segunda-feira, 6 de novembro de 2017

HONESTIDADE NÃO TEM PREÇO

Hoje fui praticamente despertada pelo telefonema de uma amiga que mora no Planalto Serrano, tido por muitos, como lugar onde não moram pessoas de bem. Mas é claro que se trata de preconceito ou de engano, tem gente honesta ali sim.

Um oficial de justiça munido de um mandado de “busca e apreensão” queria levar o carro do cunhado dela que já está quitado, ignorando os comprovantes que lhe eram demonstrados.


É verdade que ele (o cunhado), andou atrasando umas prestações, mas a esta altura já pagou tudo, aliás, quitou o carro.

Falei com o oficial pelo telefone. Quis justificar o que fazia com argumentos não jurídicos, claro que os contestei. Chegou a dizer que dali já havia até telefonado ao juiz que respondera “é assim mesmo”. Perguntei o nome do Juiz e ele trocou, “na verdade falara com a assessoria”... Ai, ai, que assessoria madrugadora!

Mas o que eu quero falar mesmo é que o oficial foi embora dizendo que “abortava a diligencia”. Só que não deixou cópia da inicial como é devido. Estou querendo saber se quando da certidão, - aquela do verso do mandado – certificou que a deixou, como é praxe. Neste caso, cometeu crime, porque  na verdade só deixou o número do processo. Isto se chama falsidade ideológica:

Código Penal                                                                                              Art. 299- Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:
                                                                                                               Pena - reclusão de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular.

 A cópia da inicial serviria de prova da existência do fato que estava ocorrendo, cobrança de dívida já paga que tem como consequência pagar o valor em dobro, segundo inteligência do art. 940 do Código Civil Brasileiro. 

O Autor da ação também tinha obrigação de sustá-la ao ver a quitação do veículo. Por que razão não o fez? Causou constrangimento, incorre em dano moral.

Está provado que as grandes coisas se fazem com as pequenas, enquanto isto, vou-me lembrando da resposta dada pela cobradora ao viajante, Prof. João Alberto, em Estocolmo, que lhe pergutou passando por uma catraca a pagamento, enquanto outra era livre e ninguém passava por ela, tendo sido esclarecido que se destinava a pessoas que não tivessem dinheiro para pagar.

- E se uma pessoa, mesmo tendo dinheiro, passar por ali?

- Por que o faria?  respondeu a moça, depois de um piscar de olhos (que segundo relato eram lindos e azuis).

Isto é que é certo. Como aconteceria aqui? Pulam-se as catracas únicas com violência e atemorizando. Mesmo assim, do pedestal do nosso não sei o quê, “metemos o pau nos políticos” que se originam dos mesmos cantões que nós, são carne e ossos da nossa mesma carne e dos nossos ossos. Gente do nosso convívio.

“A honestidade é um dos valores mais libertadores que um povo pode ter. A sociedade que a tem naturalmente, certamente, está num patamar de desenvolvimento superior”. (Frank Medina).

Aconteceu ainda ontem mesmo, deixei perplexa a moça do caixa de uma padaria. Ela me devia voltar 40 reais e ao invés me dava 60 reais de troco. Fiquei com as mãos abertas, sorrindo e olhando para ela (antes mais uma vez observei sobre a majoração do valor cobrado, quando alegam que não têm moeda suficiente ou correspondente – e o que  temos eu ou nós com isto?). Ao perceber meu olhar, ela intuiu algo e que realmente era  nas minhas mãos que estava o porque daquele sorriso. Desconsertada, enquanto apanhava os vinte reais a mais, confessou: “me enganei”. Mas também não agradeceu.

Ação, gente, a estrada é longa, mas que não cansemos ou deixemos de caminhar. Com pequenas coisas boas mudam-se as grandes que são más.



Marlusse Pestana Daher                                                                         Vitória, 6 de novembro de  2017  13:47

sábado, 4 de novembro de 2017

BEM QUE EU DISSE

Este é um artigo que publiquei em 09 de julho de 2001
Releio, um aqui outro ali, resolvi republicar, Nada mudou. 
Retirei dois nomes citados.

