domingo, 30 de dezembro de 2012

ANO NOVO

Hoje, a Igreja Católica comemora o Dia da Sagrada Família. É sempre no domingo seguinte ao Natal. Acho que não podemos negar que as muitas iniciativas adotadas para valorizar a família, de fato, ninho das pessoas que a integram.

É na família que encontramos os laços de afeto mais profundos. É na família que nos refugiamos sempre que precisamos de aconchego. A família é o principal alvo de tudo de bom que acontece, mas também de todos os males.

O ano de 2012 está prestes a dar seu último suspiro e nos chegam das mais diversas origens, votos de que o ANO NOVO seja feliz, que no seu transcurso nossas esperanças se concretizem etc.

Mas foi também, precisamente ontem, que um jornal recebido via e mail noticiava além dos dois estupros acontecidos na Índia os quais revoltaram o mundo, que está havendo evasão de jovens da pátria grega por não visualizarem expectativa de vida melhor, sentem-se sem futuro. Hospitais gregos estão sucateados, feridos em protestos dependem de voluntários.

Protesto em Portugal.
Outras notícias: o exército israelense divulga que a cada 15 dias um soldado se suicida.  Soldado faz parte dos jovens. Significa que não aguentam viver para serem violentos. Putin, o 1° Ministro russo, defende a lei que proíbe norte-americanos de adotar crianças russas. Fazem isto em represália aos EEUU, mesmo sem dispsorem de família-substituta para socorrer crianças que precisam de um lar.  

São só algumas entre tantas notícias que comprovam que o mundo não vai bem. O Brasil melhora economicamente e em desenvolvimento, não encontrou a forma de preservar vidas como as que se perdem na violência do trânsito; nem é melhor o serviço de saúde que registra falta de médicos para atender aos que precisam. Tudo agravado pelo calor violento que nos atinge nesses dias, que em bairro do município de Cariacica marcou mais de 43°, como mostrou a repórter que ao mesmo se dirigiu para denunciar falta de água há mais de um mês, sacrificando a população.

Toda pessoa envolvida nesses fatos é membro de alguma família, dai porque é também à família que compete buscar recursos com que minorar os sofrimentos que a atinge.

Por isto, faço restrições ao continuar desejando FELIZ ANO NOVO aos meus amigos.  Não mudaremos nestas 36 h que faltam para a chegada do novo ano a situação que ai está. No entanto, desejo sim a todos, um ANO NOVO em que estejamos de olhos abertos para ver o que se passa a nossa volta, próxima e distante, em que tenhamos coragem de tomar posição para que os males não continuem proliferando.

Cumpre como nunca promover a cultura da paz. Compete a todos, por todos ou como disse Follereau: “ninguém tem o direito de ser feliz sozinho”!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

INVEJA É PECADO CAPITAL

A inveja, conforme Sebastián de Covarrubias,
 gravura século 16
Tenho refletido sobre a Inveja, um dos sete pecados capitais dos quais nenhum humano escapa. Consciente disto, ouso dizer que importa montar guarda sobre nós, sobre o que pensamos em relação a alguém, porque aquela pessoa causa transtorno em nossa vida e reagimos, via de consequência,  sempre negativamente.

Segundo São Tomás de Aquino, a inveja "é o desgosto ou tristeza perante o bem do próximo" considerado como mal próprio, porque se pensa que diminui a nossa própria grandeza, felicidade, bem-estar ou prestígio. A Caridade, ao invés, alegra-se com o bem dos outros e une as almas, enquanto que a inveja entristece e com frequência corrompe a amizade. A inveja brota, em geral, da soberba e surge, especialmente, entre aqueles que desejam desordenadamente uma honraria, ansiosos de consideração e elogios. (1)
 Para Augusto Cury, a inveja é muito comum entre iguais.        (2)

É pecado capital por ser origem de muitos outros: o ódio, a murmuração, o gozar com o mal dos outros, o ressentimento, a tristeza frente ao sucesso dos outros, etc.   

