sábado, 2 de agosto de 2014

GRATIDÃO

É impossível não sentir a mais profunda gratidão a Deus, quando se pode comemorar uma data tão expressiva como é o caso dos meus 20 anos de programa na Radio América: CINCO MINUTOS COM MARIA.

Como comemorei a expectativa desse momento! Comentava sempre, preparava, sem outros acontecimentos que não fosse, como foi, uma Santa Missa em ação de graças, propiciada pela direção da rádio, celebrada pelo Pe. Marcelo, com presença de ouvintes o que causou grande alegria e ocasionou o grande abraço que trocamos.

Como diz o apóstolo João, em Cristo nós vivemos e nos movemos. (At. 17,28). Supérfluo acrescentar, e somos, posto que, quem vive em, também ali é. Tal privilégio nos pode constituir em pessoas capazes do que quisermos, desde que o que quisermos brote  dos mesmos sentimentos que animaram Jesus Cristo (Fil 2,5) que Paulo nos convida a ter.

Dou graças a Deus por ter permitido que a proposta que fiz à direção da rádio, em 1993, tenha sido acatada e por todos esses anos me dá a graça de transmitir mensagens, que podem abordar quaisquer temas, político, econômico, sobretudo humano, nunca contudo, sem um fundo religioso.

Para essa comemoração, em breve, fica pronto um livro que terá como título MAGNIFICAT, todos são textos dos programas. Depois de tanto tempo, claro que não me faltam muitos escritos para publicar algumas dezenas de livros até. Logo, a escolha não foi difícil. Fiz um cálculo, sem muita precisão, verifiquei que até agora,  foram 64.800 programas.

Pedindo a intercessão de Nossa Senhora, rezo:

Ó Nossa Senhora, mãe de Deus, mãe dos pobres, nossa mãe, estamos comemorando os 20 anos deste programa que durante este tempo nos permitiu conhecer melhor sua vida, suas virtudes, seu amor a Deus.
Continuamos contando com sua proteção, para continuar, a seu exemplo, a ser mensageiros do Evangelho, seguidores de Jesus, bons administradores da graça de Deus, anunciadores da boa nova do Pai.
Amém.


Agradeço sobretudo a Deus, a Nossa Senhora que por ser tão humana nos faz sentir muito próximas, aos amigos, as manifestações carinhosas pela ocorrência e peço: continuemos juntos. 


sexta-feira, 25 de julho de 2014

VENHA A NÓS O VOSSO REINO

A invocação e os sete pedidos do Pai Nosso resumem o Evangelho, condensam a pregação de Jesus sobre nossa relação com Deus e entre nós guiando-nos na fé e na vida. Os três primeiros pedidos movem a filiação divina adotiva, recebida no batismo em Cristo ressuscitado, a inserir-nos no projeto de Deus para toda a humanidade: vosso Nome, vosso Reino, vossa Vontade. Os quatro seguintes abrangem o sustento da vida na carne(pão) e no espírito (cura do pecado). Nessa oração universal das religiões cristãs, o possessivo “nosso” já irmana os discípulos de Jesus na unidade com Ele, por Ele e nele. Superado o individualismo, queremos que haja “um só coração e uma só alma” (Atos 4,32) na comunhão dos homens com Deus, o abbá, o papai querido da relação íntima de Jesus. Na súplica: santificado seja o vosso Nome, já pedimos que a santidade de Deus esteja em todo o nosso modo de viver. Ele nos consagrou para o serviço da sua glória. Por isso, o segundo pedido: venha a nós o vosso reino, é como “por mãos à obra”.
Reino de Deus ou dos céus é a palavra-chave da pregação de Jesus. Ele indicou nas bem aventuranças seu código básico. Elas começam e terminam com a promessa da posse do Reino de Deus já na terra: deles é o reino dos céus! Esse não consiste nas leis de conduta religiosa, na prática fiel e observante do culto, no domínio territorial ou político, no poderio econômico, em ideologias de esquerda ou direita, num projeto ou qualquer aparato de poder social. Trata-se da substância, o alicerce da vida, da história, do mundo, sal da terra, agentes das boas obras que glorificam o Pai perante os outros. O pedido-desejo-anseio-empenho para que Venha a nós o vosso reino, nos afasta de outros reinados. Devem sair da convivência: pecado, injustiça, exploração, maldades humanas.
Se Deus é descartado e trocado pelo poder, o dinheiro, o partido político, não se construirá em paz. Prevalecerão privilégios de classe, prepotência, ambições, interesses corporativos, e não as atitudes fraternas de serviço conforme o amor do lava-pés. Já se definiu, por exemplo, o que serão as eleições neste ano: “vai ser o diabo!” Eis aí uma expressão do anti-reino. Para evitar a incoerência de rezar o Pai Nosso sem a consciência viva que o Pai nos reúne como irmãos na mesma dignidade e com os mesmos direitos humanos de cidadania e moral só há um caminho: o da conversão no amor. O Reino dele vem até nós enquanto vamos mudando a mentalidade, a escala de valores, a busca fiel da justiça, a rejeição a todo esquema de corrupção política, fraude, abuso do poder etc. Ele está próximo! todas as situações do convívio social podem abrir-nos a chance real da invocação: Venha a nós o vosso Reino!
Pe. Antonio Clayton Sant’Anna – CSsR
Revista de aparecida – maio/2014






