terça-feira, 31 de outubro de 2017

MENTIRA, SUBTERFÚGIO SE OPÕEM À SINCERIDADE

No domingo, dia 22 deste mês de outubro, Pe. Renato que celebrou na Matriz de São Franciso, em Jardim da Penha, na homilia fez referência à palavra SINCERO, SINCERA e à sua origem. Fiquei curiosa e fui em busca. Encontrei.


A palavra ‘sincera’ ou ‘sincero’ é bastante usada no dia a dia: “Sinceramente falando…”, “Estou sendo sincero com você” e assim por diante. Dizemos que a pessoa é sincera quando fala realmente o que sente, sem malícia, sem dissimulação, sem esconder nada do outro. Mas você sabe qual é a origem da palavra sincero?
A palavra ‘sincera’ vem da junção de duas palavras do latim: sine cera.

A versão mais comum para a origem dessa palavra é que, em Roma, os escultores desonestos, quando esculpiam uma estátua de mármore com pequenos defeitos – trincas ou pequenas imperfeições no material ou na confecção – usavam uma cera especial para ocultar e esconder essas imperfeições nas estátuas e de um modo que o comprador não percebesse.
Com o tempo, as pessoas que compravam essas estátuas descobriam as imperfeições, ou seja, descobriam que era uma escultura “cum cera”. Os escultores honestos faziam questão de dizer que suas estátuas eram “sine cera”, ou seja, perfeitas, sem defeitos escondidos.
Há ainda outra versão para a origem da palavra. Segundo esta versão, os artesãos romanos fabricavam vasos de cera. Se a cera era de excelente qualidade – pura –, o vaso tinha uma transparência que permitia ver os objetos colocados dentro dele. Os romanos apreciavam muito um vaso assim e diziam que era um vaso que parecia não ter cera, sine cera, límpido, que deixava ver o que estava dentro dele.


Não importa a versão, com o tempo, a palavra sincera passou a ser usada no sentido que é utilizada atualmente e que tem tudo a ver com a história subjacente a seu significado original.  

https://www.epochtimes.com.br/conheca-origem-palavra-sincero/#.WfkPOVtSyM8

NOMES CONHECIDOS, FATOS ESQUECIDOS


 O nome mais divulgado na imprensa capixaba é o de Thiérs Vellozo. Sai todo
kleber Galveas é pitor e escritor. 
dia na primeira página, como fundador de um jornal. Empreitada extraordinária numa época de analfabetos, 1928. Mas ele fez mais...

Conhecemos apenas como nomes de ruas e praças muitos capixabas que deram expressiva contribuição à nossa cultura. De suas obras, atitudes ou pensamentos, que é o que poderia ainda estar vivo e ser útil, nós não sabemos quase nada. Alguns desses personagens levaram vidas que dariam argumentos para filmes; outros foram ousados pioneiros: Atílio Vivacqua é importante para quem pesquisa a gênese da Reforma Agrária no Brasil; Moniz Freire, para interessados na evolução da democracia com a adoção do Voto Secreto; Chapot Prevost, (nome de rua em Vitória e Rio) para obstetras; Levino Fanzeres, para curiosos sobre os reflexos do impressionismo no Brasil e o desenvolvimento da pintura no Rio de Janeiro...

 O escritor Des. Eurípedes Queiróz do Valle, em sua obra: “O Estado do Espírito Santo e os Espírito-Santenses” (fonte rica em informações sobre nossa terra e nossa gente), lista entre tantas outras coisas interessantes, as 10 mais importantes atividades pioneiras desenvolvidas por capixabas. Entre essas aparece a “Inconstitucionalidade das Leis Imorais”, defendida pela primeira vez em 1915, por Luiz Adolfo Thiérs Vellozo, ao publicar seu livro “Sobre a Questão de Limites Entre ES e MG”, provocando conceitos de juristas nacionais e estrangeiros.

 
No ano seguinte (1916) o presidente Wilson, em Mensagem ao Congresso Americano, fez honrosa referência ao princípio de que “toda lei imoral é inconstitucional”. Ele procurava convencer o Congresso Americano a autorizar a participação do seu país na 1º Guerra Mundial, iniciada há 2 anos. Leis elaboradas dentro de um contexto de paz, não poderiam cercear o bom costume e a tradição de se socorrer países amigos, em aflição extrema. Assim, o Parlamento Americano, com sua Constituição desde a Independência, cede à evidência dos fatos e ao interesse social, autorizando a guerra. Essa ação dramática indica que leis devem acompanhar a evolução dos acontecimentos e que direitos adquiridos em um contexto, carecem serem revistos em certas ocasiões, em benefício da ética.

