segunda-feira, 29 de agosto de 2016

ANJOS


Entre outras inverdades, 
que quando criança,
de adultos ouvi,
está a de que os anjos
habitam nas nuvens. 

E não é que subi,
subi e até as ultrapassei
para desolada me encontrar
porque sequer um deles eu vi. 

Ao invés.
adentrando aquela porta de sala
sentada, quase deitada naquela poltrona, 
deparo com uma senhora,
cabelos alvos como a neve
que já não se rege,
o tempo passou e
não demora lhe marcará 100 anos. 

Não precisei subir às alturas
Este anjo de quem agora eu falo
sempre esteve ao meu lado,
sempre lutou por  mim e me defendeu
contra tudo e até o impossível,
não mediu esforços 
e as vezes crendo que ainda pode
promete coisas e sempre me abençoa.
Minha mãe!




27/06/2016

domingo, 28 de agosto de 2016

NOSSO PECULIAR ABRAÇO

Com 1 ano. 
Chamei-te para o abraço, 
como tantas vezes faço
E como outras iguais tantas, 
deixando o brinquedo de lado,          
vieste.

Aliás, é sempre assim,
tu nunca te negas vir,
nem nunca recusas receber. 

E aconchegando-te
ainda mais
de encontro ao meu peito,
envolvi-te por inteiro
ou até quanto os meus abraços puderam.

O mesmo fizeste tu,
aconchegas-te sempre um pouco mais
"Tô ingaçado"?
e também no teu abraço
me enlaçaste
ou até quanto os teus braços puderam.  

Cobrindo-te de beijos
senti que como sempre
te deliciavas 
e tanto verdade é
que ouvi teus lábios dizerem:
"'eu nunca mais vou sair deste abraço".

Sorri enlevada,
ante tal declaração de amor,
brotada do quanto sei que 
por ti sou amada
e a recíproca,
ah! quanto é muito verdadeira!

Até porque tantas vezes
quantas te repito,
eu te amo mais que o céu,
que a terra, que o mar.
Ouço em resposta:
eu também te amo, mais que océu, 
que a terra, que o mar. 

E se replico, mas eu te amo
mais, mais e mais,
Maio de 2015.
que a terra, 
que o céu, 
que o mar!
Tu vens a tréplica
e me fazes ouvir:
sou eu que te amo,
mais, mais e mais
que a terra,
que o céu,
que o mar.

Tu vais crescer, tens que crescer.
Será difícil  envolver-te
nos meus abraços,
nem sera fácil 
te dar tantos beijos.
Mas de uma coisa tenhas certeza:
não se apagará de tua cabecinha, 
o amor que tantas vezes,
um ao outro confessamos. 

Ninguém destrói nossa amizade,
O amor que nos une vem de Deus
e é deveras muito grande, 
meu querido Daniel!


27 de junho de 2016
16:54  Voo Rio X P

FAMÍLIA, NOSSO PORTO SEGURO

Soraya Tyndall 
Elza e os filhos Pedro e José
evoca lembrança de sua avó,
Elza Cunha 


Falar dos meus avós é ter recordações felizes.

Lembro-me de minha  infância em Bocaiuva, onde passávamos férias.  A casa da vovó e do Dedén, meu avô, era indescritível... Resumindo, uma delicia!!! Acordávamos todos os dias, com um mingauzinho na beirada do fogão, em pratinhos desenhados. Cada um tinha o seu. Com  cuidado, comíamos pelas beiradas, para não queimar a boca. O sabor... ahhh.. com gostinho de quero mais, me recordo até hoje.

A casa de tantas lembranças.
O quintal era gigantesco. Pés de manga, parreiras carregadas e muitas, muitas plantas, com vasos feitos de cacos de louça pelo Dendén, (mosaico).

