sábado, 15 de setembro de 2012

ELE E ELA


LENDO A VIDA. É tarde, supus que faz parte da rotina deles,  enquanto o sol se põe, fazer um a caminhada à margem do Prata.  Atravessam rapidamente a grande avenida, aproveitando a parada dos carros ordenada pelo farol. No calçadão, a caminhada se inicia em bom e bem cadenciado passo,  mas não sem antes, ela ter o cuidado de dar o braço a ele e lá se foram até que se esgotou minha contemplação.

Montevidéu, 31 de agosto de 2012 – por volta das 17.

 

ELE E ELA

No princípio era ele

quem  dava o braço a ela.

Se estavam de mãos dadas,

quase um passo a frente,

Era ele quem a guiava.

 

Foi ele quem determinou

onde a família foi morar

de onde seria natural a prole

de quase tudo cuidava.

 

Depois, um a um os filhos

tomavam seus destinos

e se repetia com pequenas mudanças

a velha história.

 

Hoje, ambos têm

Significativamente, diminuídas as forças.

Ele está menos vigoroso,

diversamente, não se dirá dela.

 

Mas é ela que como se o tempo não tivesse passado,

mãos ao leme, conduz o barco.

Gerencia a casa, as contas, os negócios,

as próprias vidas dos dois.

 

Finalmente, e ainda,

contrariamente, a como era no princípio,

quando caminham,

quem dá o braço a ele é ela.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O VALOR DA TOLERÂNCIA


Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar.

E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um  lanche desses, depois de um dia de trabalho muito duro.

Naquela noite, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas bastante queimadas, defronte ao meu pai.

Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato.

Tudo o que meu pai fez foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia na escola.

Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geleia e engolindo cada bocado.

Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada.

E eu nunca esquecerei o que ele disse: "Adorei a torrada queimada..."

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, eu lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada.

Ele me envolveu em seus braços e me disse:

"- Companheiro, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada...

Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. 

A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas.

E eu também não sou o melhor marido, empregado, ou cozinheiro, talvez nem o melhor pai, mesmo que tente todos os dias!

O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros.

Desde que eu e sua mãe nos unimos, aprendemos, os dois, a suprir as falhas do outro.

Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de alumínio brilhando. 

Ela não sabe usar a furadeira, mas após minhas reformas, ela faz tudo ficar cheiroso, de tão limpo. 

Eu não sei fazer uma lasanha como ela, mas ela não sabe assar uma carne como eu. 

Eu nunca soube fazer você dormir, mas comigo você tomava banho rápido, sem reclamar. 

A soma de nós dois montam o mundo que você recebeu e que te apoia, eu e ela nos completamos.

Nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto temos os dois presentes."

De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas e com amigos.
Então filho, se esforce para ser sempre tolerante, principalmente com quem dedica o precioso tempo da vida, a você e ao próximo.

Mensagem enviada por Anna Célia Dias Curtinhas,
a cronista em síntese.

domingo, 9 de setembro de 2012

UNIÃO ESTÁVEL, ALGUNS ENFOQUES

        Apesar da clareza com que penso que escrevi os diversos artigos já publicados sobre união estável, não me cessam de chegar e-mails de pessoas que os lêm, mas continuam com interrogações. Certamente, por detalhes particulares que guardam particular aspecto com a própria situação em que se encontram e que muitas vezes afligem.   

        Isto só consagra a certeza de que em se tratando de gente, mesmo que as aparências possam levar a crer que esse e aquele são o mesmo caso, pode não ser, ou não é. Gente é assim, cada pessoa é indivíduo.                
 
Voltemos a considerar o que diz a Constiuição e a Lei. A primeira diz que: - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. (§ 3º). Proteção do Estado quer dizer se aplica a união estável e lhe são estendidos direitos e obrigações inerentes à sociedade conjugal com faculdade do respectivo exercício igualmente pelo homem e pela mulher. (§ 5º).
 