A inveja é sintoma de que se necessita exercitar o desprendimento dos bens materiais e também crescer em humildade. Além do exercício destas duas virtudes, é conveniente, para lutar contra a inveja, realizar obras de caridade para com as pessoas invejadas.


Já pensou? desgosto ou tristeza perante o bem do próximo. Logo me veio, como acréscimo, quando transcrevi a palavra próximo, aqui acima: mas é um grande egoísmo. Tal qual consta ainda do texto transcrito: É pecado capital por ser origem de muitos outros: o ódio, a murmuração, o gozar com o mal dos outros, o ressentimento, a tristeza frente ao sucesso dos outros, etc.

Certa feita, descobri-me sentindo uma tremenda antipatia de uma determinada pessoa que sequer me conhece, ela vive na mídia. A certo ponto, me perguntei: mas por que provo um sentimento de tal quilate em relação a X? Afinal de contas, sequer nos conhecemos pessoalmente e me coloquei diante de mim mesma, pressionando-me para me dizer a verdade. Depois de algum tempo, nem foi longo, antes breve, descobri no fundo que sentia inveja da minha pobre vítima porque ela consegue sucessivamente, uma coisa que eu não consegui, ainda que não me faça falta, nem considere imprescindível.

Foi o suficiente para que aquele sentimento nada menos que cessasse por completo e se invertesse. Passei a ver na mesma pessoa com o mesmo sorriso e ações, alguém que tem direitos como todos e se alcança o que procura, é porque também se empenha, corre atrás.  

Importa começar por nós. Não queiramos mudar o mundo, pretendendo que os outros o façam.

Ai está um testemunho que deixo para quem gosta de ler “minhas escrevinhações”. Pode ser útil. O método é simples e a recompensa do vencer sentimentos menores dá uma satisfação que não tem preço.

 

(1)        Disponível em:   http://www.catequisar.com.br/texto/materia/fe/97.htm

(2)        Em: Maria a maior  educadora de todos os tempos.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

CENAS DE VIDAS SANTAS

Vitória, que se tornou frenética mesmo em dias de sábado e domingo, sob céu azul e esparsas nuvens muito brancas e calmas está silenciosa.

11 da manhã. Olho pela janela para confirmar o silêncio que ouço. Ninguém passa pela rua, vejo alguns carros, todos parados, certamente, desde ontem, porque é Natal!

Mesmo os que não creem se contagiam com o clima que invade a alma de todos. Sem poder fazer diferente, automaticamente, acabam por se deixar invadir pelos anelos natalinos e provam da mesma harmonia, da mesma paz, enfim, encontram-se com as próprias origens e assim vão estar.

Enquanto assistia a Santa Missa na igreja de São Francisco, ontem, deixei-me possuir por um pensar em Maria, sobre quais eram seus sentimentos, como terá vivenciado aquelas horas até os momentos mais próximos, os que precederam o nascimento do Filho de Deus sim, mas humano e portanto fruto de sua carne, de seu sangue, da sua vida. Se os filhos têm semelhança física com os pais, Jesus só tinha da parte de Maria.

Fixo o semblante doce da Nazarena e deduzo que aquelas expressões afogadas por antecipação no sacrifício redentor do Filho, ainda assim, traduzem um misto de decepção ou tristeza santa, pois, pelas atitudes com que seus concidadãos se conduziam era fácil não esperar eloquência ou boas vindas ao “Verbo de Deus que se fez carne e estava prestes a habitar no meio de nós”.

Ainda assim, era também muito de Maria a expressão “eu sei em quem confiei e estou certa” dai tantas vezes se repetir a seu respeito que “guardava todas as coisas em sem seu coração”.

Contemplo-a ao dizer sim até à vontade prepotente do governante. Toma o caminho de Jerusalém em companhia de José, já lemos muitas vezes, mas poucas vezes teremos ficado analisando quais eram os pensamentos que passavam por sua cabeça, ainda que dessa profunda função litúrgica, participasse apenas o silêncio.

