quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

ROGAI POR NÓS

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Esta súplica é feita em seguida ao momento que rezamos, relembrando aqueles momentos mágicos nos quais se constituíram o diálogo travado entre o Arcanjo Gabriel, mensageiro de Deus, ao comunicar a Maria de Nazaré: “achaste graça diante do Senhor, conceberás e darás a luz um Filho, Ele será grande e será chamado Filho do Deus altíssimo”.

Tratava-se de uma revelação absolutamente inédita. É natural que na sua simplicidade, Maria não tenha sido capaz de entender o que ouvia e se explica: “não conheço homem”.  Gabriel entende a confusão que se fez no ânimo daquela quase menina e esclarece: “tudo o que vai acontecer, acontecerá por obra e graça do Espírito Santo”.

E a fé ilumina Maria que em atitude de reverência aquiesce e as palavras que profere revelam o sentimento que a possuía em confronto de Deus e da sua vontade: “eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim, segundo a Sua palavra”, ou seja, segundo Seu desígnio e projeto de amor, eu cumprirei tudo que me disser, irei até onde esse compromisso me fizer chegar.

De imediato, o Verbo se fez carne, passou a ser gestado no ventre virginal de Maria, até a hora de Belém.

A filha de Ana e Joaquim foi elevada a mais alta condição que a uma criatura seja dado se elevar, a um patamar que nenhuma outra mulher alcançaria, a de Mãe do Filho de Deus.

É compreensível, portanto, que depois de se colocar em tamanha disponibilidade, Maria se tenha credenciado a poder interceder junto ao Filho por todos aqueles que Ele mesmo lhe dera como filhos também.

Note-se que ao proferir este pedido, “rogai por nós Santa Mãe de Deus”, justificamos em seguida, o objetivo que temos, a motivação que nos move, ou seja: “para que sejamos dignos das promessas de Cristo”.

Nem sempre rezamos assim. Com esta fórmula, não pedimos coisas, favores ou qualquer outro bem, pedimos que nossa vida se paute de tal forma que não desmereça os dons que recebemos, não se desvie do projeto de Deus a nosso respeito, possamos conquistar o que Jesus nos prometeu, logicamente, importa que nosso comportamento seja de fiel herdeiro de tais promessas e saibamos como “bons administradores da multiforme graça de Deus”, agir de acordo com o direito e a justiça fazendo da lei do Senhor que é lei do amor, nossa única lei.

domingo, 20 de janeiro de 2013

ORAÇÃO DA CURA INTERIOR


Oração de cura interior. 

Vem Espirito Santo,

Transforma a tensão dentro de mim, em um santo relaxamento.

Transforma a turbulência dentro de mim, e uma calma sagrada.

Transforma a ansiedade dentro de mim, em uma confiança silenciosa.

Transforma o medo dentro de mim em uma vigorosa fé

Transforma a amargura dentro de mim na doçura da graça.

Transforma a escuridão dentro de mim, em uma suave luz.

Transforma a frieza dentro de mim no calor do amor.

Transforma a noite dentro de mim na claridade do teu dia.

Transforma  o  inverno  dentro de mim, na tua primavera.

Endireita o que em mim está torto,  enche o meu vazio.

Arranca o meu orgulho  e faze crescer em mim a humildade.

Acende o fogo do meu amor, ajuda que eu me veja como Tu me vês,

Para confirmar os dons que recebi de Ti  e poder afastar os obstáculos  que impedem a Tua ação.

Vem, Espírito Santo, vem.

Pe. Luis Roberto Dilascio

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

18 DE JANEIRO


Querida Hilda,
 
Hoje é dia do seu aniversário. Não podemos abraçá-la como sempre fazíamos, enquanto você, flor perfumada do nosso jardim, enchia-nos de atenções e de tanto amor.

Posso afirmar-lhe: nosso amor, agora dolorido, continua o mesmo. Farei celebrar uma santa Missa por você. Sei que vai gostar que seja compartilhada com papai e Verinha.

Que Deus a tenha ao seu lado e sob a luz de Sua Face, Sua misericórdia a tenha sempre entre os braços,  único pensamento que, debilmente, nos consola.

Muitos beijos.

Marlusse

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

SE EU MORRER AMANHÃ

Se eu morrer amanhã,              

quem sabe o que acontecerá?   
                                                                                                                                                                                                                                                                                                       Pelo que se pode prever,           
                                                                                                                                                     minha mãe  vai chorar.
Chorarão minhas irmãs
e meu irmão,
algum dos meus sobrinhos, talvez.
 
Por alguns dias,
tempos para minha mãe,
minha lembrança será muito forte,
decantadas serão minhas virtudes,
o bem que fiz,
nem tanto o que não fiz.
Das minhas faltas,
dos meus pecados
das minhas caretices
far-se-á questão de olvidar.
 
