terça-feira, 23 de agosto de 2016

PERMITA-SE

Ela me escreveu:
Quitilane Pinheiro

Bom dia! Acordei inspirada e produzi esta pequena poesia. 


Permita-se

Permita-se conhecer o desconhecido,
Três, quatro, cinco dias ou anos não o conhecem.


A entender que o ideal não é ideal.
Que rio é só saudade e nada mais...
E a margem... terra firme?

Em uma sociedade de amores líquidos?
Permita-se
Degustar e vivenciar a busca
de companheirismo, 
das indiferenças, 
dos laços,
da liberdade...

Permita-se.  


AVE, Ó MARIA

Ave ó Maria

Senhora, Senhora minha,
Pietá. 
É hora da ladainha,
de rezar ave-Maria, 
o Ângelus no meu Brasil.

Porque a tarde caiu
o sino toca na Igreja,
e todo joelho se dobra
suplicando favores teus.

Ave, ó Maria,
porque és mãe terna e boa,
Cheia de graça
foi como Senhor te encontrou!
O Senhor é contigo,
por isto,  
Bendita entre as mulheres
te tornaste.
Mas muito mais ainda
é bendito o fruto do ventre teu

Estamos absolutamenete
possuídos desta certeza
privilégio que te deu
teu filho divino Jesus

Santa Maria,
muitas vezes santa.
Mãe de Deus e nossa,
mãe dos pobres,
mãe dos pequenos,
mãe de quem a mãe perdeu.

Roga por nós, pecadores
inveterados,
mas também certos
da misericórdia,
dom do Filho que  geraste.

Agora, para que não tarde
a conversão a ser operada
e na hora de nossa morte,
hora última, hora extrema
de arrepender-nos 
em espírito e em verdade
de todos os nossos pecados,
sejamos conduzidos 
por teu rogo, nos teus braços,
à Pátria do amor sem fim, 
que todo amor contém.
Amém


27/06/2016  18:07
Além das nuvens. SP X RM.


Fátima - Portugal 

Ângelus oração de saudação e prece à Virgem Maria e que se reza ao amanhecer, ao meio-dia e ao anoitecer. 



O Ângelus (e o Regina Coeli, no Tempo Pascal) é uma oração muito antiga que faz memória da Anunciação do Anjo Gabriel à Nossa Senhora. É costume rezá-lo às 6h, 12h e 18h. Quem não puder guardar este horário, pode rezá-lo ao levantar, na hora do almoço e ao deitar.  

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria,
R. E Ela concebeu do Espírito Santo.
Ave Maria...

V. Eis a escrava do Senhor.
R. Faça-se em mim segundo a Vossa palavra.
Ave Maria...

V. E o Verbo se fez Carne,
R. E habitou entre nós.
Ave Maria...

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.


OREMOS:

Infundi, Senhor, em nossos corações, a Vossa Graça, Vo-lo suplicamos, a fim de que, tendo conhecido pela Anunciação do Anjo, a encarnação de Jesus Cristo, Vosso Filho, pelos merecimentos da Sua Paixão e Morte na Cruz, sejamos conduzidos à glória da Ressurreição. Isso Vos Pedimos Ó PAI, Por Jesus Cristo, Vosso Filho e nosso Senhor. Amém.




segunda-feira, 22 de agosto de 2016

CONCURSO LITERÁRIO ELZA CUNHA

  Como as fontes   

                             
ACADEMIA MATEENSE DE LETRAS      ANO LITERÁRIO ELZA CUNHA

EDITAL 01/2016

A Academia Mateense de Letras – Amaletras – São Mateus – ES – Brasil) comemorando o Ano Literário 2016, em homenagem a  “ELZA CUNHA”, a poetisa de São Mateus, torna público que se encontram abertas até o dia 31 de outubro do corrente ano, concurso de prosa (conto ou crônica) e poesia. Tema livre, não preconceituoso, obedecidos princípios morais.

Poderão concorrer pessoas de todo o Brasil ou do exterior desde que falem português.

Uma comissão qualificada fará avaliação dos trabalhos. Não haverá recurso dos resultados.

Os textos deverão ser apresentados em fonte Verdana, espaço 1,5, folha A4 e podem ser enviados para o e-mail  dahermp@hotmail.com, identificados apenas por pseudônimo.

