quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

PATRONA WEBER MULLER NA AMALETRAS


Vilma Paraíso Ferreira de Almada, casada com o poeta Roberto Almada, nasceu em
Vilma Almada
Guaçuí (ES) em 14/04/1936 e morreu em 04/10/1988, em Mallorca (Espanha), numa fase de grande produção intelectual, terminando o doutorado em História. Professora de Prática de Ensino de História na Universidade Federal do Espírito Santo, unia a feminilidade à intelectualidade.
Mãe, esposa e profissional exemplar. Séria, brilhante, decidida, privilegiava a vida acadêmica e não a burocrática, a administrativa. Licenciou-se em História na FAFI, em 1965 e fez o mestrado em História na Universidade Federal Fluminense, diplomou-se pela Escola Superior de Guerra, formou-se também em piano pelo Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro (1957 a 1960). O piano era o seu grande prazer, privilegiando obras dos compositores românticos (Bach, Chopin, Bethoven, Mozart e Shubert).
Era membro do Instituto Histórico Geográfico do Espírito Santo. A sua obra Escravismo e transição- O Espírito Santo (1850/1888), publicada pela editora Graal do Rio de Janeiro em 1984, que trata da escravidão no Brasil, tem sido fonte de estudo em todo o Brasil. Foi a primeira historiadora cientista a assinalar a importância da mão de obra. 
Na publicação póstuma, do que seria a sua tese de doutorado, que ficou inacabada, Estudos sobre a estrutura agrária e cafeicultura no Espírito Santo, publicada pela Secretaria de Publicação e difusão (SPDC) da UFES em 1993, se destaca a abordagem do dinamismo da economia cafeeira no ES, nas primeiras décadas do século XX, resultado da imigração europeia e da divisão de grandes propriedades.

Patrona da cadeira número 31 da Academia Feminina Espírito-santense de Letras

EFEITO ESTUFA

                                                                     
Li uma notícia no jornal “O Globo” que me deixou preocupadíssima. O calor que está fazendo aqui em Cachoeiro, ao que parece, tem tudo a ver com o aquecimento global, fruto do tal “efeito estufa”, que também ocasiona secas frequentes. As geleiras dos Polos da Terra estão derretendo e aumentando o nível dos mares e, se a coisa continuar desse jeito, com a quantidade de CO2 e de gás metano na atmosfera, vai chegar o dia em que nosso planeta vai se tornar inviável para a vida.

 A questão do gás carbônico ainda pode ser atenuada com uma política séria que proíba o desmatamento. Mas o governo federal, infelizmente, está autorizando cotas de derrubada de árvores em toda a Amazônia, para plantio de grãos e criação de gado.

A criação extensiva de animais, segundo o jornal "O GLOBO", tem um grande impacto no clima porque a área ocupada por pastos impede o plantio de vegetação, que, como é sabido, absorve o gás carbônico.

Estudo realizado por especialistas da Agência de Impacto Ambiental da Holanda sugere que as pessoas consumam menos carne vermelha, seja de boi, porco, frango ou ovos, porque essa dieta de baixos teores de carne vermelha, no máximo 400 gramas por semana, reduziria em 10% as emissões de gases-estufa, levando a uma economia de nada menos que US$ 20 trilhões nos custos do combate às mudanças climáticas. E isso ocorreria porque diminuindo o consumo, automaticamente seria reduzida a criação de animais.

Segundo informa a notícia, se a população mundial passar a seguir uma dieta pobre em carne vermelha, nada menos que 15 milhões de quilômetros quadrados de área ocupada pela criação de animais seria liberada para vegetação. E isso é importantíssimo.

Mas o que me assustou, e ao mesmo tempo me fez rir, é que não é só o gás carbônico, o popular CO2, que está provocando o aquecimento global, mas também o gás metano.

Eu não sabia disso e acredito que muita gente não saiba, mas o principal gás expelido pelos extensos rebanhos mundiais é o metano, um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa.

Ou seja, melhor explicando, é a flatulência dos animais, os puns que eles soltam e também os arrotos, que aumentam o gás metano na atmosfera. Nós estamos, a cada dia, respirando os puns que os animais soltam. Não é pelo fato de o cheiro se espalhar na atmosfera e a gente nem sentir o odor, mas é a contribuição que os bois, porcos e galinhas estão dando para o aquecimento global, em razão da emissão de gases do efeito estufa.

Segundo informa o jornal “O Globo”, a redução desses gases seria da ordem de 10% se houvesse a queda do número de animais, não só porque aumentaria a extensão das áreas verdes, como haveria menos animais a liberar gás metano com suas flatulências.

 Ainda bem que eu não como carne vermelha há mais de 20 anos porque – agora – fiquei revoltada com esses peidões. Eles soltam seus puns e eu sinto esse calor desesperado. Não está certo.