ADVERSÁRIOS DA CIDADANIA

Bem que eu disse:

Os acontecimentos comprovam com sempre mais dilatada evidência que já não somos um estado governado e que as crises instaladas tendem a se tornar ainda mais graves com irreparáveis prejuízos para a população, particularmente para os mais pobres que dependem dos serviços essenciais que ao mesmo Estado lhes compete prestar.


As saídas, ainda que pela porta da frente, com toda dignidade e de cabeça erguida, ........,  demonstram que  homens de bem incomodam  a  grupos sedimentados de adversários da cidadania.  Os resultados de suas lutas honestas são invertidos, levando-os a optarem por deixar o cargo, por não valer a pena o desgaste sofrido.

Há algo instalado e organizado nos bastidores, no sentido de tudo ser feito em favor da impunidade daqueles que enriqueceram a custa do erário em outros mandatos, no curso dos quais  não se  procederam como devido ou mediante CPIs, às investigações respectivas. Nem se olvide que ações de improbidade administrativa ajuizadas pelo Ministério Público, capazes de punir exemplarmente os ímprobos, são atravancadas para permanecerem “in eterno” nos escaninhos das varas para onde foram distribuídas.

Não há quem resista a tanta pressão e que diante de tantos ataques tenha a serenidade necessária para continuar detendo o equilíbrio do qual carece para tomar as decisões que a cada momento são reclamadas.

A gravidade se agiganta, ante a constatação ou, ao se saber que parte dos que se arvoram em querer bater o martelo a qualquer instante e promover o afastamento, também são passíveis de terem um martelo que bata contra eles, até por merecerem muito mais.

Na zona instalada pelo caos, acabam de parar por tempo indeterminado, os profissionais da saúde que trabalham nos diversos hospitais. A zero hora de ontem paralisaram os trabalhadores do IESP (Instituto Estadual de Saúde Pública). Hoje, estava ameaçada paralisação no Hospital Infantil, onde é atendida aquela que é considerada prioridade absoluta, a criança.  Quanto mais se não fosse!!!

E quem na última sexta-feira, em palestra sobre “Cooperativismo a Luz dos Direitos Humanos”, divulgava-os alto e em bom som, demonstrando que o que está escrito nos trinta artigos da Declaração Universal promulgada pela ONU, está escrito também, no título II, dos Direitos e Garantias Fundamentais da nossa Constituição Federal, exatamente no artigo 5º, mas até o  17 e que tentava manter acesa onde ainda fumegava débil e procurava acender onde se apagou, a chama de tal certeza, ou ao menos a esperança,  no ânimo dos interlocutores, pós graduandos em cooperativismo, eis aqui, fazendo um esforço enorme para repetir que os direitos humanos continuam existindo e que precisamos continuar lutando por eles. Até mesmo, não desconhecendo  razão que assiste a  Guilherme Nucci que na semana passada, me mandou um e-mail dizendo que gostou do artigo – A Luta pela Cidadania -  concluído  assim: “Sou um eterno e bravo lutador pela cidadania e não vou desistir, mas confesso que o adversário ganha praticamente todas”.

Será que é por causa de muito futebol arte, muita praia bonita, muito humor, muito samba rasgado, escola de samba, camisa riscada, samba no pé, de certo modo, muita liberdade usada pelo avesso, loteria, bingão, pouca escola, profissional de educação mal pago, alma brasileira, em se plantando tudo dá, mas eu não planto não... ou deixa que eu planto depois,  tempo passando, tempo perdido...

Poucos em proporção a todos os outros, mas há os espertalhões que vão juntando tudo que todos os outros deixam pra lá.  Ai a razão das diferenças. Ai reside o mal.

Mas se o povo quiser pode mudar tudo isto. Então, gente, a hora é agora, “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. O ano que vem já vai chegar!

09/07/01

terça-feira, 31 de outubro de 2017

MENTIRA, SUBTERFÚGIO SE OPÕEM À SINCERIDADE

No domingo, dia 22 deste mês de outubro, Pe. Renato que celebrou na Matriz de São Franciso, em Jardim da Penha, na homilia fez referência à palavra SINCERO, SINCERA e à sua origem. Fiquei curiosa e fui em busca. Encontrei.