 Ambos segundo o art  226 que prevê: a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
 
A união estável se dá entre um homem e uma mulher, portanto é uma sociedade hetero sexual, é entidade familiar, está sob a proteção do Estado e deve ser facilitada sua conversão em casamento, é evidente que implica em os conviventes poderem-se casar.
 
A viúva e o viúvo que contrairem novas núpcias não perdem eventual pensão que recebam uma vez que esta, uma vez obtida, se integra como valor indispensável à sua sobrevivência. E mesmo que o outro tenha posses bastante, o direito não é retirado, é também patrimômino que o(a) beneficiado(a) levará, até como forma asseguratória às vezes somente como uma certa independência financeira, sempre tão útil em qualquer fase da vida.
 
Conviventes que depois de anos decidem casar, apenas transformam em de direito uma circunstância de fato em verdade. “Os anos de casa” que antecedem as núpcias não se apagam como se o casamento acrescentasse obrigações ou expurgasse um passado.
 
Por analogia, pode ser dito que o regime de comunhão de bens, anterior à lei é o universal, ao passo que depois dela, certamente, importa em ser interpretado como parcial, isto é, no caso de separação só será partilhado o que tiver sido adquirido pelo esforço comum dos dois. A herança que se constitui em expectativa de direito, se reserva igualmente, exclusivamente a quem for herdeiro(a).
 
Em todos os casos de litígio ou resolução não pacífica de partilha é necessário aferir pormenorizadamente as diversas circunstâncias. União estável como já foi dito é como no casamento, comunhão que se dá desde o afeto aos bens materiais, pelo que, quem se tiver acomodado deixando o peso do provimento da família somente a cargo de uma das partes não poderá arguir direitos.
 
Ai não se deve olvidar que a faina doméstica continuará a ser forma de concurso para os fins familiares. 
 
Mantenho o sobredito, escrito antes da decisão do Supremo Tribunal Federal  e mantenho, apesar dela.

sábado, 8 de setembro de 2012

O GRITO DOS EXCLUIDOS

 
POSTADO NO SITE DA ARQUIDIOCESE DE VITORIA -ES Além do desfile cívico realizado no Centro de Vitória em comemoração ao dia da Independência do Brasil, o feriado de 7 de setembro também foi marcado por manifestações de protesto.
O canto do Hino Nacional deu o tom da marcha do "Grito dos Excluídos", que este ano refletiu o tema: Um Estado a Serviço da Nação, que Garanta Direitos de Toda a População.
Realizado durante toda a manhã desta sexta-feira (07), a 18º edição do Grito dos Excluídos reuniu ao todo, 42 movimentos e pastorais sociais com atuação no Espírito Santo. Idosos, jovens e crianças caminhavam pelas ruas de Vitória pedindo oportunidade, igualdade e atenção dos governantes.
Padre Kelder José Brandão Figueira, um dos coordenadores do evento no Estado e Vigário Episcopal para a Coordenação de Pastoral da Arquidiocese de Vitória, explica que o Grito do Excluídos "é uma forma de denunciar as diversas injustiças existente dentro da sociedade e que levam milhões de pessoas à exclusão social. Queremos dar voz aos oprimidos", enfatizou.
Para o pastor da Igreja Metodista, Adahyr Cruz , integrante do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), o evento representa a força e a fé do povo brasileiro. "São 18 anos apoiando esta causa. Como cristãos temos o compromisso de defender os direitos do povo de Deus. Não podemos esquecer que a mudança, depende do desenvolvimento dos povos. Estamos unidos em busca do novo e queremos uma sociedade mais justa. E esse desejo, extrapola todas as barreiras religiosas", afirmou.
O "Grito" é um evento nacional, que de 1° a 7 de setembro promove diversas ações, seminários e manifestações, tendo como objetivo chamar à atenção da sociedade para as condições crescentes de exclusão social . No Estado, o evento abordou quatro grandes eixos que afligem a população capixaba: ética, grandes projetos, violência e direitos sociais.
Após três horas de manifestação, a caminhada pelos bairros de Vitória terminou em frente ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo. O intuito é questionar se o Estado está atento as necessidades dos cidadãos.
 





sexta-feira, 7 de setembro de 2012

DIA DA PÁTRIA

Pela Av. 18 de Julho, Montevidéu, curto espaços, ouço pessoas, como se portam, como reagem. Gosto, penso que seja uma forma de melhor conhecer a realidade que se visita.

