domingo, 3 de março de 2013

IMPORTA AMAR

Estava lendo um livro que me fez ir procurar na Bíblia Sagrada, mais precisamente, entre as cartas de São Paulo o seguinte texto da 1ª aos Coríntios. Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.

De fato, a caridade é a plenitude da lei! Nós sabemos disto, sabemos quanto é duro ser vítima de um gesto de desconsideração, ser desdenhado, não acolhido, não amado.

Mesmo assim, quantas vezes não temos para com o nosso próximo, aquela atitude de respeito e de carinho, não o preservamos na sua individualidade, imiscuímo-nos no seu mundo, desarrumamos suas coisas, desordenamos sua vida.

Outro ensinamento que coincide com a mesma lição, vem de São João, na primeira de suas cartas: Nós sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos, quem não ama permanece na morte.

Entende-se com esta a afirmação que estávamos mortos. Quando o amor brotou, quando o amor se potencializou em nós, ocorreu como que uma ressurreição e nos encontramos na vida direcionados para amar, amar a Deus, amar o próximo, amar o próximo não porque nos representa Deus – argumento mediante o qual teríamos dificuldade de amar os inimigos, os que ainda estão na morte, porque não amam. Mas amar o próximo porque ele é como eu e como eu, precisa ser amado. Ainda mais, amá-lo com o mesmo amor e do mesmo modo que Jesus me amou.

Tenhamos cuidado até com certos tipos de brincadeira, o outro pode não saber que estou apenas brincando e com minha brincadeira acabo por feri-lo profundamente. Tenhamos caridade, amemos sempre, todos, mesmo que nos custe.

Amando, é certo que não teremos jamais do que nos arrepender, em caso contrário, não amando, com certeza, acabaremos sempre por nos arrepender.

sábado, 2 de março de 2013

SÓ SE CURVA DIANTE DA LEI

Pela televisão, assisti entrevistas do Presidente do Tribunal de Contas sobre a desastrosa “Operação Derrama” que culminou com a prisão de ex-prefeitos, possíveis aliados, no que seria, sem dúvida, um dos maiores negócios à custa do dinheiro público, em prejuízo de todos nós. Tom de voz sempre firme, semblante sério, sem estrelismo, evidente vontade de demonstrar novo tempo no TC capixaba.

Então, como manda o rito de investigação de crimes de qualquer porte, transferiu-se à Polícia Civil os procedimentos que lhe competem. E ela culminou com o indiciamento dos que já se achavam presos preventivamente, acena pela inclusão de mais gente, remete ao Ministério Público.

O Ministério Público é o órgão que a Constituição Federal designa para proceder, mediante denúncia, que seja deflagrada uma ação penal e só a ele se atribui tal faculdade, ex vi, do disposto no art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei.

Só ao Ministério Público e neste momento o magistrado (quem decide) é ele, compete decidir se os argumentos que lhe foram apresentados e até por ele mesmo coletados, quando o faz, são suficientes para colocar sobre os ombros de uma pessoa e por extensão de sua família e de todos que lhe estão ao redor, o peso  de uma ação penal.

Devido à gravidade de sua decisão, à importância de sua original finalidade, o Ministério Público só se curva diante da lei, nunca, venham de onde vierem, pretensões de qualquer sorte, de qualquer autoridade, de qualquer detentor de qualquer poder, seja do qual for e as motivações que tiver. 

Se o Chefe do Parquet Estadual entendeu pela inexistência de indícios suficientes ou pela falta de materialidade em relação às condutas atribuídas aos que foram presos, na “derrama” cumpriu seu dever constitucional. Não é infalível, equivocou-se? que se aponte concretamente em quê.

Longe o pensamento de volta ao passado, quando Juiz pensava que era senhor do Promotor de Justiça, que este tinha que fazer o que ele queria.  Tempo que se assemelha ao daquele Juiz ávido de agradar um Desembargador, esqueceu-se da presença das partes em sua frente, durante uma audiência, telefona a S. Exª, lê despacho proferido em autos nas suas mãos, pergunta: “é isto mesmo que V. Exª quer”? Passaram-se bem uns 30 anos, ambos já estão “al di lá”.