quarta-feira, 16 de julho de 2014

APEGADOS INUTILMENTE


Há aquele evangelho em que  o Senhor nos convida a segui-Lo, pede renúncia a tudo que não condiz com seu projeto. Para seguir Jesus é preciso coragem e fidelidade.

Fala em deixar pai e mãe, o que muitas vezes ressoa como radicalidade. Penso contudo, que é mais uma comparação feita por Jesus, refere-se ao amor errado ao pai ou à mãe que pode afastar o verdadeiro amor.

Ai, o pai e a mãe são representados por todas aquelas coisas que absorvem nossa atenção, que nos prendem ou impedem de deixar certos hábitos ou costumes, certas crenças, certos apegos a coisas que não valem para a vida eterna, aquelas coisas que o ladrão pode roubar ou a traça comer e às quais damos valor que na verdade não têm. Ficamos apegados inutilmente a elas.

Na verdade, o que Jesus quer é que sejamos livres, livres de todas as amarras, das inutilidades, da pequenez , da soberba, da vaidade e de todos os vícios que nos reduzem e distanciam da semelhança de Deus mediante a qual fomos criados.

Neste sentido, Maria é o modelo para o qual devemos olhar sempre, aprender com ela a ser generosos, a ser humildes e estar dispostos a fazer sempre tudo aquilo que Ele nos disser

Maria, mãe de Deus e nossa mãe, interceda sempre por nós, para que sejamos capazes de seguir a Cristo com coragem e a exemplo dele, sejamos fiéis a nossa condição de humanos, na forma com que fomos criados. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A CARTA DA TERRA

PREÂMBULO

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.

Terra, Nosso Lar

 A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A Situação Global
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

Desafios Para o Futuro
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.
Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.

Responsabilidade Universal
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relação ao lugar que ocupa o ser humano na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA


1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.
a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, em longo prazo, a
prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.

Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessário:
II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA

5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.
a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas.
d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.
f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.

6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.
b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.
c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas conseqüências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance.
d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.
a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada a sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA


9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
a. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não-contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter-se por conta própria.
c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes
desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.

10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.
a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com
transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas
atividades.

11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.

12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.
c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.

IV. DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ


13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.
a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões.
c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição.
d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.

15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimentos.
b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
c. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.

16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.
a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não-provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.
f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O CAMINHO ADIANTE

Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.

Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca
iminente e conjunta por verdade e sabedoria.

A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.

Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.


Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.


EU VI MESMO O ANJO?


Tenho pensado muito nos momentos que Nossa Senhora terá vivido, quando o Anjo Gabriel saiu de sua casa, levando o consentimento que deu para que Jesus se fizesse homem e viesse nos salvar.

Afinal de contas, Maria era uma mulher da mesma natureza das demais e plenamente humana. Portanto, é possível que possa ter experimentado momentos de dúvida, mesmo sem permitir que viesse a menos sua fé. 

Por exemplo, poderá ter perguntado: será que eu vi mesmo o Anjo? Falei com ele? Estou grávida do Filho de Deus? E ficou em silêncio, mesmo ante a perspectiva de deixar José confuso ou sem entender o que estava acontecendo.

É ai que se lembra que o mensageiro também lhe dissera que sua prima Isabel já de avançada idade, esperava um filho, porque para Deus nada é impossível.

Como está no evangelho de Lucas: naqueles dias, Maria foi às pressas às montanhas da Judeia. Ocorreu-lhe que a particular condição de Isabel propiciaria que, como ninguém, pudesse entendê-la. Foi esta certeza que animou Maria a ir ao encontro da prima, e qual não é sua surpresa ao constatar que antes de dizer qualquer coisa a prima demonstra que já de tudo sabia.

