terça-feira, 17 de julho de 2012

SIMPLESMENTE AMAR

Perdi-me em pensamentos

que de assalto me possuem

e ausento-me.

Na sala enorme

por uma janela

entra a luz.

Há uma mesa

e uma cadeira apenas,

um urso de pelúcia abandonado

me faz companhia.

A porta fechada

ou entreaberta

não sei bem,

range?

Um sopro de vento

perpassa o ambiente

me renova.

Então levanto-me,

me deixo levar

e se faz um caminho

pelo qual embrenho.

Basta querer,

não custa nada

se o novo sentimento

que de mim se apossa

significa simplesmente, AMAR.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

IR E VIR


Direito de ir e vir,
Direito sacrossanto.
Ir ou vir mas para onde?
Simplesmente para qualquer lugar?

Vir ou ir por quê?
Vir ou ir hoje?
Vir ou ir como?
Vir ou ir até quando?                 

Ir compensa,
se braços abertos                                  
esperam
quem vai chegar.
                                                        
Vir, recompensa,
se braços abertos
traduzem certeza:
alguém espera quem vai regressar. 

Não basta simplesmente ir e vir.

domingo, 15 de julho de 2012

O TESTEMUNHO DE LENA


No sábado, dia 08 de julho deste ano, 2012, entrei num Shopping por necessidade de acesso a um caixa eletrônico. Estava “meio menos”  mas eis que na saída me encontro com uma ex aluna, Lena Almeida, cujas palavras foram um banho de grandeza e um revigoramento de tudo que possa acontecer de bom a alguém.
Inevitavelmente, veio à lembrança, o tempo em que ela frequentava a Escola Estadual “Ceciliano Abel de Almeida” em São Mateus, onde lhe ministrei aulas de português, cuja falta de acento em uma prova lhe subtraiu meio ponto na nota, ao invés de 10, recebeu apenas 9,5.
Reconheci mais uma vez que agi com rigor, assim é que externava o dever a cumprir em face de todos os alunos que passaram por mim. Hoje, praticamente a unanimidade me repete:  valeu a pena.
Lena já fez vários concursos, aprovada em todos. O último como funcionária do Ministério Público Estadual, onde se encontra.
E aqui, a coroação: Marlusse, eu não estudo português para os concursos, vejo o pessoal “se acabar de estudar português” eu nem me preocupo, no último concurso que fiz das vinte questões errei apenas duas, não exatamente porque não soubesse, aconteceu.
Respirei fundo e recebi como presente de Deus, o testemunho da ex-aluna, sem vaidade, mas com profunda alegria.
Revelou mais, “Marlusse, Walkiria (Bastos) e eu desafiávamos você, estudávamos muito para tanto”. Que beleza, que desafio saudável! Acho que o comportamento de Miriam, irmã dela, era o mesmo, obtinha sempre as melhores notas.
Ela me perguntou ainda por Rachid e Evila que também foram suas  professsoras ou de seus irmãos, aliás, todos muito estudiosos e ela me disse que era sua mãe que sempre cobrava deles que estudassem, “pois era o que tinham que fazer”.
Conversamos ainda um pouco, ao se despedir me disse ainda: “você é minha professora inesquecível”. Obrigada, Lena!
Obrigada, Senhor, “ocultaste coisas aos olhos dos sábios, mas as revelaste aos pequeninos”. A verdade jamais virá a menos.

sábado, 14 de julho de 2012

OBRIGADA REGINA


Com uma regularidade singular, quando abro a caixa de correspondência me deparo com uma publicação que me é endereçada e que não precisa ser desdobrada para se saber que chegou o AS ACADÊMICAS.
Trata-se de um trabalho que data de alguns anos feito pela Acadêmica Regina Menezes Loureiro, da AFESL.
Ali, são publicadas crônicas, trovas, poesias.  Num espaço que não chega a ser grande, Regina consegue colocar um editorial e fazer presentes diversos autores.
Não pede contribuição financeira, aceita as contribuições literárias que lhe são mandadas e que sempre serão vistas pelos respectivos autores.  
Estou escrevendo agora, porque percebi que há tanto tempo recebo o AS ACADÊMICAS, mas nunca disse, obrigada Regina, ou parabéns pelo seu trabalho, pela sua persistência, pela regularidade do que faz.
Imagino o tempo que ela despende, selecionando, dispondo, produzindo, multiplicando, dobrando, endereçando, selando, postando. Tem valor, gente!
Quero pedir desculpas a Regina pela indelicadeza, por nunca lhe ter agradecido, por não ter reconhecido sua delicadeza em partilhar comigo o que faz, por me proporcionar como a tantas outras pessoas um trabalho simples, ao mesmo tempo, tão bonito pela singeleza, simplesmente, pelo gosto de produzir literatura.
Espero me redimir com este registro e lhe peço que leia como se o fizesse a cada vez que seu trabalho me chegou, meu sincero: obrigada, Regina!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

