segunda-feira, 20 de agosto de 2012

CANDIDATÔMETRO

CANDIDATÔMETRO: USE PARA ESCOLHER SEU CANDIDATO

Eleitores conscientes ante o dilema em quem votar? No menos pior, mas quem é o menos pior? Discurso pelo avesso não se pergunta: qual é o melhor? Outro diz: "vou votar em Fulano, ele fez uma boa administração". A este ponto chega-se onde se quer chegar. Em que consiste uma boa administração? Só pode ser a que muda paradigmas. Uma administração que não se faça de aparências, mas que tenha descido ao mais profundo das necessidades dos cidadãos e tenha envidado o melhor esforço no sentido de dar a eles condição de vida melhor da que tinha antes, representada antes de tudo, por notáveis melhoramentos na educação.
Educação inclusiva, onde a escola seja todos os dias frequentada por todos os seus alunos, onde não se ensine apenas as disciplinas do currículo comum, as tais matérias: língua, ciências, inclusive religião e civismo, mas que desperte as aptidões que serão desperdiçadas, se cada um não for posto no seu pedestal para recebimento dos aplausos que bem merece. É imprescindível que o corpo docente seja visto motivado, bem vestido, alegre, recompensado pelos esforços que despende para construir a Nação.
Entra e sai ano, revezam-se os administradores, os partidos, mas o descaso com a questão continua, muitas vezes, credenciado pelas poucas letras de expressibilíssima parcela dos que galgam o cargo público e, com ele, o poder; que se veem tendo chegado lá, sem jamais terem aprendido o essencial, portanto prescindem de dar valor ao que importa.
Ao invés, ouviu "serem gabados" aqueles que constroem praças, asfaltam ruas, pintam postes, reformam algum prédio ou outro, fachadas e mais fachadas e o povo ainda que alforriado da ditadura dos coronéis se encanta com as cores e sentencia: temos um ótimo prefeito.

Como se vê, não é tão difícil quanto parece escolher o menos ruim (ou melhor), meça-se sua capacidade de derrubar barreiras, a primeira constituída de seu ego, optar pela dignidade da pessoa e crer que em suas mãos está o poder que é apenas para ser exercido como mandatário, jamais sobrepondo-se aos verdadeiros detentores dele, o povo.
Nota: este artigo foi escrito antes da divulgação de que o Estado ganhou mais uma medalha que ninguém quer, a dos piores índices em educação.


domingo, 19 de agosto de 2012

REDE DE ESCRITORES


REDE ESPIRITO-SANTENSE DE ESCRITORES

O estado do espírito santo está precisado de umA rede DE ESCRITORES.

UMA ASSOCIAÇÃO CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS COM A FINALIDADE DE REUNIR OS ESCRITORES DO ESTADO PROPICIANDO A TODOS MOSTRAREM SEUS TALENTOS E CONTIBUIREM PARA PROMOÇÃO DA LITERATURA por aqui.

Pode ser nos moldes da REDE INTERNACIONAL DE ESCRITORES, REDE BRASILEIRA DE ESCRITORAS E OUTRAS JÁ EXISTENTES.

TODOS OS QUE ESCREVEM SÃO CONVIDADOS A TOMAREM ASSENTO.

OS ATOS CONSTITUTIVOS surgIRÃO EM MOMENTO CERTO DEPOIS DE OBTIDAS ADESÕES.

É também para DAR RESPOSTAS ÀS PERGUNTAS:

- POR QUE TANTA DIFICULDADE EM PUBLICAR E MAIS QUE ISTO DIVULGAR UMA OBRA?

- POR QUE NÃO SE VEEM OBRAS DE AUTORES CAPIXABAS NAS LIVRARIAS LOCAIS E MESMO EM BANCAS OU SUPErmercados?


Contato:  mpdaher@ig.com.br mpEntrar no Office.com

Comece a trabalhar na nuvem







sábado, 18 de agosto de 2012

UM GRANDE MOMENTO

Acadêmica Karina Fleury
A Professora, Mestra e Doutoranda em Letras Karina de Rezende Tavares Fleury, acadêmica da Academia Feminina Espírito-santense de Letras, será oradora oficial na reabertura da AMALETRAS, dia 22 do corrente mês de agosto em São Mateus - ES.

