terça-feira, 28 de novembro de 2017

SOBRE POLITICA


Devido à publicidade, devido à globalização, devido à disponibilidade na mão de todos, do poder saber de tudo e de todas as coisas que acontecem – se são divulgados - cada um começa a falar de praticamente tudo, fala como entende, de política com todas os seus adereços, da pobreza e da miséria, do mal, nada do bem porque este não faz barulho, e presenciamos e sentimos um stress generalizado acometendo todos. Não conheço exceção a menos que façam parte daqueles que dando de ombro dizem: “Não estou nem ai”
Congresso Nacional

Se já não “sabíamos o que será o amanhã”, agora ainda muito menos e curiosamente, a certeza de que é assim nos vem dos contínuos subtrair dos direitos sociais garantidos constitucionalmente, do querer desigualar iguais, do efeito continuado propiciado pela corrupção sem precedentes que minguou nosso desenvolvimento, da redução sem precedente do salário mínimo. O rosário de penas não tem fim...

Mas o dinheiro surgiu (e em situações análogas sempre surge) aos borbotões, quando se tratou da compra milionária de votos dos parlamentares da Câmara Federal, ou melhor dizendo, de suas consciências, para poupar o Presidente Temer de duas ações penais (ainda que depois do mandato possa responder por elas).

Não há dinheiro para boas escolas onde se precisa, ou em todos os lugares onde se fazem necessárias, não há dinheiro para prestação de saúde e o espetáculo de doentes em corredores, até pelo chão, é diário e é  dantesco. Salvar vidas de  adultos e de crianças, como daquele garoto que tinha um câncer na boca que lhe avolumava o rosto e condenou a morte, mas que era benigno e não foi tratado a tempo. Estremecemos, sofremos, mas não podemos perder nossa capacidade de indignação, não nos podemos omitir em nada que pudermos fazer.

Por exemplo, uma solução vem sendo de todos os modos proclamada: não votemos em nenhum desses que hoje estão no poder. Não creiam nas mentiras que nunca param de contar. Mesmo que seja seu “ente” ou “parente” e até nele
você crê, não vote, ele pertence ao número dos que devem sair de cena, compôs o vandalismo atual, bem semelhante ao de ontem, na política brasileira. Ou na expressão de Eça de Queirós: “políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos, pelo mesmo motivo”

É preciso ser radical. A luta é grande até porque nenhum desses fatos se repetiram só recentemente ou pela primeira vez. A leitura do que escreveram pessoas de bem nos atestam que já diziam estar vivendo em uma espécie de inferno. É terrível.

Todos os dias novas facadas. Todos os dias imposição de novos sacrifícios. Busca-se reformar a previdência sob alegação de déficit, mas não são cobrados os valores de quem deve a ela em cifras impensadas. 

Sabe-se quem deve ao Banco Central, por que não cobrar já que tão bem se sabe que o patrimônio do qual dispõem o autoriza. Os conchavos inibem, “fala de mim que eu falo de ti...”  Não se pode ter “rabo preso”. Nem se penalize o povo que já está massacrado.  

Mas honestidade não consiste só no que diz respeito à política depende de inúmeras práticas diárias da lavra do povão que pensa que não fazem a diferença. E como fazem!

Mentira: quem mente no pouco, acaba mentindo no muito. Furtinhos daqui e dali. Pequenas omissões. Preguiça de não ir à luta. Deixar para depois, etc. Aqui e agora sejamos absolutamente honestos, absolutamente verdadeiros, nem nos esqueçamos de que “as grandes coisas se fazem com as pequenas” e que os políticos que recebem mandatos, é de nossa parte que recebem e enquanto entre nós, conosco são “farinha do mesmo saco”. Já pensou?

Marlusse Pestana Daher
Vitória, 28 de novembro de 2017


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS


Queridos amigas e amigos,

Se for por questão de gosto, entre todas a de que gosto mais, é dessa imagem: Maria tem uma face infinitamente serena, Jesus dorme enquanto ela olha para o céu e caminha. Tenho um quadro na minha sala. Para onde vai? Para onde Deus a chama, para onde Ele quiser, como Ele quiser, quanto Ele quiser.

