terça-feira, 2 de abril de 2013

ESTRANHO QUERER SABER


Às vezes fico pensando na incrível capacidade de certas pessoas de estarem a par de mínimos detalhes da vida de tanta gente. Não chegam a ser daquele tipo que sai propalando aos quatro ventos tudo de que acaba por tomar conhecimento, mas se mostra visivelmente inquieta enquanto não ficar sabendo de qualquer tipo de “novidade” vislumbrada  na vida, na casa, nas coisas de outrem.

Aproximam-se, com o mais doce de qualquer tom de voz e apesar de tentar, sem conseguir disfarçar o que pretende, inicia verdadeiro interrogatório a respeito do tema ou do objeto sobre o qual, acha que tem que ficar sabendo. Compararia a um vício.

Na verdade, deixa seu interlocutor em apuros, pois, nem sempre quer-se propagar o que somente a gente mesma diz respeito. Já dissera Sêneca: evitamos a inveja se guardarmos as alegrias para nós próprios. Por que me fazer falar o que eu não quero contar? Por que a insistência em dizer que é pobre, o rico é o outro e com aquelas sutilezas que acabam por ser antipáticas, prossegue invadindo minha privacidade ou de quem cair na sua berlinda?

Que sentimento seria este? Em casos específicos, passam-me a sensação de extrema curiosidade, não chega a ser inveja, antes, sentem necessidade de saber tudo.

Em certos casos, também não acho que  seja feito por mesquinhez, antes,  é no entanto, verdadeira desatenção para com o outro, não saber que as vezes esse outro prefere calar a não falar do que tem, ou comprou, ou ganhou, ou deu, etc...

Exatamente, envolve aquela ética do cuidado, que nos faz atenciosos, não invasivos, respeitosos com toda ou qualquer individualidade.
 
Nota: quase denominei "crônica inacabada", pois na verdade o é.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O NOVO PAPA

Escrito no dia da posse.

Papa Francisco
O novo ocupante da cátedra de Pedro encanta o mundo inteiro pela simplicidade demonstrada e assim comprova a veracidade das bem aventuranças, denominadas projeto para um novo reino, com ênfase na primeira delas: bem aventurados os que têm coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus.

Tal qual o poverello de Assis e inspirado na sua vida, o novo Papa se chama Francisco. Denota sua opção, não excludente, pelos pobres, firme determinação na libertação dos oprimidos, o que, contudo, não é  ideia que se inaugura com seu pontificado, visto que a Igreja de há muito tem procurado caminhar por esta senda.

Francisco se revestiu do branco que caracteriza a veste papal, mas não nega que vai conservar por dentro a batina surrada, ou as vestes simples de um Cardeal despojado que preparava pessoalmente suas próprias refeições e andava de metrô, ao invés de em um carro que se consideraria à altura de sua função.

Em sendo dia do pai putativo de Jesus, na homilia, tão breve quanto ainda mais profunda, enfatizou o papel desempenhado por S. José no seio da Sagrada Família: daquele que cuida. Cuidar traduz ação primorosa, debruçar-se sobre, curvar-se ante, ajoelhar-se perante, é ação que envolve todos os detalhes requeridos no sentido de que, quem for objeto de tal cuidado, permaneça absolutamente ileso dos perigos, dos males de tudo que se possa traduzir no menor ai. Evocou o meio ambiente que agoniza em consequência da nossa falta de cuidado.

Sorriso simples, acolhedor, semblante afável, gestos comuns a qualquer dos demais mortais, não significando que se exclua que qualquer dia, entre os próximos, erga os braços para saudar as multidões como se quisesse ao mesmo tempo, envolver todos num único abraço.

Trata-se do mais alto posto na hierarquia da Igreja. Trata-se de suceder Pedro, portanto, ter como Pedro a coragem de escolher morrer crucificado e de cabeça para baixo, para diferençar do Mestre.

Lembrou que ao constituir Pedro como pedra sobre a qual ergueria sua Igreja, Jesus acrescentou, apascenta meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Eis seu programa.

Consciente de sua tarefa, Francisco se expõe aos olhos do mundo como homem e frágil, quando pede: rezem por mim. Sabe de suas necessidades e que só mediante a oração é possível obter graças indispensáveis a qualquer vida.

O Brasil presenteou o Papa com uma imagem barroca de Nossa Senhora, cada brasileiro pode invocá-la todos os dias pedindo sua intercessão em favor dele.

Dia de São José,  da posse de Francisco.