Marilia Villela de Medeiros Mignoni
Juíza de Direito aposentada, Acadêmica, Cronista
Recentemente publicou seu sétimo livro: A SÉTIMA CONQUISTA



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

DEFENDER O MEIO AMBIENTE


"Crescei, povoai a terra e submetei-a". (Gên. 1,28). Com estas palavras, Deus autorizou o homem a apossar-se da terra, habitá-la e dela recavar os frutos indispensáveis à sua subsistência. Estabeleceu entre ambos um místico e harmonioso relacionamento pelo que, a vida despontaria como resultado desse clima e faria todos os viventes absolutamente felizes, sem males e sem dor.
 
Evitar enchentes.
Mas eis que deslumbrado com seu poder, o homem na condição do mais inteligente dos mortais, passou a fazer mal uso desse bem, foi além do que devia, entendeu que submeter a terra, seria colocá-la a seus pés, afrontá-la, arrancar-lhe os componentes, diversificar o uso dos elementos que a integram, em síntese, destrui-la.

A sensibilidade da natureza é tanta, que pode ser dito: não se ingressa sem consequências numa mata, assim como o nosso corpo é sensível a qualquer toque que o atinja, se não for por integração biológica, assim, o mato sofre com as pisadas, pelo atear do fogo, pelo golpe do machado, da moto-serra, pela lâmina do trator.

Contar com o verde.
A necessidade de proteger o meio ambiente reclamou o aparecimento de leis. Todos os países do mundo expressaram sua preocupação com ele e começaram a disciplinar a convivência entre o humano e os demais seres vivos; a terra, a água, o solo, o espaço e tudo neles contido.

Surgiu a legislação esparsa, as convenções internacionais, as declarações, como é  o caso da atualíssima de Estocolmo – 1972, cujo art. 13, preconiza: "A fim de obter uma mais racional ordenação dos recursos e melhorar assim as condições ambientais, os Estados deveriam adotar um enfoque integrado e coordenado de planificação de seu desenvolvimento, de modo que fique assegurada a compatibilidade do desenvolvimento, com a necessidade de proteger e melhorar o meio humano em benefício de sua população".

E de tal forma vieram a ser consagrados esses preceitos que já fazem parte das respectivas Constituições. Defender o meio ambiente é dever que a todos se impõe.

O verde é vida
A Constituição Brasileira não foge a tal regra. No capítulo específico, dispõe sabiamente: "todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações". (Art. 125).

Para dar certo, que se efetivem os programas de educação ambiental que ensinem às crianças a defenderem com o meio ambiente, suas próprias vidas.

Urge que se procedam a reflorestamentos e a todas aquelas providências específicas reclamadas pela realidade particular de cada lugar. É absoluta condição para que haja vida.

Marlusse Pestana Daher

Vitória, 27 de janeiro de 2014

sábado, 25 de janeiro de 2014

CONVIVÊNCIA HUMANA


A convivência humana requer sabedoria e disponibilidade.  Sabedoria para conviver com diferenças, para aceitar a maneira de ser do outro, ter habilidade com agilidade de assimilar por exemplo, o lugar do outro e interpretar sua ação ou reação como se fosse nossa, como se fôssemos nós os protagonistas daquele seu agir.  

Disponibilidade que é mais que ir ao encontro para prestar os serviços que nos forem solicitados, prevenir, prever, saber qual é a necessidade que o outro tem para que ao nos dispormos a tal serviço, já levemos a solução do que for sua angústia ou esperança.

Esses são sentimentos que sempre predominaram no espírito de Maria e tão bem manifestados naquelas bodas em Caná da Galiléia, quando, sem que ninguém lhe tivesse pedido nada, ela intervém junto ao Filho para que os noivos fossem poupados do vexame iminente que os rondava.

Ter tal percepção é ser capaz de saber que a medida do serviço ao próximo é um servir sem medida, é estar ao lado, é fazer com que “nosso cansaço o outro descanse”.

Maria foi capaz de tudo isso, O Deus de Maria é o Deus que reconhece a humildade de quem se sente servo e não se opõe, quando Deus intervém em sua vida, no particular de sua história.

Apressemos o passo e façamos por onde nos recompensar pelo tempo perdido e nos esquecemos que é quando desviamos o curso da nossa estrada que enveredamos por caminhos onde o Deus de Maria não está.

Do programa Cinco Minutos com Maria.

Rádio América AM 690

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

TRATA-SE DA FAMILIA


Dizia a lei 6.515 de 26 de dezembro de 1977, no § 2º do seu art. 3º que ao Juiz que se deparasse com um casal que manifestou o desejo de separar-se, competia “promover todos os meios para que as partes se reconciliassem ou transigissem, ouvindo pessoal e separadamente cada uma delas e, a seguir, reunindo-as em sua presença, se assim considerasse necessário”.

        Lembro-me que logo no início até chegava a ser feito, mas também me lembro que no máximo, o Juiz acabava por simplesmente adiar o termo da pretensão, para que o casal refletisse mais um pouco... não me lembro de nenhum caso que se tenha logrado êxito.