Sendo sua, assim como Seu Filho é o Verbo de Deus por natureza, Maria se fez, tornou-se Verbo de Deus e não quer outra coisa. Neste modo, não lhe causa nenhuma fadiga, continuar repetindo o “Sim” da Anunciação, pequena Palavra, para pronunciá-la é suficiente um entreabrir de lábios,  “mas transforma a vida”.

Quem sabe seja assim tão pequena para nos advertir que o Senhor não quer nada mais que o conjunto de todas as pequeníssimas coisas que podemos fazer, para que possa realizar seu propósito: Uma vez que “fez-se homem como nós”, para que “nos tornemos como Ele”.

Pensei em fazer esta reflexão escrevendo, é um costume que tenho, como fazia Santo Agostnho, guardadas as devidas proporções, é claro. 

Mas a Nossa Senhora de hoje, 27 de novembro, é a das Graças, da medalha milagrosa, com a qual, não obstante a consciência de que é única com os diversos títulos que lhe foram dados, todos na minha família, como que a preferem, conservam mais no coração.
Nossa Senhora das Graças

Considero como motivação para tanto, aquele dia, eu ainda era bem pequena, mas me lembro com detalhes. Papai chegou em casa com um “embruho” envolto em muito papel. Começou a desembrulhar e  finalmente, os nossos olhares curiosos contemplaram  uma imagem de “Nossa Senhora das Graças"! que foi colocada sobre um velho móvel  - etagéo que tínhamos na nossa velha casa. E ali, rezávamos, e ali, Ela se tornou para sempre Nossa Senhora

A tanto, soma-se o fato de Rachid, a quarta entre nós,  ter custodiado a imagem, depois da dispersão da família, por motivos normais da vida, e acabou recebendo, o que consideramos uma graça, há onze anos, nasceu, exatamente neste dia, seu primeiro neto, o Daniel.

Olhar Maria é beber sem fim água boa que cura todos os males da nossa vida, tê-la como Mãe é riqueza imensurável, poder chamá-la de mãe traduz a verdade de que somos todos irmãs e irmãos do seu filho, o Filho do homem.

Valho-me desta oportunidade para desejar que todos a imitemos sempre, certos de que não existe um modelo de vida mais perfeito a seguir, pelo quanto amou Jesus e O deseja fazer amado.  

Ela estará conosco para todo o sempre. Deixemos quem não pensar como nós por conta dela, deixe-a fazer o que nós não podemos. 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

REALEZA QUE SE REVELA NO SERVIÇO

Pe. Adroaldo S.J.

“...todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes”

Rei, título inapropriado para Aquele que tocou leprosos, que preferiu a companhia dos excluídos e não dos poderosos do povo, que lavou os pés dos seus discípulos, que não tinha riqueza nem poder...
O senhorio de Jesus foi a do amor incondicional, do compromisso com os mais pobres e sofredores, da liberdade e da justiça, da solidariedade e da misericórdia...
Com sua palavra e sua vida Ele afirmou que “não veio para ser servido, mas para servir”. Por isso, assumiu uma posição crítica frente a todo poder desumanizador.
A festa de “Cristo Rei”, que encerra o Ano Litúrgico, pode ser ocasião propícia para “transgredir” nossa concepção de “rei” e “reinado”, e evitar um triunfalismo religioso, pura imitação dos reis deste mundo que vivem às custas da exploração dos seus súditos.

Jesus nunca se proclamou rei; o que Ele fez foi colocar-se a serviço total do Reino, de forma que este foi o centro mesmo de sua pregação e de sua vida, a Causa pela qual estava apaixonado e pela qual deu sua vida. Importa, pois, honrar a verdadeira identidade de Jesus: Ele não foi rei, nem quis ser nunca, por mais que alguns cristãos creêm que chamando-o assim prestam-lhe as devidas honras. A melhor honra que devemos prestar a Jesus é prolongar seu modo de ser e de viver. É preciso voltar a Jesus e sua Causa.
Se Jesus não foi rei historicamente, nem se chamou rei, nem deixou que lhe chamasse assim, recusou e se retirou quando queriam fazê-lo rei, tem sentido que nós o aclamemos com esse título? Por quê?