E meus ideais,
para onde irão
tudo que sei e que cultivo,                     
tudo que desejo pelo bem de todos
para quem passará?
 
Hum, que preocupação mais idiota!
Quem se importa com o que me importa?
Cada um tem seus ideais, seus anseios,
sabe onde quer chegar.
 
Sou muito pouco...
Preciso pensar menos, brincar mais,
 
viver mais descontraidamente...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

DESABAFO

Carta enviada de uma mãe para outra mãe em SP, após noticiário na TV:

DE MÃE PARA MÃE:

- Vi seu enérgico protesto, diante das câmeras de televisão, contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM, em São Paulo, para outra dependência da FEBEM, no interior do Estado.

Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientesdecorrentes daquela transferência.

Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você, contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONGs, e outros organismos.

Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender seu protesto. Quero com ele fazer coro.

Enorme é a distância que me separa do meu filho. Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo. Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos, porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família.

Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha para mim importante papel de amigo e conselheiro.

Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma videolocadora, onde meu filho trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.

No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo.

Ah! Ia me esquecendo: mesmo ganhando pouco, e sustentando a casa, fique sabendo que com meus impostos eu estarei pagando, de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na Febem na última rebelião.
Lá no cemitério, nem na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante destas "entidades", que tanto lhe confortam, para me dar uma palavra de conforto, e talvez me indicar onde estão "Os meus direitos"!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

PÁTRIA MADRASTA VIL


Tema: 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'
Por Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ


'PÁTRIA MADRASTA VIL'

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência... Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos.
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?
 
 
Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'

A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da UNESCO.
Favor, divulguem, aos poucos iremos acordar este "Brasil".
 
 
 


 
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

FESTA DE LUZ, É VERÃO

Dirigindo meu carro, saio da garagem e confirmo que temos um domingo cheio de sol, uma festa de luz e opto pelo caminho da praia, para chegar à Igreja onde pretendi assistir a missa das 11 h. Hoje é domingo!  Quando atravessei a ponte de Camburi, dei-me conta de que a partir da primeira entrada no bairro vizinho, a avenida está interditada, só passam banhistas.

Sem opção, prossegui. Mesmo porque me dispusera a ver pessoas, o colorido dos biquínis, das sungas, das saídas-de-praia, enfim, de tudo de que pouco se veste quem vai ao mar ou apenas à praia. 

Tive que adiar a Missa, atrasei-me, tendo que ir bem mais longe para fazer o retorno.

A rua interditada virou passarela, onde uns praticam corrida ou simplesmente caminham, outros vão de esqueite, ou dão voltas num improvisado quadriciclo, tocado a quatro pernas. Alguém encontrou uma forma de aumentar o orçamento. De forma bem artesanal, construiu vários, que ficam à disposição de quem os quiser alugar. Não falta quem queira.

Uma multidão está lá se deliciando com a brisa que mesmo o sol forte não impede de soprar, se o ambiente é praia. Centenas de sombrinhas compõem uma visão característica desse tempo. Famílias inteiras, jovens, adultos e crianças, dividem o mesmo ambiente, não é preciso ingresso para entrar, ninguém precisa pedir licença para estar. Na chegada, com esteira num braço, cadeira no outro, alguns levam isopor com comida e bebida, afinal de contas, toda praia que se presa tem que ter seus “farofeiros”. Um olhar geral e encontrado mesmo que pequeno espaço na areia, ali a barraca é armada e cada um por sua vez se aboleta confortavelmente, todos de frente para o mar. Em verdade, “melhor que isso só dois issos”.

Verão é para isso mesmo, para que as pessoas tenham oportunidade de tirar férias, viajar, quem puder, estar mais tempo com a família. No nosso país de praias maravilhosas, dificilmente há quem dispense procurá-las e desfrutar da melhor forma possível os agradáveis momentos que se pode proporcionar. Quem mora em Vitória, pois, tem acrescida a agradável sensação de estar na “cidade sol de um céu sempre azul”.
Observe-se: na praia, todos têm o mesmo objetivo, todos se vestem quase iguais, se acomodam de forma mais que semelhante, olhar para frente, vista do mar, delicia de contemplação com as ondas que vêm e que vão. Mesmo que não falem todos com todos, todos estão irmanados e respeitam as individualidades.

Bem que se pode repetir tal convivência onde não é mar.

Lá pelas 14 a dispersão começa progressivamente com volta à casa. Mas a praia e o mar não ficarão jamais sem presença humana, começa a chegar o pessoal da caminhada, mães, pais ou babás que empurram carrinhos com bebês para o passeio do entardecer, alguns jogam vôlei ou o que gostam.

No horizonte o sol se põe, o céu assume um tom áureo infinito, a cada olhar com intervalo breve, uma nova visão se oferece, até que o astro rei se esconde por inteiro, a noite vai chegando, enquanto ainda há gente que caminha.