A palavra ‘sincera’ ou ‘sincero’ é bastante usada no dia a dia: “Sinceramente falando…”, “Estou sendo sincero com você” e assim por diante. Dizemos que a pessoa é sincera quando fala realmente o que sente, sem malícia, sem dissimulação, sem esconder nada do outro. Mas você sabe qual é a origem da palavra sincero?
A palavra ‘sincera’ vem da junção de duas palavras do latim: sine cera.

A versão mais comum para a origem dessa palavra é que, em Roma, os escultores desonestos, quando esculpiam uma estátua de mármore com pequenos defeitos – trincas ou pequenas imperfeições no material ou na confecção – usavam uma cera especial para ocultar e esconder essas imperfeições nas estátuas e de um modo que o comprador não percebesse.
Com o tempo, as pessoas que compravam essas estátuas descobriam as imperfeições, ou seja, descobriam que era uma escultura “cum cera”. Os escultores honestos faziam questão de dizer que suas estátuas eram “sine cera”, ou seja, perfeitas, sem defeitos escondidos.
Há ainda outra versão para a origem da palavra. Segundo esta versão, os artesãos romanos fabricavam vasos de cera. Se a cera era de excelente qualidade – pura –, o vaso tinha uma transparência que permitia ver os objetos colocados dentro dele. Os romanos apreciavam muito um vaso assim e diziam que era um vaso que parecia não ter cera, sine cera, límpido, que deixava ver o que estava dentro dele.


Não importa a versão, com o tempo, a palavra sincera passou a ser usada no sentido que é utilizada atualmente e que tem tudo a ver com a história subjacente a seu significado original.  

https://www.epochtimes.com.br/conheca-origem-palavra-sincero/#.WfkPOVtSyM8

NOMES CONHECIDOS, FATOS ESQUECIDOS


 O nome mais divulgado na imprensa capixaba é o de Thiérs Vellozo. Sai todo
kleber Galveas é pitor e escritor. 
dia na primeira página, como fundador de um jornal. Empreitada extraordinária numa época de analfabetos, 1928. Mas ele fez mais...

Conhecemos apenas como nomes de ruas e praças muitos capixabas que deram expressiva contribuição à nossa cultura. De suas obras, atitudes ou pensamentos, que é o que poderia ainda estar vivo e ser útil, nós não sabemos quase nada. Alguns desses personagens levaram vidas que dariam argumentos para filmes; outros foram ousados pioneiros: Atílio Vivacqua é importante para quem pesquisa a gênese da Reforma Agrária no Brasil; Moniz Freire, para interessados na evolução da democracia com a adoção do Voto Secreto; Chapot Prevost, (nome de rua em Vitória e Rio) para obstetras; Levino Fanzeres, para curiosos sobre os reflexos do impressionismo no Brasil e o desenvolvimento da pintura no Rio de Janeiro...

 O escritor Des. Eurípedes Queiróz do Valle, em sua obra: “O Estado do Espírito Santo e os Espírito-Santenses” (fonte rica em informações sobre nossa terra e nossa gente), lista entre tantas outras coisas interessantes, as 10 mais importantes atividades pioneiras desenvolvidas por capixabas. Entre essas aparece a “Inconstitucionalidade das Leis Imorais”, defendida pela primeira vez em 1915, por Luiz Adolfo Thiérs Vellozo, ao publicar seu livro “Sobre a Questão de Limites Entre ES e MG”, provocando conceitos de juristas nacionais e estrangeiros.

 
No ano seguinte (1916) o presidente Wilson, em Mensagem ao Congresso Americano, fez honrosa referência ao princípio de que “toda lei imoral é inconstitucional”. Ele procurava convencer o Congresso Americano a autorizar a participação do seu país na 1º Guerra Mundial, iniciada há 2 anos. Leis elaboradas dentro de um contexto de paz, não poderiam cercear o bom costume e a tradição de se socorrer países amigos, em aflição extrema. Assim, o Parlamento Americano, com sua Constituição desde a Independência, cede à evidência dos fatos e ao interesse social, autorizando a guerra. Essa ação dramática indica que leis devem acompanhar a evolução dos acontecimentos e que direitos adquiridos em um contexto, carecem serem revistos em certas ocasiões, em benefício da ética.