Tal qual impõe-se com harmonia, o respeito à independência dos poderes, impõe-se respeitar a instituição ministerial no exercício de sua competência.

 

sexta-feira, 1 de março de 2013

NÓS PODEMOS


Dia desses, parte da assembleia dos paroquianos estava reunida para a celebração da Santa Missa na matriz de Jardim da Penha, quando, de repente, pés descalços, saco nas costas, entra igreja adentro, um homem. Era visível que não goza de boas faculdades mentais.

Pelo menos aparentemente, ninguém se sobressaltou. Deus estava ali. Passo firme, bem próximo ao altar, sem subir os degraus, aquele homem fez profunda reverência, voltou-se e foi-se retirando, enquanto conservava a mão erguida, como se a todos nos abençoasse. Não me impediu de ver que na camisa branca, certamente ganha recentemente, ainda limpa, estava escrito: Professor!

Deus sabe extrair de qualquer tipo de baú, “coisas novas e velhas”. Aquele pobre homem inconsciente, a todos deixou uma lição: vai-se ao altar para dele recavar coisas boas, bênçãos e depois distribuir com todos os irmãos. Seria essa a motivação que nos faz participar da Santa Missa? Rezamos para todos, colhemos os dons do sacrifício de Jesus para reparti-los com quem não tem?

Um dia pródigo, pois, não foi só esse professor que me ensinou grandes lições neste dia. Uma baianinha que vive sorridente, não tem casa, paga aluguel com seu salário mínimo, contou-me que foi visitar a mãe depois de 11 anos de ausência, voltou impressionada com a pobreza e a fome.  A mesma que a fez partir.

Pobreza? é a dela, o que viu onde sua mãe continua morando é miséria extrema. O irmão que tem família, trabalha numa fazenda e ganha 20 reais por quinzena! O que é isto minha gente?

Minha amiga melhorou ao menos um pouco de vida. Caprichosa, como se diz, sabe atenuar as penúrias pelas quais passa e até dribla algumas delas.  Mas a realidade descrita é ainda muito forte por ai. E não se diga que é vontade de  Deus.

Deus quer que sejamos livres e tenhamos vida em abundância. Chegou o tempo de começarmos a entender melhor o que acontece a nossa volta. Pobreza é resultado de má distribuição dos bens da terra, etc. Injustiça social é egoísmo, exploração brava, etc.

Vamos acabar com isto. Nós podemos.                          

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

SOLENIDADE AMALETRAS




Eliezer Nardoto, Marlusse Daher, Jonas Bonomo, Eliane Auer
 
O Vice Presidente Eliezer Ortolani Nardoto



Alice Auer
Foi apresentada sua primeira publicação “Poesias de Natal”, que reúne todas as poesias dos participantes 1° Concurso Nacional de Poesias e que receberam certificados de participação, além de exemplares da mesma. São os poetas: Adriane Lima com a poesia, Era natal, Ana Stoppa, com Enlevo de Paz, Alice Auer (criança): O Natal, Benedito Costa Ferreira: Um Natal diferente, (3° lugar), Beti Martins: Natal de Esperança, Edilson Leão: Bendita seja nossa devoção, Hermes Israel Silva: Natal, Maria Aparecida Ramos da Silva: Cores de dezembro – (1° lugar), Jacinta Santos: Presente do Menino Jesus, Lauren Queiroz Silva (criança): Este é meu Natal, Lucia Narbot: Presente de Natal, (2° lugar), Mauricio de Oliveira: Sinos de Natal, Oliveira Rosa: Prendinhas de Natal, Tulho Martins dos Reis: Como pode? e Andra  Gabriela Prodea: - When a child is born.

Somente três, Alice, Lauren e Tulho são mateenses, pelo que os demais receberão livros e certificado pelo correio.  