Alunos do ensino médio e fundamental devem colocar ao lado do respectivo pseudônimo, idade e ano que cursa.

Em envelope será remetido via postal, nome completo, endereço e pseudônimo do concorrente para: Ano Literário “Elza Cunha”  - Rua Afonso Cláudio 244/901 – Praia do Canto – Vitória – ES 29055-570. Anexo ainda deverá constar comprovação de que o concorrente buscou conhecer  nossa homenageada o que será facilitado pelas nossas publicações.

Serão classificados três trabalhos em cada gênero. Os primeiros classificados receberão a Comenda “Elza Cunha” com respectivo diploma, além do Certificado de participação. Os segundos, receberão uma medalha de mérito e Certificado de participação. Os terceiros lugares receberão Certificados de participação. Todos terão seus trabalhos publicados na Amaletras – Antologia II, ano 2016. Receberão ainda respectivamente: quatro, três e dois exemplares da antologia.

São Mateus, 31 de julho de 2016

Marlusse Pestana Daher                                                                                      Presidente






ESTAÇÕES DA VIDA


Adriana Gusmão Antunes

Houve um tempo em que eu não computava as estações.
Horas, dias, meses e anos eram duvidosos crepúsculos em minha existência.
Vivia eu, sem tempo, sem pressa, numa solidão de gêneses!
E nesse tempo, só o ouvir e o sentir eram suficientes para existir!
Mesmo estando só, crescia feliz, contentava-me com o maná materno de cada dia.
Cresci por demais e, um dia, já sem espaço, quis ir mais além...
Fui expelido para longe do meu mundo pueril, navegante.
Pela primeira vez, chorei, senti a dor da perda, o frio do inverno...

Houve um tempo em que contavam os meus dias,
Marcavam as horas, os meses, os anos e até meus centímetros!
Vivia eu, todo o tempo, cerceado por uma atenção familiar...
E, nesse tempo, descobri que além do ouvir, o sentir era mais intenso.
Senti as primeiras: dores, sensação de fome, de saciedade,
O prazer da alegria, da afetuosidade, aprendi a ouvir e ser ouvido...
Foram para mim dias, noites e tempos a fio a atenção dos meus amantes...
Pela primeira vez, percebi toda a profundidade e ternura de um olhar...

Houve um tempo em que precisei aprender a contar os meus dias,
Em que esperei ansioso pela volta à habitação para abraçar meus amados...
Não entendia o porquê deixavam-me só, aos cuidados de outros olhares.
Olhares rasos, frios, desprovidos de familiaridade em plena primavera!
Por anos a fio fizeram-me conhecedor de símbolos, signos, números, palavras...
Aprendi a ser só, mesmo estando junto; conheci a solidão para aprender ouvir os pássaros!
Cresci por demais e, um dia, caminhante entre uma estranha multidão,
Fui expelido para longe do meu mundo infanto-juvenil, para o calor do verão.
Houve um tempo em que o tempo fugia de mim... corria, corríamos!
Nesse tempo, nasceu em tão bucólico peito a persistência de um perene amor...
Pela primeira vez, aprendi a olhar para dizer sem palavras, signos e símbolos.
Evoquei poesia, aprendi também a sentir e evocar o amar,
Aprendi a buscar meu lugar ao sol, que juntos havia completude, satisfação, paixão.
Fiz-me conhecedor de corpos, toques, afagos, afetos, um amante!
Dividir, compartilhar, renunciar, entender foram árduas lições de outono!
Produtividade, responsabilidade, família e foco, estandartes conflitantes...

Houve uma estação em que uma forte tempestade fez-me parar durante uma longa temporada...
E, quando o meu amor partiu, entendi que fora enganado pelo tempo...
Já sem ele, sem ela, me detive no caminho, questionei a razão da jornada!
Só então percebi que houvera ocasiões em que as pessoas não se lembravam de mim.
Sucessivos aniversários sem presentes, sem presenças, sem a ternura de um olhar;
E foi nesse tempo que descobri que a vida era: ou colheita ou profunda lembrança!
Negligenciara a semeadura, não cultivara herança, agora, homem sem frutos!
Amadureci com o peso da solidão, do abandono, a dor da perda, o passar dos anos!