A praça em frente da casa dos meus avós era o ponto de encontro da criançada. Recordo-me das palmeiras que com a brisa da noite bailavam à luz do luar. Na mesma praça, havia uma árvore gigantesca, de cuja copa desprendiam “pequenos piões” que  Dendén nos ensinava a girar... era pura alegria e vejam só, brincadeira de criança que levei pela vida.

Nos passeios de Kombi, eu grudava no vidro da gente, só para  ver os paralelepípedos passarem. Nosso destino era o mercado para comprar rapadura, requeijão escuro e geleia de mocotó. Também estava na nossa programação, visita à “Fundação Graciema” para curtirmos a Banda de Música.

Mas nada era comparado à nossa ida à chácara onde chupávamos manga até empaturrar... um sabor delicioso que hoje não encontramos mais. 

Ah! Ir ao encontro do Sr. Gentil, amigo do Dendén, tamém era destino certo.
Depois que o Dendén e a vovó mudaram para Belo  Horizonte, passaram a morar na casa onde resido até hoje. Recordo-me que no alpendre os netos ficavam  em volta da vovó, tirando cabelos brancos enfatizando sua vaidade.
No almoço, o feijão era para mim o prato principal,  ao comer sempre pensava: “como consegue fazer um feijão tão gostoso assim? (KKK... crianças!).

Aos domingos, era sagrado o encontro da família. A casa dos nossos avós chegava a ser um cerimonial, onde pai, mãe, tios, tias, irmãos, primos, prestavam um agradecimento pela oportunidade de estarmos todos juntos. A casa ficava cheia e era um local de muita alegria. Com isto, carrego o legado pra a vida: Família é o nosso porto seguro.

Dendén foi embora... e D. Elza (vovó) tornou-se a matriarca da família. Mulher forte, sensata, generosa, humana, de um coração enorme. Foi boa filha, irmã, esposa, mãe, avó, bisavó e sogra.

Num mundo em que sempre ouvimos piadas de sogra, nossa Dona Elza não se enquadrou. Sempre ouvi, vi e senti da minha avó muita sabedoria. Elogios à minha avó era uma consequência natural. Tive muita sorte por tê-la por perto, graças a Deus.

Os anos foram passando e a vida nos esvaziou com a partida de Vovó, mas ela sempre estará entre nós. Tudo nos remete a sua história de vida, ao seu legado que sempre foi sua memória, onde passado e presente se misturam.


                                                              AINDA FOTOS DO DIA                                                                "que se transformou em festa".







terça-feira, 23 de agosto de 2016

PERMITA-SE

Ela me escreveu:
Quitilane Pinheiro

Bom dia! Acordei inspirada e produzi esta pequena poesia. 


Permita-se

Permita-se conhecer o desconhecido,
Três, quatro, cinco dias ou anos não o conhecem.


A entender que o ideal não é ideal.
Que rio é só saudade e nada mais...
E a margem... terra firme?

Em uma sociedade de amores líquidos?
Permita-se
Degustar e vivenciar a busca
de companheirismo, 
das indiferenças, 
dos laços,
da liberdade...

Permita-se.  


AVE, Ó MARIA

Ave ó Maria

Senhora, Senhora minha,
Pietá. 
É hora da ladainha,
de rezar ave-Maria, 
o Ângelus no meu Brasil.

Porque a tarde caiu
o sino toca na Igreja,
e todo joelho se dobra
suplicando favores teus.

Ave, ó Maria,
porque és mãe terna e boa,
Cheia de graça
foi como Senhor te encontrou!
O Senhor é contigo,
por isto,  
Bendita entre as mulheres
te tornaste.
Mas muito mais ainda
é bendito o fruto do ventre teu

Estamos absolutamenete
possuídos desta certeza
privilégio que te deu
teu filho divino Jesus

Santa Maria,
muitas vezes santa.
Mãe de Deus e nossa,
mãe dos pobres,
mãe dos pequenos,
mãe de quem a mãe perdeu.

Roga por nós, pecadores
inveterados,
mas também certos
da misericórdia,
dom do Filho que  geraste.

