sábado, 5 de maio de 2018

LEIGOS, SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO


A Igreja sempre foi uma instituição organizada, mãe carinhosa, abriga todos os que querem seu refúgio e assim, no curso do tempo sempre se preocupou com cada seguimento dos seus filhos, na família e na sociedade, em qualquer condição ou estado de vida, em que individualmente responde à própria vocação, mediante a qual faz sua caminhada rumo à única vocação, a universal à Santidade.

Nesta abordagem, o foco são os Leigos, seculares que sem ser oposição ao sacerdócio, a religiosos, outras classes, convivem juntos sob os ensinamentos das mesmas escrituras.  “Leigo é todo aquele que se encontra inserido nas realidades temporais, compete-lhe se integrar sem receio na sociedade, na política, no trabalho e na cultura, desde a primeira a última significação das coisas que se ganha em Cristo. A secularidade que vivem, no respeito ativo pela consistência da criação – ou seja da dimensão espaciotemporal do mundo – leva-os a respeitar e a melhorar todo o modo de fazer sem nunca perderem a absoluta dimensão do ser, como da finalidade das coisas”[1].

O Leigo forma o povo de Deus, não se diferencia dos demais integrantes da hierarquia. É pessoa humana tanto quanto, reveste-se da mesma dignidade porque também criado à imagem e semelhança de Deus. A diferença fica tão somente pela diversidade de funções e a cada uma além de se atribuir especiais ocupações é recomendado o respeito recíproco.

A Igreja no Brasil, decidiu celebrar o ANO DO LAICATO  que teve início no dia 26 de novembro do ano pretérito e finda com a Festa de Cristo Rei que acontecerá no dia 25 de novembro deste ano de 2018.  Tudo foi muito bem planejado e em bom tempo todas as Dioceses e Prelazias do Brasil receberam orientações metodológicas, material e quanto mais necessário para bem realizá-lo.  A recepção deixa a desejar, inúmeras paróquias ainda que bem instruídas, não recepcionaram a proposta, talvez pela falta de leigo interessado(?).

Certamente o projeto de Deus o desejou. O Concílio Vaticano II procedeu às grandes transformações que ocorreram não só no mundo católico. É verdade que não faltaram consequências, até advindas do interior da própria Igreja. De todas elas saiu ilesa.  

Do Vaticano II veio o Decreto Apostolicam actuositatem, sobre o apostolado dos leigos. Ainda não é suficientemente conhecido apesar dos seus 53 anos. E o que o motivou? Como inicia afirmando: “o desejo de tornar mais intensa a ação apostólica do povo de Deus, dai porque dirige-se esperançoso aos leigos, que desempenham papel específico e insubstituível no conjunto da missão da Igreja. 

... Decorrente da própria vocação cristã, o apostolado dos leigos não pode deixar de existir na Igreja. As Escrituras mostram como foi espontânea e frutífera a ação dos leigos nas origens da Igreja. (cf. At. 11, 19-21; 18,26; Rom. 16.1-16; Fl 4,3). Contém VI  capítulos elucidativos de tudo como e porque deve ser, como fazer.

Em 1987, os “fiéis leigos” foram tema do Sínodo dos Bispos como “pertencentes àquele povo de Deus que  é representado na imagem dos trabalhadores da vinha, de que fala o Evangelho de Mateus: “O Reino dos  Céus é semelhante a um proprietário, que saiu muito cedo,  a contratar trabalhadores para a sua vinha. O convite do Senhor Jesus «Ide vós também para a minha vinha » continua, desde esse longínquo dia, a fazer-se sentir ao longo da história: dirige-se a todo o homem que vem a este mundo”, afirmou-o o Papa João Paulo II em Exortação apostólica  sobre a “Vocação e Missão dos Leigos na Igreja e no mundo”. Reforçou totalmente os termos do documento conciliar, atualizou o tema, e denominou como “fruto mais precioso  daquele encontro dos Bispos, que os fieis leigos escutem o chamamento de Cristo para trabalhar na sua vinha”. Adverte sobre os perigos do secularismo que se propaga do mesmo modo que a indiferença religiosa, com olvido de práticas que sempre ajudaram a vida do cristão.

