quarta-feira, 10 de abril de 2013

A FÉ OPERA O IMPOSSÍVEL



Nossa Senhora da Penha
A festa do dia 08 deste mês
É comum nas agendas, aquelas que usamos, para anotar nossos compromisso de cada dia, constar no final da página, “máximas”, frases, pensamentos, deveras maravilhosos, é o caso do seguinte: O ridículo não existe, os que ousaram desafiá-lo conquistaram o mundo. É de autoria do escritor francês: Octavieu Mirabeau.

Louvor à Mãe
Quando o li, logo me pus a pensar na verdade que contém. Contanto que não percamos de vista nossa dignidade de pessoas humanas de filhos de Deus, não nos devemos intimidar, não devemos ter medo de ousar, de perder, de não querer lutar. É mau que fiquemos com tantos medos, que pensemos sempre que pode acontecer o pior, que  não nos lancemos, principalmente, que nos condicionemos mediante a suposição do que os outros vão pensar.

Assim, como a empatia ou simpatia, quando não nos afinamos com alguém, achando isto ou aquilo do outro, há ai reciprocidade, ou somos nós que medimos todos os outros com a nossa medida, deixamos aflorar nossa pobreza de espírito ao ver o outro pobremente com mesquinhez o julgarmos.

Deus é amor, não pode senão amar, Deus nos ama. Ele quer nosso bem, quer que realizemos nossos ideais, que nos realizemos. Deus nos quer felizes.

Romaria dos ciclistas
Confiemos em Deus e nos sintamos nos seus braços como filho nos braços do Pai. E não temamos nada, nem ninguém até porque Ele nos deu ainda mais. Deu-nos Nossa Senhora, como mãe, protetora e estrela guia. Deu-nos o amor que é uma asa veloz colocada na nossa alma, para voar em muitas direções e até chegar ao céu.


As fotos são da festa da última segunda-feira provando que os filhos amam a MÃE.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

UMA CENA MUITO TRISTE

No aguardo de uma conexão, pus-me a passear pelo aeroporto de Belo Horizonte.

À frente de uma das portas de embarque, uma menininha, que teria no máximo quatro anos, sem amparo de ninguém, se desmanchava em lágrimas. No primeiro momento, poderia parecer apenas uma criança contrariada em algum desejo, que reagia a seu modo.

Depois de contemplá-la por alguns instantes, impelida pela compaixão, aproximei-me, com a clássica pergunta: está chorando... Por que você está chorando? Nenhuma resposta, mas as lágrimas que jorravam em borbotões, me pareceu que se multiplicaram.  Minhas perguntas, acompanhadas de carícias na sua cabecinha, restaram sem nenhum acolhimento. Minha ternura cresceu ainda mais, muito, muito mais.

Foi quando um jovem senhor se aproximou. Demonstrou-me pela expressão esboçada que tinha a ver com a pequena. A suposição se confirmou, quando disse ser seu pai.  E me explicou: Ela está assim, por que deixou a mãe dela.  E foi acrescentando: a mãe me pediu para vir buscá-la porque não aguenta mais com ela.

- Como? a mãe não aguenta mais com ela? É tão pequena... E reflito, seria capaz de fugir ao controle de uma mãe um serzinho deste tamanho? ou o não aguenta significa falta de recursos para sustentá-la? Amor de mãe sempre aguenta. Meu pensamento voava.

Ele prosseguiu: moro em Rondônia. Tinha ido buscar a criança no Pará, onde morou, sua (nova) esposa iria tomar conta dela.

Enquanto isto, a pobre criança continuava chorando. Senti que a voz embargou-me na garganta, meu peito doeu. Minha vontade foi de pegá-la, envolvê-la nos meus braços, arrebatá-la, levá-la comigo, tudo fazer para que nunca mais tivesse porque chorar. Mas como, ela tem um pai ai. Que ideia a minha!

A esta altura, quem chorava por dentro era eu. O alto falante anunciou o voo no qual embarcariam. Mesmo chorando, a menininha aceitou a mão que o pai lhe estendeu e o acompanhou sem protesto.

Meu olhar acompanhou-os até onde foi possível, até que foram ocultados “por aqueles túneis”, o que não se ocultará, porque jamais se apagará da minha lembrança é a imagem de uma menina tão pequena cuja mãe renunciou a tê-la dizendo “não aguentar mais com ela”. Aguentar pode ser não ter recursos para sustentar, pode ser porque era muito rebelde, será? Mas o que realmente foi, é certo que jamais saberei.  