Maria então entoa o mais lindo dos cantos que começa engrandecendo a Deus por tudo que em si havia feito. É possível imaginá-las, abraçadas, ingressando casa a dentro, o servir de alguma coisa para quem depois de caminhada, certamente carece, as conversas, o comunicarem as maravilhas operadas por Deus em suas vidas.

Isabel terá dito o porquê da mudez do esposo Zacarias. E nos dias seguintes, outras comunicações entre elas guardavam o mesmo tom de quem espera um filho, nos seus casos em particular, sobre a particular missão a que ambos estavam destinados.


Guardadas as devidas proporções, reconheçamos que também nós temos muito a agradecer. Aprendamos com Maria e tenhamos sempre entre os lábios um canto de louvor ao Deus que porque tanto nos ama,  nos criou. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

INAUGURAÇÃO DA GALERIA DE FOTOS


Eduardo Curry Carneiro realizou seu sonho. Primeiro o de ter uma fotografia dos avós,
pais, tios e irmãos em seu apartamento
Segundo, que fossemos conhecer. Aconteceu hoje e parte das fotos estão aqui. 






















quinta-feira, 26 de junho de 2014

LEVE MARIA PARA SUA CASA


A festa da Penha chega hoje ao seu ápice. Depois do domingo de Páscoa, quando a terra explodiu em aleluias, anunciando a ressurreição vitoriosa de Jesus, em cada dia  se desenvolveu uma prática particular carinhosamente preparada, fez-se um oitavário.

Catedral ortodoxa de Atenas

Em procissão, em grupos de amigos, com familiares ou sozinhos, a verdade é que todos os que chamamos Maria de Mãe e a queremos como protetora para as nossas vidas, vamos à Penha. Subindo pela ladeira antiga, mais íngrime e mais recolhedora, ou pela nova, mais movimentada, cantando ou rezando, o importante é chegar lá e cumprir nossa particular devoção, com nosso particular modo de ser, com a expressão que particularmente nos caracterizar.

Por que amamos Maria? Uma primeira resposta óbvia é: porque ela é mãe de Jesus e nossa mãe. Não nos detemos, sem profundidade, em considerá-la apenas uma bem aventurada. Maria foi concebida no pensamento de Deus, exatamente, quando  Ele concebeu o plano da salvação para redimir todos os homens do pecado. Seu Filho seria verdadeiramente Homem, logo, carecia do ventre de uma mulher para que se fizesse carne e habitasse entre nós.

E aquela que era simplesmente uma menina soube cumprir em todas as dimensões o papel que lhe foi confiado. Imensamente humana, permitiu ao lirismo de D. Tonino Bello interpretando a afirmação conciliar de que “Maria vivera na terra uma vida absolutamente igual a de todas as mulheres do seu tempo”, poetar assim se exprimindo: “... pode ser que alguém tenha dito: Maria, teus cabelos estão ficando brancos” e na primeira oportunidade ela checou a veracidade do que ouvira espelhando-se na fonte e terá provado a mesma sensação que provam todas as mulheres, quando se apercebem que a juventude se vai’.

No entanto, nem se fez concessões. E quando o Filho morria na cruz ela lá estava de pé. Jesus tinha o olhar turvado, a mente dilacerada pela violência de ter sido pregado pelas mãos e pelos pés, o respiro é sufocado até pela posição imposta pelo patíbulo... mas Jesus é Deus!  E por isto nada O impediu de escrutar o coração de Maria, pois, conhecia seus sentimentos. Ele sabia que Maria estava ali, com a humildade da fé. Jesus leu na alma límpida de Maria e viu que não obstante  a tempestade do Calvário, ela permanecia indestrutivelmente apoiada na certeza de que DEUS É AMOR. Maria vê esse amor, observa com olhos apaixonados de Mãe, O vê pregado na cruz e repete com o mesmo sentimento e a mesma disponibilidade o SIM  translúcido do dia da Anunciação.

E foi naquele momento que Jesus fundou a devoção que hoje se propaga e passa de pais para filhos, devoção a Nossa Senhora, cuja maior expressão reside na imitação de suas virtudes. E vendo ao lado da Mãe o discípulo amado diz: “Mãe, eis ai teu filho”! e olhando para o discípulo: “Eis a tua Mãe”. E daquele momento o discípulo levou Maria para sua casa.

Muitos já fizemos o mesmo, mas há muito a ser feito para ninguém deixe de levar  Maria para sua casa.

2006