos hoje, é o PSB, e, escudado em outras siglas e ladeado por outros menestréis, partiu pelos caminhos da terra capixaba em busca do voto que o leve ao Anchieta.

Já reparou – e como! - que, sem renovação na Assembléia, poderá ter sérias dificuldades, se eleito. Poder-se-á deparar com um parlamento que sabe dar “bons nós” na caminhada de um governador...  Cairá por terra sua fama de que será um grande governador tal qual foi prefeito de Vitória. Talvez o povo ainda não tenha reparado que é impossível ser mau prefeito de uma capital que dispõe de tantos recursos.

O partido por sua vez, concentrou suas forças na eleição de um deputado federal, negou palanque aos deputados estaduais e o tempo total a que têm direito na televisão. Relegou-os aos minguados 40 segundos que lhes sobrou, a não passarem de poder dizer além de uma única frase, sendo a televisão tão preciosa.

Em público o digo, candidatos a deputado estadual, sufocam um grito preso na garganta. Não puderam fazer sua pregação cívica, esclarecer o povo sobre a soberania do seu gesto de votar e outras coisas mais. 

Não posso calar. Se a isto se chamar de “infidelidade partidária”, opto por ser infiel e voltar a dizer ao povo que deve redobrar sua atenção na escolha dos candidatos aos diversos cargos. Se não protagonizarmos a nossa própria história, seremos marionete de outra, comandada pelo crime organizado, pelo tráfico, etc. O que nos diz ter Vitória servido de refúgio ao mais procurado pela polícia nos últimos tempos? Qual será a sorte dos nossos filhos num futuro que é amanhã? Chega de acomodação, de repetir resignadamente  “que gente honesta não ganha eleição”, ou não somos todos honestos?  A sorte está lançada, mas ainda é tempo de revertermos o quadro, queiramos.

Este ano voltamos às urnas e todos somos chamados a um posicionamento sério e participativo, Acomodar-se é covardia.

Marlusse Pestana Daher



domingo, 31 de dezembro de 2017

RECOHEÇAMOS. GRANDES COISAS FEZ O SENHOR

Marlusse Pestana Daher

Cada ano que passa representa uma etapa da vida que se viveu e os sentimentos que provamos variam de pessoa para pessoa, passa pelas circunstâncias pelas quais cada um querendo ou não teve que vivenciar, deliberadamente ou por aquela impossibilidade que se assemelha a do “rio que estremece quando se avizinha do mar e lembrando de sua trajetória teme a própria sorte, mas como não tem jeito de voltar, ingressa oceano a dentro e quando dá conta de si, virou oceano também” e entra no bailado das ondas e já não se lembra do passado ainda que muito  próximo.

Centenas de votos de feliz ano novo, com prosperidade, com alegria, com sucesso e tudo que há de bom, chegaram-nos de amigos mais ou menos íntimos, de amigos virtuais que sequer conhecemos os rostos, expressados do mais profundo do coração ou simplesmente por mera formalidade, mas todos formulados lá no fundo do coração onde tem uma sementinha geradora de sensiblidade, da  maior qualidade.

Inúmeros são os protestos de que devemos crer em Deus, de que a fé nos deve acompanhar, que Deus nos conduz, que é Pai e Mãe para nós, que nos amou tanto que deixou de lado sua natureza e vestiu-se da nossa, para dar a maior prova de “amor que pode ser dada de um amigo a outro: a entrega da própria vida”.

Mas também não se pode dizer que apesar de termos absoluta a mais profunda certeza de que tudo isto é verdade, quando a dor chega e certas vezes tão forte, se duvida, ainda que ao mesmo tempo nos consolando ao lembrar: “que quando Jesus sentiu que chegou a sua hora, sofreu profundamente e ainda que condicionando o que pedia à vontade do Pai se fosse da vontade dele, pediu: “Pai, afasta de mim este cálice”.

O mundo caminha a passos largos para sua autodestruição, é desenfreada a ganância de mandatários investidos das funções governamentais, legislativas e judiciárias cujo poder não  lhes é próprio, pertence ao povo em nome do qual deve ser exercido. Mas também  um povo que  “não está nem ai” e candidato bom é aquele “que lhe der mais”

Houve sofrimento derivado das estruturas, houve muito, no âmbito das famílias existindo as que tiveram que chorar perdas dolorosas dos seus amados. Como dói, como custa a passar, dói tanto que a sua expressão maior, a lágrima, jorra aos borbotões a ponto de quanto a gente se apercebe já molharam o chão que se está pisando. Por que a morte tem que chegar deixando ainda insolúveis tantos pequenas questões...
 