Rui Barbosa, escrevendo sobre ética, citou nominalmente Thiérs Vellozo em artigos publicados na imprensa carioca, em 1917. A tese do capixaba foi também objeto de longas discussões no 1° Congresso Nacional de Direito Judiciário (Rio) e 2ª Conferência Nacional de Desembargadores (Salvador).

A contribuição dada pelo ilustre capixaba à ciência jurídica foi esquecida devido à sucessão de ditaduras e conflitos do séc. XX, ao pragmatismo e imediatismo que prevalece no mundo contemporâneo e ao nosso persistente desinteresse pela prata da casa. O Estado nascido da sociedade, mas posto acima dela e se distanciando cada vez mais (Engels-1884), precisa de uma correção de caráter. Ele tem servido em todo o mundo como instrumento do capital para acumular riqueza, em favor do próprio Estado e de uma minoria mesquinha.

Será interessante trazer as ideias de Thiérs Vellozo para o debate. São cada vez mais necessárias, já se passaram quase 100 anos da sua publicação e constitui um patrimônio moral: o mais importante legado deste cidadão à nossa cultura.

Kleber Galvêas – pintor       Tel.: 3244-7155



AOS JOVENS DE TODAS AS IDADES

"Sede santos, assim como vosso Pai celeste é santo". (Mt 5, 48)

Juventude e santidade são duas palavras que para muitos combinam, mas, para alguns, parecem estar em contradição. Grande parte desse pensamento contraditório faz parte de nossa cabeça, a dos jovens. Ao tentarmos imaginar um santo, a primeira imagem que nos vem, é a dos santos e santas da igreja. Assim, rapidamente, santidade passa a ser para nós como algo muito difícil, e até mesmo, impossível. Será que santidade é isso mesmo?

 O apelo a viver a santidade nos vem de Jesus: "Portanto, sede santos, assim como vosso Pai celeste é santo" (Mt 5, 48). Paulo usa a palavra "santo" para se referir aos cristãos das comunidades. A palavra "santo" não pode ser confundida com as estátuas das nossas igrejas, mas deve ser vista como um convite a viver a vida num estilo diferente: o estilo de Jesus.  "Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu, sentir o que Jesus sentia, sorrir como Jesus sorria e ao chegar ao fim do dia eu sei que dormiria muito mais feliz". A palavra chave é a palavra final: "feliz". Santo é aquele que é feliz. Assim o convite à santidade é um convite à felicidade.

Os jovens têm dentro de si a busca pela felicidade, aliás, é algo que faz parte da natureza humana. Deste modo, juventude e santidade têm tudo a ver.Creio que os jovens de hoje são tão capazes quantos os do passado, continuam sonhando, ousando, arriscando.A vida de santidade é viável, pois, Deus nunca nos convida a algo inatingível. As coisas impossíveis, só a Ele pertencem. A santidade está nas pequenas coisas do dia-a-dia, em realizar as coisas da melhor maneira possível, não basta fazer por fazer, mas é preciso fazer bem feito.Acredite e seja feliz!    


Disponivel em: http://ccempp.blogspot.com.br/2010/09/sede-santos-assim-como-vosso-pai.html

domingo, 22 de outubro de 2017

AMIZADE


Uma ocorrência que se dá sempre em cada uma das nossas vidas é o daquele momento em que pegamos aquela montanha de contas telefônicas, de luz,
condomínio, cartas, cartões... que costumamos guardar, porque pensamos que podem servir a qualquer hora, às vezes até servem, mas a possibilidade é remota.

Aconteceu comigo, exatamente ontem, precisei de um protocolo, podia estar entre eles. Enquanto procurava, um cartão de Natal me chamou particular atenção. À frente, veem-se três rosas e um botão. Acima foi escrito: Cada botão não floresce mais que uma vez. Assim como a nossa vida tem o seu momento único de graça.

Foi mandado de Presidente Olegário – MG, por Mônica (de tal) em dezembro de 2004. No interior, a mensagem natalina versa também sobre amizade e é de querida amiga Marlusse que sou tratada na cartinha em papel separado que acompanhou a mensagem, na qual ela agradece também por um livro meu que lhe mandei.

