segunda-feira, 23 de maio de 2011

RECOMPÕE OS PEDAÇOS

      Pai nosso que estás no céu, na terra e em toda parte, deixa-nos aconchegar-nos ao teu coração. Olha nossa angústia, nosso pranto, nossa aflição.
Sabemos que nossos ais são fruto da nossa insensatez e do nosso pecado que desorganizam nossas vidas e assim nos roubam a paz.
Pai, como nos custa caro tudo isto! Como é difícil recompor! Como é pesado o tempo dos anos passados em algum vício e como parece intransponível a libertação de suas conseqüências.
De vez em quando, depois de muito esforço para sair do fundo do poço, mal colocamos nossa cabeça de fora, sucede-nos algo que nos joga no chão de novo e é preciso recomeçar toda uma trajetória de dias, meses, quem sabe, de anos.
Pai, sabemos que tudo sabes e que cada fração ou pequena parte de tudo isto vês e mais que nos conheces em cada detalhe. Viste? nossas forças são poucas, são poucos ou nenhum os resultados. Dá-nos tua mão, salva-nos, como outrora fizeste  acalmando a tempestade e restituindo aos discípulos a segurança de tua companhia.
Se dormes, acorda para nos atender, acalma a tempestade que há dentro de nós, dá-nos tua luz  para que  vejamos teus caminhos; transforma nossa vontade na tua, faze que queiramos o que queres e que  teus pensamentos sejam os nossos.
Pai, somos filhos, somos o pródigo que está de volta. Manda teus anjos vestir-nos das vestes limpas do perdão e da graça. Recompõe os pedaços em que nos partimos, reestrutura-nos, dá-nos tua graça e ensina-nos ainda desta vez a apreciar seu misterioso amor e os frutos da tua graça.

domingo, 22 de maio de 2011

DECLARAÇÃO AOS MEUS LEITORES

I agora é cocê mermo!!!!!!!!!
Amo ocê !
Ocê é o colírio du meu ôiu.
É o chicrete garrado na minha carça dins.
É a mairionese du meu pão.
É o cisco nu meu ôiu (i no ôtro oiu - eu tenho dois).
O rechei du meu biscoito.
A masstumate du meu macarrão. Nossinhora!
Gosdimais da conta docê, uai.

Ocê é tamém:
O videperfume da minha pintiadêra.
O dentifriço da minha iscovdidente
Óiprocevê,
Quem tem amigossim, tem um tisôru!

Ieu guárdesse tisouro, com todu carinho ,
Du lado isquerdupeito !!!
Dentro do meu Coração!!!

AMO ocê, uai!!!
BRIGADO PELO SEU CARIN,
cumqueu sempre pude contá!!!!

sábado, 21 de maio de 2011

LEMBRANÇAS

Apenas uma ilustração. A casa não era assim.