ANO LITERÁRIO RUBEM BRAGA     

Eliane Auer é condecorada.
O segundo momento, entendido particularmente como abertura do Ano Literário Rubem Braga – AMALETRAS, consistiu na outorga da medalha Rubem Braga que nosso leitor já conhece.

A estudante do IFES, Dominique Auer, a convite, desenvolveu fala sobre a vida e a obra de Rubem Braga o que fez com brilhantismo.

Foram agraciados com a medalha: o aluno do IFES João Marcos Preato Deolindo pela sua classificação entre os melhores, na “Olimpíada Nacional de Língua Portuguesa”, realizada no ano de 2012; a Profª Adriana Pin, orientadora de João Marcos, e em reconhecimento ao mérito e ao destacado trabalho que vem desenvolvendo com seus alunos; a Profª  Nágila de Fátima Rabelo Moraes, também Profª do IFES, pelo trabalho desenvolvido no ensino de língua inglesa, propiciando e divulgando cultura; a Acadêmica Eliane Queiroz Auer que vem divulgando a AMALETRAS, pela idealização e coordenação do Projeto “Uma Poesia em cada árvore” no dia 21 de setembro de 2012, a exemplo do que aconteceu em diversas cidades pelo Brasil, inclusive, bancando custos; pela idealização e coordenação do 1º Concurso Nacional de Poesias desta Academia.

 
POSSE DE CORRESPONDENTES

 
Foram admitidas como correspondentes da AMALETRAS, as professoras Nágila de Fatima Rabelo Moraes e Adriana Pin. Ambas foram recepcionadas com reconhecimento ao valor intelectual, interesse pela cultura e empenho demonstrado pelo que muito poderão contribuir para o desenvolvimento da Academia e alcance dos seus objetivos.

Mediante afirmação das candidatas de fazerem próprios os objetivos da Academia, a Presidente lhes deu boas vindas.  

Posse das Correspondentes
Nágila de Fatima Rabelo Moraes recebeu sua insígnia do Acadêmico Eliezer Ortolani Nardoto, ocupará a cadeira n° 1 e tem como Patrono Jorge Amado. Por sua vez, Adriana Pin recebeu sua insígnia da Acadêmica Eliane Queiroz Auer, ocupará a cadeira n° 2 e tem como Patrona a nossa querida primeira ocupante da cadeira n° 5, Acadêmica Herinéa Lima Oliveira.

João Marcos, Adriana e Dominique
Um momento musical esteve a cargo de João Marcos que cantou e se acompanhou no violão.

Por fim, fez uso da palavra o Acadêmico Eliezer Ortolani Nardoto que também falou do seu livro “In nomine Domine”, a ser lançado em abril deste ano.

 

"A Poesia pode estar nos

amores ou nos chinelos, nas

coisas lógicas ou disparatadas".

Manuel Bandeira

 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

SONHO DE MÉDICA


Chegadas ao quinto ano do curso de medicina, Bárbara e Stella, ambas com apenas 21 anos, endossando os respectivos jalecos brancos, cheias do sentido de que já são meio médicas, entram pela primeira vez, no hospital-escola onde passarão os próximos dois anos para a prática, tempo necessário que lhes assegura concretizar o que estudaram em livros, apostilas, artigos, laboratórios, em aulas, ouvindo conferências,  até a colação de grau.

Será aquele dia bonito em que por ordem alfabética, serão chamadas pelos nomes e rumarão ao  palco onde ocuparão seus lugares em assentos prévia e laboriosamente preparados. A oitiva do nome de cada uma, da multidão presente, parentes e amigos, ressoarão aplausos, até  “apitaço”, divisar-se-ão faixas alusivas, enfim, uma verdadeira festa que tem outros momentos, mas entre os quais se destaca o da colação-de-grau, quando erguem orgulhosamente o diploma que acabam de receber, posam com paraninfos, patronos e professores, sem nunca deixar que se apaguem dos lábios, o melhor dos sorrisos.