E agora? Quem é essa Monica? Esqueci completamente. Para me consolar fui ouvir Oswaldo Montenegro que canta: Faça uma lista de grandes amigos / Quem você mais via há dez anos atrás / Quantos você ainda vê todo dia / Quantos você já não encontra mais... Encaixou certinho.

Pessoas com quem convivemos na rua da infância, (a Rua do Alecrim do meu São Mateus), nos bancos escolares, nas igrejas, aquelas que se vai conhecendo por cidades por onde se passa, nos encontros diversos, em tantos congressos, em diferentes estados e até países, quantas pessoas! Algumas realmente se tornaram amigas, houve comunicação mais ou menos duradoura, outras apenas passaram.

Mas há aquela particular ou especial amizade, de quem a gente vê pouco, telefona no dia do aniversário, ou em momento singular, mas cada reencontro é marcado por muita alegria, por abraços que dizem mais que palavras, não há cobranças, não se proferem ais. Celebra-se!

É tão bom reatar amizades, reaproximar-se. Experimentei de tal delícia também recentemente, valeu muito a pena. Agora, com a internet então, como ficou mais fácil!

A verdade quem cantou foi Milton: amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração... Amizade é muito importante, conforta na dor, anima na caminhada, alegra a vida, dá respostas aos questionamentos de momento ou não, vela pelo outro e até previne em caso de necessidade.

Amigo aplaude, amigo reconhece o valor do outro, agradece sinceramente pelo que recebe, rejubila-se com as conquistas do outro. Inveja? Jamais.

Eu não sei mais quem é aquela Mônica, sequer me lembro onde foi que nos encontramos, louvo o momento de amizade que reciprocamente vivenciamos e como a vida continua dando muitas voltas, pode ser que acabemos por topar uma com a outra por ai.

Eu também quero ter mais que “um milhão de amigos” e a todos dispensar muito carinho. Forma infalível é, por exemplo, dispensar  cuidados com a Mãe  Terra, eis que ela representa o ponto comum que não somente entre nós, nos une, mas todos os outros, a inteira humanidade.
E eis que por fim confesso: amigas e amigos, adoro vocês.

Marlusse Pestana Daher

Vitória, 22 de fevereiro de 2013 18:28

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

COMO É POSSÍVEL?


Por mais que reflitamos sobre as coisas, existem aquelas que em determinados momentos adquirem novos contornos, ou se tornam mais interpelativas, ou fazem sentir muito mais o que são de tudo aquilo que a gente disser.

Uma avó, viúva, naturalmente idosa, com sua pensão de marido assalariado, ou conseguida pelo benefício assistencial ao idoso do INSS a que algumas fazem jus, completados 65 anos e não dispõe de nenhuma outra fonte de renda, sustenta filhos, netos e bisnetos. Se se falou de filhos, são no mínimo ou ao menos dois, duas a maior possibilidade é que sejam mulheres,  netos três ou quatro e bisneto, ao menos um.

E a pergunta foco é como é possível? Vamos ali ao supermercado e só estamo-nos referindo ao item alimento, não compramos quase nada e gastamos cento e cinquenta, duzentos reais. Ai já corresponde a um terço do mensal da tal avó. A luz não é de graça, nem a água, tem o crédito do telefone, porque hoje ninguém mais vive sem um, nem que seja do tipo “pai de santo”, só serve para receber (telefonemas ou mensagens). Tem aquela prestação pela compra daquele objeto que a propaganda tipo “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, tornou de aquisição irresistível. Quem sabe fez empréstimo para pagar dívidas e acumulou mais dívida ainda, em cima de dívida.

Tem SUS mas não tem médicos suficientes, nem todos os remédios necessários ou prescritos. Ninguém pode andar nu e se souber que em algum lugar de caridade está sendo feita distribuição de coisas lá se vai, pagando passagem de dois três ônibus, gasta toda a manhã para chegar, entra numa fila enorme para ouvir quando já está quase chegando sua vez: “sentimos muito,  mas por hoje acabou”

Como é possível? Não é. Quem disse que é possível “não sabe da Missa um terço”, mas pode ser que se esqueça que seja esta a causa da intranquilidade das  nossas vidas, porque somos nós que temos que ficar presos em nossas casas, que a qualquer momento podemos ser alvo de uma bala perdida ou mesmo propositalmente direcionada a nós. Nunca pensamos que podemos ser assaltados, (eu já fui); pensamos que as coisas só acontecem com os outros.