Rui Barbosa, escrevendo sobre ética, citou nominalmente Thiérs Vellozo em artigos publicados na imprensa carioca, em 1917. A tese do capixaba foi também objeto de longas discussões no 1° Congresso Nacional de Direito Judiciário (Rio) e 2ª Conferência Nacional de Desembargadores (Salvador).

A contribuição dada pelo ilustre capixaba à ciência jurídica foi esquecida devido à sucessão de ditaduras e conflitos do séc. XX, ao pragmatismo e imediatismo que prevalece no mundo contemporâneo e ao nosso persistente desinteresse pela prata da casa. O Estado nascido da sociedade, mas posto acima dela e se distanciando cada vez mais (Engels-1884), precisa de uma correção de caráter. Ele tem servido em todo o mundo como instrumento do capital para acumular riqueza, em favor do próprio Estado e de uma minoria mesquinha.

Será interessante trazer as ideias de Thiérs Vellozo para o debate. São cada vez mais necessárias, já se passaram quase 100 anos da sua publicação e constitui um patrimônio moral: o mais importante legado deste cidadão à nossa cultura.

Kleber Galvêas – pintor       Tel.: 3244-7155



AOS JOVENS DE TODAS AS IDADES

"Sede santos, assim como vosso Pai celeste é santo". (Mt 5, 48)

Juventude e santidade são duas palavras que para muitos combinam, mas, para alguns, parecem estar em contradição. Grande parte desse pensamento contraditório faz parte de nossa cabeça, a dos jovens. Ao tentarmos imaginar um santo, a primeira imagem que nos vem, é a dos santos e santas da igreja. Assim, rapidamente, santidade passa a ser para nós como algo muito difícil, e até mesmo, impossível. Será que santidade é isso mesmo?

 O apelo a viver a santidade nos vem de Jesus: "Portanto, sede santos, assim como vosso Pai celeste é santo" (Mt 5, 48). Paulo usa a palavra "santo" para se referir aos cristãos das comunidades. A palavra "santo" não pode ser confundida com as estátuas das nossas igrejas, mas deve ser vista como um convite a viver a vida num estilo diferente: o estilo de Jesus.  "Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu, sentir o que Jesus sentia, sorrir como Jesus sorria e ao chegar ao fim do dia eu sei que dormiria muito mais feliz". A palavra chave é a palavra final: "feliz". Santo é aquele que é feliz. Assim o convite à santidade é um convite à felicidade.

Os jovens têm dentro de si a busca pela felicidade, aliás, é algo que faz parte da natureza humana. Deste modo, juventude e santidade têm tudo a ver.Creio que os jovens de hoje são tão capazes quantos os do passado, continuam sonhando, ousando, arriscando.A vida de santidade é viável, pois, Deus nunca nos convida a algo inatingível. As coisas impossíveis, só a Ele pertencem. A santidade está nas pequenas coisas do dia-a-dia, em realizar as coisas da melhor maneira possível, não basta fazer por fazer, mas é preciso fazer bem feito.Acredite e seja feliz!    


Disponivel em: http://ccempp.blogspot.com.br/2010/09/sede-santos-assim-como-vosso-pai.html

domingo, 22 de outubro de 2017

AMIZADE


Uma ocorrência que se dá sempre em cada uma das nossas vidas é o daquele momento em que pegamos aquela montanha de contas telefônicas, de luz,
condomínio, cartas, cartões... que costumamos guardar, porque pensamos que podem servir a qualquer hora, às vezes até servem, mas a possibilidade é remota.

Aconteceu comigo, exatamente ontem, precisei de um protocolo, podia estar entre eles. Enquanto procurava, um cartão de Natal me chamou particular atenção. À frente, veem-se três rosas e um botão. Acima foi escrito: Cada botão não floresce mais que uma vez. Assim como a nossa vida tem o seu momento único de graça.

Foi mandado de Presidente Olegário – MG, por Mônica (de tal) em dezembro de 2004. No interior, a mensagem natalina versa também sobre amizade e é de querida amiga Marlusse que sou tratada na cartinha em papel separado que acompanhou a mensagem, na qual ela agradece também por um livro meu que lhe mandei.