Quando era criança, não tínhamos diversões como as que a criançada tem hoje, nem por isso deixávamos de nos divertir. Criávamos, as brincadeiras era a gente mesma que inventava.
Em compensação não existem agora, mas naquele tempo existiam apresentações do folclore por exemplo,  que passavam de uma geração à outra do mesmo jeito, como as Pastorinhas  das quais contudo, só ouvi falar. Tinham seu ritual. Em Conceição da Barra subsistiram mais tempo, graças a Profª. Nininha.
Dizem que quem ensaiava as meninas era D. Rosalina[1], aquela que fabricava bonecas de pano, sempre horrorosas, não havia como ser diferente se os meios eram parcos, pano mesmo, uma tinta para desenhar boca, nariz, olhos e sobrancelhas, agulha e linha. Mesmo assim, D. Rosalina teve o desplante de achar um dia, que uma das suas criações saira “a cara” de Thedir. Imagine se a prima pode ter gostado, nem um pouco. 
Mas não sei se ela conseguia ensaiar as Pastorinhas que se apresentavam em “Dia de Reis” já que um grupo de meninas, entre elas minha mãe, ao invés de prestar atenção ao que explicava, por gozação, saia atrás dela dançando e cantando ao mesmo tempo. Assim não dava.
Mas como comecei dizendo, nós inventávamos as brincadeiras que queríamos. É certo que se usava passar férias na casa de algum tio. Assim, a “roça de tio Gigi” tinha mais que o sabor de Disney.
Livres dos estudos, perguntávamos: vovó, que dia o tio Gigi chega? Como se ele não viesse sempre de sua roça fazer compras, trazer coisas, não estivesse sempre “na cidade”. Deslocava-se a cavalo.
Roupa embolada em alguma sacola, a hora da partida era só alegria. Na anca do cavalo, o trajeto de menos de dez quilômetros era verdadeiro sonho, pela mata ainda densa. Aqui, ouvia-se um silvo: “o que é tio? Deve ser o Saci pererê”. Ficava quietinha, mas não tinha medo, imagine quem teria medo ao lado de tal escudo!
Na ponta de algum galho, podia ser vista uma enorme e arredondada “casa de cupim”. “Que é aquilo, tio? É a luz que ilumina a mata. De noite, fica tudo iluminado”. Claro que acreditei.  
Na chegada, o êxtase se fazia ao ver o córrego. Banhos de córrego? Nada melhor, nem maior a delícia. Mais fundo (cerca de oitenta centímetros) em uma parte, no prosseguimento se tornava muito raso, principalmente na altura da cancela de entrada; prosseguindo, de novo afundava para delicia dos porcos que eram cevados, num chiqueiro.
Andando pelo seu curso a cima, se atravessava uma matinha que dificilmente hoje se possa ainda ver em algum lugar, com raízes se deixando lustrar pelas águas, troncos molhados, alguns se interpondo, sem obstacular a passagem. 
Tia Dora tinha sempre alguma coisa gostosa para comer, um bolo de aipim com coco, um beiju de amendoim, cuscuz de coco, tudo com ingredientes da própria plantação.
Sobretudo, tinha as meninas, umas mais velhas, outras das mesmas idades e nos fazíamos a mais bela companhia. Era mole subir e descer a ladeira entre a casa e o córrego, dezenas de vezes por dia.
A lagoa era perto, mas pensávamos que fosse muito longe. Era um passeio especial, implicava fazer uma programação para chegar lá, tinha até jacaré...
Quando era tempo, a Casa de Farinha atraia pelo tamanho, pela possibilidade de subir até a colmeeira, andar perto do telhado, era um Parque de diversões.
Ali é que um monte de mandioca era colocado, todas nós com os adultos descascávamos a raiz, que depois passava por todo um processo, até chegar ao grande forno de bandeja redonda, apropriada. Braços fortes acionavam um rodo de madeira de um lado para outro, da direita para a esquerda, para frente e para trás, e assim era torrada a farinha.
Se o rapaz que tocava os bois na roda em que a raiz era triturada desse chance, dávamos uma voltinha, assentada no pequeno suporte/banco a tanto destinado, atrás da junta de bois.
Qualquer coisa servia para brincar, inclusive procurar pacientemente papel (que era raro) para acender e jogar pelo buraco do “vaso”, feito de madeira, na verdade, um caixote, WC fora de casa, para ver o cocô. Pode?
Os dias eram iguais. Fazíamos as mesmas coisas todos os dias, mas não dava para perceber, mesmo o que se repetia tinha sabor de novidade.
Férias magníficas, valeu a pena viver naquele tempo, como valeu!


[1] Conta-se que Rosalina do Rego preferiu não se casar a ter que adotar o sobrenome do marido, um tal Fulano Roxo.  Não aprovou a idéia de vir a ser: Rosalina do Rego Roxo.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

MERCADO LITERÁRIO


Ontem, quinta-feira, para prestigiar nossas colegas de AFESL, a Presidente Ester A. Oliveira e a Acadêmica Neusa Jordem Possati, fui ao Mercado Literário. 
Estive lá outra vez a convite de Anaximandro.
Elas participaram da mesa que a foto mostra, em que falaram de suas criações literárias.
É o primeiro momento da programação.
Depois vem o debate com o público muito bom por sinal, bom número, boa qualidade das perguntas e boas respostas.
Gostei muito do que vi, a programação é semanal. Recomendo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