Encostam a porta da casa, saem, o sol ainda não despontara e a caminhada inicia. Havia gente falando alto e até dando risadas, numa tentativa de amenizar os inconvenientes e o cansaço inevitável que a ninguém excluiria. Não era o caso de Maria, silenciosa e disposta a sempre ouvir, mas a igualmente praticar o gesto simples de quando ao passarem por algum regato de águas cristalinas, ela também se inclina para matar a sede.

Naquela manhã, por estas exatas horas, estava ocupada com o recém-nascido, procurava proporcionar-lhe todo carinho que um serzinho requer apenas chegado a luz. Tinha satisfeito sua expectativa de ver aquele rosto do Deus-criatura que se fizera carne e se desenvolveu no seu ventre.

Os pastores que a convite dos anjos foram ver o menino, fascinados, alguns ficaram por ali mesmo enquanto outros terão voltado às próprias casas, para avisar aos familiares e aos vizinhos o que aconteceu e viram, pelo que é fácil deduzir que terão dito do quanto eram pobres e não tinham alimentos. Cada família acorreu às despensas, recolheu o que tinha, preparou como melhor foi possível, embalou e ainda mais numerosos chegaram à gruta de Belém.

Maria e José recepcionam todos com o melhor dos sentimentos. Única a sensação que a todos envolve, são muito benvindos.

Certamente, depois dos primeiros gestos, das saudações, começa a ser posta a grande refeição. Não havia mesa onde sentarem em torno, tudo era servido de forma mais que simples, coletivamente, em comum. Cada simples pirão tinha a diversidade dos sabores de todas as iguarias, todos se fartaram em alegria.

Maria e José agradecem e não obstante a pequenez do recém-nascido, paira uma sensação de que ele também se tenha manifestado de forma a que todos percebessem, mas ninguém falou. Afinal de contas, uma criança que acaba de nascer só faz dormir.

Regressar se tornou difícil, melhor que pudessem ficar ali para sempre, mas tinham que retornar à casa, ao pastoreio, ao dia-a-dia que lhes era peculiar.

Foram narradas coisas que dos Evangelhos não constam? que importa, são cenas humanas como era humana em todos os aspectos a Família de Nazaré, que nossa devoção denomina Sagrada Família.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS

Coube ao Evangelista Lucas narrar de forma viva e de causar visão, o episódio em que cumprindo ordem de Deus, o Anjo Gabriel foi enviado à cidadela de Nazaré, na Judeia,  para comunicar à menina Miriam, filha de um casal humilde, Joaquim e Anna, que “achara graça diante de Senhor”  para logo em seguida acrescentar: “conceberás e darás à luz um filho, Ele será grande posto que, Filho de Deus altíssimo”.

Por mais angélica que tenha sido à aparição, por mais que se revestisse de forma incomum, aquelas palavras causam impacto no coração da menina que sem entender em todos os aspectos o que ouvia, pergunta: “como é possível, eu nem estou casada”...

Ao contrário de Zacarias, que também mediante aviso de um Anjo, tomara conhecimento de que sua esposa Sara, não obstante sua senilidade, conceberia um filho, esquecido de que “para Deus nada é impossível”, duvidou sem rodeios e por isto, por castigado, ficou mudo, o Mensageiro entendeu que Maria apenas queria ser esclarecida e lhe assegura: “a força do Espírito Santo te revestirá”.

Nada mais foi necessário acrescentar: como quem mostra o próprio cartão de visita para se apresentar, Maria põe-se de joelhos e responde: “sou a serva do Senhor, faça-se em mim como Ele quiser”. E naquele exato momento, o “Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós”.