Claro, enfatizou a necessidade da oitiva atenta da Palavra como forma de conhecer a vontade de Deus, de descobrir sua vontade concreta para as nossas vidas.

Nos nossos dias, a Igreja do Concílio Vaticano II, numa renovada efusão do Espírito de Pentecostes, amadureceu uma consciência mais viva da sua natureza missionária e ouviu de novo a voz do seu Senhor que a envia ao mundo como “sacramento universal de salvação ».(1)

Por sua vez, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil tem-se ocupado do tema e em 1999, 20° aniversário da “Christifideles Laici”, edita o Documento 62 tratando da “Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas”.

Impossível num artigo fazer tantas transcrições, alguma contudo se faz indispensável. Dizem os Bispos, sempre no doc. 62: “Pela sua “índole secular  ...os leigos são cristãos, portanto, participam a pleno título da missão da Igreja. ... Os leigos são chamados a evidenciar a missão da Igreja no mundo. ... têm a vocação de procurar o reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as  segundo Deus” e assim, possam contribuir, a modo de fermento, por dentro, para a santificação do mundo”.

E com a decisão de comemorar o laicato durante um ano inteiro, a CNBB o fez, editando o documento 105, aprovado em sua 54ª Assembleia Geral em Aparecida SP, no dia 14 de abril de 2016. Já se contam dezenas de artigos alusivos de autoria de diversos Bispos.

Declara abrindo o documento: “Sal da terra e luz do mundo, na Igreja e na sociedade! Os cristãos leigos e leigas receberam pelo Batismo e pela Crisma, a graça de serem Igreja e por isso, a graça de serem sal da terra e luz do mundo. (Mt 5,13-14). Trata-se da expressão com que Jesus definiu seus discípulos e a missão que lhes confiava e são particularmente significativas em se tratando dos cristãos leigos e leigas.

Faço mais uma citação: “Em sintonia com o Ano do Laicato, a Campanha para a Evangelização deste ano  tem como tema “Cristãos leigos e leigas comprometidos com a Evangelização” e o lema “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Mt 5, 13-14)

“O objetivo da campanha é despertar os discípulos e as discípulas missionários para o compromisso evangelizador e para a responsabilidade pela sustentação das atividades pastorais no Brasil. A iniciativa considera a ajuda para dioceses de regiões mais desassistidas e necessitadas”.  

Nos dizeres de D. Severino Clasen, Presidente da Comssão Especial para o ano do laicato,  "o leigo deve agir, seja na formação, nos serviços básicos da comunidade de fé, animando a liturgia, a catequese e os serviçoes eclesiais, circulos bíblicos, grupos de reflexão e outros, bem como o  testemunho no serviço aos mais necessitados e carentes. ... o papel dos leigos na Igreja é ser testemunho do  Cristo resusscitado, onde moram, vivem e trabalham.

Através do batismo, tornam-se membros efetivos no corpo da Igreja, onde Cristo é a caneça. "É dever da cada batizado conhecer Jesus Cristo, viver seus sentimentos de amor e ajudar os mais necessitados a serem felizes e a todos se santificarem para a glória de Deus". Os leigos carregam mais que um mero papel, pois se trata de algo maior: uma missão!

Não é preciso dizer mais nada, há muito a ser lido nas mais diversas fontes. Que os Cristãos leigos e leigas procurem se entrosar nesta Campanha, não deixem de ser como o quer Jesus: SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO!



Marlusse Pestana Daher
Vitoria, 04 de naio de 2018






[1] Disponível em:http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/documentos/leigos-na-igreja-e-no-mundo-relendo-a-christifideles-laici/  - Acesso 11 de maio de 2018.

terça-feira, 1 de maio de 2018

DIA DO SUOR DO TRABALHADOR

Homenagem ao trabalhador Daniel Gonçalves
Presidente PV São  Mateus -ES

Sempre será esta nossa BANDEIRA. 
O trabalho humano foi e sempre será a grande estrela na vida do homem, um homem sem trabalho é também destituído de outros direitos humanos e fundamentais, pelo que importa que aumentemos nossos esforços, mesmo ante a certeza de que a luta é renhida e que se podem repetir mortes, injustiças, toda sorte de aviltamento semelhante ao que aconteceu com “aqueles trabalhadores”.