Jesus é Rei porque deixa transparecer sua “realeza”: o que é mais real, mais humano e divino, a sua verdade, seu ser verdadeiro... no mais profundo de si mesmo. Realeza que se visibilizava no encontro com o outro. A partir de seu ser verdadeiro, Jesus destravava e ativava a realeza escondida em cada um.
Este é o sentido profundo do título: ser Rei sem tomar o poder, sem exercê-lo com a força das armas, sem a pressão da justiça legal, sem prestígio, sem riqueza... Esta é a tarefa da nova humanidade, a promessa de um Reino do conhecimento verdadeiro, da igualdade e da justiça, da fraternidade e não violência..., para que todos sejam reis, no sentido radical da palavra.
Segundo o relato de Mateus, quando chegar o momento supremo, a hora da verdade definitiva, a única coisa que ficará de pé, o que somente será levado em conta como critério de salvação ou perdição, não vai ser nem a piedade, nem a religiosidade, nem as práticas espirituais, nem a fé, nem mesmo o que cada pessoa tiver feito ou deixado de fazer para com Deus; o que vai ser considerado é apenas uma coisa, a saber: o que cada um tiver feito ou deixado de fazer para com os seres humanos.
A fundamentação está no fato de que Jesus se identifica com cada ser humano, de maneira especial com aquele que mais sofre, vítima da violência, da exclusão, da pobreza, da humilhação... Essa identificação e essa fusão de Jesus com os humanos (“foi a mim que o fizestes”) é tão forte e tão decisiva que, no momento do encontro definitivo com Ele, o critério para entrar no Reino não é o que cada pessoa fez ou deixou de fazer “para” Deus, mas o que ela fez ou deixou de fazer “para” os seus semelhantes que cruzaram o seu caminho e que clamaram por uma presença solidária e compassiva.

Na parábola do “juízo final” não é casual que os casos ali mencionados são as situações mais baixas, mais humilhantes e as que mais detestamos, de acordo com o que neste mundo se considera necessário para ser uma pessoa de sucesso e que goza de uma vida cômoda e digna: a comida, o vestuário, a saúde, a liberdade e a legalidade de quem não é um estrangeiro ou um imigrante “sem documentos”. Essa lista de situações extremas refere-se à realidade de sofrimento e exclusão. E Jesus assume como sua a dor de cada ser huma-no, pois, mediante sua Encarnação, Ele se identificou e se fundiu com o mais basicamente humano, com aquilo que é comum a todos os seres humanos, sem nenhuma distinção.

Toda parábola desperta ressonância e causa impacto no nosso ser profundo; não é um relato periférico e neutro; escutar ou ler uma parábola é sentir-se implicado nela ou, em outras palavras, toda parábola deixa transparecer nossa real identidade; por isso, a parábola do “juízo final” pode também ser lida em “chave de interioridade”: o que em mim está excluído, faminto, desamparado, exilado, preso... e que precisa ser integrado e iluminado?
Mas a luz da parábola des-vela nosso eu interior e deixa transparecer também nossos pontos nutrientes, iluminantes... que serão fonte de salvação para as dimensões do nosso ser profundo que ainda permane-cem na sombra da não aceitação.

Por outro lado, precisamos deixar ressoar em nosso “eu profundo” as palavras duras do Rei Eterno: “Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. Centrados em nós mesmos e separados dos outros, vamos alimentando uma espécie de ego (força dia-bólica: força que divide).  Todo “ego” é possessivo e manifesta-se como um desejo insaciável de acumu-lar, possuir, não compartilhar... O ego exacerbado quer controlar o seu mundo: pessoas, acontecimentos e natureza. Ele compara-se com os outros e compete pelos elogios e pelos privilégios, pelo amor, pelo poder e pela riqueza. É isso que nos torna invejosos, ciumentos e ressentidos em relação aos outros. Também é isso que nos torna hipócritas, dominados pela duplicidade e pela desonestidade.
Esse ego centrado em si próprio não confia em ninguém a não ser em si mesmo; ele não ama ninguém e quando “ama” é para atender apenas às suas próprias necessidades e à sua própria gratificação. Sofrendo de uma falta total de compaixão ou empatia, ele pode ser extraordinariamente cruel para com os outros, vivendo uma situação infernal.