CANTEMOS HINOS



Há pouco conversava com Adriana que me falou do amor inato de seu filho pela pátria. Está bem adiantado no colégio, foi aconselhado pelos professores a estudar Direito porque quer ser diplomata para que, onde estiver, esteja trabalhando pela grandeza do seu país.
Vitor tem 17 anos e estuda em colégio que conta com um número de pessoas a afirmarem que é o melhor da Ilha, mas eis que o menino descobriu perplexo que ainda não sabia cantar o Hino Nacional Brasileiro o que o levou a pesquisar na internet e cantar junto para aprender. Vi seu quarto onde uma pequena bandeira tremula sobre a mesa de estudos. O ambiente conta com uma bandeira do Brasil num tapete, pelo seu aniversário os colegas o presentearam com quê? uma Bandeira do Brasil. E já manifestou a sua mãe o desejo de ter na parede de seu quarto uma decoração que ao menos lembre a mesma Bandeira do Brasil.
Indiferente aos que dizem que a linguagem sabe à antiguidade, vou dizendo por aqui: no meu tempo de escolar, todos os dias cantávamos um hino antes de ingressar nas  salas de aula. Saudávamos com a mão direita sobre o peito esquerdo, do lado do coração, “o lindo pendão da esperança, o símbolo augusto da paz” que “nos traz a lembrança da pátria”. Lembro-me do hino às arvores que exalta o verde e ev a primavera “festiva e garrida”; do Cisne Branco que “em noite lua vai navegando de norte e sul, qual linda garça, singrando os mares, os verdes mares, os mares verdes do Brasil; claro, do Hino Nacional Brasileiro reservado para as quintas-feiras, enquanto a Bandeira ia subindo pouco a pouco para no final atingir o ponto mais alto do mastro onde depois de fixada, permaneceria pelo resto do tempo na sua missão de lembrar e fazer amar a terra em que nascemos da qual disse o poeta à criança: “não verás nenhum país como este, imita na grandeza a terra em que nasceste”.
Ouso divergir que são coisas da evolução dos tempos, da modernidade e protesto contra quem ao invés de depor na alma humana sementes de amor pela Pátria, enquanto ela é mais receptiva, muito mais passível de absorver o amor pelo seu torrão natal,  valoriza intercâmbios em outros países, “são mais desenvolvidos, mais civilizados”  afirmam,  e lá se vai o adolescente viver uma realidade que não é a sua, para quando voltar querer mudar sua casa e sua realidade social, mesmo que seja sozinho, desconhecendo que só juntos somos mais.
E viva Vitor, que dá aos colegas lição de amor pela pátria, quem sabe contamine-os e em breve estejam repetindo com o soldado brasileiro, aquele que escolhe entre viver numa “Pátria livre ou morrer pelo Brasil,” e ressoarão de novo nos ouvidos de todos o hino do soldado brasileiro: “nós somos da Pátria amada, fiéis soldados por ela amados;” pois “a  paz queremos com fervor” já que “a guerra só nos causa dor” e,  “se a Pátria amada for um dia ultrajada, lutaremos com valor”.
Inventaram-se novos métodos, focalizaram-se outros objetivos para a educação, olvidaram-se os bons e antigos princípios, a educação não melhorou porque a melhora em si é inexpressiva se não se reflete no todo. Uma das mais gritantes provas se traduz pela violência que campeia.
Se nem tudo tinham os antigos, nem tudo temos os modernos, com a conservação dos valores passados, harmonizados com valores do presente, certamente, serão melhores quaisquer resultados.
Para começar, voltemos a cantar hinos!

Marlusse Pestana Daher
26/6/2012 06:55:17

segunda-feira, 25 de junho de 2012

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


Depois de seis anos da edição da lei que "previne" a violência doméstica, os números desmentem sua eficácia e atesta que o alarde promovido apenas comprova que não é o barulho que faz bem. Modestamente, reitero o equívoco do legislador na interpretação do § 8º, art. 226 da Constituição ao pensar que com aquela lei estaria criando mecanismos e coibindo a violência no âmbito das relações familiares.