        E deste modo, acabou mesmo é que as separações consensuais se tornaram muito fáceis: sala de audiência, o casal, presença do Promotor de Justiça, o Juiz pergunta: “vocês querem se separar”?  “o que consta da inicial sobre separação de bens e relativo aos filhos é o que vocês convencionaram”? E à resposta afirmativa, ouvido o MP, a sentença – aquela já prontinha que bastava mudar os nomes e outros pequenos detalhes, - era lavrada ali mesmo, dela sendo de imediato intimadas as partes. E tudo estava consumado!

        Nunca me resignei com tanta facilidade, razão porque, só quando em Vara única ou em substituição, atuei em Vara de Família. Trata-se da família, nada menos que instituição divina que depois os homens acolheram. Tão importante, que o Estado coloca sob sua especial proteção; que estendeu à união estável sua equivalência; que a considera a principal responsável na construção da sociedade; que a nomeia primeiro quando diz de quem é o dever de assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. (Art 4º, ECRIAD).

        Mas ai vem nova lei que vai facilitar ainda mais a separação do casal. Antes, tudo será feito mediante divórcio.  Será, que o mais importante, necessário, urgente, se traduz nessa facilidade? sequer precisam de recorrer ao processo, no Cartório – cujos titulares agradecem mais emolumentos – e tudo se resolve sem problemas. Opa, sem problemas não! Numa separação, ambas as partes perdem, mas há sempre aquela que perde mais, aquela que mais ama. Dificilmente, quando aconteceu por amor, mesmo que a ferida se feche, a cicatriz deixará de incomodar.

        O Brasil, como muitos países do mundo igualmente o fazem, proclama solenemente através de sua Lei Maior, entre muito mais: o Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações. (§ 8º do art. 226).  Existe algo neste sentido? a violência campeia, violência real, violência presumida, violência moral que chega por todos os lados.

Em outro dispositivo, art. 221: A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios: ... IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.  Não passa de dispositivo morto. A falta de pudor que penetra sem pedir licença nos lares brasileiros, a violência que deixa até crianças de tenra idade em excitação ou pânico com o que assiste, é um constante.

        Os que “estão-se lixando”, que só pensam em si e no poder só se ocupam de estratégias que na condição os mantenha, a grande maioria ignora ou se resigna, os que clamam acabam por emudecer, porque, quando uma causa é de todos a batalha só é vencida mediante o concurso igualmente  de todos. 

        É uma pena constatar, ver gente que tenta subir escadas a partir da metade delas. Há problemas na base que devem ser antes perscrutados. Na redação do propalado PAC, seu autor começa por dizer: “A minha intenção é estimular todos os setores do país a participarem deste esforço de aceleração do crescimento, pois uma tarefa dessas não pode ser uma atitude isolada de um governo, mas de toda a sociedade. Um governo pode tomar a iniciativa, pode criar os meios, mas para que qualquer projeto amplo tenha sucesso é preciso o engajamento de todos”. Lindas palavras! Crescimento? Crescimento é inchaço. O nome tem que ser desenvolvimento e sustentável.

        Esqueceu que o país é signatário das “Metas do Milênio” a serem cumpridas até 2015, firmadas em 2000, como membro da Organização das Nações Unidas. Não as divulga, não as menciona...

        Sem fins eleitoreiros, sem demagogia é preciso pensar a família, é preciso cumprir a Constituição Federal. Os problemas da família não se resolvem facilitando os modos para que os cônjuges se separem, mas criando mecanismos que os ajude a não chegar a tal ponto e cujos motivos nem sempre são de ordem externa, mas sedimentados dentro dos próprios lares, onde a vida não é segundo sempre deve ser.

        Ouçam-se os entendidos. Haim Gruspum, médico e psicólogo clínico, professor da PUC-SP, defende a idéia de um mediador familiar que pode ser um profissional que atua de forma voluntária para chegar estrategicamente a um acordo entre casais que buscam a mediação de forma voluntária. Com ação na comunidade, pode intervir em famílias íntegras em via de separação agindo de forma preventiva, pode agir durante a separação ou após, quando surgem problemas para criar e educar os filhos nas novas formas de família.

        Esta é apenas uma das muitas soluções possíveis. Mas os que “podem tomar a iniciativa e podem criar os meios”, preferem outros caminhos.

É uma luta de todos, porque quem põe, também pode depor. É preciso pensar na família, dar a todas o que lhes faltar para realmente ser.

Marlusse Pestana Daher

21/05/2009  11:42


         

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

DINOSSAUROS


Em todos os termos, sou uma tia-avó assumida. Tomo conta de Daniel, vou buscar na escola, levo para passear, ao cinema. Em decorrência de tal função é que venho assistindo diversos filmes infantis. Hoje, “Caminhando com Dinossauros”. Uma excelente produção da qual resulta muito encanto e beleza.