Agora, para que não tarde
a conversão a ser operada
e na hora de nossa morte,
hora última, hora extrema
de arrepender-nos 
em espírito e em verdade
de todos os nossos pecados,
sejamos conduzidos 
por teu rogo, nos teus braços,
à Pátria do amor sem fim, 
que todo amor contém.
Amém


27/06/2016  18:07
Além das nuvens. SP X RM.


Fátima - Portugal 

Ângelus oração de saudação e prece à Virgem Maria e que se reza ao amanhecer, ao meio-dia e ao anoitecer. 



O Ângelus (e o Regina Coeli, no Tempo Pascal) é uma oração muito antiga que faz memória da Anunciação do Anjo Gabriel à Nossa Senhora. É costume rezá-lo às 6h, 12h e 18h. Quem não puder guardar este horário, pode rezá-lo ao levantar, na hora do almoço e ao deitar.  

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria,
R. E Ela concebeu do Espírito Santo.
Ave Maria...

V. Eis a escrava do Senhor.
R. Faça-se em mim segundo a Vossa palavra.
Ave Maria...

V. E o Verbo se fez Carne,
R. E habitou entre nós.
Ave Maria...

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.


OREMOS:

Infundi, Senhor, em nossos corações, a Vossa Graça, Vo-lo suplicamos, a fim de que, tendo conhecido pela Anunciação do Anjo, a encarnação de Jesus Cristo, Vosso Filho, pelos merecimentos da Sua Paixão e Morte na Cruz, sejamos conduzidos à glória da Ressurreição. Isso Vos Pedimos Ó PAI, Por Jesus Cristo, Vosso Filho e nosso Senhor. Amém.




segunda-feira, 22 de agosto de 2016

CONCURSO LITERÁRIO ELZA CUNHA

  Como as fontes   

                             
ACADEMIA MATEENSE DE LETRAS      ANO LITERÁRIO ELZA CUNHA

EDITAL 01/2016

A Academia Mateense de Letras – Amaletras – São Mateus – ES – Brasil) comemorando o Ano Literário 2016, em homenagem a  “ELZA CUNHA”, a poetisa de São Mateus, torna público que se encontram abertas até o dia 31 de outubro do corrente ano, concurso de prosa (conto ou crônica) e poesia. Tema livre, não preconceituoso, obedecidos princípios morais.

Poderão concorrer pessoas de todo o Brasil ou do exterior desde que falem português.

Uma comissão qualificada fará avaliação dos trabalhos. Não haverá recurso dos resultados.

Os textos deverão ser apresentados em fonte Verdana, espaço 1,5, folha A4 e podem ser enviados para o e-mail  dahermp@hotmail.com, identificados apenas por pseudônimo.

Alunos do ensino médio e fundamental devem colocar ao lado do respectivo pseudônimo, idade e ano que cursa.

Em envelope será remetido via postal, nome completo, endereço e pseudônimo do concorrente para: Ano Literário “Elza Cunha”  - Rua Afonso Cláudio 244/901 – Praia do Canto – Vitória – ES 29055-570. Anexo ainda deverá constar comprovação de que o concorrente buscou conhecer  nossa homenageada o que será facilitado pelas nossas publicações.

Serão classificados três trabalhos em cada gênero. Os primeiros classificados receberão a Comenda “Elza Cunha” com respectivo diploma, além do Certificado de participação. Os segundos, receberão uma medalha de mérito e Certificado de participação. Os terceiros lugares receberão Certificados de participação. Todos terão seus trabalhos publicados na Amaletras – Antologia II, ano 2016. Receberão ainda respectivamente: quatro, três e dois exemplares da antologia.