 

 

 

terça-feira, 2 de abril de 2013

ESTRANHO QUERER SABER


Às vezes fico pensando na incrível capacidade de certas pessoas de estarem a par de mínimos detalhes da vida de tanta gente. Não chegam a ser daquele tipo que sai propalando aos quatro ventos tudo de que acaba por tomar conhecimento, mas se mostra visivelmente inquieta enquanto não ficar sabendo de qualquer tipo de “novidade” vislumbrada  na vida, na casa, nas coisas de outrem.

Aproximam-se, com o mais doce de qualquer tom de voz e apesar de tentar, sem conseguir disfarçar o que pretende, inicia verdadeiro interrogatório a respeito do tema ou do objeto sobre o qual, acha que tem que ficar sabendo. Compararia a um vício.

Na verdade, deixa seu interlocutor em apuros, pois, nem sempre quer-se propagar o que somente a gente mesma diz respeito. Já dissera Sêneca: evitamos a inveja se guardarmos as alegrias para nós próprios. Por que me fazer falar o que eu não quero contar? Por que a insistência em dizer que é pobre, o rico é o outro e com aquelas sutilezas que acabam por ser antipáticas, prossegue invadindo minha privacidade ou de quem cair na sua berlinda?

Que sentimento seria este? Em casos específicos, passam-me a sensação de extrema curiosidade, não chega a ser inveja, antes, sentem necessidade de saber tudo.

Em certos casos, também não acho que  seja feito por mesquinhez, antes,  é no entanto, verdadeira desatenção para com o outro, não saber que as vezes esse outro prefere calar a não falar do que tem, ou comprou, ou ganhou, ou deu, etc...

Exatamente, envolve aquela ética do cuidado, que nos faz atenciosos, não invasivos, respeitosos com toda ou qualquer individualidade.
 
Nota: quase denominei "crônica inacabada", pois na verdade o é.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O NOVO PAPA

Escrito no dia da posse.

Papa Francisco
O novo ocupante da cátedra de Pedro encanta o mundo inteiro pela simplicidade demonstrada e assim comprova a veracidade das bem aventuranças, denominadas projeto para um novo reino, com ênfase na primeira delas: bem aventurados os que têm coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus.

Tal qual o poverello de Assis e inspirado na sua vida, o novo Papa se chama Francisco. Denota sua opção, não excludente, pelos pobres, firme determinação na libertação dos oprimidos, o que, contudo, não é  ideia que se inaugura com seu pontificado, visto que a Igreja de há muito tem procurado caminhar por esta senda.

Francisco se revestiu do branco que caracteriza a veste papal, mas não nega que vai conservar por dentro a batina surrada, ou as vestes simples de um Cardeal despojado que preparava pessoalmente suas próprias refeições e andava de metrô, ao invés de em um carro que se consideraria à altura de sua função.

Em sendo dia do pai putativo de Jesus, na homilia, tão breve quanto ainda mais profunda, enfatizou o papel desempenhado por S. José no seio da Sagrada Família: daquele que cuida. Cuidar traduz ação primorosa, debruçar-se sobre, curvar-se ante, ajoelhar-se perante, é ação que envolve todos os detalhes requeridos no sentido de que, quem for objeto de tal cuidado, permaneça absolutamente ileso dos perigos, dos males de tudo que se possa traduzir no menor ai. Evocou o meio ambiente que agoniza em consequência da nossa falta de cuidado.

Sorriso simples, acolhedor, semblante afável, gestos comuns a qualquer dos demais mortais, não significando que se exclua que qualquer dia, entre os próximos, erga os braços para saudar as multidões como se quisesse ao mesmo tempo, envolver todos num único abraço.

Trata-se do mais alto posto na hierarquia da Igreja. Trata-se de suceder Pedro, portanto, ter como Pedro a coragem de escolher morrer crucificado e de cabeça para baixo, para diferençar do Mestre.

Lembrou que ao constituir Pedro como pedra sobre a qual ergueria sua Igreja, Jesus acrescentou, apascenta meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Eis seu programa.

Consciente de sua tarefa, Francisco se expõe aos olhos do mundo como homem e frágil, quando pede: rezem por mim. Sabe de suas necessidades e que só mediante a oração é possível obter graças indispensáveis a qualquer vida.

O Brasil presenteou o Papa com uma imagem barroca de Nossa Senhora, cada brasileiro pode invocá-la todos os dias pedindo sua intercessão em favor dele.

Dia de São José,  da posse de Francisco.

PRIMEIRO DE ABRIL

Acaba de irromper o quarto mês do ano de 2013,  era depois de Cristo. Até mesmo as crianças costumam repetir: como o tempo passa rápido, quando percebem que escoou o tempo da brincadeira, quem sabe? E faz-se necessário a ocupação com tarefas menos enlevantes, estudar, por exemplo.