É uma delícia ouvir o delírio da criançada. Riem, vibram, estendem as mãos para pegar, mesmo sabendo que não é coisa que se consegue, bichos, objetos, coisas, que parecem se projetar contra a gente. De tão impressionante, chega a parecer real. Mérito da tecnologia 3D.

E o enredo? Bem, um bonito pássaro vai narrando a história, sem faltar algum diálogo entre os principais dinossauros personagens. Ocorre o velho fato de dois filhotes que se desviam da manada, vagam por caminhos tortuosos, sofrem ameaças, mas como não teria graça nenhuma se fosse o contrário, saem ilesos no final.

Tem aquele bonzinho, que de pequeno passou maus pedaços, até defecação na cabeça pelo próprio pai, tinha que ter graça,  por estar em lugar errado no momento. Teve uma orelha furada que a certa altura, a passagem do vento fazia zumbir, hostilizado pelo próprio irmão que lhe roubou a amada, acabou gloriosamente Chefe da manada.

O que faziam, como viviam, numa estação, migravam pra lá, na outra empreendiam volta, entre algumas perdas e sofrimentos causadas por intempéries, agressões de outros e necessidade de ultrapassar obstáculos.

Foi quando me surpreendi: que interessante são os animais, eles não precisam de nada, nem de casa, nem de roupa, nem de dinheiro, nem de cidade, quanto mais de governo. Vão para onde melhor convém. Se aqui não estiver bom, vão pra lá.

Curioso também, o fascínio que exercem sobre as crianças. Do público constavam pequeninos de no máximo dois anos, inclusive gêmeos, diversas outras idades, acompanhados de adulto é claro, mas se bem visualizei, adolescente não tinha.

Que gostassem de um belo passarinho colorido, que voa leve, que canta, saltita, eu encontraria motivos, mas dinossauros, por exemplo, são feios demais. Quase disformes ou completamente? Membros desproporcionais, andar absolutamente desengonçado. No entanto, Daniel é meu paradigma, só desenha dinossauros e não fosse a certeza de resposta em público, certamente, tal filme não teria sido produzido.

Dinossauros, uma raça extinta, viveram quem sabe exatamente quando e interessam tanto, não só a cineastas, como a editores, enfim a todos quantos possam produzir algo de que a criança goste, sem falar do retorno financeiro.

A partir de agora, confesso: estou em estado de meditação, contemplação e busca, gostaria demais de entender a lógica de tanto fascínio e quem sabe oferecer alguma contribuição para igualmente oferecer às crianças momentos propícios para que sejam tão gente quanto são bichos os outros animais.


Marlusse Pestana Daher

Vitória, 22 de janeiro de 2014 22:00

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

SOU ASSIM

Se você me perguntar,
Se sou boa ou ruim,
Responderei com  muita certeza:
Eu só sei  que sou assim.


Se o assunto então for beleza,
Bonita ou feia, o que sou?
Vou responder novamente:
Eu só sei que sou assim.


Sobre minha intelectualidade,
se inteligente ou menos,
A  resposta ainda vai ser a mesma:
Eu só sei que sou assim.


domingo, 19 de janeiro de 2014

CADA DIA, SIMPLESMENTE

A vida cristã não é uma teoria, antes ela depende sempre de atos concretos que expressem a verdadeira fé.

A verdadeira fé por sua vez, também não é teórica, tanto que Jesus afirmou: a fé sem obras é morta.

Não é quem diz Senhor, Senhor, que vai entrar no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai. E qual é a vontade de Deus? Segundo disse o Apóstolo Paulo: a vontade de Deus é a nossa santificação.

Santificação é um projeto que envolve toda uma vida, não é pouco, posto que a medida de ser santo dada por Jesus, é ser santo como é santo, o Pai que está no céu. Por acréscimo, convém lembrar: só Deus é Santo, o Santo dos Santos.

Colocadas tais pressuposições, devemos saber que o caminho da santidade tem como trajeto a vida que levamos, nenhuma outra; como lugar, o lugar onde estamos; como tempo, o mesmo que nos é dado viver.

Ninguém pense que para ser santo, deva se isolar em algum lugar ou parar de fazer tudo que se esteja fazendo para fazer as coisas que imaginamos ser coisas de santo, nada disto.

Fomos chamados,  primeiro, à vida. Importa viver, estar vivo. O cristão pode viver como casado ou consagrar sua vida a Deus em um particular estado de consagração como propõe a Igreja, em nome de Deus.


Ser santo é simples, procuremos conhecer nosso caminho, o estado de vida ao qual por vocação somos chamados e assim, viver cada dia, simplesmente. 


sábado, 18 de janeiro de 2014

PARTIDOS POLÍTICOS


Abomina-se o tempo em que o bipartidarismo dominou em nosso país.


Houve restrição das liberdades, a opção política se restringia a ser oposição ou situação. 



Na plenitude dos tempos, aconteceu a abertura e muitas coisas mudaram. Os partidos políticos se multiplicaram e pelo modo como se comportam, fazem jus a serem definidos como  "união voluntária de cidadãos com afinidades ideológicas e políticas, organizada e com disciplina, visando a disputa do poder político".