Rita de Cássia Pestana Daher
Irmã querida,  há 23 dias voltou para o Pai.
Saudades.

Mas como se diz, a vida continua, em horas ai estará o novo ano a ser vivido. Deve ser encarado com coragem, sem prantos, de frente, pois são 365 dias para fazer com que as coisas mudem e a vida seja melhor.

O que não deu certo no ano passado que seja lição a ser estudada e usada para não repetir erros. Os sofrimentos devem mudar de cor que sejam brilhantes e nos encham os olhos. As alegrias, redobradas e multiplicadas, os talentos recebidos tais e quais os confiados por aquele Senhor aos empregados já que empreenderia longa viagem, não podem ser enterrados, mas usados da melhor forma para que se multipliquem.

Pensando bem, muito foi recebido, tudo que nos deram nossos semelhantes deve ser agradecido, as mágoas mandadas para longe. É preciso reconhecer as graças recebidas e que certamente, estas sim, foram muito e muito mais numerosas. Em 2017, abrimos os olhos 365 vezes e pudemos ver tudo, houve um pedaço de pão para comer, pessoas que nos disseram “gosto de você” e ainda muito mais que de tantos se torna  impossível elencar.

Juntemos todos os nossos sentimentos e ofereçamos em oblação ao Pai, será um sacrifício agradável e a recompensa  abundante constituída dos melhores frutos.


Feliz Ano Novo.


Vitória, 31 dedezembro de  2017                                                                                       10:25

domingo, 24 de dezembro de 2017

Feliz Natal

A todos que dispensaram seu tempo lendo meus escritos, pela atenção e pelo carinho, muito obrigada.

Que tenham todos um
Feliz Natal e um Ano Novo cheio de realizações.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

A VIDA NÃO É PICADEIRO


Marlusse Pestana Daher

Quem está levando a melhor são os donos de farmácia. Em Vitória, em apenas dois quarteirões contam-se quatro farmácias, fora as outras nas ruas
adjacentes ou paralelas, nos bairros vizinhos, muitas vezes ligados apenas por uma ponte. E todas estão vendendo e muito. É impressionante ver a velocidade com que se derruba uma casa e logo em seguida surge ali, uma charmosa farmácia. Raramente, você não vê ao menos uma pessoa comprando remédios, somos uma população de doentes.

Está suficientemente comprovado, programas específicos, médicos, outros profissionais da saúde, repetem exaustivamente que a causa maior de todos os males são as aflições que sentimos, os medos, as incertezas, os sofrimentos, a violência generalizada e já não é só poético cantar: “o que será o amanhã, responda quem souber, o que irá me acontecer... ninguém sabe responder”.

Depois de ter posto o país a serviço do seu partido político, de ter privilegiado obras faraônicas em outras terras, como se diz: “tirando o pão da boca dos próprios filhos”, Lula e seus correligionários se mobilizam para tirar o sossego da população com ameaça de guerra civil acrescentando como o cabeça deles já o fez: “vocês não sabem do que somos capazes”. Sabemos sim, não esquecemos a inconsequente mobilização de presas fáceis que agem tal como lhes é  determinado em troca  “de pão com salame”.

Desatinado, Lula não reconhece o vexame pelo qual, sua frustrada  caravana passou nas andanças pelo nordeste, onde ao invés de ser aclamado ouviu vaias, foi chamado de ladrão e gritos em coro de “fora Lula”. E ainda quer mais: “jogar de goela abaixo” dos  incautos, dos menos esclarecidos que os processos a que está respondendo, num deles foi condenado,  não passa de perseguição política. As asneiras que já se ouviu desse senhor não têm medida e ainda tem quem o apoie. Com as devidas desculpas, tenho gente que amo no meio,  não posso calar o velho adágio “o pior cego é aquele que tem olhos e se recusa a ver, tem ouvidos e se recusa ouvir”

Entre “loucuras” o ridículo acontece como foi a eleição e reeleição de um palhaço que arrimou sua plataforma política na televisão, com ar de deboche: “vote no Tiririca, pior do que está, não fica”. Ficou sim. Você leva para os shows Brasil a fora, seu talento de humorista, mas leva também a imagem de um ex-político que poderia ser menos desastrosa.  Mentindo, você que nunca proferiu um discurso, o fez já que se constitui em requisito do que você queria. Mentiu ao dizer  que renunciava ao seu mandato desiludido com a política, ao mesmo tempo em que na verdade leva  para o resto da vida sua polpuda aposentadoria com  apenas sete anos “de (de)serviço”. Queria ver a cara de cada um dos seus eleitores, mas estou certa de que encontraria muitos na atitude de que “não estou nem ai”, não dando a menor importância e rindo mais uma vez. O desfecho? O por quê? Ceder a vaga para um corrupto desta e de outras eras.