Agora, vivo uma temporada em que eu mesmo conto o meu tempo!
Dias sucessivos sem a presença de amados ou de uma amante, sinto o inverno nos ossos.
O sol esqueceu-se de me aquecer, a brisa já não balança meus grisalhos cabelos...
A chuva temporã não mais ensopava minhas vestes em meios às estações.
Sinto-me novamente sem espaço, querendo esticar-me um pouco mais...
Não, já não cresço. Nessa solidão pereço, penso, escrevo, espero!
Pressinto que aos poucos sou expelido para longe do meu mundo varonil...

E, pela ultima vez, prantearei, sentindo a felicidade de renascer para uma nova 

estação da vida...


Adriana Gusmão Antunes, professora,
                                                                                                    é coordenadora da área de Língua Portuguesa; Coordenadora Municipal da OLP/2016. 
Compõe a Academia Mateense de Letras.

domingo, 21 de agosto de 2016

ASSUNÇÃO DE MARIA AO CÉU




Maria chegando ao céu.


Quem vai a Éfeso, na Turquia, pode visitar a Casa da Virgem Maria, reconhecida como aquela em que a Mãe viveu os últimos dias de sua vida, levada para lá por João, após a morte de Jesus, por medo de perseguições que pudessem atingi-la também.

Já tive tamanha alegria. É uma sensação indescritível de paz que se prova, doce a sensação de estar pisando o mesmo solo que ela pisou, poder entrar na casa onde ela viveu.

Entre as pessoas do meu grupo, uma, a certa altura, me perguntou: “mas se ela viveu aqui seus últimos dias e não se vê um sinal de sepultura, nada que ateste o que é dito, parece estranho...”

Em Jerusalém, também existe um túmulo considerado como de Maria, na chamada “Abadia da Dormição”, um túmulo vazio, porque aquele corpo onde foi gestado o Filho de Deus, não poderia sofrer as consequências de estar na terra. Maria subiu de corpo e alma ao céu pelos méritos e com a força do seu divino filho Jesus.

Apesar da fé que desde sempre acreditou que a Mãe de Jesus foi assunta ao céu, a Igreja reservou-se o direito de deixar passar os anos, fortalecerem-se as certezas, para proclamar o dogma, isto é, uma verdade sobre a qual já não cabe mais cogitações ou dúvidas: Maria subiu de corpo e alma ao céu.

Foi no dia 15 de agosto de 1950, (há 66 anos) que o Papa Pio XII, o pastor angélico, solenemente o proclamou. É dia santo de guarda, como os domingos. No Brasil, entretanto, as comemorações foram transferidas para o domingo seguinte. Este ano, dia 22, hoje, que coincide com outra sua festa: ”O Nome de Maria”. 

Se pela Igreja esse acontecimento aconteceu muito tempo depois a  assunção ou “dormição” de Maria com a transferência de seu corpo para o céu, era reconhecido desde o século VI,  inclusive fazia-se uma procissão até o túmulo vazio de Nossa Senhora.

Santo Agostinho ensina que a carne de Jesus é carne de Maria, logo o privilegio da assunção decorre do fato de no corpo de Maria, o filho de Deus ter-se encarnado, ter-se feito da natureza humana como nós. O DNA de Jesus era DNA de Maria.

Jesus ressuscitou, deixou o sepulcro ao terceiro dia,  o mesmo tinha que acontecer com o corpo  de Maria. O trono de Deus, o leito nupcial do Senhor, o sacrário crístico,  devia estar onde Ele próprio está. É mais digno conservar este tesouro no céu. A terra não era seu lugar.

A celebração da festa de hoje, a Igreja como faz em todo mês de agosto de cada ano, coincide com as comemorações do dia do Religioso, aquelas pessoas que mediante os conselhos evangélicos entregam totalmente, suas vidas a Deus. Assim o fez Maria, com aquele Sim que mudou a face da terra.

Façamos desse acontecimento, objeto das nossas reflexões nesta semana apesar de tantas outras coisas com as quais nos teremos de ocupar.

E que vivamos a esperança: Maria subiu céu, o mesmo acontecerá com nossos corpos, um dia também ressuscitarão, pelos méritos de Jesus, da sua dolorosa paixão que se fez resgate e pagamento por todos os nossos pecados.

Sirvam-nos estes pensamentos de motivação para fazer crescer em nós nossa confiança, em Maria, nossa Mãe, nossa estrela e guia. Só temos a ganhar.