Como evitar que o nosso ego nos domine e determine nossa vida?
O primeiro passo será desvelar e desmascará-lo com todas as suas maquinações e duplicidades.
Só uma pessoa esvaziada de seu ego pode transformar-se e transformar a realidade.
O nosso verdadeiro eu está enterrado por baixo do nosso ego ou falso eu. Segundo a parábola deste do-mingo, a pessoa “torna-se bendita de meu Pai” na entrega e no descentramento. Porque só assim deixa transparecer a realeza original, aquela que se identifica com a realeza d’Aquele que viveu para servir.
Só nos fazemos conscientes de nossa realeza quando compreendemos nossa verdade mais profunda. Até que isso não ocorra, viveremos como mendigos, tratando de apropriar-nos e de identificar-nos com tudo aquilo que possa conferir uma certa sensação de identidade e de segurança. No entanto, ao compreender o que somos, tudo se ilumina: o suposto “mendigo” se descobre “rei”.      
Só na medida em que nos esvaziamos de nossos impulsos egóicos, fazemo-nos solidários com a fragilidade e, o que é mais profundo, nos fundimos com a fragilidade dos outros.
A salvação da humanidade está, pois, em ajudar aos excluídos do mundo a viver uma vida mais humana e digna. A perdição, pelo contrário, está na indiferença diante do sofrimento. Este é o grito de Jesus a toda a humanidade.

Texto bíblico:  Mt. 25,31-46

Na oração: O Reino de Deus foi o centro da pregação de
                    Jesus, o motivo de seus milagres, a razão de ser de sua fidelidade até a morte, a coroa de sua ressurreição. Quê é para mim o Reino de Deus? Está também no centro de minha vida? É “minha Causa” como foi a de Jesus?



domingo, 19 de novembro de 2017

FÁBULAS, FANTASIAS FANTÁSTICAS

O Prof. Doutor Francisco Aurélio Ribeiro escreveu “as orelhas”  do livro ESTORIAS DE BICHOS CONTADAS PELO POVO. Eis o texto que depois de ler saberá muito mais sobre lendas e tradições, a transmissão das coisas pela oralidade.


Prof. Francisco Aurelio
A Cultura ocidental sempre se marcou por duas maneiras básicas de pensar a realidade social: uma, nivelada pela escola, pela educação formal, nacional, intelectualista e diretamente associada a uma elite, ao poder econômico, a uma minoria, numa sociedade de classe; outra, primitiva, rica, múltipla e multifacetada, tem suas origens nas tradições populares, no folclore, na grande massa, muitas vezes  ágrafa, e cuja transmissão  cultural se faz pelo oralismo, de pai para filho.

Apesar de todo convencionalismo, de toda imposição acadêmica como a escola, principalmente, como aparelho reprodutor da ideologia do Estado na célebre fala de Althusser, procura determinar a “cultura”, o que a história da civilização tem demonstrado é que a cultura vinda diretamente das massas populares acaba sempre ocupando o seu espaço e perpetuando-se, à margem do poder, mas dentro do sistema.

Hermógenes, o grande poeta popular, pesquisador do folclores, não por mera ‘curtição acadêmico-universitária’, mas por ser e viver junto com o  povo, do qual nunca se desligou, representante das raças índia e negra, tão discriminadas pelo poder letrado, branco, cestão e e luso, nesses longos anos de colonialismo, apresenta-nos, agora, o seu “Estórias de bichos contadas pelo povo”, co-edição da FCAA e da SEDU, para o projeto “Salas de Leitura” com apoio da FAE-MEC.       

A fábula gênero antiquíssimo, é uma narrativa curta, caracterizada pela presença de animais irracionais como personagens, e que encerra um sentido moral, quase sempre em alusão aos seres humanos. Desde a antiguidade greco-latina foi cultivada, superiormente por Esopo, escravo grego do século VI a.C. e por Fedro, escritor latino do século I da nossa era. Modernamente, La Fontaine destacou-se como o mais importante dos fabulistas, ao final do século XVII.