Violência não tem recorte de gênero, mesmo que exercida predominantemente por quem tem mais força e necessita expor sua fragilidade: "você tem que me servir quando eu quero, senão te prendo e não vai mais nem à Igreja" (assistam a Gabriela). Não é só resultado de bebedeira, de cultura, ou congêneres. Violência nasce, cresce e prolifera no espírito deformado por causas.

Jens Hoffmann, psicólogo alemão, da Universidade Técnica de Darmstadt, especialista em casos de adolescentes que cometeram massacres em escolas, desenvolveu um software para a identificação preventiva de jovens com tendências homicidas e teria encontrado 32 fatores típicos de risco.

Esforço-me para entender, fui assaltada pelo temor de estarmos voltando, mediante equipagem moderna, à adoção de vetusta tese lombrosiana, mas subscrevo sua afirmação em entrevista à revista "Reader’s Digest; “um crime tão grave é sempre o final de um longo caminho que começa com humilhações, rupturas sociais e experiências de perda. Com frequência, ainda ocorrem conflitos no colégio”.

Convivemos numa sociedade de diferenças flagrantes, de desatenção para com os pequenos seres de qualquer espécie, de descaso para com necessidades humanas vitais, fazemos de conta que não vemos o olhar triste de muitas crianças, o choro que brota forte de sensibilidades feridas, o clamor pela ausência daquele cuidado que tem o condão de aconchegar mais que corpos, almas em busca de atenção, porque falta ética.

Vacilamos na tomada de decisões definitivas por políticas públicas que valham, que cumpram suas finalidades, sobretudo, que saiam do papel. Ao invés, fazemos de conta que estamos combatendo a violência doméstica, apenas uma entre as tantas manifestações de violência que existem.

Não precisamos de mais leis, precisamos de advogados que mediante pedidos bem fundamentados façam estremecer os tribunais, precisamos de juízes que decidam mediante as fontes de todos os gêneros já existentes e respondam ao apelo dos seus jurisdicionados com brevidade e eficiência. Violência é erva daninha que se espalha: “acabe-se com a violência que a violência doméstica acabará”. (Diana Morán).
Em A GAZETA do dia 18-06-2012



segunda-feira, 18 de junho de 2012

DESPERDÍCIO DE FORÇAS



O dia está claro e estou transitando pelas ruas da cidade, atenta em meio de um trânsito caótico. É necessária toda atenção para não bater em ninguém e evitar que o outro bata em você, isto é, no carro. Paro em obediência à lâmpada do semáforo que ficou vermelha e logo se aproxima da janela do meu veículo um rapaz alto, traja-se com dignidade, sua roupa está limpa, o cabelo bem cortado, ainda é muito jovem.
Com diligência e visivelmente colocando todo empenho no que faz, com a agilidade que suas forças lhe permitem com vantagem, entrega panfletos. E logo me apercebo da presença de um outro, ambos se ocupam do mesmo trabalho.
O sinal permite agora que eu avance, mas já não vou só, levo comigo a imagem daqueles dois homens, duas pessoas, dois filhos de um país altaneiro, dois brasileiros cheios de direitos que não têm como alcançar.
Digo-me que é um desperdício de forças. Eles poderiam estar ocupados em empresas que requerem as qualidades da qual são dotadas e que lhes podem permitir melhor ganho. Não encontram essa mina, as circunstâncias que os rodeiam militam de forma inacessível aos seus esforços, resta-lhes entregar panfletos para receber muito pouco em recompensa, é um serviço ocasional, nem exige maiores esforços. Não supre as necessidades de suas vidas.
São evidências de que não obstante o país vá crescendo, as desigualdades ainda são gritantes. Mas eles estavam trabalhando. Outros preferem enveredar por caminhos menos dignos e tortuosos, em pouco tempo o ganho fácil através do tráfico, o mais provável nos dias que correm e o próprio vício, arrebatarão suas vidas e embora vivos perderão a própria liberdade, porque a fidelização naquelas paragens tem preço de vida ou morte.
Pelo restante do meu dia, a lembrança daqueles dois rapazes ocupou parte do meu pensamento. Hoje, talvez mais de seis meses depois a miragem deles ainda ocupa minha lembrança, até porque já me deparei com outros em igual circunstância, ocupando-se da mesma tarefa.
Que pena! Que desperdício de tanta força, meu Deus!