Em 1886, Chicago se constituía no maior centro industrial do mundo e como é natural, absorvia expressibilíssima, ainda que “a preço de banana”,  mão de obra, condenando os trabalhadores a uma jornada de 13 horas, tornando suas vidas tormento insuportável. 

Dai que no dia 1° de maio daquele ano, milhares de trabalhadores, em distintos lugares saíram às  ruas para protestar e reivindicar entre mais a redução de 13 para 8 h a jornada de trabalho.

A reação do poder veio com a força policial ocorrendo inevitáveis confrontos e logicamente tendo como resultado mortos e feridos, certo que da parte dos trabalhadores. Eles não dispunham das mesmas estratégias nem das mesmas armas com as quais os vitimaram.
Trabaladoras do G.E. Amâncio Pereira
Provável década de 1950

Foi assim que o 1° de Maio se tornou “Dia do Trabalho”. Vieram documentos favoráveis, pronunciamentos de Papas, autoridades, partidos e até se transformou feriado universal para que tudo seja lembrado.  

Mas aqui não se trata de nos ocuparmos com a história, mas com os acontecimentos do momento que roubam o que de mais necessário tem a pessoa, sua própria dignidade.

O trabalho escravo não acabou acrescentado do infantil.

Só quem a exemplo dos povos indígenas por parte dos mais velhos não vê contada a própria história, não imagina ou sabe do comportamento de fazendeiros em relação aos seus trabalhadores.

Quem não sabe “das vendas” existentes nas próprias fazendas onde o trabalhador mediante vale, faz(ia) compras de víveres para a família? Nunca veem dinheiro em espécie. Nem se esqueça que os preços são bem mais “salgados”. Quantos, sem pagamento de hora extra,  trabalham jornadas superiores às normais, pode ser até que recebendo o salário mínimo, mas sem carteira assinada, sem que tenham sido pagas as obrigações sociais, pelo que terão negados os direitos que desse pagamento decorrem na hora que dele precisarem.

O trabalho dignifica o homem.  Observo aqui onde moro, quanto cresce a “população de rua”, homens em idade de labor, sujos, esfaimados, muitas vezes com a boca cheia de mentiras e olhares lacrimosos, para despertar no próximo compaixão pelo que não existe, que não merecem.


Pode ser que padeçam  o reflexo da canseira dos seus ancestrais que trabalharam duramente, enriqueceram patrões, venderam e ainda vendem sua arma sagrada do voto em eleições, inconscientes do reflexo que decorre de tal gesto.

Ai não se negue que a  primeira causa é a falta de trabalho, se o tivesse, vendo outros que progridem, haveriam de buscar igual sorte. As circunstâncias não favorecem e se transformam ainda em um maior peso social. Falta educação. Falta educação. Falta educação.

Certa vez ouvi alguém dizer “não há rico que tenha enchido os bolsos senão às custas do suor daqueles que para ele trabalhavam”.  Não ousaria generalizar, mas esta afirmação é como o boato o qual “tem sempre seu fundo de verdade”.
Enquanto a população sua, chora, passa fome e se atormenta, o fruto do seu trabalho finda em quase nada para comer, beber se vestir, ter onde morar.

O que é hoje nosso lugar? Um país que progressivamente vinha sendo assaltado, (ainda continua) enriquecendo poucos, fazendo o detentor do poder e seus aliados abarrotarem os bolsos. Dizer vergonha é pouco.

E de acréscimo, pobres de nós pela composição dos Poderes representativos da Nação.

É impossível compreender que uma senhora, D. Marisa Letícia,  só porque foi primeira dama do país tivesse tantos bens, tanta riqueza como os que foram arrolados no seu inventário. 

As pessoas que tiverem consciência, que, por exemplo, acreditam no Papa Francisco que vem ocupando todos os espaços e conclamando ao agir para que as coisas mudem,  “não podem cruzar os braços ou lavar as mãos como fez Pilatos”,  enquanto dispuser de qualquer sorte de capacidade ou habilidade para mudar o mundo, não pare. Vamos morrer lutando.

Nas próximas eleições escolhamos bem, vejam as novidades, pessoas que ainda que pequenos partidos, como o PV, vão apresentar.

Só não podemos quedar-nos imóveis ou nos constituirmos em “vaquinhas de presépio”  Cruz credo!


