terça-feira, 14 de junho de 2011

TEMPO DE PENTECOSTES

Pentecostes é um dos momentos mais fortes na vida da Igreja. A encarnação de Jesus trouxe a história dos homens o Salvador do mundo. Seu nascimento e sua vida pública revelaram a Boa Nova. Jesus ensinou com a Palavra proclamada, com o exemplo de sua vida a viver como a Deus é agradável. Instituiu a Eucaristia mediante a qual se deu em alimento; padeceu de forma horrível a dolorosa paixão, assegurou que mandaria o Espírito Santo para vivificar sua Igreja, iluminá-la no seu caminho para a Terra Prometida, enfim, para saber orientar-se em cada momento da vida, seguindo os seus passos.
O Espírito Santo que é Espírito de Deus ilumina e santifica a Igreja; com seus sete dons permite que cada um de nós tenha na hora certa a inspiração certa do nosso viver do nosso agir.
Não tenhamos dúvidas em deixar que seja o Espírito Santo quem conduz nosso viver. Peçamos a Ele que as palavras nunca saiam da nossa boca sem o hálito de sua inspiração; que todos os nossos gestos sejam ditados pelo seu sopro, enfim, que seja Ele mesmo a agir através de nós.
A presença do Espírito Santos se consolidou mediante o prodígio operado nos Apóstolos que se tinham acovardado e esconderam-se por medo dos judeus, após receberem o Espírito Santo se tornaram corajosos e audazes. Ninguém mais os pode conter, por todos os lugares anunciavam o nome de Jesus.
E foi por anunciarem o Nome de Jesus que todos foram mortos.
A partir do domingo (12 de junho) começamos a viver o tempo de Pentecostes.  Uma das indicações estará nas leituras que serão proclamadas, na cor dos parâmetros que o Sacerdote usa nas celebrações da Eucaristia, em toda a liturgia e culto.  
Tratemos de disponibilizar todo nosso ser para que o Espírito se aposse de nós e nossa vida seja reflexo de sua presença.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

CHUÁ, CHUÁ


Só para ilustrar.
Recebi um belíssimo PPs. Do tipo que vale a pena despender um pouco de tempo para contemplar. Foi Rosali (que gostaria muito de conhecer) quem o produziu.  Trata-se de arte e só pode resultar de alma de poeta, aquele ente capaz de captar as profundezas não só da alma, mas de um fato e em prosa, verso ou também em ilustração é capaz de compor, delicia quem vê, comove quem sente, dá paz a quem precisa ter.
O ambiente consta de uma extensão verde sem imperfeições, mediante um solo gramado. No entorno, visão de floresta ainda densa, de encosta de morro que imprime com seu marrom avermelhado um tom de paisagem que a cidade não tem, máxime, aquelas que priorizam o desenvolvimento econômico, àquele que compatibiliza-se com a beleza e a sustentabilidade em harmonia total.
Em algum ponto, uma casinha branca, tinha que ser branca, pequenina, revela presença de pessoas que no contexto não se veem.  Tudo coberto por um céu de azul imenso onde a presença de nuvens apenas compõem o cenário, são transparentes.
O rio que passa por ali permite a projeção em suas águas de tudo que se vê. A cena é dupla e tudo une pelos pés.
Depois de apenas dedilhadas as cordas plangentes de uma viola, do revezar vindo de cada lado do cenário de imagens igualmente lindas como a que foi descrita ouvem-se os sons desse clássico do cancioneiro do Brasil: Chuá, Chuá. E mais que sons de viola, ressoa onomatopaicamente, o som do canto de cachoeira.
E nesse compasso por fim se ouvem as vozes de Bethânia e Joana que se revezam.  Um espetáculo, verdadeiramente inaudível.

Chuá, chuá                                                                                

(Pedro Sá Pereira e Ary Pavão)
Deixa a cidade formosa morena
Linda pequena e volta ao sertão
Beber da água da fonte que canta
E se levanta do meio do chão
Se tu nasceste cabocla cheirosa
Cheirando a rosa, no peito da terra
Volta pra vida serena da roça
Daquela palhoça no alto da serra

E a fonte a cantar, chuá, chuá
E as água a correr, chuê, chuê
Parece que alguém que cheio de mágoa
Deixaste quem há de dizer a saudade
No meio das águas rolando também