São Mateus, 31 de julho de 2016

Marlusse Pestana Daher                                                                                      Presidente






ESTAÇÕES DA VIDA


Adriana Gusmão Antunes

Houve um tempo em que eu não computava as estações.
Horas, dias, meses e anos eram duvidosos crepúsculos em minha existência.
Vivia eu, sem tempo, sem pressa, numa solidão de gêneses!
E nesse tempo, só o ouvir e o sentir eram suficientes para existir!
Mesmo estando só, crescia feliz, contentava-me com o maná materno de cada dia.
Cresci por demais e, um dia, já sem espaço, quis ir mais além...
Fui expelido para longe do meu mundo pueril, navegante.
Pela primeira vez, chorei, senti a dor da perda, o frio do inverno...

Houve um tempo em que contavam os meus dias,
Marcavam as horas, os meses, os anos e até meus centímetros!
Vivia eu, todo o tempo, cerceado por uma atenção familiar...
E, nesse tempo, descobri que além do ouvir, o sentir era mais intenso.
Senti as primeiras: dores, sensação de fome, de saciedade,
O prazer da alegria, da afetuosidade, aprendi a ouvir e ser ouvido...
Foram para mim dias, noites e tempos a fio a atenção dos meus amantes...
Pela primeira vez, percebi toda a profundidade e ternura de um olhar...

Houve um tempo em que precisei aprender a contar os meus dias,
Em que esperei ansioso pela volta à habitação para abraçar meus amados...
Não entendia o porquê deixavam-me só, aos cuidados de outros olhares.
Olhares rasos, frios, desprovidos de familiaridade em plena primavera!
Por anos a fio fizeram-me conhecedor de símbolos, signos, números, palavras...
Aprendi a ser só, mesmo estando junto; conheci a solidão para aprender ouvir os pássaros!
Cresci por demais e, um dia, caminhante entre uma estranha multidão,
Fui expelido para longe do meu mundo infanto-juvenil, para o calor do verão.
Houve um tempo em que o tempo fugia de mim... corria, corríamos!
Nesse tempo, nasceu em tão bucólico peito a persistência de um perene amor...
Pela primeira vez, aprendi a olhar para dizer sem palavras, signos e símbolos.
Evoquei poesia, aprendi também a sentir e evocar o amar,
Aprendi a buscar meu lugar ao sol, que juntos havia completude, satisfação, paixão.
Fiz-me conhecedor de corpos, toques, afagos, afetos, um amante!
Dividir, compartilhar, renunciar, entender foram árduas lições de outono!
Produtividade, responsabilidade, família e foco, estandartes conflitantes...

Houve uma estação em que uma forte tempestade fez-me parar durante uma longa temporada...
E, quando o meu amor partiu, entendi que fora enganado pelo tempo...
Já sem ele, sem ela, me detive no caminho, questionei a razão da jornada!
Só então percebi que houvera ocasiões em que as pessoas não se lembravam de mim.
Sucessivos aniversários sem presentes, sem presenças, sem a ternura de um olhar;
E foi nesse tempo que descobri que a vida era: ou colheita ou profunda lembrança!
Negligenciara a semeadura, não cultivara herança, agora, homem sem frutos!
Amadureci com o peso da solidão, do abandono, a dor da perda, o passar dos anos!

Agora, vivo uma temporada em que eu mesmo conto o meu tempo!
Dias sucessivos sem a presença de amados ou de uma amante, sinto o inverno nos ossos.
O sol esqueceu-se de me aquecer, a brisa já não balança meus grisalhos cabelos...
A chuva temporã não mais ensopava minhas vestes em meios às estações.
Sinto-me novamente sem espaço, querendo esticar-me um pouco mais...
Não, já não cresço. Nessa solidão pereço, penso, escrevo, espero!
Pressinto que aos poucos sou expelido para longe do meu mundo varonil...

E, pela ultima vez, prantearei, sentindo a felicidade de renascer para uma nova 

estação da vida...


Adriana Gusmão Antunes, professora,
                                                                                                    é coordenadora da área de Língua Portuguesa; Coordenadora Municipal da OLP/2016. 
Compõe a Academia Mateense de Letras.