Ela falará do momento, fará a saudação alusiva e de boas vindas aos novos acadêmicos.

Sua oração integrará os anais da Academia. Olhei pelo buraquinho da fechadura e gostei do que vi. Entre mais ela diz:

... Éstes, em Mulheres que correm com lobos (Rocco, 1994). O tema é a transmissão ancestral de valores. Um costume dos antigos reis africanos, escreve a autora. Chama-se “Um pauzinho,dois pauzinho” (p. 154) que aqui cito um excerto:

Na história, um velho está à morte, e chama a família para perto de si. Ele dá um pauzinho curto e resistente a cada um dos seus muitos rebentos, esposas e parentes. “Quebrem o pauzinho”, determina ele. Com algum esforço, todos conseguem quebrar seus pauzinhos ao meio.

“É isso o que acontece quando uma pessoa está só e sem ninguém. Ela pode ser quebrada com facilidade”.

Em seguida, o velho dá a cada parente mais um pauzinho.

“É assim que eu gostaria que vocês vivessem depois que eu me for. Juntem seus pauzinhos em feixes de dois ou três. Agora, partam esses feixes ao meio”.

Ninguém consegue quebrar os pauzinhos quando eles estão em feixes de dois ou mais. O velho sorri.

“Temos força quando nos juntamos a outra pessoa. Quando estamos juntos, não podemos ser quebrados”(ÉSTES, 1994, p. 154).

A lição de vida que o moribundo africano nos dá é aquela que, no senso comum, dizemos: a união faz a força!

E para finalizar, dedico-lhes, caros Acadêmicos da AMALETRAS, um trecho da mensagem proferida por Machado de Assis, na abertura da memorável sessão de fundação da ABL: “Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles o transmitam aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira”.

Dá para perceber que a fala será realmente magistral. E de quanto é importante que juntemos as forças por uma boa literatura.

Na oportunidade, serão outorgados a pessoas que se destacaram por algum fato, títulos de Membro Honorário da AMALETRAS, é uma faculdade do art. 15 do Estatuto. Muitas outras pessoas são merecedoras e a seu tempo serão lembradas.  

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA


Há 62 anos, 15 de agosto de 1950, o Papa Pio XII proclamou solenemente a assunção de Maria ao céu. Maria foi assunta, não tinha poder de ascender isto é, por si mesma, o que aconteceu foi obra do Criador.

Desde os tempos pós-morte, ressurreição e ascensão de Jesus, sempre foi dito que sua mãe, o corpo virginal em que se fez homem o Filho de Deus, não provou o peso da terra, mas foi levada ao céu em corpo e alma, sendo recebida pelos anjos e coroada pelo divino Filho como Rainha.

Maria foi uma mulher como qualquer outra. Assistiu a paixão do Filho e o viu morrer, sofreu a mesma dor que sentem todas as mães diante de tal acontecimento. Ela sabia que embora trágica e da pior forma, era um momento que chegaria: uma espada de dor atravessaria o seu coração, como naquele dia em que ainda bebê ela o apresentou ao templo e o velho Simeão a avisou.

Todos ressuscitaremos com Cristo no último dia. Maria ressuscitou em seguida ao seu morrer e foi levada ao céu.

Ninguém jamais questionou abertamente, (é... há quem duvide, ou negue). A assunção de Maria em corpo e alma sempre foi crença pacífica, ainda que a Igreja porque age com cautela, não se pronunciou senão mil novecentos e cinquenta anos depois de Cristo sobre tal verdade.

Coube ao Papa Pio XII como sobredito, depois de muita oração e observância de muitos fundamentos – como a Igreja age sempre – a proclamar o dogma. Dogma é uma verdade de fé proclamada, não se discute mais. Escrevi: verdade de fé.  

Eu quero pensar Maria no céu, rodeada de anjos e ocupada em atender nossos pedidos intercedendo junto ao seu Filho por nós. Gosto até das coisas simples contadas por ai, como aquela história de que um dia, São Pedro sai do portão do céu e se depara com uma escada no muro e muita gente subindo e pulando para dentro do Jardim do Edem. Foi ver do que se tratava, era Maria facilitando a entrada daquela gente esquivando-se do controle enérgico do porteiro do céu.