Marlusse Pestana Daher
22 de agosto de 2016  11:54





Fotos da Casa da Virgem Maria em Éfeso. 


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

FANTASIA


Conto de Elza Cunha,  
publicado Escritores do Brasil, 1981.

Numa clareira imensa, formada por relva macia e verdejante, que cintila sob tênue luz solar, Ninfas, vestidas em suas túnicas diáfanas, bailam suavemente ao som de harpas eólias. Contemplando-as, nosso olhar paira, perturbado, pelos meneios sensuais daqueles corpos esculturais, visto através da transparência das gases de suas vestes esvoaçantes. Ao bailar, possuem o encanto, leveza e elegância dos cisnes, em seus vôos sutis. Formam, por assim dizer, um grupo harmonioso, misto de encantamento, volúpia e pureza. A comoção, o deslumbramento transportam-nos a paragens incógnitas!...

As Ninfas se voltam surpresas à aproximação de Eólo que, em galanteios, voluteia até roçar em suas leves túnicas. De soslaio, acena para uma das beldades. Esta, sem perder o ritmo da música, sempre a bailar, acompanha-o. Suas companheiras, entretidas, magnetizadas pelo bailar sonhador, não percebem seu afastamento.

A certa distância, Eólo, confiante, profere: - “Vem comigo! Não temas os ciúmes de Fauno, ele compreenderá. Não quero arrebatar-te. Sou apenas o amante incondicional da natureza, no que se concebe de mais altruístico. Para realizar o meu desejo, necessito da contribuição de tua imarcescível beleza! Vou conduzir-te a um lugar de grande encanto, talvez ainda por ti desconhecido. Encontro em ti a parte integrante, insofismável, para a perfeição do painel consagrado à nossa mãe: A Natureza.”

Enlaçando-a pela cintura, levou-a, qual pluma, a voar, a voar...

Neste voo esplendoroso, tudo lhe causa admiração. Vê miríades de borboletas de variegadas cores, refulgentes ao sol. Tão juntas voam, que formam uma nuvem irisada, qual pálio divino, a proteger-lhes as cabeças. Ela sorri encantada, enquanto sua longa cabeleira tremula ao vento, para depois cair em cascatas sobre os níveos ombros nus. Chispas eletrizantes, desprendiam-se de seus cabelos, quais partículas de ouro, confundindo-se com o brilho singular do diadema de pérolas, que lhe cingia a fronte, dando majestade e realce àquele rosto de linhas tão puras!...

Chegaram, enfim, ao lugar colimado, no alto do monte. Uma árvore frondosa e solitária, de ramos flexíveis, parecia aguardá-los, acolhendo-os na sua sombra encantada. Entrementes, ouve-se gorjeios de repassada melodia. Eram pássaros que, pousados nas árvores, entoavam hinos de amor e louvor aos recém-chegados. Ficam ali parados, enlevados, a ouvir aqueles cantos de ternura e magia, embevecidos também ante a paisagem que se descortinava.

Depois, já refeitos, notam as múltiplas borboletas dispersas, que assentadas, se misturam com as flores silvestres, formando um tapete de colorido indescritível. Era como se fora a réplica do paraíso!

Eólo, entre soberbo e comovido, dirige-se à Ninfa que, cada vez mais atônita, tem os olhos ávidos, como a querer abranger tudo a um só tempo. – “Aqui, nos sentimos mais próximos do céu! A nossos pés, tens a pródiga e fascinante natureza! Repara lá embaixo. O rio corre a marulhar colóquios de amor, tendo como leito raros nenúfares, e como proteção a sombra desta majestosa e milenária floresta. Que artista poderia dar, com o seu pincel, o toque mágico ao verde intenso destas folhagens? Àqueloutras, folhas novas de cor avermelhada...”

A Ninfa exclama: “É tudo extremamente belo!...”

Retorquiu Eólo: - “Ainda não é tudo. Contempla o porte altaneiro daquele jequitibá à distância, qual sentinela do infinito! Não analisaste um detalhe. As nuances que a vista nos ofererece derivam, por certo, das incontáveis variedades de árvores componentes desta floresta. Entre outras, destacam-se os jequitibás, jacarandás, braúnas, perobas, sucupiras, cerejeiras, vináticos, guaribus, e os ipês, cuja a floração multicor empresta à paisagem uma dimensão de  maior encantamento.