Entre as críticas que a eles se fazem, está a falta de ideologia, ou melhor dizendo, de metas que orientem sua caminhada e mediante elas se hajam, quando no exercício do poder que uma vez alcançado, nenhum quer perder, nem se importam se os meios para se perpetuarem forem menos nebulosos, como o exemplo é recente.

Tais metas  não foram omitidas no texto dos seus estatutos ou não teriam logrado registro, antes porque só se ocuparam delas, no momento da respectiva redação. O que se veem são filiações cujo ato restringe-se à assinatura da respectiva ficha, a proposta que o partido tem a maioria desconhece.

São frágeis, tal fragilidade  se reflete no como se escolhe um candidato: em virtude de laços familiares, amizade ou compadrio, troca de favores, expectativa de cumprimento de promessas de toda sorte. E aqui o partido assume potencialmente o sentido do termo: Partido Político, do latim, pars, partis: = rachado, dividido, desunido".

Nem falta uma confusão generalizada entre democracia e cidadania, quando não se pensa se tratar da mesma coisa. Democracia é o governo do povo mediante escolhidos e cidadania é a capacidade de distinguir entre direitos e deveres, exercê-los em plenitude, não renunciar ainda que em parcela mínima a qualquer expressão dela.

A democracia será tão mais expressiva quanto mais consciente for   o exercício em potencial da cidadania. Requer então que se saiba da proporção de liberdade que encerra, que não se destina a uso restrito ou pessoal apenas, mas mediante o pensamento das consequências coletivas que podem advir do seu mau uso e do atravancar do passo de uma nação que outra coisa não é, senão os homens e mulheres, viventes na mesma reunidos.

Não obstante contarmos com nada menos que trinta e dois partidos, incluindo o Solidariedade, o que temos em verdade é situação, formada pelo PT e sua base aliada e a oposição, os outros, no momento liderada pelo PSDB, um bipartidarismo à novos tempos.

Muito se fala em reforma política, está-se sempre na expectativa de que aconteçam coisas diferentes, mas tudo permanece como antes.

O 33°, o Partido de Todos os Outros,  - PTO - desconhece a força que tem e não sabe que sozinho pode derrubar os demais.

 
Podemos formar o PQQ, "Partido de Quem Quiser", com  fim obrigatório e único: usar nossa voz, ser cidadão em potencial e fazer valer os ideais da democracia, quando então o Brasil será de todos e os bens que temos, sem empobrecer ninguém fará chegar a cada um seu próprio quinhão.

16:01 - 18 de janeiro de 2014

 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

ENCONTRO INTERNACIONAL DE ESCRITORAS



Trata-se de um especial momento para conhecimento das escritoras brasileiras e as dos outros países cujas presenças são esperadas. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

QUEM APRISIONA A VERDADE NA INJUSTIÇA?


Ora sim, ora não concordo com o que escreve Leonardo Boff. “Uma justiça sem venda, sem balança e só com a espada?” e “A espetacularização e ideologização do judiciário”, artigos seus, publicados em diversos jornais, se incluem no segundo caso.  


O autor se arvora juiz, sequer adota qualquer texto legislativo, imerge nas profundezas de uma ideologia que brota de cada sua palavra, posto que, como ele mesmo afirma: “detrás de todo conhecimento e de toda prática humana age uma ideologia latente” que se “resume em dizer que a ideologia é o discurso do interesse”, acrescenta, “todo conhecimento, mesmo o que pretende ser o mais objetivo possível, vem impregnado de interesses. Pois assim é a condição humana”.

Ministras Carmem Lúcia e Rosa Weber
Note-se que não acena para qualquer exceção, portanto, ele mesmo se inclui entre tais ideólogos. Pergunta-se: se todos se movem por uma ideologia, qual é a ideologia que o norteia, Sr. Boff, ao fazer tais afirmações? Veja-se.

Hilariza sobre as motivações da que chamou imprensa empresarial, que não aceitou Lula-presidente, esqueceu daqueles grandes empresários aconchegados ao seio do grande imunizado da “tribulação do povo brasileiro”, beneficiando-se à exaustão da “Bolsa Empresário” como a denominou Miriam Leitão, nesses anos de governança faz de conta, pro “causas populares”.

Cita filósofos, fala de ideologia partidária, condena a Ministra Rosa Weber a quem nada menos titula de leviana e culmina dizendo no primeiro artigo que o Ministro Joaquim Barbosa “aprisionou a verdade na injustiça” (Rom 1,18), mesmo tendo prevenido de início, no segundo artigo, “não estou defendendo a corrupção de políticos do PT e da base aliada”. Então está fazendo o quê?

Teorias como a de Leonardo Boff, filosofia política como a do PT têm causado confusão na cabeça de muita gente que se não tiver capacidade de separar joio do trigo, pode embarcar em canoas furadas e não chegar a porto seguro nenhum.