Na literatura luso-brasileira, foi cultivada pelos árcades portugueses e, posteriormente, por Garrett, João de Deus e Cabral do Nascimento. Entre nós, a fábula começou a circular no Romantismo, com Anastácio Luís Bonsucesso e, depois, com Coelho Neto, Monteiro Lobato e Maximiano Gonçalves.
Hoje em dia em nosso país, cultivam-na brilhantemente com um fundo de crítica social e politica, Millôr Fernandes, Carlos Eduardo Novaes e Luz Fernando Veríssimo.

Ao lado dos contos de fadas, o gênero até hoje, mais preferido pelas crianças, a fábula é um dos gêneros mais apreciados pelos infantes. Apesar de moralista, ela não escamoteia a verdade, mas transforma simbólica e conotativamente.
Talvez seu grande sucesso esteja no fato de não silenciar as questões relativas a sexualidade, à luta pelo poder, ao racismo, à segregação e desprezo pelos mais fracos, à luta de  classes, tornando-se assim, um gênero duradouro e sempre apreciado.


Hermógenes, ao nos trazer de volta as tradicionais estórias, “festa no céu”, ressuscitando personagens brasileiríssimos o urubu, o jabuti, o macaco, o sapo, o jacaré, a raposa, o boi, o coelho, cada qual com suas características e seus simbolismo relacionado ao comportamento dos homens em sociedade, faz-nos recuar ao passado, aos nossos avós, tias velhas e amas de leite, recuperando-nos toda a magia da literatura oral, contada o pé das fogueiras e à boca da noite.

Tanto melhor! Só assim nossas crianças poderão ter outras opções mais nacionais e populares, enriquecedoras e coloridas que os  eternos  estereotipados e chatíssimo He-Man, Tom e Jerry, o debiloide Pato Donald, e tantos outros personagens dos enlatados americanos que tanto têm, enchido as manhãs e tardes de nossos filhos e tanto os têm colonizado e empobrecido culturalmente.
Francisco Aurélio Ribeiro      (Professor de Literatura Brasileira no Departamento de Línguas e Letras da UFES)





Crenças Populares Brasileiras

·         Comer uvas e romãs no Ano Novo para ter sorte e fortuna durante o decorrer do ano que inicia.
·          
·         Ferradura detrás da porta para espantar o mau-olhado.
·          
·         Aquela que pega o buquê da noiva será a próxima a se casar.
·          
·         Quando a grávida fica com vontade, a criança nasce lesada ou com mania daquilo que foi negado à gestante.
·          
·         Quebrar espelho dá sete anos de azar.
·          
·         Apontar para as “Três Marias” (estrelas) faz nascer verrugas no dedo indicador.
·          
·         Cruzar com um gato preto dá azar, assim como atravessar por debaixo de uma escada.
·          
·         Trevo de quatro folhas trás sorte, assim como o pé de coelho.
·          
·         Sexta-feira 13 é dia de acontecimentos estranhos e desgraças.
·          
·         Bater três vezes em madeira afasta coisas ruins.



LITERATURA DE CORDEL




A principal linguagem folclórica é a Literatura de Cordel, que consiste num livreto de poesia, por vezes ilustrado, escrito em linguagem informal.
Originária da região nordeste, estas obras recebem o nome de "cordel" porque são expostas numa corda para apreciação.
Outra forma comum de literatura popular são as adivinhações, ou seja, perguntas com conteúdo ambíguo. Os provérbios são ditados que contêm ensinamentos (muitas vezes religiosos).
Piadas ou anedotas são pequenas narrativas com desfechos engraçados.
Os trava-línguas são frases, em geral rimadas, que dificilmente são pronunciadas; enquanto as parlendas ou parlengas são as rimas infantis populares.
Você Sabia?
O Dia do Folclore é comemorado dia 22 de Agosto.