De repente, meus olhos pousam numa placa onde está escrito. Nesta data no ano de 1830, foi jurada nossa primeira Constituição, de acordo com as formalidades estabelecidas na Lei de 26 de junho desse mesmo ano. Em Montevidéu, o ato se realizou na Sala “del Cabido” com a participação de altas autoridades civis, eclesiásticas e militares, e na sua frente, na Praça Matriz, prestou juramento o povo”.

Li, sai refletindo, voltei para fotografar, pois não poderia esquecer nenhuma palavra, em especial, as quatro últimas: “O povo prestou juramento”. Realmente, é o povo quem jura.

No nosso país democrático, proferem juramento de cumprir a Constituição, os que assumem cargos que integram os três poderes, legislativo, executivo e judiciário. E como todo poder emana do povo, resta implícito que cada brasileiro é quem jura cumprir a Constituição do seu país. Não pretendamos isto dos que são representados. Se dá com aquisição da cidadania plena, aos dezoito anos de idade, quando se endossam todos os direitos inerentes a todo cidadão.

Dia da Pátria, observado feriado nacional. Em outros lugares também, mas na capital do país repetem-se as comemorações com desfiles de militares, de civis e de estudantes. Com que consciência todo esse aparato acontece ou se trata de apenas um momento?

O amor a ser tributado à Pátria é o mesmo que à família, tal qual já dissera Rui Barbosa: “Pátria é a família amplificada”. Não se contam os laços de sangue, muito menos a cor da pele, todos os que nascem ou vivem aqui, somos originários da mesma célula. Importa cuidar de tudo, como cuidamos da nossa casa, conservar e proteger tudo, como se tudo fosse só nosso. Ninguém tem o direito de dizer que se isenta.

Basta de reivindicar direitos olvidando obrigações, o espírito cívico ou amor pátrio tem as mesmas características da virtude da caridade, pela qual se há de amar o próximo como a si mesmo e consequentemente: preserva-se o ambiente para a presente e para as futuras gerações, incrusta-se todo desenvolvimento com o selo da sustentabilidade, já não há espaço para individualismos, o mundo se globalizou.

Que neste Dia da Pátria aquele sol da liberdade que brilhou com sua independência, amanheça esplendoroso para todos, emita raios de ciência que Pátria não é abstração, mas se forma de todos que com orgulho a chamam de MÃE.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

CUIDEMOS JUNTOS


Tive impressão  de que o povo uruguaio se mostra sensível ao que lê repetidamente. Diversas mensagens bem positivas podem ser lidas em diversos lugares, como  em vidro traseiro de ônibus, por exemplo. Gostei desta: não pense que é coisa de mulher, cuidar de quem precisa, cuidemos juntos.

A reflexão a seguir foi feita no dia 12 de março deste ano, no meu programa CINCO MINUTOS COM MARIA: parece um sentimento que se vai ausentando sempre mais e pode desaparecer.   É o sentimento do compromisso que cada um tem com o que acontece com o outro, na sociedade em geral.

Não somos ilhas, nossas almas se entrelaçam pela mesma origem, todas saíram das mãos de Deus criador que nos chamou à vida e conserva cada uma na palma de sua mão como se fosse o único objeto dos seus cuidados

O que acontece de bem ou mal com meu próximo reflete em mim, eu me elevo com os que se elevam e caio com os que caem.  Ioliallala How Lon conseguiu curar doenças de centenas de pessoas internadas numa casa de cura, partindo dele mesmo. Admite que as doenças dos outros também estão em nós e se nós nos curamos, o outro se cura.