Criança no Projeto Tamar
Quanto mais nós que já rompemos grande parte das jornadas que nos foram concedidas, no fundo, ao ver que o tempo passa tão célere, estremecemos ante a impressão de estar, diante da proximidade do “até logo”, que tem mais sabor de "adeus", nunca acontece simplesmente ou sem muita e muita dor. Quem quiser, que diga que é natural, que todos vamos morrer, que é a única certeza que temos e outros “engana tolo” mais. Eu detesto a morte!  

Não gosto nem de pensar nela e indiferente a isto, não é que ela está sempre a povoar meus pensamentos? Mannaggia! (Mal haja) dizem os italianos.

E o que há de melhor é que, no entanto, a vida é bela. Deixar de viver pensando no que ainda vai acontecer é perder o presente que se nos apresenta com todas as forças, é enjaular-nos no que deprime.

Que bonito é o dia neste 1° de abril! O sol brilha com todas as forças do seu esplendor, está no que se pode dizer, no auge do que deve ser. Céu de azul imenso, nuvens que vão do branco branquíssimo, ao cinza. A temperatura é agradabilíssima.

Ouço o ronco de um avião pequeno que sobrevoa as proximidades, pessoas caminham despojadas no exercício matinal. Muitas estão trabalhando, a engrenagem da vida está em franca atividade.

Em algum laboratório, o cientista pesquisa em busca de mais uma fórmula para acabar com uma doença, os economistas analisam as melhores possibilidades dos mercados, professores transmitem conhecimentos aos seus alunos, em cada setor, profissionais se entregam a consecução do melhor resultado. Malfeitores arquitetam suas tiranias... Minha sobrinha Gabriela, com dois filhos, retorna a casa onde mora, em Lima, no Peru, deixando tanta saudade.

A vida é assim, não é que podemos alterar seu curso. Quando alteramos, apenas invertemos papeis, desempenhamos uma tarefa característica a determinada circunstância, todos dormimos, acordamos, trabalhamos, nos alimentamos, viajamos...   Ora uns, ora outros, ora estes, ora aqueles... Não fazemos as mesmas coisas todos ao mesmo tempo, mas de forma alternada.

Acabo de escrever uma crônica, fiz o que agora mais faço, escrever. É 1° de abril, no FB postei: vou almoçar hoje na sua casa. Se fosse verdade precisaria de quase mil estômagos.

E agora o deixo, leitor, vou viver.

Vitória, 1 de abril de 2013 – 09:48


domingo, 31 de março de 2013

HOMILIA DE PÁSCOA DO PAPA FRANCISCO


HOMILIA DO SANTO PADRE FRANCISCO

Basílica Vaticana
Sábado Santo, 30 de março de 201



Amados irmãos e irmãs!

No Evangelho desta noite luminosa da Vigília Pascal, encontramos em primeiro lugar as mulheres que vão ao sepulcro de Jesus levando perfumes para ungir o corpo d’Ele (cf. Lc 24, 1-3). Vão cumprir um gesto de piedade, de afeto, de amor, um gesto tradicionalmente feito a um ente querido falecido, como fazemos nós também. Elas tinham seguido Jesus, ouviram-No, sentiram-se compreendidas na sua dignidade e acompanharam-No até ao fim no Calvário e ao momento da descida do seu corpo da cruz.

Podemos imaginar os sentimentos delas enquanto caminham para o túmulo: tanta tristeza, tanta pena porque Jesus as deixara; morreu a sua história terminou. Agora se tornava à vida que levavam antes. Contudo, nas mulheres, continuava o amor, e foi o amor por Jesus que as impelira a irem ao sepulcro. Mas, chegadas lá, verificam algo totalmente inesperado, algo de novo que lhes transtorna o coração e os seus programas e subverterá a sua vida: veem a pedra removida do sepulcro, aproximam-se e não encontram o corpo do Senhor. O caso deixa-as perplexas, hesitantes, cheias de interrogações: «Que aconteceu?», «Que sentido tem tudo isto?» (cf. Lc 24, 4).

Porventura não se dá o mesmo também conosco, quando acontece qualquer coisa de verdadeiramente novo na cadência diária das coisas? Paramos, não entendemos, não sabemos como enfrentá-la. Frequentemente mete-nos medo a novidade, incluindo a novidade que Deus nos traz, a novidade que Deus nos pede. Fazemos como os apóstolos, no Evangelho: muitas vezes preferimos manter as nossas seguranças, parar junto de um túmulo com o pensamento num defunto que, no fim de contas, vive só na memória da história, como as grandes figuras do passado. Tememos as surpresas de Deus. Queridos irmãos e irmãs, na nossa vida, temos medo das surpresas de Deus! Ele não cessa de nos surpreender! O Senhor é assim.