Mas gosto ainda mais de pensá-la inquebrantável, sem gemido, aos pés da cruz, porque não obstante a tempestade do calvário, Maria nunca duvidou de que Deus é amor.

Esta Senhora me ensina muitas coisas todos os dias, por isto eu canto a Maria, como minha mãe!



Trecho da definição apostólica do dogma da

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA EM CORPO E ALMA AO CÉU

3. De fato, Deus, que desde toda a eternidade olhou para a virgem Maria com particular e pleníssima complacência, quando chegou a plenitude dos tempos (Gl 4,4) atuou o plano da sua providência de forma que refulgissem com perfeitíssima harmonia os privilégios e prerrogativas que lhe concedera com sua liberalidade. A Igreja sempre reconheceu esta grande liberalidade e a perfeita harmonia de graças, e durante o decurso dos séculos sempre procurou estudá-la melhor. Nestes nossos tempos refulgiu com luz mais clara o privilégio da assunção corpórea da Mãe de Deus.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

AMALETRAS
ACADEMIA MATEENSE DE LETRAS



Segundo seu Estatuto:



Art. 1º A ACADEMIA MATEENSE DE LETRAS é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, de caráter lítero cultural, fundada no dia 16 de fevereiro de 2001, com sede no Sítio Histórico do Porto da cidade de São Mateus - Espírito Santo, onde também tem foro.

Parágrafo único: A Academia Mateense de Letras poderá ser nomeada pela sua sigla AMALETRAS.

Art. 2º A AMALETRAS tem como finalidades:

I - Reunir escritores cuja produção tenha valor humano, cívico e religioso, em qualquer dos gêneros de composição;

II - Despertar e incentivar talentos que possam contribuir para o alcance dos objetivos retro citados;

III - Promover iniciativas que divulguem as letras em todas as suas expressões e incentivem a produção literária;

IV - Patrocinar concursos literários em todas as áreas;

V - Colocar-se à disposição de todos quantos tenham iniciativas educativas, pedagógicas, humanas e culturais;

VI - Promover eventos de caráter cultural de qualquer expressão;

VII - Buscar apoios para intensificar a publicação de obras literárias;

VIII - Irmanar-se com toda e qualquer iniciativa que se relacione com ações em favor do meio ambiente como dispõe a Constituição da República Federativa do Brasil.


Acadêmicos Fundadores:

Cadeira nº 1      Antônio Eduardo Barbosa

Cadeira nº 2      Eliezer Ortolani Nardoto

Cadeira n° 6      Marlusse Pestana Daher

Serão empossados:

Cadeira n° 3      Luís Costa

Cadeira n° 4      Iluzinilda Neves Martins

Cadeira n° 5      Eliane Queiroz Auer

Cadeira n° 7      Sebastião Pereira

Cadeira nº 8      Beatriz Barbosa Pirola

Cadeira n° 9 Jonas Bonomo


sábado, 11 de agosto de 2012

AMALETRAS EM CLIMA DE LEMBRANÇAS


Estou em São Mateus, onde ontem ficou definido quem efetivamente tomará posse na AMALETRAS – Academia Mateense de Letras, no próximo dia 22 deste mês de agosto, no Salão São Benedito, Praça do mesmo nome, a partir das 20 h: Beatriz Barbosa Pirola, Eliane Queiroz Auer, Iluzinilda Neves Martins, Jonas Bonomo, Luiz Costa e Sebastião Pereira. Outros, por motivos particulares adiaram suas respectivas posses.
Serão concedidos títulos de sócio honorários a autoridades locais, a todos os atuais Vereadores, no dizer do Acadêmico Fundador Eliezer Ortolani Nardoto, como merecedores a partir de vencerem difícil eleição e exercerem a função democrática mais perto da população.
Precisava encontrar o violonista Sozigenes. E sem querer, me vi na frente de sua relojoaria. Ele primeiro me confundiu com minha irmã Rachid, depois quando me reconheceu, ganhei um grande abraço.
Falei-lhe do meu propósito de voltarmos a apresentar-nos juntos com o que ele concordou entrando logo em contato com Lorinho, o bom de violão, e marcamos “um tom” para o dia da posse da Academia.
A saudade que anda rondando Sozigenes o fez ir procurar numa pasta, fotografias antigas que “só empresetou porque era a mim”, mediante promessa que cumprirei fielmente de devolver na próxima semana. Para tanto, já escaneei as quatro com as quais ilustro esta nota.
Necessitamos resgatar valores da nossa terra e fazer com que, quem tem dons tenha oportunidade de exercitá-los, mostrar e receber aplausos.