Se a referência à “literatura jurídica” feita pela Ministra Weber para condenar JD não foi a mais feliz, de que errou ao condená-lo, por ação ou omissão, em todo aquele episódio, não pode ser dito, em virtude do cargo que o ex-ministro ocupava, com as atribuições ao mesmo inerentes. “Coautor é aquele que contribui para o crime em consequência do que incide nas penas ao mesmo cominadas”. (Art 29 CP).

Antes quer-me parecer que aprisiona a verdade quem só a vê no que diz, ou dela se apodera de tal sorte, que ninguém mais está certo ou é justo a sua volta.

 
Vitória, 13 de janeiro de 2014  14:40

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

AS CAUSAS DO FRACASSO


No Brasil, os modelos estruturais dos serviços públicos em geral, bem como as respectivas gestões, são, incontestavelmente, deficientíssimas, apesar de serem volumosos os recursos públicos disponíveis, conforme demonstraremos a seguir.

É público e notório – o que é público e notório não precisa de provas - que o nosso Sistema de Educação é estruturado de forma superposta, pois nos três níveis de Poder (Educação municipal, estadual e federal), o que nos parece contrariar, no mínimo, a lógica, a unidade e a economia. Inegável também é que o nosso ensino é deficiente em universalidade e em qualidade. Sobre a deficiência da sua qualidade, prova-o, cabalmente, o recentíssimo resultado do PISA [avaliação trianual internacional de Educação (Português, Matemática e Ciência)], que conferiu ao Brasil o desonroso 57º lugar entre 65 Países avaliados.

Também público e notório é que o nosso Sistema de Saúde  se acha, de igual modo, estruturado nos três níveis de Poder (municipal, estadual e federal), o que nos parece afrontar, também, a lógica, espancar  a unidade e violentar a economia. Inegável é, de igual forma, que os serviços públicos de saúde, que os governos ofertam à população, além de quantitativamente escasso, é qualitativamente péssimo.

 O dito em relação à Educação e à Saúde, pode-se dizer do Sistema de Segurança Pública, pois, da mesma forma, ignorando a lógica, dilacerando a unidade e violentando a economia, é, também, estruturado nos três níveis de Poder (municipal, estadual e federal). E do mesmo modo, pública e notória é  a sua deficiência,  quer em quantidade, quer em qualidade.

Face ao acima exposto, urge que façamos, aqui, as seguintes perguntas: por que tantas deficiências, por que tantos fracassos, pois falta de recursos públicos não é, porquanto a carga tributária do Brasil é uma das maiores do mundo? Senão, vejamos: em 2012, a taxa de impostos correspondeu a 35,85% do Produto Interno Brruto (PIB), que somou a extraordinária arrecadação de R$ 1,5 trilhão e meio. Aliás, nossa carga tributária é maior que a carga tributária dos EUA (25,1%), a da Suíça (28,5%), a do Canadá (31%) e a de Israel (32,6%).

Apesar de o Brasil ser um dos 30 países que mais arrecadam em tributos, é um dos que oferecem ao seu população o menor retorno em serviços públicos, quer em relação à quantidade, quer em relação à qualidade.     
Ora, se abundantes são os seus recursos públicos, resultantes da elevadíssima carga tributária, por que tantas e tamanhas deficiências, sobretudo nos setores da Educação, da Saúde e da Segurança Públicas? A resposta inevitável aponta apenas para duas vertentes: incompetência e desonestidade de muitos e sucessivos gestores públicos.

Ora, é evidente que quantidade, sem qualidade, só produz algo destituído de conteúdo! Exemplos típicos são os 39 Ministérios existentes, que não passam de vergonhosas moedas de troca! Estão eles a exigir a criação do 40º, que, inevitavelmente, deverá receber a denominação de Ministério da Competência e da Honestidade, para conferir Eficiência aos demais.

Concluindo, ousamos sustentar, enfaticamente, que o importantíssimo princípio constitucional da eficiência (vide art. 37 da CF|88) só se concretizará, se contar com os seguintes pressupostos: muita Ação, com competência e honestidade no trato da coisa pública.

Salvado Bonomo
Ex Deputado Estadual e Promotor de Justiça aposentado
Vitória, ES, 13.01.2014.