Marlusse Pestana Daher
1 de maio de 2018  15:49

domingo, 15 de abril de 2018

E HAJA ESPERTEZA

A navegação prossegue:

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!                                            Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano                                        Como o teu mergulhar no brigue voador!                                                        Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!                                               É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...                                                  Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!
(Castro Alves –Navio Negreiro}

II - SOBRE POLÍTICA

Se entendermos a explicação dada, havemos de concluir que político não pode ser o populista que distribui doces, que dá tapinhas nas costas, que conversa com o outro fingindo que é "de igual para igual" e tem outros comportamentos similares, mas É TUDO FINGIMENTO, É SÓ PARA GANHAR VOTO E COMO O ELEITOR É GENTE E GENTE É UM "BICHO" CARENTE QUE SE DERRETE TODO, ACABA PENSANDO QUE TEM NESTE ESPERTALHÃO "UM AMIGO DE FÉ, UM IRMÃO CAMARADA"

Para ser funcionário de qualquer prefeitura você precisa fazer concurso, há concursos "pura balela" mas outros que se você não estudar para valer, você não passa.

POLÍTICO, talvez mais de 90%, não sabe o que diz a Constituição, NÃÃAOOOO está instruído para o exercício de tão delicados misteres.. "Depena a galinha e ela ainda sai correndo atrás dele".

Assim é que acabamos por provar tantos desgostos, ao ouvir prefeitos decantando méritos de governadores, fazendo discursos dificílimos de ser assimilados, deglutidos, quando mais saboreados. Degustado? nem pensar.

O jornal, “Tribuna do Cricaré”, de hoje, (15/04/2017) traz na capa, que o Prefeito de São Mateus, defende reeleição da “Chapa Hartung-Colnago”,  (algum eleitor do 1/3 do total que foram seus votantes, autorizou?)  "imensamente sensibilizado" porque levaram a notícia de que poderá vir a ser ampliado o velho Hospital Maternidade de São Mateus que no curso do mandato desses senhores, só não fechou suas portas porque a Igreja Católica, sempre ela, foi à luta e não deixou acontecer.

Um segundo motivo é o asfaltamento de uma estrada antiga...

O Governador se acompanhava de outros políticos candidatos .

O Deputado Gildevan disse que as obras foram paralisadas no governo RENATO CASAGRANDE, por falta de recursos. Não é provável, Casagrande ainda deixou o cofre abastecido Aproveitando a deixa dois aliados de PH exaltam-NO dizendo que “só [1]começa o que pode terminar” e por isto interrompe o que está em curso?

Não tenhamos memória curta. NA VERDADE, PH VAI ESCONDENDO O JOGO NO CURSO DO SEU MANDATO, PARA NA RETA FINAL DISPARAR BENEFÍCIOS.
É UMA SUA ESTRATÉGIA E O POVO, AQUELA GENTE BICHO CARENTE, ENCHE OS OLHOS SEM PENSAR QUE AS RAZÕES DE SUA ALEGRIA PODERIAM TER SIDO PROPORCIONADAS ANTES SE A POLÍTICA DESSES POLÍTICOS FOSSE POLÍTICA COMO DEVE SER.

"Olho na mídia" para acompanhar as notícias de visitas da ilustre caravana a outros municípios com iguais finalidades.

Marlusse Pestana Daher
Vitória, 14 de abril de 2017

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[1]Ficou no meu perfil do face, porque não sendo original, faz ficar branco ao ser publicado.
Acess

sábado, 14 de abril de 2018

HISTORIA DA IMAGEM E DO CONVENTO DA PENHA


A imagem de Nossa Senhora existente no altar-mor do Convento da Penha, em Vila Velha, ES, vinda de Portugal em 1570, mostra NOSSA SENHORA DA PENHA DE FRANÇA. A imagem que deu origem ao culto com essa denominação foi encontrada por Simão Vela no século XV (1434), na Serra de França situada no norte da Espanha, próximo a Salamanca, local de origem do espanhol Pedro Palácios, idealizador do Convento. Ela havia sido escondida por soldados franceses, durante a guerra com os mouros.

Irmão Leigo (sem ordens), “Frei” Pedro Palácios era ligado aos Capuchinhos na Custódia Portuguesa da Arrábida, onde os religiosos se consagravam à penitência e ao eremitério.