Por: Daniela Diana

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

ENCERRADA A EXPOSIÇÃO "HERMÓGENES LIMA DA FONSECA



ENCERRA-SE EM SÃO MATEUS 
NA BIBLIOTECA MUNICIPAL
EXPOSIÇÃO HERMÓGENES LIMA DA FONSECA

FOTOS DOS MOMENTOS MARCANTES DO DIA 

PRESENÇAS DE ACADÊMICOS DA AMALETRAS, CONVIDADOS, REI DE BOI MIRIM. 
















quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O GAVIÃO E O URUBU

Hérmógenes Lima da Fonseca


O urubu estava sentado num galho, todo triste, olhando de um lado e de outro, coçando de quando em vez debaixo das asas, quando um gavião pousou ao seu lado e puxou conversa.

- Compadre urubu está triste. Também o  compadre só come carniça, coisas frias. Faz como eu, só como coisas quentinhas.

Nisso passou voando um passarinho e o gavião soltou voo em cima. Voa dqui, voa dali, o gavião pegou o passarinho e comeu.

Tornou a pousar ao lado do urubu e disse:

-´Viu compadre? Comigo é assim. O senhor fica aí só esperando que morra alguém.

Ai passaram duas rolinhas voando e o gavião bateu atrás.  As rolinhas perceberam que estavam sendo perseguidas pelo gavião e, quando o gavião estava pega, não pega, negacearam e entraram nas galhagens de uma árvore seca. O gavião entrou atrás,  mas errou os cálculos e sentou os peito num galho e ficou espetado, gritando:

- Compadre urubu, me socorra! Socorro, compadre urubu!

Ai o urubu gritou lá de onde estava pousado:

-Deixa esfriar que está quente.


Estórias de Bichos contadas pelo povo, p.  13. 

domingo, 12 de novembro de 2017

O PATRIMÔNIO CULTURAL Dr.ARMOJO

Hermógenes Honorato Conceição de Lima Fonseca

Chovia muito na madrugada do dia 12 de dezembro de 1916. A folhinha marcava a devoção a Santo Hermógenes. Na margem direita do rio Itaúnas, no Sítio José Alves, nascia Hermógenes Honorato Conceição de Lima Fonseca, registrado assim em homenagem ao santo do dia. Nascia um dos maiores conhecedores de nossa terra capixaba, de nossa cultura popular, de nossas tradições.

Dom Grilo e seu violino
A mãe de Beatriz disse:
- Vá já pra o quarto, que está na hora de criança dormir!
- Mas eu não estou com sono, mãe!
 Tem que ir dormir. E é agora!
Beatriz foi para o quarto e se deitou. A mãe veio e apagou a luz. Beatriz fechou os olhos e ficou ouvindo um grilo cantar.
Beatriz se levantou, acendeu a luz e o grilo parou de cantar. Beatriz apagou a luz e o grilo reiniciou seu canto. Ela então ficou ouvindo Dom Grilo cantar.  Depois, levantou e foi procurar onde estava o grilo. Assim, toda noite, Beatriz deitava-se e apagava a luz para ouvir o grilo tocar seu violino.
Mas, um dia, a empregada, ao limpar o quarto, encontrou o grilo e matou o bichinho. Quando ela estava varrendo, Beatriz viu seu grilinho morto e abriu o berreiro de choro, gritando para a empregada:
- O grilinho era meu! Ele cantava para eu dormir e  você foi matar o meu grilinho!
A empregada penalizada, saiu e foi procurar outro grilo, deixando a  casa por varrer. Demorou, demorou, demorou, mas trouxe dois grilinhos e botou no quarto de Beatriz.
De noite, os grilinhos fizeram um dueto de violino para ela dormir. E assim faziam todas as noites.
Quando Beatriz cresceu, foi aprender a tocar violino.      

Do livro Estórinhas Ecológicas

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

COMO SOMOS GRANDES E IMPORTANTES

Se lhe for útil terei minha recompensa.


VALEMOS MUITO MAIS DO QUE PENSAMOS;
SOMOS MUITO MAIORES DO QUE NOS VEMOS OU MENSURAMOS;
PELA GRANDEZA DE A QUEM PERTENCEMOS SOMOS AINDA  MUITO MAIS IMPORTANTES.[1].