Entre saber e assistir e protagonizar como se dão os atos de atendimento a doentes de todos os tipos, há uma grande diferença, tudo acaba por se afigurar como extremamente novo. Os doentes se entregam aos cuidados delas que examinam, tiram do pescoço o estetoscópio, medem punhos, auscultam corações, enfim, procedem a tudo como sempre deve ser e finalmente emitem o diagnóstico.

Sempre juntas, entreolham-se com frequência, trocam ideias enfim, somam conhecimentos e dobram capacidades.

É um frenesi, máxime, em se tratando de hospital público. Na entrada, há sempre um general-comandado que fiscaliza e só à sua ordem, o paciente adentra corredores para chegar ao tal consultório que lhe foi indicado.

Mas há sempre o acontecer de uma exceção. Paciente grávida, entra correndo, vai logo lhes dizendo que já está em trabalho de parto. Antes de ser atendida, pergunta pelo WC que divisa, sem receber resposta, corre na direção, entra, nem fecha a porta e as duas ouvem um grito: “está nascendo”! Entreolham-se atônitas. Stella não hesita, acorre, antes que o bebê irrompa de todo, o segura e é de se imaginar a apoteose: uma mulher ainda sentada num vaso, elimina a placenta, se contorce, enquanto a  futura médica que sequer tivera tempo de colocar luvas, segura o bebê entre as mãos, ergue-o o mais que pode  e fica ali a espera de um médico para o corte do cordão umbilical.

E cerra-se a cortina do primeiro ato de uma vida.

Jaleco todo sujo, precisa ser trocado. Depois, mãos lavadas e desinfetadas, as duas visitam mãe e filho, foram cuidados e prontos para viver.

Seus corações saltitam de emoção e alegria. Viveram uma, entre tantas emoções que ainda vão vivenciar “no internato” e depois, no exercício quotidiano da profissão de Hipócrates.

Ser médico é lutar pelas vidas e dar vida a quem a tenha ameaçada.

De volta à casa, o assunto não podia ser outro: contaram orgulhosamente com riqueza de detalhes aos pais e aos familiares, a avós, (eu mesma ouvi de uma dessas) a outros colegas, a outras pessoas de sua convivência. E vibram!

O tempo vai passar, nem Stella, nem Bárbara olvidarão o dia em que uma mulher em trabalho de parto, adentrou a sala onde estavam e no banheiro em que precisou ir, nasceu o filho que esperava e que antes de cair dentro do vaso, foi erguido, por uma quase médica, como se ergue um troféu.

 

 

 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

OCUPANDO-ME COM SUA RISADA

Quem me mandou deu ordem expressa: rir.


PIOR É QUE A GENTE PERGUNTA ASSIM MESMO...

1. Quando te veem deitado, de olhos fechados, na sua cama, com a luz apagada e te perguntam:
- Você tá dormindo?
- Não, to treinando pra morrer!

2. Quando a gente leva um aparelho eletrônico para a manutenção e o técnico pergunta:
- Ta com defeito?
- Não, é que ele estava cansado de ficar em casa e eu o trouxe para passear.

3. Quando está chovendo e percebem que você vai encarar a chuva, perguntam:
- Vai sair nessa chuva?
- Não, vou sair na próxima.

4. Quando você acaba de levantar, aí vem um idiota (sempre) e pergunta:
- Acordou?
- Não. Sou sonâmbulo!

5. Seu amigo liga para sua casa e pergunta:
- Onde você está?
- No Pólo Norte! Um furacão levou a minha casa pra lá!

6. Você acaba de tomar banho e alguém pergunta: (BOA)
- Você tomou banho?
- Não, mergulhei no vaso sanitário!

7. Você tá na frente do elevador da garagem do seu prédio e chega um que pergunta:
- Vai subir?
- Não, não, to esperando meu apartamento descer pra me pegar.