Dizem que duendes, em busca de mistérios, se transportaram de suas casas, para divertirem-se com seus risinhos e travessuras, assustando os desavisados caçadores no seio da floresta. E mais , que, em noite de luar, brincam de “esconde-esconde”, com os sacis-pererês. Interessante essa lenda, não achas?”
-“Sinto-me no mundo da fantasia”, disse a Ninfa, quase inaudível.

Prossegue Eólo: - “Analisando esta harmonia que nos deslumbra, ela se coaduna com a orquestração da natureza em festa. Ouve o canto mavioso do uirapuru, das graúnas e de muitos outros pássaros. Este tom agudo, estridente, é peculiar da araponga, que forma certa balbúrdia com o grasnar das araras, no magnífico colorido de suas plumagens. Seguem os papagaios, as jandaias, nos seus vaivéns de festiva algazarra. Tudo isto faz parte do orquestrar que nos desperta para o belo da vida!...

Atenta ainda, à distância, o pio triste do macuco, que se aproxima do roncar soturno do mutum. Este, em compensação, semelhante a um grande pato selvagem, de rara beleza, sua plumagem tem cor preta com reflexos metálicos. Arrogante no porte, tem sobre a cabeça um topete altivo, qual coroa a indicar sua espécie imperial.
Por último, vê acolá. São os astutos macacos que não faltariam. Soltam gritos sibilinos, em intermináveis acrobacias, e estão a gangorrar no imenso cipoal pendente das árvores. Admiro-os na destreza e inteligência.”
A Ninfa suspira profundamente, estática e possuída por respeito místico que a deslumbra e confunde.

-“Agora, que tomaste conhecimento de tantas magnificências, compreenderás o por que transportei-te a este lugar.

Este cenário, de perturbadora beleza, quero que se complete, por inteiro, no expoente máximo da natureza: A tua escultural figura de mulher!...

Fauno não tardará vir a teu encontro. Obrigado! Adeus!...”. Acenou-lhe, comovido.

A Ninfa ficou , também, emocionada. Depois entrega-se ao embevecimento e êxtase. Senta-se e, de mansinho inclina-se, lateralmente, apoiando o corpo divinal sobre os cotovelos, numa postura meditativa, tendo o queixo firmado na palma da mão. Ao acomodar-se, de seu amplo decote surge o inesperado. Seus lindos e voluptosos seios, quais pomos divinos, saltam e , ao sentirem o contacto leve, nos pequeninos seixos, tornam-se repentinamente, excitados e tesos. Um frêmito de volúpia intensa estremece-lhe todo os corpo. Repete aquele roçar suave, como uma carícia. Sua boca rubra é toda  sensualidade! Tem os lábios carnudos entreabertos, hálito quente, respiração curta e seus olhos semicerrados brilham estranhos, mas infinitamente amorosos e provocantes. Em gestos lentos, desfaz-se de sua leve túnica. Fica nua!
Os zéfiros que passam percorrer seu corpo em esplêndida carícia. A sensualidade de seu corpo em flor aproxima-se ao clímax. Quanto maior era a ansiedade e pertubação, vê  Fauno. Este, ao vê-la , titubeia, a vista ofusca-se-lhe ante aquele quadro onírico, provocante e belo. Chega, de mansinho, receoso de tresmudar aquele cenário, em que a grandiosidade e apoteose da natureza estavam prestes à sublimação.

A Ninfa estende-lhe as mãos súplices, em alucinante tentação.

Dois corpos abraçados, tombam, amorosamente...

Aquela árvore solitária, de ramos flexíveis, dobra-se qual cortina misteriosa, em respeito ao ato máximo da natureza: “O Amor!...”

Ao som mavioso de uma lira sonhadora, a Ninfa abre, graciosamente, seus olhos garços e de seus úmidos lábios desprende o mais suave e inolvidável sorriso. Eis ai um quadro digno de modelo a um Canova.

Fauno, possuído de extremo carinho e compreensão, apresenta-lhe a túnica.
Com gestos lentos, já vestida, deixa-se enlaçar pelos braços de seu amado, que a conduz às suas companheiras. Ao deixá-la , Fauno beija-a, com ternura, e se afasta para a sua eterna vigilância de seus domínios.