Não estamos num picadeiro e a vida não é palhaçada, cada uma das nossas ações ou omissões têm consequências inimagináveis. É preciso começar a faxina de dentro de nós, para que ao nos apresentarmos tentando preservar direitos, como no caso da previdência, sejamos respeitados pelo que somos e não destratados como reles ignorantes.

Só mostrando a dimensão do nosso poder e da nossa estatura moral, provaremos ou não permitiremos a quem está no poder esquecer que ele deve ser exercido em nome do povo, em favor do povo. Em nosso nome, em nosso favor.

Escrevo com coração trepidante, não sabemos o que vem por ai,  não sabemos a que ponto chegará a loucura dos lulistas,  no dia de sua  inevitável prisão.  Quem já assistiu a tantos desatinos perpetrados, tem ciência das atitudes inconsequentes dos tais “militantes”, dos sem terra. expressão incabível para a liderança que habita palácios.

Rezar só não resolve. Deus alimenta as aves do céu, mas não joga os grãos nos seus ninhos, eles têm que buscar. Igualmente nós e neste sentido oportuno lembrar aquele outro velho adágio que diz: “Faça por onde que eu te ajudarei”. (Deus).



Vitória, 19 de dezembro de 2017 18:27

domingo, 17 de dezembro de 2017

ADVENTO - JESUS ESTÁ PERTO - DOMINGO DA ALEGRIA

O ADVENTO DES-VELA NOSSA IDENTIDADE ORIGINAL

“Perguntaram então: ‘Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo? (Jo1,22)

Quem és? Quem sou? Quê dizes de ti mesmo? Que digo de mim mesmo?
Às vezes, o mais evidente e o mais próximo termina sendo o que menos conhecemos.  Talvez acreditamos conhecer melhor os outros que a nós mesmos.
É possível que os enviados a João Batista tampouco pudessem dar razão de si mesmos, mas queriam saber quem era João e o que ele pensava de si mesmo. É possível que ninguém tenha ousado perguntar aos sacerdotes do Templo: “E vocês, quem são e que dizem de si mesmos?”

E, no entanto, é o Templo que se sente incomodado com a presença desse estranho homem do deserto: sem ornamentos luxuosos, vestido de pele de camelo e levando uma vida de austeridade. Mas, uma vida que por si só fala de algo diferente, de algo novo.
João, nas areias do deserto, despertava inquietações e preocupações nos sacerdotes do Templo.
Esta é a verdadeira identidade de João; uma identidade expansiva e original que, ao mesmo tempo, era expressão de sua dimensão mais profunda e o movia a ser presença provocativa junto aos outros. Ele foi um homem inquieto, que passou a vida buscando e preparando o ambiente para acolher uma outra presença surpreendente: “no meio de vós está aquele que vós não conheceis”.

Todo ser humano é aventureiro por essência; com ardor, ele anseia por uma causa última pela qual viver, um valor supremo que unifique a multiplicidade caótica de suas vivências e experiências, um projeto que mereça sua entrega radical. Para dar sentido à sua vida e realizar-se como pessoa, o ser humano necessita da auto-transcendência, isto é, viver para além de si mesmo, de seus impulsos, caprichos, desejos...

Carrega dentro de si a sede do infinito, a criatividade, a capacidade de romper fronteiras, os sonhos, a luz...

Portador de uma força que o arrasta para algo maior que ele... não se limita ao próprio mundo; traz uma aspiração profunda de ser pleno, de realização, de busca do “mais”...

Nesse sentido, o tempo do Advento vem ao encontro desse nosso desejo profundo e se apresenta como uma mediação para ajudar-nos nessa longa travessia em direção à própria identidade expansiva, deixando nosso estreito território e enveredando pelas terras desconhecidas do além-Jordão, onde João Batista também deixa transparecer sua verdadeira identidade: “eu sou a voz que grita no deserto”.

Ao ler o evangelho deste domingo e inspirando-nos na figura de João Batista, que revela quem ele é, pode-mos, também nós, reservar um tempo para nos contemplar por dentro; provavelmente nos sentiremos um grande desconhecido para nós mesmos.

Nossa existência não pode ser de anonimato e indefinição. Ela exige identidade clara e bem definida.
Normalmente confundimos a identidade com certas “marcas distintivas”: o nome, a profissão, a posição social, política ou religiosa, a função...
A identidade, no entanto, é dinâmica, histórica, fecunda, aberta ao desconhecido, aventureira...; é a capa-cidade de ir além de si e adiante de si. É poder ser invenção contínua de si mesmo, infinita trans-cendência.  É ter projeto, ter futuro, sair de si...
Só transcende quem se aproxima da própria interioridade, do próprio coração.