E tudo isto porque somos resultado da ação criadora de Deus que tomou a si mesmo como modelo no momento em que nos pensou e executou, na hora magna da nossa criação. Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Deus, que é todo poderoso, tem ciência de absolutamente tudo que acontece, é o criador do céu e da terra. E apesar de tudo, não satisfeito com tudo com que nos dotou, todos os dons que de graça nos concedeu, declarou ainda mais que somos filhos seus. Adotou-nos como filhos, uma vez que nos tornamos  irmãos de Jesus, o primogênito da criação, não poderia ser diferente.
O Sermão da Montanha (1890), 
pintura de Carl Heinrich Bloch.

A Ele pertence o céu e a terra e todas as coisas que ai existem. E como dizia Pe. Rotondi, quem é filho é herdeiro, logo tudo é nosso. . Mas para não esquecer que não somos Deus, São Paulo, apóstolo sábio, lembrou: tudo é nosso, mas nós somos de Cristo e Cristo é de Deus. (1 Cor. 3,18-23).

Possuiremos a terra sim, mas também não é assim de qualquer jeito. Ao proclamar as bem-aventuranças, Jesus especificou quais são os que gozarão de tamanho privilégio, foi quando proferiu o Sermão da Montanha, considerado  a síntese de todo o Evangelho, de tal forma que se perdêssemos todo o teor das escrituras, restando só ele,  o Sermão da Montanha,  as escrituras poderiam ser escritas de novo.  Quem possuirá a terra? Os mansos.  Porque Jesus disse: Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. (Mt 5,5) E quem é manso? Quem ainda não sabe? Manso é quem é como Jesus que aconselhou: aprendei de mim que sou manso e humilde de coração  (Mt. 11,29).  Associou a humildade à mansidão porque as duas não se separam, antes coexistem, uma está atrelada a outra a ponto de se tornarem indivisíveis. E não é só, há uma outra vantagem em ser manso: achareis descanso para as vossas almas.

Como se tornam raras as almas em descanso! O que se veem são pessoas que querem resolver por si seus problemas, outras preocupadas com as situações pelas quais estamos passando, ansiosas, substituindo valores, desprezando até a si mesmas com ingestão do que ao seu organismo é danoso, respondendo ofensa com mais ofensa ainda, absolutamente intolerantes. Capazes de perguntar: amor ao próximo? Que bicho é este?

Falta humildade e sobra orgulho, vaidade, busca por valores temporais, coisas que daqui não se levam  (caixão não tem gaveta, dizia Clodovil). Nem se olvide o desprezo pela mãe terra, o esquecer-se de que tudo do que precisamos para nosso corpo mortal é dela que nos vem. E até quando o estágio mudar de mortal para morto será ainda ela que fornecerá as tábuas que serão unidas para formar o ataúde onde seremos depostos no reencontro com nossas origens. .

Esquecemos o modelo usado para nossa criação e não sabemos ou nunca pensamos que valemos muito  mais do que pensamos ou avaliamos, somos muito maiores do quanto imaginamos que somos grandes, muito mais importantes que tudo, porque só por nós, só pelos humanos que somos, um Deus, despojou-se de sua natureza, fez-se obediente até a morte e morte de cruz para resgatar-nos da morte e do pecado sendo esta a prova maior de amor que existe. (Fil. 2,6-8).

Passam plainando sobre o início do Evangelho de João: No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Se doutrinadores, não mergulham nesta Palavra para transmiti-la com autenticidade, segundo o espírito que a orienta, se doutrinados, se distraem, quando se deviam concentrar, ouvem, mas como diz o ditado entra por um ouvido e sai pelo outro ao invés de fazerem como fez a Mãe que tudo guardava em seu coração. Ai... ai,.. se esquecem que bem-aventurados são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática. (Lc, 11. 27-28).

Mas como não temos como não ter sede de Deus, saímos buscando outras fontes onde nos saciar. Prometem milagres, afirmam poder-nos transformar, tornar mais produtivos, aumentar os resultados do que fazemos, mediante técnicas, processos, estratégias, arte e não sei mais lá o quê, como é o caso do "Coaching". Tem poderes transformadores sim, acessíveis mediante altos custos, privilegiando poucos.