À aproximação de alguém, as Ninfas se voltam pasmadas pela tocante beleza e felicidade que transparece no rosto de sua companheira. Depois, sorridentes e brejeiras, dão sequência ao bailado imutável de suas vidas nômades.












ANIVERSÁRIO DE D. OLINDINA

 
D. Olindina, uma neta, uma bisneta e a trineta
É o que se denomina de irrecusável, um convite que lhe chega nos seguintes termos: “diga a Marlusse que estou esperando quero que ela venha ao meu aniversário”.

Portanto, só lhe resta deixar de lado quaisquer outras coisas que possa ter que fazer, arrumar uma pequena mala, enfrentar os mais de duzentos quilômetros que separam São Mateus de Vitória e na hora que foi designada estar presente, na casa respectiva, para o aniversário dos 102 anos de D. Olindina (Rodrigues Gonçalves).

Assim, cheguei, apresentei os presentes que trouxe e crendo ter sido reconhecida conversei com ela, cumprimentei as pessoas que também foram levar-lhe carinho e criou-se entre nós um clima de camaradagem comum entre velhas amigas que se encontram.

A certa altura, estando eu sentada a sua frente, à chegada de Rachid, minha irmã, que a cumprimenta e faz festa, imediatamente pergunta por mim e sorri ao lhe ser mostrado que eu estava ali e chegara há bem uma meia hora antes.
A festa prosseguiu. Vieram a tona muitas lembranças e cada qual querendo lembrar os fatos antigos, acontecimentos e até as festas de Santo Antônio, como era chamada uma ladainha, que seu Djalma, esposo de D. Olindina, fazia sempre, no dia 13 de junho, dando sequência a um costume que também fora adotado por seu pai.

Mais uma vez lembrei os bolinhos do café das duas horas. É como se visse hoje, D. Olindina, fritando uns bolinhos para o café da tarde dos filhos. Um tempo atrás perguntei-lhe de que eram aqueles bolinhos tão gostosos que ela fazia para o café. Primeiro ela riu muito e depois respondeu: “de água e farinha com um pouco de açúcar e fritos no azeite quente em frigideira”.

Pois não é que provoquei-lhe a lembrança e ela,  sorrindo,  contou para as pessoas que estavam perto a história dos bolinhos.

Foi inevitável lembrar aqueles que se foram, mas sem dúvida para mim quem mais estava fazendo falta era Vitorinha (Freitas Rampinelli).

Vitorinha morou em frente a D. Olindina por bem uns cinquenta anos ou mais. Isto facilitou uma amizade que nunca se estremeceu devido a serem ambas pessoas muito boas que se ajudavam reciprocamente.

Não é que estivesse doente, mas depois de uma queda ficou muito abalada, e na verdade, era débole pelas muitas pancadas que levou pela vida. Mesmo assim, levada pela filha cheguei a vê-la no mês de abril, entrar na igreja de São Benedito, devoção de sempre, para assistir a Santa Missa.
Uma estranha segunda queda, dentro de sua própria casa acabou por vir a se constituir em sua causa morte e assim mudou-se para o lado de lá, mais uma pessoa de todos nós tão querida.

Não compareceu a festa de aniversário de D. Olindina, mas eu creio que bem que deu uma passadinha por lá, já sabia que esse aniversário seria comemorado.

Assim é a vida, uns que chegam outros partem... Em nossa família também já não tem chegado para as habituais visitas a mamãe, nosso querido irmão Abdo, que seguiu Vera e Hilda. Calou-se mais uma voz- entre nós.

Viver é assim: nascer, crescer, viver em uma família, amar muito – embora pareça que alguns não amem, fazer coisas, complexas  outras muito simples, escovar os dentes, fazer refeições...

E um dia por qualquer causa, os olhos se fecham e não se abrem nunca mais.
5 de julho de 2015



Escrevi esta crônica em homenagem a D. Olindina no dia 5 de julho do ano passado, 2015.  Ontem, 16 de agosto de 2016,  se cumpriu o que afirmado no último parágrafo. Lá no céu mais uma santinha reza por nós.

Na foto, quatro gerações, faltou Rosa Olímpia, mãe de Ana Cláudia, a neta, para mostrar as cinco (gerações).