Nossa Senhora da Penha de França aqui, em Vila Velha, ES, foi associada às sete PENAS (sofrimentos) de Nossa Senhora: - profecia de Simeão feita no Templo de Jerusalém (revelou a N. Senhora a futura paixão e morte do seu Filho), - fuga para o Egito, - perda de Jesus no Templo, - encontro de Maria com Jesus carregando a cruz, - morte de seu Filho na cruz, - descida de Jesus da cruz, - sepultamento de Jesus. Até os anos 1980, na Estrada Velha do Convento, conhecida como “Ladeira da Penitência”, cada uma das suas sete curvas exibia uma cruz pintada de azul, onde estavam escritas as sete PENAS de Nossa Senhora.  

A versão de “Penha” como “pedra”, se deve às escarpas íngremes da Serra da Penha de França, que embora tenha esse nome fica em território espanhol, onde Carlos Magno deteve o avanço dos mouros na Europa. Em Vila Velha, ES, e na Penha, RJ, as igrejas foram construídas sobre morros com penhascos nos cumes, lembrando a serra espanhola.

A versão de NS da Pena, cuja imagem mostra Maria com o Filho no colo e segurando uma pena de ave na mão direita, padroeira dos escritores e pintores, cujo culto é celebrado desde a Renascença, não condiz com nenhuma imagem existente no Convento.

O painel com Nossa Senhora dos Prazeres, ou Nossa Senhora das Alegrias, trazido por Pedro Palácios, em 1558, é a pintura mais antiga exposta permanentemente ao público nas Américas. A imagem, talhada em madeira, veio de Portugal doze anos depois do painel e foi entronizada na primeira Festa da Penha, em 1570.

A romaria de devotos teve início em 1573, promovida por dois jesuítas que escaparam de um naufrágio.
Curiosidade: A igreja católica da Barra do Jucu é a única, das que conheço, que ostenta em seu frontispício quatro grandes flores-de-lis, símbolo do reino de França.

Kleber Galvleas, Pimtor


domingo, 4 de março de 2018

TRIBUNAIS EXISTEM, JUSTIÇA NEM SEMPRE


FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA


Hoje ao passar pela enorme construção do Tribunal Regional do Trabalho, imaginei, deverá ficar bem bonito... Não precisaríamos dele, se no mínimo as pessoas entendessem que “o operário merece seu salário”. Trata-se de uma afirmação que não vem do homem comum, mas de um Evangelista, no caso, o autor do terceiro Evangelho, Lucas 10,7, que exercia profissão de médico e certa feita, sentiu a inspiração do Espírito Santo de Deus que o chamou para que escrevesse.


Foi natural que meu pensamento voasse para o Tribunal de Justiça do Espírito Santo, ali perto, para o prédio da Justiça Federal igualmente, nas imediações.
E prossegui na minha análise, se há tribunais é porque há conflitos, são diversos os especializados, como este, como o da Justiça Federal. As apesar de numerosas varas existentes nos fóruns, no entanto,  são insuficientes. Quanta despesa para manter ambientes propícios aos que lá trabalham e profiram as melhores decisões.

Faço uma pausa, ainda continuando a escrever, para dizer que malgrado nosso: inocente é condenado por assalto, apesar de os dois verdadeiros assaltantes o terem inocentado. Caluniador vira caluniado e leva ótima vantagem. Coisas tão claras passam absolutamente despercebidas. Pessoalmente sei e provo a existência de ao menos três decisões recentes, absolutamente erradas. Valha-nos Deus!

Há quem diga que há muita assessoria e sobre ela recaem os erros, mas acho que erra mais quem assina o errado.

E tudo isto? Desde os primórdios das nações contava-se com juízes, com promotores, com advogados, com os responsáveis pela proteção do verdadeiro direito, reconhecendo-o a quem o tem, tanto quanto o tem.

E se existe toda aquela estrutura e se pensa em ampliações, é evidente: existem conflitos e para dirimi-los o Estado investe do respectivo poder, cidadãos e cidadãs os quais possuam saber jurídico e reputação ilibada.

Saber jurídico porque o requerem os componentes da demanda, meios que resultem da melhor hermenêutica, e  reputação ilibada porque só quem a tem conserva princípios morais a tanto indispensáveis, não deixando inseguros os jurisdicionados.