Precisa ser muito pouco inteligente para não ver que só com a graça, de graça, encontramos Deus que é tudo e que só em sua Palavra encontramos a luz e a verdade que nos torna bem-aventurados.

Marlusse Pestana Daher                                                                                                 Vitória, 10 de novembro de 2017 21:09




[1] Deus não faz porcaria. O que faz faz bem feito.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

HONESTIDADE NÃO TEM PREÇO

Hoje fui praticamente despertada pelo telefonema de uma amiga que mora no Planalto Serrano, tido por muitos, como lugar onde não moram pessoas de bem. Mas é claro que se trata de preconceito ou de engano, tem gente honesta ali sim.

Um oficial de justiça munido de um mandado de “busca e apreensão” queria levar o carro do cunhado dela que já está quitado, ignorando os comprovantes que lhe eram demonstrados.


É verdade que ele (o cunhado), andou atrasando umas prestações, mas a esta altura já pagou tudo, aliás, quitou o carro.

Falei com o oficial pelo telefone. Quis justificar o que fazia com argumentos não jurídicos, claro que os contestei. Chegou a dizer que dali já havia até telefonado ao juiz que respondera “é assim mesmo”. Perguntei o nome do Juiz e ele trocou, “na verdade falara com a assessoria”... Ai, ai, que assessoria madrugadora!

Mas o que eu quero falar mesmo é que o oficial foi embora dizendo que “abortava a diligencia”. Só que não deixou cópia da inicial como é devido. Estou querendo saber se quando da certidão, - aquela do verso do mandado – certificou que a deixou, como é praxe. Neste caso, cometeu crime, porque  na verdade só deixou o número do processo. Isto se chama falsidade ideológica:

Código Penal                                                                                              Art. 299- Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:
                                                                                                               Pena - reclusão de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular.

 A cópia da inicial serviria de prova da existência do fato que estava ocorrendo, cobrança de dívida já paga que tem como consequência pagar o valor em dobro, segundo inteligência do art. 940 do Código Civil Brasileiro. 

O Autor da ação também tinha obrigação de sustá-la ao ver a quitação do veículo. Por que razão não o fez? Causou constrangimento, incorre em dano moral.

Está provado que as grandes coisas se fazem com as pequenas, enquanto isto, vou-me lembrando da resposta dada pela cobradora ao viajante, Prof. João Alberto, em Estocolmo, que lhe pergutou passando por uma catraca a pagamento, enquanto outra era livre e ninguém passava por ela, tendo sido esclarecido que se destinava a pessoas que não tivessem dinheiro para pagar.

- E se uma pessoa, mesmo tendo dinheiro, passar por ali?

- Por que o faria?  respondeu a moça, depois de um piscar de olhos (que segundo relato eram lindos e azuis).

Isto é que é certo. Como aconteceria aqui? Pulam-se as catracas únicas com violência e atemorizando. Mesmo assim, do pedestal do nosso não sei o quê, “metemos o pau nos políticos” que se originam dos mesmos cantões que nós, são carne e ossos da nossa mesma carne e dos nossos ossos. Gente do nosso convívio.

“A honestidade é um dos valores mais libertadores que um povo pode ter. A sociedade que a tem naturalmente, certamente, está num patamar de desenvolvimento superior”. (Frank Medina).

Aconteceu ainda ontem mesmo, deixei perplexa a moça do caixa de uma padaria. Ela me devia voltar 40 reais e ao invés me dava 60 reais de troco. Fiquei com as mãos abertas, sorrindo e olhando para ela (antes mais uma vez observei sobre a majoração do valor cobrado, quando alegam que não têm moeda suficiente ou correspondente – e o que  temos eu ou nós com isto?). Ao perceber meu olhar, ela intuiu algo e que realmente era  nas minhas mãos que estava o porque daquele sorriso. Desconsertada, enquanto apanhava os vinte reais a mais, confessou: “me enganei”. Mas também não agradeceu.

Ação, gente, a estrada é longa, mas que não cansemos ou deixemos de caminhar. Com pequenas coisas boas mudam-se as grandes que são más.



Marlusse Pestana Daher                                                                         Vitória, 6 de novembro de  2017  13:47