Nas fotos, Sozigenes entre músicos entre os quais, o imortal Bené e o cantor Jorge Afonso.
 Banda Marcial

O CHAFARIZ
Os acadêmicos aprovaram o Chafariz do Porto como logomarca da AMALETRAS. São seis os acadêmicos fundadores: Antonio Eduardo Barbosa, Eduardo Durão Cunha, Eliezer  Ortolani Nardoto, Herineia Lima Oliveira, Marlusse Pestana Daher e Roberto de Souza Lê. Eram seis as nascentes que formavam a “Biquinha” que fornecia água ao chafariz, onde a população pegava água. Assim como das seis nascentes corria água boa e dessedentava a população de nossa terra, que os seis fundadores sejam como elas, nascentes de boas letras e os que vierem depois continuem a ser fonte generosa de leituras que registrem a história e produzam em prosa e verso o que houver de melhor nesta terra do Cricaré e alhures.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

BOITATÁ

O Boitatá ocupou minha imaginação de menina como um ser extranormal sem nada a ver com o que depois consegui e resolvi publicar. Gosto de lendas, pretendo escrever mais algumas. Quem me quiser subsidiar, far-me-á grande prazer.

De origem tupi-guarani, o termo Boitatá (Baitatá, Biatatá, Bitatá ou Batatão), é usado para designar, em todo o Brasil, o fenômeno do fogo-fátuo e deste
derivando algumas entidades míticas, um dos primeiros registrados no país.

O termo mais difundido é boitatá. O termo seria a junção das palavras tupis boi e tatá, significandocobra e fogo, respectivamente - ou ainda de mboi - a coisaou o agente. Significa, assim, cobra de fogo, fogo da cobra,em forma de cobra ou coisa de fogo.

Sobre a etimologia, escreveu Couto de Magalhães que "como a palavra o diz, mboitatá é cobra-de-fogo'" (in: O Selvagem, Rio de Janeiro, 1876).

No Centro-Sul é chamado de baitatá ou batatá e até mesmo de mboitatá. Na Bahia aparece como biatatá. Em Minas Gerais chamam-no de batatal. No Nordeste é comum o termo batatão. Nos estados de Sergipe e Alagoas recebem os nomes de Jean de la foice ou Jean Delafosse.[2]

Em 1560 registrou o Padre José de Anchieta:

"Há também outros (fantasmas), máxime nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos rios, e são chamados baetatá, que quer dizer cousa de fogo, o que é o mesmo como se se dissesse o que é todo de fogo. Não se vê outra cousa senão um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os, como os curupiras; o que seja isto, ainda não se sabe com certeza." (in: Cartas, Informações, Framentos Históricos, etc. do Padre José de Anchieta, Rio de Janeiro, 1933)

No folclore brasileiro, o Boitatá é uma gigantesca cobra-de-fogo que protege os campos contra aqueles que o incendeiam. Vive nas águas e pode se transformar também numa tora em brasa, queimando aqueles que põem fogo nas matas e florestas.

A causa desse mito pode ser explicada com uma reação química, ossos de animais, como bois, cavalos etc. que são ricos em fósforo branco, que é um material inflamável(diferente do fósforo vermelho que é usado como medicamento), se aglomeram em um lugar, o osso começa a se decompor, e sobra apenas o fósforo. Quando um raio ou faisca, entra em contato com os ossos semi-decompostos causa uma enorme chama.

