Querida gente,
é com sentimento de gratidão e alegria que acolho cada pessoa que publica o seu seguimento expresso no nosso blog.
Já houve quem me dissesse que gostaria de incluir-se e ainda não sabe como. É assim, depois a gente descobre. Foi sem querer que me inclui e agora não sei como me eliminar. Um dia descubro.
Saiba cada um que está no meu coração.
Marlusse
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
CINCO MINUT0S COM MARIA
A Virgem do Sim.
" Nossa Senhora é citada dezenove vezes no Novo Testamento, entre elas: «A virgem engravidará e dará à luz um filho ... Mas José não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus.» (Mateus 1:23-25), "Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus. ... será chamado Filho do Altíssimo." Maria pergunta ao anjo Gabriel: "Como acontecerá isso, se sou virgem [literalmente: se não conheço homem]?" O anjo respondeu: «O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que nascer será chamado santo, Filho de Deus.» (Lucas 1:26-35)."
No dia 03 de agosto deste ano, o Programa
CINCO MINUTOS COM MARIA
contará 17 anos. Tem produção e apresentação minhas.
P O D E O U V I R.
15 horas - Rádio América 690 AM
15 h
segunda-feira a sábado
Rádio América é um dos instrumentos de evangelização da
Arquidiocese de Vitória - ES
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
A ESCRAVA QUE NÃO SORRIA
Vó Zica costumava sentar-se à beira do fogão de barro de sua casa, para “quentar fogo”, como ela dizia. Será que vó Zica “quentava o fog o” ou era o calor do fogo que a “quentava”?
Alegre, depois de saborear com boa disposição o prato de comida que a filha lhe preparava, estava sempre disposta a repetir velhas histórias. Principalmente, do tempo da escravidão. Entre tantas que ouvi, guardei bem a da preta Zuma.
Era uma negra muito bem traçada, rosto de Sinhá em cara de escrava. Um nariz afiladíssimo... E como tinha graça no andar! Tudo que botava em cima, nela resplandecia. Muito asseada, cheirava que nem flor.
Zuma acordava sempre antes do sol, vestia-se como princesa nos seus andrajos de mucama, dirigia-se à cozinha. Não se passava muito tempo e o cheiro do café e do pão fresquinho se espalhava pelo casarão. Tinha uma mão de fada.
Era também a preferida de Sinhá, que a solicitava para todo serviço. Nunca se viu Zuma resmungar, nem muito menos sorrir.
Foi exatamente Sinhá quem resolveu a perguntar-lhe um dia:
- Zuma, vejo-a sempre ocupada nos diversos afazeres. Tudo seu é muito bem feito! Mas por que nunca sorri?
Com um olhar amigo e doce, envolveu a Senhora, mas não lhe deu resposta. Havia tanta grandeza naquela atitude, que nem mesmo o fato de se tratar de uma escrava diante de sua Senhora, fez com que Sinhá se ofendesse. Respeitou aquele silêncio, como quem compreendera que eram muitas e sólidas as razões.
Zulu, filho do escravo Dundi, enamorou-se de Zuma com quem pretendeu casar-se. Era um negro alto, corpo de atleta. Bem olhado por todas as negras casamenteiras da senzala.
Havia outros pretos que muito gostariam de casar com ela. Zulu, no entanto, se destacava, porque tinha grandeza de alma e era muito respeitoso. Se a moça reunia todas as qualidades para ser uma boa mulher, não faltavam ao rapaz, as de um bom marido.
Ao se aproximar, assim que pode, da escolhida e pedir-lhe a mão em casamento, ouviu como resposta:
- Não. Não quero me casar. Não quero ser mãe de outros escravos que devam viver a vida como nós. Aprendi no catecismo que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança e que todos somos seus filhos. Ou surge o dia da liberdade e todos seremos mesmo iguais, ou, pelo menos, eu não gerarei escravos.
Os dias passaram-se. Certa manhã, não se espalhou pela casa, o cheiro do café e do pão fresquinho de Zuma que também não era vista em qualquer outro lugar.
Procurada na velha cama, num canto da senzala, a escrava ardia em febre, pronunciando palavras que ninguém pôde entender.