A lua branca de luz prateada
Faz a jornada no alto do céu
Como se fosse uma sombra altaneira
Na cachoeira fazendo escarcéu
Quando essa luz na altura distante
Loira ofegante no poente a cair
Dai essa trova que o pinho descerra
Que eu volto pra serra que eu quero partir
Quem sabe por que a formosa morena quis deixar o sertão, deixar de se dessedentar na fonte? Por que preferiu abandonar o cheiro da rosa que nasceu sorvendo, não há sentido em ter feito tal escolha?  Como abandonar a vida serena da roça, daquela palhoça no alto da serra, onde o amor acontecia e tudo era paz e poesia. Palhoça de paredes embarreadas e coberta com folhas de palmeira, onde o chão era de chão mesmo.
Para sua auto consolação o amante acompanha o curso da jornada que a lua branca descreve no céu projetando-se sobre a cachoeira que explode de emoção e a manifesta em escarcéu e faz do seu desejo a hipótese que mais consola: o de que quando a lua ao fim da jornada e já ofegante se projetar no poente ao som do prosa que o pinho interpreta será ouvido o que mais anseia,  a voz da morena que decidiu: volto a serra, eu quero partir.
Medeia as duas estrofes um estribilho tradutor do ânimo de quem se desvela: a fonte continua a cantar, as águas continuam a correr e traduzem o que vai no peito onde um coração cheio de mágoas ali deixado, entrega ao curso das águas a saudade que não pode conter.
Quantas vezes ouvimos e cantamos, quantas vezes nos passou despercebida a mensagem, a beleza dos sentimentos interpretados nessa canção. Foi o que pensei em fazer, escrevendo esta crônica. Compartilho com meu leitor e se ninguém sentir nada é porque ao som plangente de uma viola que eu não toquei já senti tudo. Amém.

13/6/2011 10:15

sábado, 11 de junho de 2011

FOGO DE PENTECOSTES

 Edith Stein

Quem és tu, luz que me enches
e que iluminas
as trevas do meu coração?
Tu me guias
como a mão de uma mãe,
e se tu me largas,
não poderei mais dar um só passo.
Tu és o espaço
que envolve meu ser
e o abriga em seu seio.
Abandonado por Ti
ele desapareceria
nos abismos do nada,
de onde Tu o tiraste
para levá-lo ao ser.
Tu, mais próximo de mim
do que eu de mim mesmo
e mais íntimo
que o âmago de minha alma,
e, entretanto, inatingível e inefável,
fazendo brilhar todos os nomes:
Espírito Santo – Amor eterno…
És Tu
o canto do amor
e do santo respeito
que ressoa eternamente
em redor do trono de Deus,
que nele une
o canto puro de todos os seres.
A harmonia
que une os membros à cabeça
é nela que cada um
descobre com êxtase
o sentido íntimo do seu ser
e cheio de alegria derrama-se nas tuas ondas,
Espírito Santo – Eterna alegria…

terça-feira, 7 de junho de 2011

MEMÓRIA. DE INFÂNCIA

            Quando o dia do meu quarto aniversário me aflora na lembrança, silencia todo o tempo posterior pelo qual já passei.  Papai chegou em casa, na hora do almoço, trazendo-me um velocípede como presente. Mesmo sem ter visto eu afirmo, meus olhos brilharam. Estava todo enrolado, cada parte estava envolvida por uma tira de papel. Vera, Évila e eu com todo afã e ansiedade, rasgávamos o papel que certamente jogávamos pelo chão cabendo a mamãe ou a secretária, se ela tinha, recolher tudo depois.
Velocípede desenrolado, montei no selim e sai pedalando pela casa, principalmente, por uma varanda que havia ao lado, enquanto Vera e Évila pisando naquela parte horizontal que sustenta as rodas traseiras, revesando-se ou ao mesmo tempo “iam pongadas”. Alegria total! Vejo o velocípede como se ainda hoje estivesse à minha frente. Até a marca que assimilei depois qual era, pois, quando aprendi a ler, vi em algum. Um homem no centro, o bandeirante, e o nome em circulo. Era um Bandeirante. Era deveras lindo e era meu!
Ninguém duvide que nas mentes de crianças se cravam acontecimentos que uma vez fotografados, apenas adormecem. Nesse adormecimento forjam atitudes que dependendo da influência sofrida produzem resultados que consciente ou inconscientemente, geram reações na exata dimensão da influência exercida ou despertarão simplesmente, com toda força um dia, para permanecerem para sempre, fazendo valer a pena sonhar de novo.  
Claro que educar criança é muito mais que ensinar a ler e a escrever. Daí ser importante vigiar sobre as cenas que lhes proporcionamos, sobre o que oferecemos para que se lembrem mais tarde. Por exemplo, se o filme é recomendado apenas para acima de 14 anos, criança não pode assistir. É verdadeiro delito dizer: isto é besteira.
O subconsciente é um artífice que não pára, tudo armazena e de tudo faz princípio de reações ou ações. Não há uma única atitude humana surgida do improviso. Todas se devem ao armazenamento de habilidades, de um adestramento, de um tornar-se capaz, seja do que for.
Sartre, como Freud, acreditava que nos primeiros sete anos de vida arquivamos algumas experiências emocionais reprimidas que temos dificuldade de colocar para fora. Dentro de nós há uma criança que exige reparos por tudo o que viveu. (A Cury).
Um brinquedo desejado poderá ser uma ótima lembrança, mas o será muito mais o dispensar de amor e de ternura, de atenção e de presença, na dose a mais justa.
É assim que se constrói gente!