FOLHINHA VERDE

Pois, tem que explicar mesmo. O que é Folhinha Verde a qual me referi em crônica  (S a –são, m a =ma, t h ê – teus. São Matheus). Caiu em desuso e resta só a lembrança.
Nos anos quarenta, cinquenta, talvez sessenta, máxime nelle piccole città, não se tinha muita novidade, originada do externo/exterior. Logo, o poder criativo se aguçava e todos se divertiam. Crianças e jovens inventavam suas brincadeiras, criavam seus personagens, faziam seus brinquedos.
Do lado de nossa casa, por exemplo, morava D. Maria de Mário. Ao nome Maria sempre se acrescenta um outro identificativo ou distintivo das demais. Mário era o marido dela, falecido precocemente.  Zezé, o José Santa Cruz, filho de D. Maria, tinha um batalhão formado de pequenas pedras que ele enfileirava como se fossem soldados por ele chamados de alunos da escola em parada de 7 de Setembro, era o que ele conhecia.
Era sempre visto, depois de ter limpado cuidadosamente um espaço no chão e ali permanecia horas a fio, promovendo um desfile de suas pedrinhas ao som de tambores e taróis repicando apenas na sua imaginação. Nem precisava de companhia. Fazia tudo sozinho. .
Casa no quintal, teatro, desfiles diversos, de moda e escolares, etc etc etc faziam-nos ser  imensamente crianças. Não se falava – até podia acontecer, mas era raridade – de adolescente grávida ou infrator.
Mas vamos à folhinha verde. Maria ou Pedro ou Juarez propunha a Antonio ou Célia ou Teresa: vamos ficar de Folhinha verde?
Ficar de folhinha verde significava obrigação de ter sempre consigo e pronta para exibir, quando solicitada, por quem com quem você ficou, uma folha verde de planta.
E o compromisso era muito sério. Sempre observado. Quebrá-lo se assemelhava a uma meio desmoralização, guardadas as proporções, do tipo do contrato com um fio de barba.
Quando um via o outro, gritava: Folhinha Verde! Essa deveria ser imediatamente apanhada onde estivesse com a pessoa interpelada. Não valia tirar de uma árvore naquele momento, nem apanhar em outro qualquer lugar onde tivesse sido deixada.
Caso contrário, tinha que “pagar uma prenda” a critério do interpelante.  Eram das mais estranhas as mais simples, custosas ou menos, mas sempre uma reprimenda ao incauto distraído.
E como se ficava de folhinha verde! E quanto era divertido! E quanto contribuía para se ter mais atenção com o compromisso assumido.  (Eu me lembro com saudade... velhos tempos, belos dias...).
Pronto, Rachel, minha prima, sua sugestão foi atendida.
Tenham todos uma leitura que se não for tão boa, ao menos será sadia.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

UTILIDADE PÚBLICA

Nosso assunto hoje é de utilidade pública.


1.Realizei uma compra no meu cartão de crédito ITAUCARD no mês 12/10 e fiz a devolução dessa compra no mesmo dia, porém fui informada que devia pagar o valor da compra para ter meu dinheiro devolvido. Daí em diante minha vida virou um inferno pois nada do que fui informada aconteceu, paguei toda a compra, após 4 meses da compra realizada que fui receber o valor de volta mesmo assim debitado em outra compra e agora estou sendo cobrada de novo pela mesma compra com a alegação que o valor devolvido foi incorreto, não aguento mais isso , pior que quando ligo pra central o sistema está fora do ar .Até quando? Queria que fosse resolvido logo ou vou ter que ir até o PROCON e o pior é que a fatura do cartão chega quase no dia de pagar e se não for paga no dia eita juros em cima assim não dá mais!!!!! (sic)

2.Fiz um empréstimo paguei regularmente as prestações até que adoeci e fiquei sem pagar por falta de dinheiro e não por não querer. Quando estava em condições voltei ao Banco. A negociação proposta era um absurdo. Fiz particularmente o cálculo e foi constatado que antes de interromper o pagamento meu débito já  tinha sido quitado e ainda tinha o que receber. Entrei na justiça já que não houve acordo e ganhei.

São duas de tantas reclamações que todos os dias se ouvem a respeito dos transtornos causados pelo cartão de crédito. Nenhum deles excluído.
Há quem faça uso irregular do mesmo, mas quase sempre a culpa é mesmo do lado do mais forte que suga os mais fracos.
Os juros abusivos praticados por bancos é um descaso.
Sua primeira defesa quem faz é você mesmo. Caso não consiga, procure um advogado e entregue-lhe a causa. Isto tem que acabar. Não vergue.

A equipe do Dr. Alexandre D. Mathias (8142 8242) especializou-se no assunto. Há outras.