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

NÂO É O LIMITE, MAS É O SUPREMO

S. Exª Ministro Joaquim Barbosa
 O detalhe cargos ocupados pelos réus do mensalão remeteu ao Supremo Tribunal Federal competência para julgá-los. O veredito colimado é resultado das convicções que moveram uma colegialidade, onze ministros.
Se no 15 de novembro de 2013, o Ministro Joaquim Barbosa se estivesse ocupando do que constasse de outros autos, seria elogiado: mesmo em dia de feriado nacional, o homem está trabalhando.  Mas como se tratava de petistas... ai os princípios pátrios olvidados na hora das mazelas, por conveniência e mesmo desprezo, são eloquentemente evocados e se configuram como deveras respeitáveis.  
Tenho acompanhado falatório de alguns ilustres nomes do direito ou não, que respaldaram outros falatórios reunidos em textos, que igualmente servem a quem de qualquer forma, quiser tirar proveito deles. Afirmam que o julgamento está eivado de erros o que então se traduz em dizer que: o Supremo Tribunal Federal é um não Poder e não se pode dar crédito às decisões que dele emanam.
O Ministro Joaquim Barbosa ainda que se havendo com invulgar sapiência, independência e destemor, foi só  Relator do processo. Todos os seus votos foram exaustivamente discutidos às últimas consequências, os que vingaram, significa que por maioria, critério do julgamento.
Ao contrário de Leonardo Boff, a maioria dos brasileiros (não bolsistas de família) não só acham, mas têm certeza de que “as lideranças do PT e até ministros não faziam outra coisa que arquitetar roubos e aliciamento de deputados, em vez de se ocupar com os problemas de um país tão complexo como o Brasil”.
É útil não olvidar que roubos não resultam apenas em posse de coisas materiais, mas da dignidade da pessoa, do direito do homem de chefiar sua casa, provendo-a do que é indispensável, dai porque, não se devem perpetuar programas que mantêm pessoas escravizadas, genuflexas ante os que consideram seus protetores, porque a cada mês, fazem pingar em suas mãos uma quantia, para passar mais um mês sem buscar uma outra e melhor  alternativa de vida.
Boff pergunta pelo “interesse escondido por detrás de doutas argumentações jurídicas”. Ele tem outra resposta ou devemos convir com Aécio Neves que afirmou: o PT colocou o Estado a seu serviço? Nem os loucos desconhecem isto ou disto não é prova os quarenta Ministérios e a proliferação de cargos públicos, ou o critério ser petista para ocupação de tantos outros, sem se importar com eficiência?
Não acho que o Supremo seja o limite, mas a desqualificação de suas decisões também não posso acatar.
 

domingo, 12 de janeiro de 2014

BATISMO DE JESUS

Ao domingo da Epifania, sucede o domingo do batismo de Jesus.


É um dia rico no conhecimento do projeto da salvação. Ao manifestar-se aos reis magos, Jesus se manifesta a outros povos, aos que estão além dos limites de Jerusalém e redondezas.

No ato do batismo, João está ocupado nos seus misteres de percursor, anunciando, batizando, Jesus se aproxima e vejam só o que vai no diálogo que travam. João manda perguntar a Jesus, se é Ele mesmo o Messias, ou se devia ser esperado um outro, ao que Jesus responde, não dizendo textualmente, sim sou eu, mas fazendo notar: diga a João que mediante o que faço, cegos voltam a ver, coxos voltam a andar, surdos voltam a ouvir.

São curas dos corpos deficientes, mas como nós sabemos, ali estavam embutidas as curas dos pecados, dos males da alma, porque as deficiências do corpo são muitas vezes, reflexos do que vai na alma.

Deste modo, Jesus comprova que só sendo o Messias podia realizar o que estava realizando aos olhos de quantos pudessem ver.

Ao ser circuncidado no templo, Jesus aceitou sua humanidade, batizando-se, mais uma vez  demonstra a necessidade de cumprir tal ritual como preparação para a missão que devia iniciar. O batismo é, portanto, a porta para a vida cristã.

Jesus, verdadeiro homem, verdadeiro Deus, Caminho, Verdade e Vida.



5 Minutos com Maria                                                                                Rádio América AM 690

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

FESTA DOS REIS MAGOS

Adoração dos Magos, por Boticelli (Florença).

O dia de hoje é rico em versões, das folclóricas às religiosas e até as de caráter comercial. Imagine-se, se o comércio perde alguma oportunidade de vender. Mesmo que comprar e vender seja a principal forma de fazer a economia circular, no fundo, é sempre com um misto de certa repulsa que divisamos a cobiça que insiste em fazer-se pano de fundo de todas as ações humanas.

Consta que em seguida ao nascimento de Jesus, Reis do Oriente divisaram no céu uma estrela cujo brilho tinha mais que um certo significado e entenderam que se tratava do anúncio de que o Salvador aguardado havia milênios, nascera.

Acordam suas vontades, recolhem presentes, ouro, incenso e mirra e montam seus camelos, seguem a estrela que os guiava.

A escolha de tais presentes se deu, porque foram prodigiosamente inspirados sobre a natureza do personagem a cujo encontro partiram. Escolheram o ouro, porque se tratava de presentear um Rei, incenso, símbolo de oração e perfume, iriam adorar Deus e a mirra, usada como forma de suavizar o odor fétido do corpo morto que se decompõe, quem buscavam era Deus, mas verdadeiramente homem também.