E como hoje é Natal transportemos nosso olhar/pensamento a um casal que sobe a Jerusalém, reverente, obediente. Os primeiros véus da noite descem progressivamente, quando seus pés pisam os umbrais da cidade santa, começam a procurar hospedagem, mas as portas das hospedarias se fechavam à constatação: “estes dois ai não devem ter vintém com que pagar, se vê pelo que vestem e pela precariedade da bagagem que portam”. E repetia-se a cada nova investida: “está lotado, não temos mais lugar”.

O cansaço os dominava, fazia-se sempre mais tarde, José lê na expressão de Maria que “a hora chegara”. Diligentemente, trata de tornar menos indigno o último dos lugares, um estábulo, e o melhor possível arruma tudo para seu filho nascer.

Por volta da meia noite, as estrelas como que entendendo o que viam, piscam mais festivamente, a lua projeta o melhor de sua luz, naquele lugar, o vento sibilando perpassa qualquer obstáculo e pouco tempo depois, havia ali a presença de uma criança, o Deus conosco, Emanuel. Jesus nasceu.

Anjos acorrem a dar a boa notícia a uns pastores que ainda trabalhavam nas cercanias.  Juntam-se em um único cortejo e marcham em direção de uma estrela e se veem diante de Maria com o Filho nos braços. Um coro de vozes esparge acordes na amplidão, canta “glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”.

Jesus nasceu.

Estamos prestes a protagonizar o momento, como anjos ou como pastores, o que importa é que não seja menor a fé, nem menor a gratidão com que o fizermos, ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS.   

domingo, 23 de dezembro de 2012

É JESUS VOLTANDO

Estamos nos três dias que precedem o Natal, isto é, no tríduo que nos separa do grande acontecimento, da maior história de amor da qual se tem noticia neste mundo.


É o Natal que se aproxima, é Jesus voltando à terra dos homens para lhes dizer: amai-vos.

Ouvimos o ressoar das palavras do profeta: “Oi gente, fortaleçam esses braços cansados, firmem os joelhos vacilantes. Animem os aflitos, coragem! Nada de medo, ai está o nosso Deus”.

Tenhamos pois, capacidade de romper as amarras das preocupações sem medida, da falta de esperança, creiamos. Natal é vinda de Deus ao nosso encontro, antecipando maravilhas, deixando vislumbrar as belezas que contemplaremos, quando nos encontrarmos em Sua casa, em Sião, o céu.  O deserto se torna jardim, os cegos veem, os surdos ouvem, os mudos falam e os coxos voltam a andar, todos os males desaparecem.

Com o salmista sintamo-nos peregrinos e deixemos sair nossa voz para louvar a Deus, apoiando-nos nele.

Se nos parecer que a realidade é diferente do que somos convidados a crer, ainda assim, façamos tudo o que estiver ao nosso alcance, entregando-nos à gratuidade do dom de Deus, na espera confiante e paciente de que mesmo que não sejamos nós a colher, a boa semente que lançarmos, germinará, dará flores e frutos de paz, de bem e de amor para que  outros degustem.

Isto é fraternidade, isto é Natal.

sábado, 22 de dezembro de 2012

O SENHOR ESTÁ PERTO



Anunciação
Não sabemos o dia em que de mo particular ou pessoal, o Senhor virá a nós e certamente vai pedir contas dos dons colocados a nossa disposição. Da vida que Ele nos deu, como a vivemos; dos talentos, como os usamos, do uso que fizemos de cada capacidade que nos foi emprestada.

Vivemos dizendo, como o tempo passa!  pois é, quanto mais passa, mais se aproxima o dia da eternidade que tomados pelos nossos sentimentos humanos gostaríamos de mandar para sempre mais longe.  

Como projeto de Deus, é  Ele que diz como deve ser nossa vida, embora nem sempre sigamos, Ele é que determina tudo, inclusive por  quanto tempo mais estaremos por aqui.

O dia do Senhor está perto, avisa o Profeta Jeremias, nesse tempo de advento. Não façamos brincadeiras.