8. O homem chega à casa da namorada com um enorme buquê de flores. Até que ela diz:
- Flores?
- Não! São cenouras.

9. Você está no banheiro quando alguém bate na porta e pergunta:
- Tem gente?
- Não! É o cocô que está falando!

10. Você chega ao banco com um cheque e pede pra trocar: (MUITO BOA)
- Em dinheiro? ?
- Não, me dá tudo em clipes!



VOCÊ SABE QUE ESTÁ FICANDO LOUCO NO SÉCULO XXI QUANDO:

1. Você envia e-mail ou MSN para conversar com a pessoa que trabalha na mesa ao lado da sua;

2. Você usa o celular na garagem de casa para pedir a alguém que o ajude a desembarcar as compras;

3. Esquecendo seu celular em casa (coisa que você não tinha há 10 anos), você fica apavorado e volta para buscá-lo;

4. Você levanta pela manhã e quase que liga o computador antes de tomar o café;

5. Você conhece o significado de naum, tbm, qdo, xau, msm, dps, Cc, Cco,...;

6. Você não sabe o preço de um envelope comum;

7. A maioria das piadas que você conhece, você recebeu por e-mail (e ainda por cima ri sozinho...);

8. Você fala o nome da firma onde trabalha quando atende ao telefone em sua própria casa (ou até mesmo o celular !!);

Você digita o '0' para telefonar de sua casa;

10. Você vai ao trabalho quando o dia ainda está clareando e volta para casa quando já escureceu de novo;

11. Quando seu computador pára de funcionar, parece que foi seu coração que parou;

11. Você está lendo esta lista e está concordando com a cabeça e sorrindo;

12. Você está concordando tão interessado na leitura que nem reparou que a lista não tem o número 9;

13. Você retornou à lista para verificar se é verdade que falta o número 9 e nem viu que tem dois números 11;

14. E AGORA VOCÊ ESTÁ RINDO CONSIGO MESMO;

15. Você já está pensando para quem você vai enviar esta mensagem;

16. Provavelmente agora você vai clicar no botão ''Encaminhar''... É a vida...fazer o quê... foi o que eu fiz também...
 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS

Transfiguração

O relato da transfiguração de Jesus nos motiva a dar um mergulho nas coisas que dizem respeito ao “alto” e, por isso, transcendem a nossa realidade terrena e nos levam também a experimentar a glória do céu. Contudo, de antemão nós percebemos que só poderemos fazer esta experiência se partirmos de uma condição que é essencial para que tudo isto possa acontecer conosco: a vida de oração. O texto é bem claro: “Jesus subiu a montanha para rezar” e “enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante”. A oração de Jesus abriu as portas do céu e fez com que fossem desvendados, por meio dos profetas, os planos do Pai para Ele, (pois conversavam sobre a morte que Jesus iria sofrer em Jerusalém). Do mesmo modo, em oração Jesus ouviu a voz do Pai dizendo ao mundo que Ele era O Seu escolhido e O Seu Filho muito amado. Com certeza, aquele foi um momento especial para Jesus e para a missão a que Ele se propunha realizar.

Os Seus discípulos ficaram com medo e se assustaram com a manifestação vinda do céu, não entendiam nada. Eles se confundiam na percepção dos mistérios do céu, pois não tinham o alcance das coisas espirituais, visto que ainda não possuíam o Espírito Santo. Nós, porém, já temos o Espírito Santo! O que pode significar isto para nós? Significa que, assim como Jesus subiu a montanha para rezar e receber do céu a orientação do Pai, nós também podemos fazer o mesmo para ter a visão das realidades celestes, se nos entregarmos às sugestões do Espírito Santo. O nosso momento de oração nos é propício para que entremos em sintonia com a vontade do Pai para nós e, ao mesmo tempo, acolhamos o Seu amor por meio do Espírito Santo que opera dentro do nosso ser. Em oração nós conseguiremos também a graça de sermos instruídos acerca da missão que o Pai tem para nós e sentir a Sua glória aqui na terra que consiste num estado de bem aventurança. É uma visão espiritual e acontece dentro do nosso coração. São sinais dessa experiência: paz, alegria, amor, tranqüilidade, contentamento, ternura, consolo, aconchego, coragem, destemor, confiança, esperança. Precisamos alimentar em nós esse desejo de transcender às coisas que nós vemos e tocamos a fim de percebermos que o “tempo esconde o que é eterno”, isto é, que a nossa limitação humana pode está nos impedindo de “ver e sentir” as aspirações de Deus para nós. E mais ainda, devemos ter os ouvidos em sintonia com a Palavra do Pai, pois por meio Dela Ele também diz a cada um de nós: “você é meu filho, minha filha, escolhido, escolhida e muito amado, amada”.