PRIMEIRO DE ABRIL

Acaba de irromper o quarto mês do ano de 2013,  era depois de Cristo. Até mesmo as crianças costumam repetir: como o tempo passa rápido, quando percebem que escoou o tempo da brincadeira, quem sabe? E faz-se necessário a ocupação com tarefas menos enlevantes, estudar, por exemplo.

Criança no Projeto Tamar
Quanto mais nós que já rompemos grande parte das jornadas que nos foram concedidas, no fundo, ao ver que o tempo passa tão célere, estremecemos ante a impressão de estar, diante da proximidade do “até logo”, que tem mais sabor de "adeus", nunca acontece simplesmente ou sem muita e muita dor. Quem quiser, que diga que é natural, que todos vamos morrer, que é a única certeza que temos e outros “engana tolo” mais. Eu detesto a morte!  

Não gosto nem de pensar nela e indiferente a isto, não é que ela está sempre a povoar meus pensamentos? Mannaggia! (Mal haja) dizem os italianos.

E o que há de melhor é que, no entanto, a vida é bela. Deixar de viver pensando no que ainda vai acontecer é perder o presente que se nos apresenta com todas as forças, é enjaular-nos no que deprime.

Que bonito é o dia neste 1° de abril! O sol brilha com todas as forças do seu esplendor, está no que se pode dizer, no auge do que deve ser. Céu de azul imenso, nuvens que vão do branco branquíssimo, ao cinza. A temperatura é agradabilíssima.

Ouço o ronco de um avião pequeno que sobrevoa as proximidades, pessoas caminham despojadas no exercício matinal. Muitas estão trabalhando, a engrenagem da vida está em franca atividade.

Em algum laboratório, o cientista pesquisa em busca de mais uma fórmula para acabar com uma doença, os economistas analisam as melhores possibilidades dos mercados, professores transmitem conhecimentos aos seus alunos, em cada setor, profissionais se entregam a consecução do melhor resultado. Malfeitores arquitetam suas tiranias... Minha sobrinha Gabriela, com dois filhos, retorna a casa onde mora, em Lima, no Peru, deixando tanta saudade.

A vida é assim, não é que podemos alterar seu curso. Quando alteramos, apenas invertemos papeis, desempenhamos uma tarefa característica a determinada circunstância, todos dormimos, acordamos, trabalhamos, nos alimentamos, viajamos...   Ora uns, ora outros, ora estes, ora aqueles... Não fazemos as mesmas coisas todos ao mesmo tempo, mas de forma alternada.

Acabo de escrever uma crônica, fiz o que agora mais faço, escrever. É 1° de abril, no FB postei: vou almoçar hoje na sua casa. Se fosse verdade precisaria de quase mil estômagos.

E agora o deixo, leitor, vou viver.

Vitória, 1 de abril de 2013 – 09:48


domingo, 31 de março de 2013

HOMILIA DE PÁSCOA DO PAPA FRANCISCO


HOMILIA DO SANTO PADRE FRANCISCO

Basílica Vaticana
Sábado Santo, 30 de março de 201



Amados irmãos e irmãs!

No Evangelho desta noite luminosa da Vigília Pascal, encontramos em primeiro lugar as mulheres que vão ao sepulcro de Jesus levando perfumes para ungir o corpo d’Ele (cf. Lc 24, 1-3). Vão cumprir um gesto de piedade, de afeto, de amor, um gesto tradicionalmente feito a um ente querido falecido, como fazemos nós também. Elas tinham seguido Jesus, ouviram-No, sentiram-se compreendidas na sua dignidade e acompanharam-No até ao fim no Calvário e ao momento da descida do seu corpo da cruz.

Podemos imaginar os sentimentos delas enquanto caminham para o túmulo: tanta tristeza, tanta pena porque Jesus as deixara; morreu a sua história terminou. Agora se tornava à vida que levavam antes. Contudo, nas mulheres, continuava o amor, e foi o amor por Jesus que as impelira a irem ao sepulcro. Mas, chegadas lá, verificam algo totalmente inesperado, algo de novo que lhes transtorna o coração e os seus programas e subverterá a sua vida: veem a pedra removida do sepulcro, aproximam-se e não encontram o corpo do Senhor. O caso deixa-as perplexas, hesitantes, cheias de interrogações: «Que aconteceu?», «Que sentido tem tudo isto?» (cf. Lc 24, 4).