Para entender o impulso determinante de tantas condutas reprováveis, um bom exame de consciência pode ajudar e muito. Como a gente se sente diminuído por ter sido preterido a um lugar esperado, a um cargo pelo qual tanto anseia, no emitir de opiniões por outras superadas. Parece pouco, mas “as grandes coisas se fazem com as pequenas. Estou hospedada num hotel e na hora do acerto das diárias pergunto o que está sendo cobrado. Respondem-me que só as diárias, se não sou suficientemente honesta, vou embora, bebi água da geladeira e consumi alguma guloseima que tinha seu preço e fiquei calada. Chego em determinado lugar, vejo uma caneta por ali, aparentemente de ninguém, coloco na bolsa e saio tranquila... Isto é furto. Dou um jeito e coloco na mala alguma coisa disponibilizada aos hóspedes num hotel, só enquanto ali estiverem, mas eu levo embora mesmo que não me esteja fazendo falta. Isto também é furto.

Em outra circunstância, sei que tal candidato é corrupto, mas voto nele porque assegurou um emprego para mim ou para meu filho. Isto não é cidadania. Recebo troco a mais ou da outra parte o caixa recebe duas notas coladinhas porque são novas e cada um aperta ainda mais o  bico para que não se atreva a não ficar calado.

Não sou justa em recompensar quem trabalha para mim.  Você que me lê poderá acrescentar muitos outros exemplos semelhantes.

O pobre cuja índole pode ser tão podre quanto a minha, vê a chuva vazar barraco a dentro, não tem lugar que fique preservado. Suja roupas, as próprias pessoas e onde está a água para lavar? De manhã não teve café quanto mais com pão. Nem batata porque a ele também não ocorre plantar. E com o passar das horas o estômago dói pela fome e acaba sem ânimo e a esta altura não vale dizer nem que “Deus veste os lírios dos campos e alimenta as aves do céu, quanto mais esquecerá dele”, porque também não é esta a lógica do Evangelho, Deus não nos substitui no que a nós compete fazer. Ele nos dotou de todo bem e nos concedeu toda graça, até fez do seu próprio Filho mártir, para nos resgatar da morte e do pecado, para que assumíssemos nossa humanidade e preservássemos nossa dignidade.

A nação que formamos deve ocupar um território demarcado onde falando a mesma língua nos entendamos. Dialoguemos e juntos busquemos soluções para os nossos problemas. Que “falemos a mesma língua”, no sentido de que sejam comuns os esforços de cada um para que o bem comum não se torne de uns poucos, para que não hajam tantas diferenças, para que as classes não se traduzam no binômio  miséria x abundância. Elas sirvam no máximo, para desigualar iguais enquanto esta desigualdade se traduza na harmonia que deve perpassar a coexistência não só social como humana, mas com os animais, com o ambiente, com todo o criado. 

Para tanto se recomenda ser civilizado, isto é, criar a civilização do amor.
E não se venha afirmar que o sobredito é utopia. Antes é a única estrada que nem os loucos erram atravessando por ela, rumo a terra prometida “onde corre leite e mel”.

Há soluções simples: Enquanto não gostarmos de ler para formular nossos próprios conceitos. Enquanto não pararmos para pensar e concluir o que acontece a nossa volta e acharmos que não me afeta, porque vou-me aborrecer, deixa isto par lá?  Enquanto não assumirmos a nossa cidadania que antecede a democracia, contribuiremos para a já  praticamente extrema degeneração dos valores, para a manutenção no poder de pessoas indignas, pela desvalorização do gênero humano, entre mais, pelo equívoco de ser o mesmo que sexo e criar qualificativos para impressionar falas, afastamos o raiar de um novo dia em que ao menos não seja necessário que “alguém seja menos rico para que tantos não sejam tão pobres”.


Marlusse Pestana Daher                                                                        Vitória, 17 de outubro de 2017  17:28

Fugindo da própria terra, da pátria, da terra de seus antepassados. 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

PODEMOS SIM, A CONSTITUIÇÃO PREVÊ


Muitos, muitos mesmo já vêm afirmando: é inegável e evidente a contribuição das redes sociais em favor das pessoas, pelo empoderamento do povo. O que cai na rede, em pouco tempo atravessa fronteiras e incomoda ou alegra o destinatário.  