A palavra, de origem indígena como a lenda, tem o significado de cobra (mboi) de fogo (tata), sendo Mbãetata em sua lingua original. Pensaram entao, em juntar as duas palavras (mboi e tata) para transforma-las neste mito: Boitatá.

Na obra Lendas do Sul, de João Simões Lopes Neto, há um conto com este nome que descreve bem o que seja a lenda. Há registro de que a primeira versão da história foi feita pelo padre José de Anchieta, que o denominou com o termo tupi Mbaetatá - coisa de fogo. A idéia era de uma luz que se movimentava no espaço, daí, "Veio a imagem da marcha ondulada da serpente". Foi essa imagem que se consagrou na imaginação popular Descrevem o Boitatá como uma serpente com olhos que parecem dois faróis, couro transparente, que cintila nas noites em que aparece deslizando nas campinas, nas beiras dos rios. Em Santa Catarina, a figura aparece da seguinte maneira: um touro de "pata como a dos gigantes e com um enorme olho bem no meio da testa, a brilhar que nem um tição de fogo".

A versão que predominou foi a do Rio Grande do Sul. Nessa região, narra a lenda que houve um período de noite sem fim nas matas. Além da escuridão, houve uma enorme enchente causada por chuvas torrenciais. Assustados, os animais correram para um ponto mais elevado a fim de se protegerem. A boiguaçu, uma cobra que vivia numa gruta escura, acorda com a inundação e, faminta, decide sair em busca de alimento, com a vantagem de ser o único bicho acostumado a enxergar na escuridão. Decide comer a parte que mais lhe apetecia, os olhos dos animais e de tanto comê-los vai ficando toda luminosa, cheia de luz de todos esses olhos. O seu corpo transforma-se em ajuntadas pupilas rutilantes, bola de chamas, clarão vivo, boitatá, cobra de fogo. Ao mesmo tempo a alimentação farta deixa a boiguaçu muito fraca. Ela morre e reaparece nas matas serpenteando luminosa. Quem encontra esse ser fantástico nas campinas pode ficar cego, morrer e até enlouquecer. Assim, para evitar o desastre os homens acreditam que têm que ficar parados, sem respirar. e de olhos bem fechados. A tentativa de escapar da cobra apresenta riscos porque o ente pode imaginar fuga de alguém que ateou fogo nas matas. No Rio Grande do Sul, acredita-se que o "boitatá" é o protetor das matas e das campinas. A verdade é que a idéia de uma cobra luminosa, protetora de campinas e dos campos aparece freqüentemente na literatura, sobretudo nas narrativas do Rio Grande do Sul.

Ainda hoje, esta lenda folclórica impressiona adultos e crianças, sendo citada, inclusive, como personagem de destaque em várias obras contemporâneas como, por exemplo, “Quem tem medo do Boitatá?”, de Manuel Filho, lançada em 2007. Nesta história infanto-juvenil, o avô do protagonista, Sandrinho, é cego pelo próprio Boitatá. A serpente também é relembrada na história de José Santos, “O casamento do Boitatá com a Mula-sem-cabeça”, onde o autor descreve de forma lúdica a união de vários seres do nosso folclore. Nas referidas obras, assim como em muitas outras, o ser fantástico é citado como “o Boitatá”, mas é possível encontrar citações como “a Boitatá” tal como ocorre na obra recente de Alexandra Pericão, "Uaná, um curumim entre muitas lendas" [5], em que a serpente, também comedora de olhos, é descrita de um jeito bem contemporâneo, com citações divertidas como “Mas ninguém, até hoje, e isso é o mais espantoso de tudo, conseguiu colocar uma foto sua na internet. Apesar do tamanho gigante, a serpente é tão discreta, que só conseguem vê-la aqueles que ela mesmo captura”. Também José Simões Lopes Neto, em obra supramencionada, refere-se ao ser no gênero feminino, valendo citar o trecho: “Foi assim e foi por isso que os homens, quando pela primeira vez viram a boiguaçu tão demudada, não a conheceram mais. Não conheceram e julgando que era outra, muito outra, chamam-na desde então, de boitatá, cobra do fogo, boitatá, a boitatá!”.