Para nos instruirmos, vamos à casa do Senhor. Casa é o espaço sagrado no qual nos posicionamos significativamente no mundo. Deve existir dentro e fora de cada um de nós. A casa se estende a todo espaço ocupado pela comunidade humana , a todo ambiente, a todo Ecos=casa.

Decidamos como boa coisa a fazer nesse tempo, multiplicar os talentos recebidos “vamos à casa do Senhor”, juntemo-nos aos nossos semelhantes e a todo o criado: o ambiente, a natureza, a lua, a luz, a terra, as plantas e vamos acabar descobrindo, não só, que caminhamos ao encontro do Senhor, mas que por primeiro Ele veio ao nosso encontro.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

DIREITOS DA MULHER



Declaração Universal dos Direitos das Mulheres

CONSIDERANDO que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,

CONSIDERANDO que o desprezo e o desrespeito pelos direitos da mulher resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade, e que o advento de um mundo em que os mulheres gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade,

CONSIDERANDO ser essencial que os direitos do mulher sejam protegidos pelo império da lei, para que o mulher não seja compelida, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão,

CONSIDERANDO ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,

CONSIDERANDO que os povos, reafirmaram sua fé nos direitos da mulher e do homem , e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,

CONSIDERANDO que os Estados Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais da mulher e a observância desses direitos e liberdades,

CONSIDERANDO que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,A HUMANIDADE proclama a presente "Declaração Universal dos Direitos da MULHER" como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo 1

Todas as mulheres nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas as outras com espírito de fraternidade.

Artigo 2

I) Toda a mulher tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
II) Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

Artigo 3

Toda a mulher tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4

Nenhuma mulher será mantida em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos estão proibidos em todas as suas formas.

Artigo 5

Nenhuma mulher será submetida a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo 6

Toda mulher tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.

Artigo 7

Todas são iguais perante a lei e tem direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todas tem direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8

Toda a mulher tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo 9

Nenhuma Mulher será arbitrariamente presa, detida ou exilada.

Artigo 10

Toda a mulher tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ela.

Artigo 11

I) Toda a mulher acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias a sua defesa
II)Nenhuma Mulher poderá ser culpada por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituiam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo 12

Nenhuma Mulher será sujeita a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques a sua honra e reputação. Toda mulher tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo 13

I) Toda a mulher tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
II) Toda mulher tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.

Artigo 14

I) Toda mulher, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
II) Este direito não pode ser invocado em casos de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 15

I) Toda mulher tem direito a uma nacionalidade.
II) Nenhuma mulher será arbitrariamente privada de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo 16

I) As mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, tem o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
II) O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
III) A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.

Artigo 17

I) Toda mulher tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
II) Nenhuma Mulher será arbitrariamente privada de sua propriedade.

Artigo 18

Toda a mulher tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

Artigo 19

Toda a mulher tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras.

Artigo 20

I) Toda a mulher tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
II) Nenhuma mulher pode ser obrigada a fazer parte de uma associação.

Artigo 21

I) Toda a mulher tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
II) Toda a mulher tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
III) A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo 22

Toda a mulher, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento de sua personalidade.

Artigo 23

I) Toda a mulher tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
II) Toda a mulher, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
III) Toda a mulher que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como a sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
IV) Toda a mulher tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.

Artigo 24

Toda a mulher tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.

Artigo 25

I) Toda a mulher tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bestar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
II) A maternidade e a infância tem direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

Artigo 26

I) Toda a mulher tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
II) A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do mulher e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
III) As mães e os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo 27

I) Toda a mulher tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de fruir de seus benefícios.
II) Toda a mulher tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.Artigo 28Toda a mulher tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo 29

I) Toda a mulher tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
II) No exercício de seus direitos e liberdades, Toda a mulher estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
III) Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 30

Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer direitos e liberdades aqui estabelecidos.

Disponível em: http://direitoshumanosmulher.blogspot.com.br/2009/03/declaracao-universal-dos-direitos-das.html