E assim é que em assuntos que há bem pouco tempo não se ousava falar já  têm o tratamento que aqueles a quem dizem respeito, fazem por merecer.
Já foi previsto na Constituição Federal que a assunção de um Juiz a cargo de instância superior devia pressupor, notável saber jurídico e reputação ilibada. Mas como muitas outras formalidades a conveniência derrocou com este e outros preceitos, costumes, normas, com os mais diferentes valores éticos e morais. Autoriza a se pensar que todos que vieram a ter sucessivamente tal atribuição eram/são desprovidos de todos eles, dai como avaliar, se de tal coisa nada sabe. E se pode falar no masculino, porque não era “coisa de mulher”. Quando se pode falar no feminino, ai mesmo é que piorou.

Nada menos que o Supremo Tribunal Federal, instância máxima do judiciário, guardião da Constituição Federal, alicerce de todos os direitos e deveres de todos os cidadãos, por exemplo, vem sendo achincalhado que é um horror. Ainda que se deva evidenciar o velho princípio de que “toda regra tem exceção”, a Corte está a carecer de tomada de um posicionamento que não ousa, mas está sempre a ditar regras que caem na vala comum: se de decisão judicial somente se pode recorrer, a quem fazê-lo? É verdade que existe uma OEA, mas apenas para certos casos, como de violação aos direitos humanos, como foi o de Maria da Penha, quando o Brasil foi condenado a editar uma lei capaz de coibir a violência doméstica. Editou a lei, mas esqueceu que a violência doméstica é prolongamento da violência da qual todas as outras se originam  e pouco adiantou.

Tem ministro que faz pose, mas já está no lodo, tem ministro que acumula milhares de processos nos escaninhos dos seus aposentos palacianos. Não houve hesitação no conceder auxílio alimentação ao judiciário o que se estendeu ao Ministério Público, que não precisam disto.

Muita chefe de família avó sustenta filhos, netos, bisnetos, com o mínimo de sua pensão. E querem mais, estão pugnando mediante subterfúgios pelo acréscimo dos seus já robustos vencimentos. É cota para deslocamento de casa para o trabalho o que fazem rodeados de seguranças e em carros oficiais, (tornando remotíssima a possibilidade de que algum infortúnio lhes aconteça), mas os pobres vão de ônibus lotado, sem nenhum conforto compatível com a dignidade humana, sujeitos à bala perdida, abalroamentos, atrasos e tudo de mal, ao sistema bem inerentes.
Título de eleitor de Getúlio Vargas

Comungo com o pronunciamento de alguns parlamentares que se voltam contra a reforma trabalhista. Não se pode conceder um mês de férias dividido por três ao trabalhador comum, enquanto outros têm dois meses. Ao magistrado um mês do salário em caso de férias, aos demais, apenas 1/3 (um terço). Como conceder 5% + 5% + 10% e mais, ao salário do Magistrado podendo levá-lo a ganhar mais de R$ 100.000,00 (cem mil reais) enquanto aqueles que mais penalizam ou não têm acesso à justiça em consequência de um sistema injusto, precisam se virar com apenas um salário  mínimo?

Não foi por acaso que já cantara Maria de Nazaré no seu Magnificat: “Ele depôs dos seus tronos os poderosos e elevou os humildes”.

E tudo isto decorre como queda de dominó, depois em efeito cascata. Chega aos ouvidos dos integrantes de um poder que naquele outro seus componentes enchem cada vez mais os bolsos. E ai vem a cobiça.

Mas também devo esclarecer: quando no início do artigo falei em empoderamento popular, longe estava de pensar que se estenda aos que se denominam militância como aquela que mediante recompensa de incautos com apenas pão e salame se juntam para defender São Lula da Silva, por exemplo. Estes formam sim, uma milícia cuja arrogância deve receber o tratamento que merece. Desafiam tudo e todos, pensam que se podem sobrepor ao direito, à justiça, à ordem, e à lei, sempre inebriados pela sede do poder que não souberam exercer e por isto lhes foi arrebatado, porque ao invés de se colocarem a serviço da nação, “quiseram transformar a Nação no seu projeto de poder”.

“Vocês não sabem do que somos capazes” disse Lula em campanha pro Dilma. Realmente ainda não sabíamos, ainda que suspeitássemos.

Por tudo isto, a Nação (Nação é povo) deve-se compenetrar sempre mais de que é a verdadeira detentora do poder, tal qual prevê a Constituição que é quem manda: Todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido, ainda que através de representação e sobre esta representação se devem concentrar nossas ações, nosso amor à Pátria, a construção de um país melhor para a presente e para as futuras gerações.