E agora? Quem é essa Monica? Esqueci completamente. Para me consolar fui ouvir Oswaldo Montenegro que canta: Faça uma lista de grandes amigos / Quem você mais via há dez anos atrás / Quantos você ainda vê todo dia / Quantos você já não encontra mais... Encaixou certinho.

Pessoas com quem convivemos na rua da infância, (a Rua do Alecrim do meu São Mateus), nos bancos escolares, nas igrejas, aquelas que se vai conhecendo por cidades por onde se passa, nos encontros diversos, em tantos congressos, em diferentes estados e até países, quantas pessoas! Algumas realmente se tornaram amigas, houve comunicação mais ou menos duradoura, outras apenas passaram.

Mas há aquela particular ou especial amizade, de quem a gente vê pouco, telefona no dia do aniversário, ou em momento singular, mas cada reencontro é marcado por muita alegria, por abraços que dizem mais que palavras, não há cobranças, não se proferem ais. Celebra-se!

É tão bom reatar amizades, reaproximar-se. Experimentei de tal delícia também recentemente, valeu muito a pena. Agora, com a internet então, como ficou mais fácil!

A verdade quem cantou foi Milton: amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração... Amizade é muito importante, conforta na dor, anima na caminhada, alegra a vida, dá respostas aos questionamentos de momento ou não, vela pelo outro e até previne em caso de necessidade.

Amigo aplaude, amigo reconhece o valor do outro, agradece sinceramente pelo que recebe, rejubila-se com as conquistas do outro. Inveja? Jamais.

Eu não sei mais quem é aquela Mônica, sequer me lembro onde foi que nos encontramos, louvo o momento de amizade que reciprocamente vivenciamos e como a vida continua dando muitas voltas, pode ser que acabemos por topar uma com a outra por ai.

Eu também quero ter mais que “um milhão de amigos” e a todos dispensar muito carinho. Forma infalível é, por exemplo, dispensar  cuidados com a Mãe  Terra, eis que ela representa o ponto comum que não somente entre nós, nos une, mas todos os outros, a inteira humanidade.
E eis que por fim confesso: amigas e amigos, adoro vocês.

Marlusse Pestana Daher

Vitória, 22 de fevereiro de 2013 18:28

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

COMO É POSSÍVEL?


Por mais que reflitamos sobre as coisas, existem aquelas que em determinados momentos adquirem novos contornos, ou se tornam mais interpelativas, ou fazem sentir muito mais o que são de tudo aquilo que a gente disser.

Uma avó, viúva, naturalmente idosa, com sua pensão de marido assalariado, ou conseguida pelo benefício assistencial ao idoso do INSS a que algumas fazem jus, completados 65 anos e não dispõe de nenhuma outra fonte de renda, sustenta filhos, netos e bisnetos. Se se falou de filhos, são no mínimo ou ao menos dois, duas a maior possibilidade é que sejam mulheres,  netos três ou quatro e bisneto, ao menos um.

E a pergunta foco é como é possível? Vamos ali ao supermercado e só estamo-nos referindo ao item alimento, não compramos quase nada e gastamos cento e cinquenta, duzentos reais. Ai já corresponde a um terço do mensal da tal avó. A luz não é de graça, nem a água, tem o crédito do telefone, porque hoje ninguém mais vive sem um, nem que seja do tipo “pai de santo”, só serve para receber (telefonemas ou mensagens). Tem aquela prestação pela compra daquele objeto que a propaganda tipo “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, tornou de aquisição irresistível. Quem sabe fez empréstimo para pagar dívidas e acumulou mais dívida ainda, em cima de dívida.

Tem SUS mas não tem médicos suficientes, nem todos os remédios necessários ou prescritos. Ninguém pode andar nu e se souber que em algum lugar de caridade está sendo feita distribuição de coisas lá se vai, pagando passagem de dois três ônibus, gasta toda a manhã para chegar, entra numa fila enorme para ouvir quando já está quase chegando sua vez: “sentimos muito,  mas por hoje acabou”

Como é possível? Não é. Quem disse que é possível “não sabe da Missa um terço”, mas pode ser que se esqueça que seja esta a causa da intranquilidade das  nossas vidas, porque somos nós que temos que ficar presos em nossas casas, que a qualquer momento podemos ser alvo de uma bala perdida ou mesmo propositalmente direcionada a nós. Nunca pensamos que podemos ser assaltados, (eu já fui); pensamos que as coisas só acontecem com os outros.

