Ó Casimiro, eu não tenho saudades
“da aurora da minha vida,
“da minha infância querida,
“que os anos não trazem mais.
Se saudade é anseio de presença
de pessoas que amamos ou que perdemos
ou das quais tristes um adeus dissemos...
de coisas que nem sabemos onde deixamos.
Como hei de saudades ter,
do que já não pode, nem poderá
voltar a ser?
“Saudade é torrente de paixão
“emoção diferente”,
repercute ainda hoje na voz de Elizete (Cardoso).
E com ela concordo.
Emoção de diversas cores
de muitos sabores,
de muito sentir,
de sorrir e gargalhar,
de chorar e ver o pranto rolar.
De significado tão infinito
e motivação de muitos matizes,
por que continuar discorrendo hei de?
É assim esta tal de saudade
a qual me rendo por não saber
como e quando vou conseguir
sobre seu decantar ao fim chegar.
Canto, pois com Isolda
e com outros que em confissão,
também já cantaram
enlevados, encantados, de amor embriagados:
“Das lembranças que trago na vida,
“Você é a saudade que eu gosto de ter
“e assim, sinto você bem perto de mim,
“outra vez”
Marlusse Pestana Daher
domingo, 2 de fevereiro de 2020
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
PERMETI-ME DIZER NO FACE
LER é mais do que simplesmente olhar palavras, juntar frases, mais do que contemplar. (É determinante na leitura da Bíblia Sagrada e aceitando os ensinamentos da Igreja).
Depende do conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento (instituições, afazeres etc.) e da cultura (valores, ideias ou crenças), característicos de uma determinada coletividade, época ou região.
Precisamos nos dar conta da proliferação do analfabetismo funcional, da avassaladora intromissão do "besterol" nas (des)músicas que se cantam, da pornografia que produz delírios, do aplaudir da insensatez, etc.. etc... etc... Vivemos do que nos alimentamos.
Daí ser inevitável que depois, nos abismemos frente aos males que se insurgem contra nós, a destruição do ambiente que se agiganta e perplexos não entendamos, nem saibamos o porquê, por exemplo, das catástrofes que nos açoitam deixando rastros de destruição, entre lágrimas, no mínimo, mergulhados na mais profunda tristeza. Acontece aqui e agora.
24 de janeiro de 2020
Estou pensando na urgência concreta e evidente que cresça o número das pessoas que assumam sua brasilidade e queiram o melhor para o seu país, ao invés de ficar fazendo papel de "ave de agouro". Porque não é o meu, QUE SE EXPLODA. (C.A.)
O rastro de tristeza deixado pelos impiedosos temporais que caem sobre nós provocam sempre mais desolação. Na constância, ou nos primeiros dias, move corações e as ajudas chegam.
Ontem, soldados do exército servindo na região não podiam chegar até famílias isoladas porque as pontes se foram. Escolheram um ponto menos fundo, dispostos em fileira, passavam de mão em mão as cestas com alimentos, de um para o outro lado do rio.
Precisamos oportunamente transformar em conscientização a necessidade de escolher lugares mais seguros para morar. Claro que há exceções, mas compete à administração estar atenta para "descobrir o perigo" onde há, mesmo que seja só ameaça e prevenir.
Ontem, soldados do exército servindo na região não podiam chegar até famílias isoladas porque as pontes se foram. Escolheram um ponto menos fundo, dispostos em fileira, passavam de mão em mão as cestas com alimentos, de um para o outro lado do rio.
Precisamos oportunamente transformar em conscientização a necessidade de escolher lugares mais seguros para morar. Claro que há exceções, mas compete à administração estar atenta para "descobrir o perigo" onde há, mesmo que seja só ameaça e prevenir.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
LINDO, MUITO LINDO!
A todos os que viveram aquele tempo.
Em criança, meus pés nunca gostaram de calçados
andava mesmo era pé-no-chão, onde quer que por onde eu fosse.
Obstáculos? Lesões?
Imagine-se só. Muitas foram as vezes em que eles aconteceram. Uma tábua com prego exposto aqui, um caco de vidro por ali, de volta à casa invariavelmente entravam em ação aquelas mãos santas, benfazejas da nossa vovó Rosinha.
Quiabos verdinhos bem socados, pirão de não sei o quê, em geral quente, colocado no desafortunado calcanhar, era sempre ele, o incauto; protegeria o ferimento e assegurava cura em breve a gravidade fosse qual fosse.