Porventura não se dá o mesmo também conosco, quando acontece qualquer coisa de verdadeiramente novo na cadência diária das coisas? Paramos, não entendemos, não sabemos como enfrentá-la. Frequentemente mete-nos medo a novidade, incluindo a novidade que Deus nos traz, a novidade que Deus nos pede. Fazemos como os apóstolos, no Evangelho: muitas vezes preferimos manter as nossas seguranças, parar junto de um túmulo com o pensamento num defunto que, no fim de contas, vive só na memória da história, como as grandes figuras do passado. Tememos as surpresas de Deus. Queridos irmãos e irmãs, na nossa vida, temos medo das surpresas de Deus! Ele não cessa de nos surpreender! O Senhor é assim.

Irmãos e irmãs, não nos fechemos à novidade que Deus quer trazer à nossa vida! Muitas vezes sucede que nos sentimos cansados, desiludidos, tristes, sentimos o peso dos nossos pecados, pensamos que não conseguimos? Não nos fechemos em nós mesmos, não percamos a confiança, não nos demos jamais por vencidos: não há situações que Deus não possa mudar; não há pecado que não possa perdoar, se nos abrirmos a Ele.

Mas voltemos ao Evangelho, às mulheres, para vermos mais um ponto. Elas encontram o túmulo vazio, o corpo de Jesus não está lá… Algo de novo acontecera, mas ainda nada de claro resulta de tudo aquilo: levanta questões, deixa perplexos, sem oferecer uma resposta. E eis que aparecem dois homens em trajes resplandecentes, dizendo: «Porque buscais o Vivente entre os mortos? Não está aqui; ressuscitou!» (Lc 24, 5-6). E aquilo que começara como um simples gesto, certamente cumprido por amor – ir ao sepulcro –, transforma-se em acontecimento, e num acontecimento tal que muda verdadeiramente a vida. Nada mais permanece como antes, e não só na vida daquelas mulheres mas também na nossa vida e na nossa história da humanidade. Jesus não é um morto, ressuscitou, é o Vivente! Não regressou simplesmente à vida, mas é a própria vida, porque é o Filho de Deus, que é o Vivente (cf. Nm 14, 21-28; Dt 5, 26, Js 3, 10). Jesus já não está no passado, mas vive no presente e lança-Se para o futuro; Jesus é o «hoje» eterno de Deus. Assim se apresenta a novidade de Deus diante dos olhos das mulheres, dos discípulos, de todos nós: a vitória sobre o pecado, sobre o mal, sobre a morte, sobre tudo o que oprime a vida e lhe dá um rosto menos humano. E isto é uma mensagem dirigida a mim, a ti, amada irmã, a ti amado irmão. Quantas vezes precisamos que o Amor nos diga: Porque buscais o Vivente entre os mortos? Os problemas, as preocupações de todos os dias tendem a fechar-nos em nós mesmos, na tristeza, na amargura… e aí está a morte. Não procuremos aí o Vivente! Aceita então que Jesus Ressuscitado entre na tua vida, acolhe-O como amigo, com confiança: Ele é a vida! Se até agora estiveste longe d’Ele, basta que faças um pequeno passo e Ele te acolherá de braços abertos. Se és indiferente, aceita arriscar: não ficarás desiludido. Se te parece difícil segui-Lo, não tenhas medo, entrega-te a Ele, podes estar seguro de que Ele está perto de ti, está contigo e dar-te-á a paz que procuras e a força para viver como Ele quer.

Há ainda um último elemento, simples, que quero sublinhar no Evangelho desta luminosa Vigília Pascal. As mulheres se encontram com a novidade de Deus: Jesus ressuscitou, é o Vivente! Mas, à vista do túmulo vazio e dos dois homens em trajes resplandecentes, a primeira reação que têm é de medo: «amedrontadas – observa Lucas –, voltaram o rosto para o chão», não tinham a coragem sequer de olhar. Mas, quando ouvem o anúncio da Ressurreição, acolhem-no com fé. E os dois homens em trajes resplandecentes introduzem um verbo fundamental: lembrai. «Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galiléia (...) Recordaram-se então das suas palavras» (Lc 24, 6.8). Este é o convite a fazer memória do encontro com Jesus, das suas palavras, dos seus gestos, da sua vida; e é precisamente este recordar amorosamente a experiência com o Mestre que faz as mulheres superarem todo o medo e levarem o anúncio da Ressurreição aos Apóstolos e a todos os restantes (cf. Lc 24, 9). Fazer memória daquilo que Deus fez e continua a fazer por mim, por nós, fazer memória do caminho percorrido; e isto abre de par em par o coração à esperança para o futuro. Aprendamos a fazer memória daquilo que Deus fez na nossa vida.