Irmãos e irmãs, não nos fechemos à novidade que Deus quer trazer à nossa vida! Muitas vezes sucede que nos sentimos cansados, desiludidos, tristes, sentimos o peso dos nossos pecados, pensamos que não conseguimos? Não nos fechemos em nós mesmos, não percamos a confiança, não nos demos jamais por vencidos: não há situações que Deus não possa mudar; não há pecado que não possa perdoar, se nos abrirmos a Ele.

Mas voltemos ao Evangelho, às mulheres, para vermos mais um ponto. Elas encontram o túmulo vazio, o corpo de Jesus não está lá… Algo de novo acontecera, mas ainda nada de claro resulta de tudo aquilo: levanta questões, deixa perplexos, sem oferecer uma resposta. E eis que aparecem dois homens em trajes resplandecentes, dizendo: «Porque buscais o Vivente entre os mortos? Não está aqui; ressuscitou!» (Lc 24, 5-6). E aquilo que começara como um simples gesto, certamente cumprido por amor – ir ao sepulcro –, transforma-se em acontecimento, e num acontecimento tal que muda verdadeiramente a vida. Nada mais permanece como antes, e não só na vida daquelas mulheres mas também na nossa vida e na nossa história da humanidade. Jesus não é um morto, ressuscitou, é o Vivente! Não regressou simplesmente à vida, mas é a própria vida, porque é o Filho de Deus, que é o Vivente (cf. Nm 14, 21-28; Dt 5, 26, Js 3, 10). Jesus já não está no passado, mas vive no presente e lança-Se para o futuro; Jesus é o «hoje» eterno de Deus. Assim se apresenta a novidade de Deus diante dos olhos das mulheres, dos discípulos, de todos nós: a vitória sobre o pecado, sobre o mal, sobre a morte, sobre tudo o que oprime a vida e lhe dá um rosto menos humano. E isto é uma mensagem dirigida a mim, a ti, amada irmã, a ti amado irmão. Quantas vezes precisamos que o Amor nos diga: Porque buscais o Vivente entre os mortos? Os problemas, as preocupações de todos os dias tendem a fechar-nos em nós mesmos, na tristeza, na amargura… e aí está a morte. Não procuremos aí o Vivente! Aceita então que Jesus Ressuscitado entre na tua vida, acolhe-O como amigo, com confiança: Ele é a vida! Se até agora estiveste longe d’Ele, basta que faças um pequeno passo e Ele te acolherá de braços abertos. Se és indiferente, aceita arriscar: não ficarás desiludido. Se te parece difícil segui-Lo, não tenhas medo, entrega-te a Ele, podes estar seguro de que Ele está perto de ti, está contigo e dar-te-á a paz que procuras e a força para viver como Ele quer.

Há ainda um último elemento, simples, que quero sublinhar no Evangelho desta luminosa Vigília Pascal. As mulheres se encontram com a novidade de Deus: Jesus ressuscitou, é o Vivente! Mas, à vista do túmulo vazio e dos dois homens em trajes resplandecentes, a primeira reação que têm é de medo: «amedrontadas – observa Lucas –, voltaram o rosto para o chão», não tinham a coragem sequer de olhar. Mas, quando ouvem o anúncio da Ressurreição, acolhem-no com fé. E os dois homens em trajes resplandecentes introduzem um verbo fundamental: lembrai. «Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galiléia (...) Recordaram-se então das suas palavras» (Lc 24, 6.8). Este é o convite a fazer memória do encontro com Jesus, das suas palavras, dos seus gestos, da sua vida; e é precisamente este recordar amorosamente a experiência com o Mestre que faz as mulheres superarem todo o medo e levarem o anúncio da Ressurreição aos Apóstolos e a todos os restantes (cf. Lc 24, 9). Fazer memória daquilo que Deus fez e continua a fazer por mim, por nós, fazer memória do caminho percorrido; e isto abre de par em par o coração à esperança para o futuro. Aprendamos a fazer memória daquilo que Deus fez na nossa vida.

Nesta Noite de luz, invocando a intercessão da Virgem Maria, que guardava todos os acontecimentos no seu coração (cf. Lc 2, 19.51), peçamos ao Senhor que nos torne participantes da sua Ressurreição: que nos abra à sua novidade que transforma, às surpresas de Deus, que são tão belas; que nos torne homens e mulheres capazes de fazer memória daquilo que Ele opera na nossa história pessoal e na do mundo; que nos torne capazes de O percebermos como o Vivente, vivo e operante no meio de nós; que nos ensine, queridos irmãos e irmãs, cada dia a não procurarmos entre os mortos Aquele que está vivo. Assim seja.