terça-feira, 17 de maio de 2011

SA SÃO - M A MA - T H Ê TEUS

Todos conhecemos histórias interessantes e até engraçadas dos nossos predecessores principalmente, moradores da Aldeia em que nascemos, extensas territorialmente muitas e muitas vezes, mas com poucos habitantes. As famílias eram na maioria pobres, mas sobreviviam bem, outras sem dúvida, podiam cantar: “faltava tudo, mas a gente nem ligava o importante não faltava seu sorriso, seu olhar” e outras coisas mais.
Entre detalhes interessantes e bem lembrados, se contam sensações que tínhamos das distâncias que representavam certos pontos. No meu São Mateus, por exemplo, estando na Praça de São Benedito e olhando em direção à Chácara do Estado, Ave Maria! era uma lonjura... o Sernambi era muito longe, o Ribeirão mais ainda,  mas curiosamente, eu que tinha essa impressão não hesitava em sair da casa na Rua do Alecrim onde morávamos e ir à venda de papai no Porto, lá na rua antiga do “Trole”, no qual minha mãe, que trabalhou na Serraria de S. Lolô, no 47, deslocou-se muitas vezes.  
O trole era um carro com rodas sobre trilho de estrada de ferro, empurrado por impulso de braço com uso de uma vara. Não conheci o veículo foi mamãe que contou.
Saindo de casa, dobrava a esquina de tia Chiquinha, passava em frente de Sá Mariquinha, não sem gritar: “bença Sá Mariquinha”, continuando a caminhar, era suficiente o tempo para ouvir sua voz que vinha lá de dentro, certamente da cozinha, onde sentada no banco ela rezava o terço,  atravessava o corredor, e através da janela da sala, cuja parede era repleta de quadros de santos repetia: Deus te abençoe! Passava na frente da casa de S. Arquimino que sempre estava à janela ao lado de D. ?  dona.... dona... esqueci o nome dela... Depois pergunto a Nice Lyrio que é cria do casal, chegava à esquina do Banco do Brasil – do outro lado, estava a venda de tio Jorge, e eis a Praça de São Benedito, - o point das noites de sábado e domingo, era onde estava o coreto onde a Banda tocava...onde quase sempre colhia uma folha de filco que enrolada estrategicamente, juntadas as pontas, produzia um assobio fantástico ou eram portadas em algum lugar da roupa ou entre esta e o corpo, as vezes presa com um alfinete,  para não cair nas garras da pessoa com quem “se  ficasse de folhinha verde”.  Atravessada a praça, passava na frente do Bar que antes de a Zeca Taurino não me lembro  a quem pertenceu. E a poucos passos, ao lado do Bar de Ericson e Edson Pessanha que levaram a primeira fábrica de picolé para a cidade e que nos primeiros dias fazia-se fila para comprar,  depois de alguns degraus de uma escadinha de cimento começava-se a pisar grandes pedras que cobriam a ladeira mais curta, entre a cidade alta e a cidade baixa.
A parada seguinte era no curso dela em frente da Pharmacia de Roberto Silvares. Na lateral havia uma grande janela, protegida por uma grade, ali passei horas olhando o farmacêutico andando pra lá e pra cá, preparando as fórmulas prescritas por Dr Guilherme para curar os doentes, fazendo ele mesmo consultas. Havia sempre gente circulando ao seu redor o que não  parecia incomodá-lo. 
Prosseguia o caminho pela continuação com o entroncamento, a Ladeira de São Benedito, onde se descreve uma curva, pois, não convinha descer aquela da venda de S. Moacir ali tinha aquelas mulheres... (Coitadas). Depois do entroncamento com a Ladeira de São Mateus, seguia-se em frente, um duzentos metros, à  direita ficava a venda de tio Zezé que tinha uma caminonete marca Ford, da qual guardo memória que outro dia vou contar. Passava também em frente da agência do "Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo", mas eu já transitava pelo outro lado da rua, pois bastava virar a esquina para chegar na venda de papai, uma garagem improvisada em estabelecimento comercial, em muito contrastando com o prédio de dois andares em frente, de S. Dodô Rios, residência em cima, comércio em baixo, aos fundos, caudaloso perenemente passava o Cricaré.
Mas já escrevi quase bastante e ainda não contém o caso, origem do título desta crônica. Ouvi de Zeno Gomes, às gargalhadas,  na casa de suas irmãs, as Maritinhas.
S. Nicanor Motta, tio de Zeno, foi líder político  inato segundo os parâmetros do tempo e do lugar. Tinha uma venda na esquina da Rua na altura do hoje BANESTES. O balcão era também sua mesa de trabalho. Cuidava carinhosamente, pacientemente, de propiciar a quem não tinha, alistamento eleitoral. E era necessário requerer.
Pois bem, aos semi analfabetos era preciso ditar letra por letra e ele o fazia. Por exemplo:São Mateus: escreve assim, meu coração: sa são; e o desejado eleitor não conseguia. Sua paciência porém,  não findava. Vamos, meu coração, vamos escrever de novo: s a  são, m a – ma – the teus, tantas vezes quantas necessárias.
Não sei se soube contar como ouvi e me fez rir tanto, mas fica o registro.  
S. Nicanor chegou a representar-nos por um período na Assembléia Legislativa e absolutamente nada mais, mas seu nome ficou na história.