As palavras: perdoe-me, sinto muito, te amo, sou grato, obrigada, repetidas em forma de mantra vão penetrando sempre mais fundo. Você sabe que o nosso íntimo vai guardando o bem ou o mal que depositamos nele, como na história do índio que disse: “dentro de mim há dois lobos, um manso e outro feroz". Então lhe perguntaram: 'qual dos dois lhe causa mais danos, o bom ou o mal'? Ele respondeu: "o que alimento".

Quais são os alimentos que estamos dando a nossa alma? Ao invés de ficar encucando negativismos, repitamos me perdoe, sinto muito, te amo, sou grato, por ai a fora.  

A vida vai ficar tão boa que nos surpreenderemos.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

PÁTRIA - FAMILIA AMPLIFICADA

É uma parcela do que há de melhor na literatura do Jurisconsulto do Brasil.
Está próximo o dia da Pátria, acho que vocês vão gostar. Degustem a sabedoria das afirmações.


A Pátria é a família amplificada – Rui Barbosa – 1903

 

O sentimento que divide, inimiza, retalia, detrai, amaldiçoa, persegue, não será jamais o da pátria. A Pátria é a família amplificada.

E a família, divinamente constituída, tem por elementos orgânicos a honra, a disciplina, a fidelidade, a benquerença, o sacrifício. É uma harmonia instintiva de vontades, uma desestudada permuta de abnegações, um tecido vivente de almas entrelaçadas. Multiplicai a célula, e tendes o organismo.

Multiplicai a família, e tereis a pátria. Sempre o mesmo plasma, a mesma substância nervosa, a mesma circulação sangüínea. Os homens não inventaram, antes adulteraram a fraternidade, de que Cristo lhes dera a fórmula sublime, ensinando-os a se amarem uns aos outros: “Diliges proximum tuuum sicut te ipsum”.

Dilatai a fraternidade cristã, e chegareis das afeições individuais às solidariedades coletivas, da família à nação, da nação à humanidade. Objetar-me-eis com a guerra!

Eu vos respondo com o arbitramento. O porvir é assaz vasto para comportar esta grande esperança. Ainda entre as nações, independentes, soberanas, o dever dos deveres está em respeitar nas outras os direitos da massa.

Aplicai-o agora dentro das raias desta: é o mesmo resultado; benqueiramo-nos uns aos outros, como nos queremos a nós mesmos. Se o casal do nosso vizinho cresce, enrica e pompeia, não nos amofine a ventura, de que não compartimos. Bendigamos, antes, na rapidez de sua medrança, no lustre da sua opulência, o avulsar da riqueza nacional, que se não pode compor da miséria de todos.

Por mais que os sucessos nos elevem, nos comícios, no foro, no parlamento, na administração, aprendamos a considerar no poder um instrumento de defesa comum, a agradecer nas oposições as válvulas essenciais da segurança da segurança da ordem, a sentir no conflito dos antagonismos descobertos a melhor garantia da nossa moralidade.

Não chamemos jamais de inimigos da pátria aos nossos contendores. Não averbemos jamais de traidores à pátria os nossos adversários mais irredutíveis.

A pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação.

A pátria não é um sistema, nem é uma seita, nem um monopólio, nenhuma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não inflamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo. Porque todos os sentimentos grandes são benignos e residem originariamente no amor. No próprio patriotismo armado o mais difícil da vocação, e a sua dignidade não está no matar, mas morrer. A guerra, legitimamente, não pode ser o extermínio, nem a ambição: é, simplesmente, a defesa. Além desses limites, seria um flagelo bárbaro, que o patriotismo repudia...

Texto: Rui Barbosa, 1903.