Estamos com um exemplo claríssimo do desencanto do povo, ao mesmo tempo com o encanto que demonstra pelo juiz Sérgio Moro, por tudo que está fazendo, bem aplicando o direito. E ele nada mais está fazendo o que lhe compete, o que é seu dever.

É a tal história quem não está acostumado estranha.  Com toda sabedoria que lhe foi peculiar, em certa oportunidade, disse o Cardeal Paulo Evaristo Arns, da Arquidiocese de São Paulo: quase tudo não está certo entre nós, quase nada está certo entre nós.

E isto nos causa muitos transtornos, já até virou piada, o número de farmácias que surgem em Vitória, nos mais diferentes pontos e das mesmas empresas. Quando nossa vida não decorre em tranquilidade somos acometidos dos mais diferentes males e para cada um já existem uma ou várias explicações ou causas. E tomam-se remédios.

O respeito pelo outro, o reconhecimento do seu direito, não cobiçar o que é dele, contribuir para sua paz (pode dizer que é utopia), seria suficiente para que prescindíssemos de tribunais.

E porque não é assim, as suas prateleiras esburram de processos, as doenças assolam, atingem a cada um de nós, aos que amamos, a todos.

Exatamente por isto, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que já escolheu outros temas e lemas assemelhados para a Campanha da Fraternidade que  celebra a cada ano, no tempo da quaresma, neste o tema é fraternidade e superação da violência e o lema: somos todos irmãos! (Mt 23,8). A violência campeia em nossos dias e não só nas metrópoles, mas nas pequenas cidades, lugarejos, lá no rancho fundo, por toda parte.

É como falou o Bispo auxiliar de Brasília, secretário geral da CNBB, D. Leonardo Steiner: ... a temática é exigente. Ela tem muitos aspectos, tem muitas nuances, tem abordagens que necessitamos fazer diante da amplitude do tema.
Procuremos entender um pouco mais: violência é um mal absolutamente sem sentido, para dizer o mínimo, aproveitemos os encontros e as oportunidades que a Igreja está oferecendo. Com certeza aprenderemos qualquer coisa que, no entanto, pode ser o impulso que nos projetará no rumo da perfeição.


Marlusse Pestana Daher
Vitória, 3 de março de 2018  00:04     

domingo, 18 de fevereiro de 2018

MULHERES SACERDOTISAS, ASSUNTO FORA DE PAUTA

MULHERES SACERDOTISAS

                                 Escrevi este a artigo e publiquei em 13 de agosto de 2001, revirando arquivos, o encontro e resolvi  republicar, pois,  
não é que nada mudou!


            Não sem ser seriamente questionada, a Igreja Católica continua a não admitir  mulheres à ordenação sacerdotal. Logicamente, muitas têm sido as explicações dadas para tanto. A que mais se ouve é que Jesus não teria

escolhido mulheres para seu discipulado.

De fato, quem lê os Evangelhos, escritos por homens, não encontra em nenhuma passagem, uma mulher sendo chamada ao Seu seguimento, a exemplo do que fez com os doze. E ainda mais, por que entre aqueles, foi escolhido um ao qual foi dito, "o que ligares na terra estará ligado no céu" e quem hoje consideramos seu sucessor, o Papa, tem demonstrado de todos os modos que o sacerdócio, na Igreja Católica, não está aberto ao ingresso de mulheres. 

No último encontro dos Bispos brasileiros, Itaici, SP, o assunto voltou a gerar polêmica. D. Mauro Morelli, bispo de Caxias do Sul, RJ, lembrou sua dificuldade em distribuir a Eucaristia para todo o seu povo e acrescentou, independentemente de serem casados ou de serem mulheres estes podem ser pessoas "eminentes na fé e na caridade" capazes portanto de exercerem à altura tal ministério. Metade do auditório, formado também de religiosas e representantes de outros organismos do povo de Deus, veio abaixo em aplausos.

O teólogo, Mons. Bruno, porta-voz do Vaticano, a quem D. Mauro se  dirigiu, optou por responder como teólogo apenas, nada acrescentou. 

"Entre Todos os Homens" é um romance que nos foi presenteado por Frei Beto, como resultado de pesquisa por longos doze anos, na Bíblia, na paisagem, nos costumes e da geografia da Palestina onde Jesus viveu.