7/6/2011 09:08

segunda-feira, 23 de maio de 2011

RECOMPÕE OS PEDAÇOS

      Pai nosso que estás no céu, na terra e em toda parte, deixa-nos aconchegar-nos ao teu coração. Olha nossa angústia, nosso pranto, nossa aflição.
Sabemos que nossos ais são fruto da nossa insensatez e do nosso pecado que desorganizam nossas vidas e assim nos roubam a paz.
Pai, como nos custa caro tudo isto! Como é difícil recompor! Como é pesado o tempo dos anos passados em algum vício e como parece intransponível a libertação de suas conseqüências.
De vez em quando, depois de muito esforço para sair do fundo do poço, mal colocamos nossa cabeça de fora, sucede-nos algo que nos joga no chão de novo e é preciso recomeçar toda uma trajetória de dias, meses, quem sabe, de anos.
Pai, sabemos que tudo sabes e que cada fração ou pequena parte de tudo isto vês e mais que nos conheces em cada detalhe. Viste? nossas forças são poucas, são poucos ou nenhum os resultados. Dá-nos tua mão, salva-nos, como outrora fizeste  acalmando a tempestade e restituindo aos discípulos a segurança de tua companhia.
Se dormes, acorda para nos atender, acalma a tempestade que há dentro de nós, dá-nos tua luz  para que  vejamos teus caminhos; transforma nossa vontade na tua, faze que queiramos o que queres e que  teus pensamentos sejam os nossos.
Pai, somos filhos, somos o pródigo que está de volta. Manda teus anjos vestir-nos das vestes limpas do perdão e da graça. Recompõe os pedaços em que nos partimos, reestrutura-nos, dá-nos tua graça e ensina-nos ainda desta vez a apreciar seu misterioso amor e os frutos da tua graça.

domingo, 22 de maio de 2011

DECLARAÇÃO AOS MEUS LEITORES

I agora é cocê mermo!!!!!!!!!
Amo ocê !
Ocê é o colírio du meu ôiu.
É o chicrete garrado na minha carça dins.
É a mairionese du meu pão.
É o cisco nu meu ôiu (i no ôtro oiu - eu tenho dois).
O rechei du meu biscoito.
A masstumate du meu macarrão. Nossinhora!
Gosdimais da conta docê, uai.

Ocê é tamém:
O videperfume da minha pintiadêra.
O dentifriço da minha iscovdidente
Óiprocevê,
Quem tem amigossim, tem um tisôru!

Ieu guárdesse tisouro, com todu carinho ,
Du lado isquerdupeito !!!
Dentro do meu Coração!!!

AMO ocê, uai!!!
BRIGADO PELO SEU CARIN,
cumqueu sempre pude contá!!!!

sábado, 21 de maio de 2011

LEMBRANÇAS

Apenas uma ilustração. A casa não era assim.