Nesta Noite de luz, invocando a intercessão da Virgem Maria, que guardava todos os acontecimentos no seu coração (cf. Lc 2, 19.51), peçamos ao Senhor que nos torne participantes da sua Ressurreição: que nos abra à sua novidade que transforma, às surpresas de Deus, que são tão belas; que nos torne homens e mulheres capazes de fazer memória daquilo que Ele opera na nossa história pessoal e na do mundo; que nos torne capazes de O percebermos como o Vivente, vivo e operante no meio de nós; que nos ensine, queridos irmãos e irmãs, cada dia a não procurarmos entre os mortos Aquele que está vivo. Assim seja.

sábado, 30 de março de 2013

CENTRO CULTURAL ARAÇÁ

14.03.2013

IMPRESSÕES DE UMA ADMIRADORA

Herinéia sempre me falou do “Projeto Araçá” e havia magia nas suas palavras e na sua expressão em cada momento. Depois que ela nos deixou, outros me falaram.
 
Devido ao misto de emoção que sempre permeia o que dele se fala, ficou em mim um tom de bom e de belo daqueles que se constituem nos corações de crianças e mesmo quando crescem conservam na lembrança quais lendas suaves. Se não era assim, ao menos foi assim que sempre interpretei. Mas passaram-se 18 anos até que se desse meu primeiro contato com tal realidade e foi justamente no episódio do último evento 7º Encontro da Arte em Comunicação em cuja oportunidade fui agraciada com o título de CIDADÃ LITERÁRIA. Foram três dias de demonstração intensa de como o mundo pode ser melhor, de como se descobrem talentos, de como se dá ao adolescente e ao jovem oportunidade de descobrir seu potencial, seus dons literários, artísticos, científicos.
 
Verdadeira explosão de talentos que só podem culminar por despertar os mais efusivos aplausos. Nascido do sonho de três universitárias, impelidas pelo desafio de trabalho conclusivo dos respectivos cursos, o Araçás é uma realidade palpitante, cativadora, despertadora de abnegação da parte de pessoas que até sem nenhuma remuneração, trabalham pelo alcance dos seus fins. Movem-nas o combustível denominado amor ou fazer o bem.
 
Passou a chamar-se “Centro Cultural Araçá” e justifica o novo título, o fim de um projeto é ser realizado. Ali, educandos e educadores estão convencidos de que “Lê melhor, quem lê a vida” e que “Ler melhor a vida é acreditar que os jovens são o futuro”. Portanto deve prepará-los oportunizando alcance de profissões que lhes permitam superar com dignidade, os desafios inevitáveis que a vida interpõe em todo caminhar e num diversificado leque também em formas que melhor correspondem às aptidões e aspirações individuais. Assim, são atores, projetistas, declamadores, jornalistas, gráficos, produtores de audiovisuais, além de tudo que oportuniza a informática vez que conta com significativo número de máquinas e não é só.
 
Em assim sendo, as belas concepções que sempre povoaram meus pensamentos sobre o Araçá se confirmaram, além de terem sido enriquecidas, porque o que vi, representa como popularmente se diz: “tudo de bom”. Justificam-se sobejamente, as parcerias obtidas com grandes empresas nacionais, com a Prefeitura Municipal e com a sociedade em geral que aplaude e agradece, pois veem resultados multiplicados do quanto com que participam, verdadeira multiplicação de pães, numa comparação humana, a exemplo do que outrora protagonizou o Homem de Nazaré.
 
Eu sei que meu escrito voa nas asas da poesia, fato com o qual não me importo, por que me importaria se falo do Araçá, nome que evoca a frutinha verde abundante em suas cercanias. E claro, valho-me da oportunidade para, pela parte que me toca, agradecer a todos que tornaram concreta tão nobre realidade. Agradeço pelo honroso e dignificante titulo com o qual meus colegas da “Academia Mateense de Letras” - AMALETRAS – e eu fomos erigidos à condição de “Cidadãos Literários”. Parabéns a todos e peço genuflexa que o Senhor do céu e da terra os proteja, guarde e abençoe, conserve e multiplique o entusiasmo para que continuem a crer neste serviço tão bonito.
Marlusse Pestana Daher
Presidente da AMALETRAS
(Academia Mateense de Letras)

Disponível em:http://www.projetoaraca.org.br/ver-noticia/71

quinta-feira, 28 de março de 2013

QUINTA-FEIRA MAIOR

Última ceia
Esta quinta-feira santa faz voltar no tempo a minha lembrança para resgatar umas coisas boas que ficaram lá atrás. Minha mãe me transmitiu muitos e bons ensinamentos, tal qual por sua vez aprendeu.