Pela aproximação que faz dos sentimentos divinos com os nossos, mais precisamente pela demonstração humaníssima com que o filho de Maria e José é ali tratado, pareceu-me que pudesse buscar, nem que fosse uma palavra a mais, justificadora do que na Igreja é assegurado a respeito do assunto que abordo.

Curiosamente, no capítulo "Os discípulos", deparo-me com um Jesus que "não quer volver os olhos dos penitentes aos pecados cometidos e sim ao futuro, lá onde se situam o novo céu e a nova terra prometidos por Jeová pela boca dos profetas". E quando André insiste em muitas referências sobre o que recomenda, ouve: "André, não me importa o que se diz dessa ou daquela pessoa. Conheço pelos olhos o coração humano". Taí, pensei comigo, Jesus não está interessado nos currículos... mas nas respostas que dão ao seu convite.

Ainda no citado romance, li em desprezo à mulher: "Bem que dizem que é melhor atirar a Torá às chamas que permiti-la às mulheres". Natanael faz questão de enfatizar que consideravam desabonadores antecedentes de Tamar que com a morte do marido se disfarçara de prostituta, Taab que era meretriz em Jericó, Rute, bisavó de Davi, era morabita, e sabem para quê, pertenciam a linhagem de Davi como José, o pai de Jesus, justificando por que não poderiam esperar tanto de um filho que pudesse ter um tal homem como pai.

Do que concluo: não passa bem pelo fato de ser mulher, pois, como capacidade pessoal ela já provou que pode fazer tudo tão bem ou melhor do que o homem, mas porque ainda há preconceito, uma miragem formada de alguma suposta atitude do Mestre.

Outras confissões, igualmente cristãs, contam com suas pastoras desempenhando santamente a função.

Quando Jesus caminhava para o calvário, foi acompanhado também por mulheres. Entre os concelebrantes da primeira missa realizada no Gólgota, se contavam mulheres, uma delas Maria, a mãe da vítima ali oferecida em holocausto. Em breve(1), a Santa Mãe Igreja também terá que fazer uma consulta ao povo: mulher pode ser sacerdotisa? Vai dar uma avalanche de sim. 


              Marlusse Pestana Daher   
13/08/2001

"Em breve..." errei feio, já vamos para dezesseis anos e sequer se cogita.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

REALIDADES


Quando a Constituição Federal prevê que os poderes constituídos da República se constituem do Legislativo, do Executivo e do Judiciário prevê também a forma com que os candidatos hão de galgar os respectivos cargos, cujas funções se diferem, mesmo sendo imprescindível a existência de harmonia entre os três.

Um Presidente da República exerce o ápice do poder, competindo-lhe servir ao país, sentir-se como verdadeiro, verdadeiro servo do povo, jamais valer-se do cargo para seu próprio benefício.

Naquele dia em que os Desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (RS), não só confirmaram a sentença do Juiz Sérgio Moro que condenou Lula, mas aumentaram sua pena, o Brasil respirou aliviado, viu algo de bom acontecer. Confirmou-se que as cominações e penas destinadas aos delinquentes, não é só para descamisado ou remediado, mas pra todos.

Não acho certo tripudiar sobre um morto, mas acaba-se por imperativo, falar, já que ele continua fazendo “visagem pra assustar”. Sempre me motivou o desejo de que esta nossa Pátria dotada de tantos bens, tanto amor – de paz já não se pode falar – onde apesar das maldades, ainda temos uma natureza que esquece os ultrajes que lhe são impingidos e continua revelando-se como um hino verde que atinge as alturas e louva o Criador.

Quando falamos que muitas ou certas pessoas não têm capacidade de ocupar certas funções, há quem diga que é preconceito, que é bobagem “que todos são dignos” como disse a atriz Beth Faria, anos atrás, para justificar seu voto ao candidato a deputado federal, o Cacique Juruna.

Só para não sair do campo político, eu pago para ver se alguma corte em qualquer instância, se algum empreendedor  contrataria o Sr. Lula da Silva para assessoramento seu e o querem mais uma vez, apesar  de tudo que fez de errado, de todos os crimes que cometeu, apesar do espólio que praticou, como Presidente da República. 