Quando era criança, não tínhamos diversões como as que a criançada tem hoje, nem por isso deixávamos de nos divertir. Criávamos, as brincadeiras era a gente mesma que inventava.
Em compensação não existem agora, mas naquele tempo existiam apresentações do folclore por exemplo,  que passavam de uma geração à outra do mesmo jeito, como as Pastorinhas  das quais contudo, só ouvi falar. Tinham seu ritual. Em Conceição da Barra subsistiram mais tempo, graças a Profª. Nininha.
Dizem que quem ensaiava as meninas era D. Rosalina[1], aquela que fabricava bonecas de pano, sempre horrorosas, não havia como ser diferente se os meios eram parcos, pano mesmo, uma tinta para desenhar boca, nariz, olhos e sobrancelhas, agulha e linha. Mesmo assim, D. Rosalina teve o desplante de achar um dia, que uma das suas criações saira “a cara” de Thedir. Imagine se a prima pode ter gostado, nem um pouco. 
Mas não sei se ela conseguia ensaiar as Pastorinhas que se apresentavam em “Dia de Reis” já que um grupo de meninas, entre elas minha mãe, ao invés de prestar atenção ao que explicava, por gozação, saia atrás dela dançando e cantando ao mesmo tempo. Assim não dava.
Mas como comecei dizendo, nós inventávamos as brincadeiras que queríamos. É certo que se usava passar férias na casa de algum tio. Assim, a “roça de tio Gigi” tinha mais que o sabor de Disney.
Livres dos estudos, perguntávamos: vovó, que dia o tio Gigi chega? Como se ele não viesse sempre de sua roça fazer compras, trazer coisas, não estivesse sempre “na cidade”. Deslocava-se a cavalo.
Roupa embolada em alguma sacola, a hora da partida era só alegria. Na anca do cavalo, o trajeto de menos de dez quilômetros era verdadeiro sonho, pela mata ainda densa. Aqui, ouvia-se um silvo: “o que é tio? Deve ser o Saci pererê”. Ficava quietinha, mas não tinha medo, imagine quem teria medo ao lado de tal escudo!
Na ponta de algum galho, podia ser vista uma enorme e arredondada “casa de cupim”. “Que é aquilo, tio? É a luz que ilumina a mata. De noite, fica tudo iluminado”. Claro que acreditei.  
Na chegada, o êxtase se fazia ao ver o córrego. Banhos de córrego? Nada melhor, nem maior a delícia. Mais fundo (cerca de oitenta centímetros) em uma parte, no prosseguimento se tornava muito raso, principalmente na altura da cancela de entrada; prosseguindo, de novo afundava para delicia dos porcos que eram cevados, num chiqueiro.
Andando pelo seu curso a cima, se atravessava uma matinha que dificilmente hoje se possa ainda ver em algum lugar, com raízes se deixando lustrar pelas águas, troncos molhados, alguns se interpondo, sem obstacular a passagem. 
Tia Dora tinha sempre alguma coisa gostosa para comer, um bolo de aipim com coco, um beiju de amendoim, cuscuz de coco, tudo com ingredientes da própria plantação.
Sobretudo, tinha as meninas, umas mais velhas, outras das mesmas idades e nos fazíamos a mais bela companhia. Era mole subir e descer a ladeira entre a casa e o córrego, dezenas de vezes por dia.
A lagoa era perto, mas pensávamos que fosse muito longe. Era um passeio especial, implicava fazer uma programação para chegar lá, tinha até jacaré...
Quando era tempo, a Casa de Farinha atraia pelo tamanho, pela possibilidade de subir até a colmeeira, andar perto do telhado, era um Parque de diversões.
Ali é que um monte de mandioca era colocado, todas nós com os adultos descascávamos a raiz, que depois passava por todo um processo, até chegar ao grande forno de bandeja redonda, apropriada. Braços fortes acionavam um rodo de madeira de um lado para outro, da direita para a esquerda, para frente e para trás, e assim era torrada a farinha.
Se o rapaz que tocava os bois na roda em que a raiz era triturada desse chance, dávamos uma voltinha, assentada no pequeno suporte/banco a tanto destinado, atrás da junta de bois.
Qualquer coisa servia para brincar, inclusive procurar pacientemente papel (que era raro) para acender e jogar pelo buraco do “vaso”, feito de madeira, na verdade, um caixote, WC fora de casa, para ver o cocô. Pode?
Os dias eram iguais. Fazíamos as mesmas coisas todos os dias, mas não dava para perceber, mesmo o que se repetia tinha sabor de novidade.
Férias magníficas, valeu a pena viver naquele tempo, como valeu!


[1] Conta-se que Rosalina do Rego preferiu não se casar a ter que adotar o sobrenome do marido, um tal Fulano Roxo.  Não aprovou a idéia de vir a ser: Rosalina do Rego Roxo.