Gaze? não tinha não. Um pano velho, bem limpo, dobrado servia de proteção. Para manter ali bem firme, o... o... lembrei: “emplastro”.
Nas extremidades uma tira de pano dividia-se em duas partes, Uma, estrategicamente entre os dois, cobria o calcanhar e um pouco mais acima ia até à sola do pé e vinha a amarração.
Pronto tudo estava bem. Pouca coisa era tão bonita, pisar na ponta do pé, calçar um só pé de sapato para ir à escola, era preciso.
Sinceramente, para a menina que fui,
pouca coisa era mais linda,
por exemplo, quebrar o braço,
vê-lo engessado e usar tipoia.
17 h 14 m 29/01/2020
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
IMPOSSIBILIDADES
![]() |
| Acadêmica Sonia Landrith com amigas. |
Quis ser Lua um dia, mas sou gente. O tempo foi embora e me deixou Vendo os luares do lado de fora... Quis ser nuvens de algodão De gotas que caíssem sobre mim Perguntei ao céu e não vi ninguém...
Quis descobrir amor nas pessoas...
Mas com tantos desenganos, como posso? Nem imaginei que não deveria!
Quis ouvir os sons das flores Sonhos em forma de cantos suaves E rumores de pensamentos eu escutei.
Quis ver a primavera, mas veio chuva Que da minha janela eu vejo sempre E desfolhou meu jardim inteiro...
A lua fechou-se em segredos O tempo carregou as minhas nuvens Os desenganos permaneceram. Flores nem sempre emitem sons E cantos... Somente os meus ficaram.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
E MEU CORAÇÃO ESTREMECE
ida Vervloet Finamore
É a prece dos que ficaram
que leva conforto aos que se foram.
Vemos, na cidade dos
mortos, em cada campo, uma flor que alguém levou a que guarda dentro de si o perfume
da saudade... Arde em cada túmulo, a luz dos círios, que pede a Deus o eterno
descanso dos seus.
E, por sobre a lousa branca a Deus confiada, as
palavras divinas estão gravadas: “Deixai vir a mim as criancinhas por que delas
é o reino dos céus”.
(In "Páginas soltas")
Nascida no Distrito 2 julho, no município de Santa Teresa ES em 10 e agosto de 1902. Faleceu no dia 4 de maio de 1990, poetisa, deixou dois livros e muitos outros versos espalhados. É Patrona da Cadeira 11 da Academia Feminina Espirito-santense de Letras na qual atualmente tem acento a Acadêmica Wanda Maria Capistrano Bernardi Alckmin.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
CALEIDOSCÓPIO
Numa volta ao passado, lembro bem
como escolhemos a nova casa, após três filhos já crescidos e ocupando todos os
espaços de um apartamento na Praia do Canto que, durante 19 anos foi
frequentado por adolescentes e adultos amigos dos meus filhos. Tempo bom: ruas
tranquilas, trânsito com poucos semáforos e um ambiente em que todos se
conheciam. Assim se vivia numa cidade ainda pacata, mas com louros da Vitória e
abençoada pelo Espírito Santo.
Mudamos então para Jardim Camburi,
bairro mais populoso de Vitória que estava se formatando com ruas ainda
descalças, poucos prédios, comércio tímido e vizinhança desconhecida. Mas não
nos importamos com isso, estávamos entusiasmados pelo novo.
A casa, em estilo nobre, tinha
janelas coloniais, cujas vidraças se mostravam como caleidoscópio com imagens
de combinações variadas e agradáveis efeitos visuais. Os seus novos moradores foram
descobrindo, aos poucos, o conforto e o lazer que a casa oferecia e também o
trabalho com a limpeza, para que se mostrasse límpida como os pequenos
fragmentos de cristais coloridos.
Os finais de semana eram sempre
alegrados com churrascos e banhos de piscina e todos eram muito bem-vindos. A
dimensão do acolhimento era proporcional ou maior que o tamanho da casa. Os
anos foram passando, os filhos casando e os netos chegando para preencher a
nossa vida e o nosso coração. Chegaram de mansinho nos espaços que os esperava.
Foram
muitas as brincadeiras e as quedas da rede a qual era disputada por todos,
embora tivesse algumas regras que eram sempre quebradas, como: um de cada vez;
contar até dez; balançar do menor para o maior. O banho no tanque era sempre
mais surpreendente que navegar no jacaré da piscina, pois lavavam seus biquínis
e sungas sem economia de água e sabão.