Urge, precisamos e devemos prosseguir com a mudança da classe política, extirpar dos cargos públicos um por um dos que hoje os ocupam, servindo-se deles em proveito pessoal.   

Não pensamos, nunca paramos para pensar: aplaudimos o que tem feito o Juiz Sérgio Moro, mas talvez não saibamos e é pura verdade,  juntos podemos infinitamente mais que ele. 


Marlusse Pestana Daher                                                                            Vitória, 16 de outubro de 2017 18:21                                                                                                                                              


sábado, 14 de outubro de 2017

PRIMAVERA IMPORTADA


Valendo grana, se Silvio Santos me perguntar qual é a estação das flores e der
O artista Kleber Galveas
quatro opções: primavera, verão, outono e inverno; eu respondo primavera para ganhar, mas sem acreditar.

Quando tinha 6 anos, aluno do jardim da infância em São Mateus, ES, respondi outono à mestra que festejava a chegada da primavera com cartazes floridos. A reprovação foi total, da tia ao colega desligado: contrariei a cartilha. Como estávamos na primavera, pedi que olhassem pela janela as poucas árvores floridas. Entre elas se destacavam ipês amarelos e manacás. A mata parecia um tapete verde-louro com poucos pontos coloridos.

No fim de semana anterior, havia subindo o rio Cricaré pela segunda vez com a família, quando ouvi minha mãe dizer: “Isso aqui estava mais florido na semana santa, no outono”. Todos no barco concordaram. Eu protestei, havia estudado na véspera e sabia de cor, o “ponto” das estações do ano. As ilustrações da cartilha estavam nítidas na minha memória: flores na primavera, frutos no outono.

Meu pai me explicou que também aprendera assim, mas que eu devia ficar atento ao nosso ambiente, fazendo minhas próprias observações. Pediu que prestasse atenção para comparar, essa observação na primavera, com a que faríamos depois do verão, no outono, na semana santa. Ele era médico, professor de inglês e matemática, ajudou a fundar o primeiro ginásio de São Mateus, ES, tinha prestígio na cidade.
No dia seguinte levei-o a minha escola, onde falou de observação, de anamnese na medicina e da importância desses procedimentos em qualquer investigação. Sugeriu que pesquisássemos, observando e desenhando nossas impressões das 4 estações. A professora ouviu e gostou.

No ano seguinte 1954, mudamos para Vila Velha e continuei observando: mata do convento, restinga, mangue e, nas viagens, o campo. Acredito que havendo mais flores nativas numa estação, aqui, isso ocorre no outono. Nosso outono corresponde à primavera do hemisfério norte.

Setembro, 22, TVs saúdam a primavera com flores, e fazem vinhetas. Agências de publicidade sugerem flores para ilustrar campanhas. Artistas realizam exposições temáticas. Poetas e cantores alegram a festa das flores. Vitrines, publicações, decorações, por toda parte as flores aparecem colocadas pelo homem. A natureza continua discreta apesar das provocações.
Vejo nisso expressão do instinto de imitação que nos assola, desinteresse por nós mesmos e pelo nosso ambiente. Mais flor na primavera tropical é por conta das escolas que só reproduzem conhecimentos, da publicidade, decorações e atos de fé. Aceitamos essa informação sem nos darmos ao trabalho de olhar pela janela. Perdemos a curiosidade, estamos prontos para acreditar.

Amor à natureza, como qualquer outro, principia com atenção e conhecimento. Aprofundar essa relação é compreender, aplicar, analisar, sintetizar e avaliar o objeto do nosso interesse. Destacar flores na primavera capixaba é empobrecedor, falso, equivale à exótica neve no natal. Adotá-las como símbolo da primavera tropical é ridículo, no mínimo plágio. Atentos ao mundo à nossa volta, notamos diferenças, aprendemos a usufruir e representá-lo, compondo nossa identidade e adquirindo segurança.

Aqui, há flores e frutos o ano todo.

Ecologia: a raiz da palavra é grega, “oikos” e significa morada. Quem não conhece sua morada contribui pouco, recebe menos, não sabe se apresentar: dizer de onde veio, quem é e o que quer.

Kleber Galvêas tel.: (27) 3244-7115 



PS. VEJA A EXPOSIÇÃO “OCTÓGONOS FLORIDOS”. Clique aqui no link:http://www.galveas.com/expooctogonosfloridos.htm