O que me disse sobre a quinta-feira santa? Tratava-se como ela e seus contemporâneos denominavam da QUINTA-FEIRA MAIOR, dia de RESPEITO. Não me lembro de que tenha dado outras explicações. Era  maior, de respeito e disse tudo. Mas como é a véspera da paixão e sucede a quarta-feira, quando eu sempre ia à “procissão do encontro” deixando-me penetrar de toda aquela representação, também não perguntava. Bem, tinha o “lava-pés”. E ai se inseria esse dia tão pleno de amor divino, quanto o é o de amanhã.

Associada à ideia de ser um dia  de grande respeito, mais de uma vez era com um misto de decepção e emoção que contava daquele homicídio acontecido exatamente nesse dia. Se matar já é um desatino, acontecer numa quinta-feira feira maior, nem pensar, era o cúmulo.

Hoje, estamos mais bem instruídos sabemos melhor, na quinta-feira da semana santa comemoramos a instituição de dois grandes sacramentos, na última ceia de Jesus com os apóstolos: o Sacramento da Eucaristia, sacramento do amor, e o da ordem que faz quem o recebe, sacerdote para sempre.

Eucaristia é o sacramento em que Jesus se dá como alimento e que agora, por vontade da Igreja, passou a ser sempre nas duas espécies, isto é: comungamos corpo e sangue de Jesus. Trata-se do modo como Jesus quis continuar dando a prova maior de amor da qual temos notícia.

D. Luis M. Villela
Arcebispo de Vitória
Por sua vez, o sacerdócio ministerial se encarrega de cumprir o que Jesus mandou. Depois de transformar o pão no seu corpo e o vinho no seu sangue, Jesus disse aos apóstolos: fazei isto em memória de mim.

Todos somos sacerdotes, afirmou o Concílio Vaticano II, formamos um reino de sacerdotes, mas há aquela parcela de convidados em particular, aqueles que são constituídos pelo sacramento da ordem a conduzirem a Igreja sob o efeito da graça de Deus: padres, Bispos, Cardeais, o Papa. 
'
É, portanto, um dia para demonstrarmos a Jesus nosso agradecimento pelo sacramento da Eucaristia e pelos sacerdotes que ouvindo seu chamado respondem com generosidade a um serviço tão necessário. Não esqueçamos que eles precisam de nossa oração para que sejam generosos e saibam conduzir o rebanho de Deus como bons auxiliares dos Bispos dando glórias a Deus com suas vidas.

quarta-feira, 27 de março de 2013

O ENCONTRO


O ENCONTRO
Quarta-feira da Semana Santa. As comemorações em muitos lugares, nem todos, continua sendo com a realização da chamada “procissão do encontro”, solenidade que focaliza em especial, o momento em que a Virgem Maria depois que tomou conhecimento de que seu filho havia sido julgado e condenado à morte, em companhia de algumas amigas, entre elas Maria Madalena, aquela que muito amou, vai-lhe ao encontro e de fato, quando O vê, constata as atrocidades das quais foi vítima, a rudez dos açoites, da coroação de espinhos e o quanto estava abatido e humilhado por todo sofrimento que lhe foi causado.

Pode-se imaginar a dor experimentada por Maria ao ver o Filho naquela condição e é como se justifica a expressão colocada em seus lábios: vede se há dor maior que a minha dor.
Mas não se tem notícia de que Maria tenha aberto seus lábios para fazer qualquer tipo de queixa ou para falar contra, insultar ainda que minimamente, os agressores do seu Filho.
Cumpre seu papel de Mãe, permanecendo ao lado Dele, acompanhou-O pelo restante da via dolorosa. Permaneceu assim, viu-O cair e levantar-se, consolar as mulheres de Jerusalém, e nem ante a atroz crucificação, quando seus pés e mãos foram traspassados por pregos, a Mãe recuou.
Ficou no Gólgota, recebeu seu Filho morto nos braços e lhe deu sepultura.
Quem reflete sobre esta cena, descobre muitos outros aspectos e pode avaliar a profundidade do Sim que Maria proferiu na anunciação e foi repetindo durante toda sua vida, em cada momento que se fez necessário provar a mais perfeita comunhão de sua vontade com a vontade de Deus.  
Procuremos penetrar fundo no mistério de paixão, encontraremos razões para valorizar o preço do gesto da salvação cumprida por Jesus para resgatar-nos da morte e do pecado.
Boa Semana Santa!