Os reis magos, (mago vem do antigo idioma persa e serviu para indicar o país de suas origens: a Pérsia. Chamados reis, Belchior, Gaspar e Baltasar, porque é um dos sinônimos daquela palavra, também usada para nomear os sábios discípulos de uma seita que cultuava um só Deus. Não eram astrólogos nem bruxos, ao contrário, eram inimigos destas enganosas artes mágicas e misteriosas) foram destinatários da manifestação do Deus que veio ao mundo aos povos distantes dos quais faziam parte, num sinal de que sua pátria e seu reino se estende a todo o orbe.

A Befana.
Países europeus ao invés de presentear no Natal, presenteiam as crianças boazinhas neste dia. Encarregada da tarefa é uma simpática velhinha. A Befana.
Mas com o nome Folia de Reis por conta do folclore temos uma riqueza cultural invulgar. Pena que vai desaparecendo em alguns lugares, norte do Estado do Espírito Santo, em São Mateus, por exemplo. Ainda se encontra em Conceição da Barra. No sul, Muqui conserva a tradição.

Folia de Reis ou Terno de Reis é um grupo formado por músicos, cantores, dançarinos. Roupas e instrumentos, tambores, reco-reco, flauta, rabeca (espécie de violino rústico) a tradicional viola caipira, em alguns casos, um acordeão. Quase sempre de forma artesanal, tudo  é feito pelos próprios integrantes.

Dançando e cantando, saem visitando as casas do lugar onde são recepcionados com bebida ou café, vai do final de dezembro até 6 de janeiro, mas pode estender-se um pouco mais.

As canções que entoam versam sobre temas religiosos ou ligados ao nascimento de Jesus, o tom de voz e a precariedade do som torna ininteligível a audição, mas isto pouco importa, porque o que importa mesmo é oque acontece.

Cheguei até aqui sem ter assistido “ao vivo e a cores” uma dessas apresentações, porque entre os medos que minha mãe nos inculcou fazia parte: o boi do “rei de boi”, a besta... mesmo que ambos não tenham sido nunca, mais que uma pessoa vestida que corria atrás das pessoas que também se divertiam tanto quanto, ao correrem delas. Faz parte da festa.

Que pena nunca ter assistido? me aguardem. Onde eu estiver e que acontecer folia de reis,  saibam, não serei mera espectadora, vou cair na dança.

Vitória, 06 de janeiro de 2014

11:39

domingo, 5 de janeiro de 2014

FAÇAMOS NÓS

Ficar em casa, simplesmente, me agrada de montão. Mas não posso, porque não cozinho, devo sempre sair, ao menos para o almoço. Tenho ainda obrigações que derivam do coração, ir sempre ao encontro de alguém, assim, embora possa ficar muito tempo em casa, não posso ficar todo o tempo.

Mas nem desgosto, quando saio encontro pessoas, outras apenas vejo, são as que não me conhecem e eu também não. Assim, seguimos paralelamente por ai, cada uma pro seu destino.  

Por que há sempre alguém pedindo? Sou meio avessa a dar esmolas, menos que mais atendo a tais pedidos, a não ser que olhe bem e o íntimo me diga: esse ai precisa ajudar.

Incomodam-me ainda as tais “estátuas vivas”, os “acrobatas de plantão”. Quando elegem um semáforo, ali permanecem dias a fio, estendendo seus chapéus para as mesmas pessoas, pois são sempre as mesmas de manhã, de tarde ou à noite as que passam por ali.  

Estacionei o carro e inevitavelmente, tive que passar por um homem que estava sentado na calçada, abordando todos que passavam. Pedia um real para completar não sei o quê.  De volta do meu destino, tornei a passar por ele, agora queria dinheiro para tomar café amanhã de manhã. Neste segundo momento, reparei que não estava só, uma mulher já se encolhera todinha no vão de uma porta, de costas para quem passava, dormia(?).

Quando o movimento de pessoas cessar, certamente, ele também vai-se encolher por ali de qualquer jeito, para, se dormir, não sei, mas a espera do amanhã.

O que pretenderá fazer? Continuar perambulando e quando a noite voltar, voltar a pedir ajuda para tomar café no outro amanhã...

Não é vítima das enchentes, as vítimas são pessoas que perderam tudo, portanto que tinham uma casa e um mínimo de utensílios domésticos e outros adornos da mesma. Trabalhadores que, esses sim, merecem ser ajudados com tudo que pudermos com eles repartir, o que lhes pudermos dar, para que sejam suavizadas as dores que provam e possam reconstruir suas vidas.

2014! Já se passaram 2013 anos desde que o Galileu pisou essa terra e os problemas só se avolumam, não se consegue debelar a fome, não se é sensato bastante para cuidar e evitar catástrofes que se mostram mais violentas em relação a uma única pessoa do que o foi esta em seu confronto.
Temo que haja pouco a fazer enquanto todos não decidirem que o rumo de todos é único, que importa que todos caminhemos na mesma direção, em busca de objetivo comum e ao encalço da mesma sorte.

Entrementes, sem preocupação de que se o outro faz ou deixa de fazer o que tem de fazer, façamos nós, não deixemos de fazer o que nos compete fazer.



Vitoria, 05 de janeiro de 2014

22:05