Com certeza, foi o amor que tornou o rosto de Jesus resplandecente. Enquanto estava rezando, ele entra em contato com o Pai, e o amor entre eles é tão grande que chega a alterar a aparência de Jesus. Os três apóstolos que o acompanhavam certamente ficaram perplexos ao verem esta mudança. E ainda mais quando viram que “dois homens conversavam com Jesus: Moisés e Elias”. Moisés, que guiou o povo de Israel da escravidão do Egito à libertação dada por Deus; e Elias, que foi assunto ao céu numa carruagem de fogo (2 Rs 2,11). Os dois, que representam toda a história de Israel, aparecem na montanha para conversarem com Jesus. Mas, qual era mesmo o assunto da conversa deles? “Conversavam sobre a morte que Jesus iria sofrer em Jerusalém”. Eles falavam da paixão de Jesus, o que estamos, neste tempo de Quaresma, nos preparando para celebrar.

Entretanto, quando os apóstolos perceberam que Moisés e Elias estavam se afastando, Pedro faz uma bela proposta: “Mestre, é bom estarmos aqui! Vamos fazer três tendas! Uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro tem razão: deve ter sido muito bom mesmo estar ali imersos na luz do amor entre o Pai e o Filho, escutando o diálogo com Moisés e Elias. Era tão bom que Pedro queria que aquele momento nunca acabasse. É por isso que ele propôs fazer três tendas. Normalmente, quando as pessoas vão a uma montanha para acampar, ou seja, querem passar mais tempo lá, levam e armam suas barracas.

Porém, enquanto Pedro fazia a sua proposta, saiu uma voz do céu com outra indicação: para saborear aquele momento extraordinário, não era preciso armar as tendas, mas ter um coração atento para ouvir a Palavra de Jesus. De fato, o Pai diz: “Este é meu Filho, o escolhido. Escutai o que Ele diz”. Não faz muito tempo que ouvimos a mesma declaração no Batismo de Jesus. E este é um detalhe muito interessante, pois o Pai está dizendo que aquele Filho que começou o ministério no Jordão é o mesmo que está prestes a morrer crucificado. A força da voz do Pai deve ter sido um dom belíssimo para os apóstolos, a ponto de não quererem falar por muito tempo este episódio, guardado no coração.

A força da voz do pai deve ter sido um dom belíssimo para os apóstolos, a ponto de não quererem falar por muito tempo este episódio, guardado no coração: “Escutai!” Escutar! É a melhor maneira para se preparar para a Páscoa: escutar a Palavra que Jesus veio nos dar. Escutar com os ouvidos, mas, sobretudo, escutar com o coração. Só assim podemos ficar com o nosso rosto transfigurado. Infelizmente, hoje, o rosto de Jesus aparece mais desfigurado que transfigurado. Desfigurado em tantos rostos humanos por causa da pobreza extrema. Jesus sofredor aparece desfigurado no rosto de crianças doentes, abandonadas, desfrutadas; no de jovens desorientados, perdidos; no dos excluídos da sociedade; no de desempregados, no de idosos abandonados até mesmo pela família. São muitos os desafios que os missionários de Jesus têm de enfrentar. Coragem!

É assim que você se sente? – Você já percebeu em você mesmo (a) os sinais da presença de Jesus? – Você tem subido a montanha para orar? – Como tem sido os seus momentos de oração?

Padre Bantu Mendonça