São hipnotizados pela sua capacidade de ludibriar, enquanto o mesmo declara claramente que vai  (ia) arranjar (que mina infindável!) muito dinheiro para comprar votos de baianos a R$ 10,00 e voltaria à presidência. Em outros termos, repetiu  o que disse em resposta à interpelação a ele feita para reeleger Dilma: “vocês não sabem do que somos capazes”.

E nós, os “abestados”, apesar de intuir, não sabíamos. Eu mesma viajando pelo Brasil ao ver tantas placas da Odebrecht em obras públicas de grande porte chequei a repetir: “essa Odebrecht é sócia do Brasil”. Por ironia, inteligentemente, alguém para fazer notar quem mandava no Brasil, publicou nas redes sociais,  uma foto do Sr. Marcelo, ex-presidente da mega empresa, envergando a faixa presidencial no peito. Sem legenda, e precisava?

Já se tornou público que o Ex Ministro do STF, Sepúlveda Pertence, respeitável nome do mundo jurídico nacional, (título cuja continuidade de posse vai depender das jogadas que vier a fazer, e virão a público, porque nada fica oculto debaixo deste céu) foi contratado nada menos que por R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) para defender o Lula.

Reconheça-se que para quem gosta de propalar sua origem humílima, proclamar-se a pessoa mais honesta deste mundo, como se explica para quem é apenas um torneiro mecânico depois de exercido o cargo de Presidente da República, dispor de tão alta quantia, para regiamente pagar uma defesa. E Deus não queira, já se ouve um burburinho de que os caminhos foram devidamente aplainados.

“E de um amigo” seu? Eta homem que não toma jeito! Continua sendo comprado a peso de ouro, embora o contrato seja de risco, por quem interessa sua volta ao poder, para deste modo continuar a tirar proveito.

Ainda causa perplexidade e prova interrogações a  origem da fortuna do tal Lulinha, adquirida exatamente no tempo em que seu pai exerceu a presidência, se era simplesmente “um recolhedor de detritos animais” no jardim zoológico em que trabalhou.

Não queiram nos continuar tentando a tratar como “trouxas”. “Os pobres são os preferidos de Deus”. O grande Papa Francisco fazendo tornar mais claro o preceito, proclamou um “Dia Mundial dos Pobres”. E que ninguém se esqueça o que disse Jesus: “tudo aquilo que fizerdes ao menor dos mus irmãos, a mim o   fareis”. E segundo a sabedoria popular, “quando Deus tarda vem no caminho”. Nem pagamento a peso de muito ouro evita a realização dos Seus projetos, da realização de Sua justiça.

E ninguém me venha repetir que os antecessores de Lula, fizeram o mesmo e não foram condenados. “a batata deles está assando”. Mas “pera ai”: desde quando um erro justifica outro?

É claro que todos que traíram a confiança da nação, que cruzaram os dedos anulando o juramento constitucional proferido na hora da posse devem pagar pelo que fizeram.

É lamentabilíssimo que o STF venha decaindo na confiança dos seus jurisdicionados pelas repetidas decisões incompatíveis com a boa e eficiente administração da justiça.

 “Será o fim da picada” se se consumar por uma manobra infeliz,  que a massa está sendo preparada para que tudo acabe em pizza.

Mas não é menos verdade que para termos o direito de denunciar, de criticar, até de espernear, diante de tais condutas é preciso que promovamos em nós as mudanças que esperamos das pessoas com as quais convivemos e das instituições. Continuaremos a ter maus governantes, se os governados também não forem honestos; se no momento do voto estiverem possuídos dos mesmos interesses personalíssimos da choldra.

E para fazer crescer nossa decepção, sabemos que tal milagre está bem distante já que continuamos a testemunhar, por exemplo, a delitos perpetrados por aqueles que ao passarem por um caminhão tombado, carregado de pneus, (de outros valores, em outras oportunidades) cujo motorista ali estava  morto, saquearam desavergonhadamente  a carga.

Este é o nosso pais, de uma classe política que suga o que não  lhe pertence, mas também de muita gente capaz de fazer qualquer coisa para dali obter o próprio proveito.

Aaafff!


Marlusse Pestana Daher                                                                          Vitória, 17 de fevereiro de 2018