Os
anos foram passando e a casa acolhendo crianças que catavam folhas no jardim e
quebravam, “sem querer”, as lindas e
exóticas orquídeas com a bola que, quase
sempre, ia parar no quintal do vizinho. Geralmente elas se rasgavam nos cacos
de vidros sobre o muro e, como avó, prevenida, tinha um estoque em casa para
que fossem substituídas a cada chute
impensado.
Na
hora de irem embora era sempre uma disputa dos candidatos a dormir com a avó,
que se dispunha a contar histórias mais velhas do que novas, mas todas ouvidas
atentamente e corrigidas num deslize de memória.
Às
vezes, no meio dessa contação e já quase adormecida com a própria narrativa, a
avó já estava emendando uma história com outra, num misto de “O jacarezinho
egoísta” e “João e o pé de feijão”, que trocavam de cenários e coloridos como
os mutantes caleidoscópios. Com o repertório ultrapassado e repetitivo,
começava a criar histórias pouco atrativas, mesmo assim os seus ouvintes
ficavam atentos com os personagens novos, que muitas vezes eram eles próprios.
Quando descobriam essa manobra não ficavam muito satisfeitos, mas como estes
eram sempre elogiados: educados e estudiosos, todos de forma rápida se
incorporavam a eles. No encontro posterior pediam que recontasse a “nova”
história que já nem era mais lembrada.
Também
líamos e repetíamos orações infantis que não só serviam para a formação
religiosa como também acalmavam os ânimos e dividíamos parte da
responsabilidade com os anjos da guarda, sempre atentos. E assim o tempo
passava, as crianças cresciam e nós envelhecíamos na mesma proporção, porque o
tempo não para.
O Dia de Natal, sempre esperado,
juntava família e amigos que também tinham crianças – era uma festa! Na época
dos famosos patinetes, apesar de limitar espaço para essa prática, não havia quem
segurasse a gurizada. Ainda bem que toda criança tem um anjo a bordo ou na
garupa, que os protege. Destarte, Papai Noel se recolhia feliz e satisfeito
mais uma vez com o dever cumprido.
E assim passou o tempo: as crianças
cresceram e se transformaram em adolescentes menos chatos que a maioria que se
conhece e, como pássaros, bateram as primeiras asinhas rumo ao intercâmbio.
Após essa experiência, prosseguiram os estudos e vieram as paqueras e os
namoros.
Atualmente, com essa turminha
crescida, chegou outra em substituição e a avó retomava as mesmas histórias e
orações, intermediada com as intervenções dos netos mais velhos. Mas, com o
avanço da tecnologia, o acesso à internet e aos games, as velhas histórias
estão sendo substituídas por outros personagens, numa inovação ímpar que se
desdobra a cada momento – é como se estivéssemos, de forma curiosa movimentando
pequeninos cristais brilhantes e coloridos.
Hoje o espaço é outro – a casa foi
vendida e está apenas no imaginário daqueles que partilharam dela. Mas o
acolhimento é o mesmo com os tradicionais almoços no Dia das Mães, dos Pais e
Natal. Com a modernidade e o modismo é preciso diversificar o cardápio:
carnívoros, alérgicos, meio-vegetarianos, veganos, exigentes e os chatos. Mas a
alegria é a mesma e, com os namoricos dos netos mais velhos a família continua
aumentando e se ajeitando na mesa – agora pequena, formando mosaicos coloridos
e cristalinos como nos caleidoscópios de outrora.
POBRE OFERENDA
![]() |
| Deny Gomes |
Queria te dar, menino,
o meu amor mais bonito,
o meu jeito mais maneiro
de aparecer na esquina
e sorrir para você.
Queria te dar, moreno,
a minha voz, minhas mãos,
aquele brilho em meus olhos,
minha gana de viver,
me consumir de paixão.
Queria te dar, cigano,este feitiço, a magia
do meu bem-querer sem freios,
os meus cavalos de sonho
cobertos de pura prata.
Queria te dar, corsário,
o meu sangue, meus segredos
na palma da minha mão
e meu navio encantado
com tesouros no porão.
Olha, eu queria te dar
o meu perfume almíscar,
meu gosto de maresia,
para bulir com teus sentidos,
te fazer desatinar.
Eu queria te entregar
as cicatrizes profundas
que a vida riscou em mim
e pedir que me curasses
deste desespero mudo
de só te dar estes versos,
de não pode te dar tudo.
Poema no livro “O desejo aprisionado” –
2ª edição SECULT 2015
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