Para entender o impulso determinante de tantas condutas reprováveis, um bom exame de consciência pode ajudar e muito. Como a gente se sente diminuído por ter sido preterido a um lugar esperado, a um cargo pelo qual tanto anseia, no emitir de opiniões por outras superadas. Parece pouco, mas “as grandes coisas se fazem com as pequenas. Estou hospedada num hotel e na hora do acerto das diárias pergunto o que está sendo cobrado. Respondem-me que só as diárias, se não sou suficientemente honesta, vou embora, bebi água da geladeira e consumi alguma guloseima que tinha seu preço e fiquei calada. Chego em determinado lugar, vejo uma caneta por ali, aparentemente de ninguém, coloco na bolsa e saio tranquila... Isto é furto. Dou um jeito e coloco na mala alguma coisa disponibilizada aos hóspedes num hotel, só enquanto ali estiverem, mas eu levo embora mesmo que não me esteja fazendo falta. Isto também é furto.

Em outra circunstância, sei que tal candidato é corrupto, mas voto nele porque assegurou um emprego para mim ou para meu filho. Isto não é cidadania. Recebo troco a mais ou da outra parte o caixa recebe duas notas coladinhas porque são novas e cada um aperta ainda mais o  bico para que não se atreva a não ficar calado.

Não sou justa em recompensar quem trabalha para mim.  Você que me lê poderá acrescentar muitos outros exemplos semelhantes.

O pobre cuja índole pode ser tão podre quanto a minha, vê a chuva vazar barraco a dentro, não tem lugar que fique preservado. Suja roupas, as próprias pessoas e onde está a água para lavar? De manhã não teve café quanto mais com pão. Nem batata porque a ele também não ocorre plantar. E com o passar das horas o estômago dói pela fome e acaba sem ânimo e a esta altura não vale dizer nem que “Deus veste os lírios dos campos e alimenta as aves do céu, quanto mais esquecerá dele”, porque também não é esta a lógica do Evangelho, Deus não nos substitui no que a nós compete fazer. Ele nos dotou de todo bem e nos concedeu toda graça, até fez do seu próprio Filho mártir, para nos resgatar da morte e do pecado, para que assumíssemos nossa humanidade e preservássemos nossa dignidade.

A nação que formamos deve ocupar um território demarcado onde falando a mesma língua nos entendamos. Dialoguemos e juntos busquemos soluções para os nossos problemas. Que “falemos a mesma língua”, no sentido de que sejam comuns os esforços de cada um para que o bem comum não se torne de uns poucos, para que não hajam tantas diferenças, para que as classes não se traduzam no binômio  miséria x abundância. Elas sirvam no máximo, para desigualar iguais enquanto esta desigualdade se traduza na harmonia que deve perpassar a coexistência não só social como humana, mas com os animais, com o ambiente, com todo o criado. 

Para tanto se recomenda ser civilizado, isto é, criar a civilização do amor.
E não se venha afirmar que o sobredito é utopia. Antes é a única estrada que nem os loucos erram atravessando por ela, rumo a terra prometida “onde corre leite e mel”.

Há soluções simples: Enquanto não gostarmos de ler para formular nossos próprios conceitos. Enquanto não pararmos para pensar e concluir o que acontece a nossa volta e acharmos que não me afeta, porque vou-me aborrecer, deixa isto par lá?  Enquanto não assumirmos a nossa cidadania que antecede a democracia, contribuiremos para a já  praticamente extrema degeneração dos valores, para a manutenção no poder de pessoas indignas, pela desvalorização do gênero humano, entre mais, pelo equívoco de ser o mesmo que sexo e criar qualificativos para impressionar falas, afastamos o raiar de um novo dia em que ao menos não seja necessário que “alguém seja menos rico para que tantos não sejam tão pobres”.


Marlusse Pestana Daher                                                                        Vitória, 17 de outubro de 2017  17:28

Fugindo da própria terra, da pátria, da terra de seus antepassados.