 “Descobrir-se a si mesmo” é ter consciência que no próprio interior há um movimento infinito de construção de si, de identidade em movimento... que se torna possível graças a um constante arrancar-se do imobilismo e da paralisia existencial, que impedem o fluxo da vida.
Só consegue aproximar-se da própria interioridade quem se desprende de defesas e projeções.

A Palavra de Deus, pronunciada sobre cada um de nós, des-vela e re-vela a nossa verdadeira e plena identidade: única, irrepetível, original. Essa identidade vai sendo gestada ao longo de nossa história pessoal com os avanços e recuos, vitórias e fracassos, alegrias e sofrimentos... que vão pontilhando nossa existência e constituindo esse ser único, que somos cada um de nós.

Vivemos um contínuo chamado na vida e para a vida. A experiência de sentir que estamos insatisfeitos, o impulso em ativar desejos, cultivar aspirações sempre novas, procurar entender quem somos, o que devemos fazer, o que nos torna realmente felizes..., no fundo, tudo isso, é um contínuo desvelamento de nossa identidade. Nós realizaremos nossa vocação, sendo nós mesmos, com nosso modo de ser, nossas possibilidades, nossa originalidade. Ninguém poderá realizá-la por nós.
Ser fiel à própria identidade é ser fiel à nossa vocação.

Isso é identidade, ou seja, mergulhar no “fluxo da vida”, colocar-nos em movimento, caminhar para o nosso próprio interior. Afinal, somos um “ser de caminho”, um ser em marcha, em contínua peregrina-ção. Ter identidade é viver em contato com as raízes que nos sustentam. No percurso para dentro, clareia-se a visão sobre nós mesmos, sobre nossa originalidade e dignidade.
Há uma força de gravidade que nos atrai progressivamente para a interioridade, onde Deus nos espera e nos acolhe, e onde encontraremos a nossa própria identidade e a verdadeira paz.

“Que eu me conheça e que te conheça, Senhor! Quantas riquezas entesoura o homem em seu interior!
 Mas de que lhe servem, se não se sondam e investigam?” (S. Agostinho)

Quem é que pode nos fazer acreditar que chegamos ao fim do caminho, que finalmente adquirimos uma identidade definitiva? Quem pode nos fazer dizer “eu sou?”.

Para a mentalidade bíblica, o ser humano é uma criação contínua, um processo permanente de “tornar-se pessoa”, passando por uma transfiguração, cada vez mais nova, de si e do mundo. O ser humano descobre a “existência” como identidade dinâmica, invenção constante de novas possibilidades de ser.

A identidade vai se des-velando à medida que do interior de cada um brota esta certeza: “Sou um tesouro, para mim e para os outros, e que não conseguia encontrar; sou um mistério da graça e do amor de Deus; sou alguém que se sentia vazio por dentro e descubro que estou habitado por Ele; sou alguém chamado, preferido de Deus; sou alguém que sente as mesmas fragilidades de todos e que, no entanto, sinto a fortaleza de Deus em mim; sou alguém que cada manhã pode desfrutar de um novo dia, posso sorrir para os demais; sou alguém que não sou a luz, mas posso ser testemunha da luz e indicar aos outros onde encontrá-la; sou alguém que ama profundamente a vida”...
Sem dar-nos conta, vamos encontrando verdadeiras maravilhas dentro de nós.
E enquanto buscamos reencontrar-nos interiormente, podemos nos sentir como o garimpeiro que, em meio ao cascalho e à profundidade da terra, esbarra-se com o veio de ouro.
Texto bíblico:  Jo 1,6-8.19-28

Na oração: Deus garante a nossa identidade: podemos serr nós mesmos. Deus investiu pesado em cada um de nós. Mais ainda, fez do nosso coração sua morada.
Ter uma identidade significa assumir um lugar na história, uma missão a cumprir.
- Agora, sabendo o que Deus-Pai pensa de ti, poderias descobrir o teu nome? a tua identidade?
                Quais os teus “sinais digitais divinos”?
- Que resposta darias de ti mesmo, agora, se um repórter te entrevistasse e te perguntasse: “Quem és tu?”
- O que colocarias na tua carteira de identidade que te diferenciasse de todas as outras pessoas?
- Quais seriam os teus sinais digitais mais originais?
   Ser “João” é ser graça amorosa de Deus na vida e na história de tantas pessoas.

Pe.Adroaldo SJ