Avisada, Sinhá mandou que lhe chamassem um médico. Antes que ele chegasse, a alma de Zuma voou para Deus no céu. Exalava o último suspiro, enquanto um negrinho que surgiu correndo, anunciava a boa notícia: Somos livres, somos livres, acabou a escravidão!!!
Zuma não viu despontar a aurora da liberdade física na terra, mas viu-a em grandeza sem fim, nascendo para a vida eterna ao chegar ao céu.
Marlusse Pestana Daher
em homenagem aos que continuam na luta...
sábado, 8 de janeiro de 2011
EU CONTO DE PALMARES
Zumbi dos Palmares Zumbi e seus amigos iam em direção à terra prometida de Palmares. No meio da floresta, os passos eram tudo quanto se ouvia. Ora apressados, ora cautelosos, para ver se algum perigo os rondava. Só as palavras absolutamente necessárias eram trocadas. O silêncio no entanto, era verdadeira comunicação. De repente, ouvem-se passos pisando folhas de quem corre velozmente. Todos se põem a esperar, dispostos a se defenderem, "num um por todos e todos por um". Quando o suposto inimigo surge um suspiro de alívio brota de cada peito. Não era inimigo, era um irmão de raça que como heroi, se coloca a frente de Zumbi. Olham-se imensamente. As palavras são dispensadas, quando as esperanças de liberdade e o desejo de lutar por ela unem ideais e corações. Zumbi ergue o bordão e com um aceno de cabeça o integra ao grupo. Um sorriso de felicidade brota nos lábios imensos de Zoloá. O grupo retoma a caminhada. Com ele, atrás de todos, mas muito unido a todos, vai o seu novo membro. Dias depois da caminhada, surge Palmares e um imenso grito nasce no coração dos negros que correm ainda mais, para mais cedo alcançá-la. Começa a construção das novas senzalas, sem casas de senhores por perto. Com a cooperação de todos, em pouco tempo, todos estão acomodados. Tem início uma vida de certa forma nova. Há festa e alegria. Vez por outra, os corações batem mais forte no peito. É quando qualquer ruído diferente faz temer a chegada de brancos. Zoloá é sempre altivo. Bom guerreiro, bom dançarino, bom caçador, bom camarada. Mas como todos os seus irmãos, tem a alma marcada pela opressão que se abateu sobre seu povo. Seu pai contou-lhe as histórias do avô que ele um dia contaria aos próprios filhos. Tudo lhe doía muito, mas ao mesmo tempo, dava forças para lutar. Lutar pela sua gente e pela liberdade. Certa tarde, como outras tantas vezes, após a busca de alimento, quando seu cesto sempre vinha cheio das mais diversas especialidades que por ali havia e que era para toda a comunidade, porque nunca se esquecia de "que a terra é dom de Deus e os frutos que ela produz são de todos". Foi ao montinho onde sempre subia e ficava cismando... Ali, o pensamento de Zoloá atravessava o oceano, chegava às plagas da África para vir voltando na viagem dos seus irmãos escravizados lá. Acompanhando os gemidos, as agonias, as dores, a morte, até o desembarque nas terras do Brasil. Por isto, foi o primeiro a ver que brancos se aproximavam, vinham armados, eram certo número, menos porém que os guerreiros em Palmares. Correu para avisá-los. Foi fácil pegarem as armas que estavam sempre de prontidão. Como conheciam todos os caminhos, entraram floresta adentro, cercando os opressores que em pouco tempo tombavam, sem atingir sequer um negro. Ao final, a mesma comunicação de olhares, a volta às senzalas, sem comemorações. Zoloá retorna ao montinho de seus pensamentos, ergue os braços ao céu e agradece a Deus. Não foi ainda daquela vez que Palmares desapareceria. |
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
...MENOS A DE TE SERVIR
Durante o Mestrado, vivenciei que é de certa forma proibido citar passagens bíblicas em respaldo do que se escreve como forma de satisfazer os requisitos inerentes à sua consluão.
Foi assim que me deparei com uma situação outras vezes vivenciada, na oportunidade em que houve quem dissesse que tudo que escrevo, mesmo que não sejam os meus programas de rádio, assume uma conotação religiosa. Acrescentou-se que eu deveria evitar isso.
Até cogitei no sentido de verificar se algo podia ser feito. Depois de longamente considerar, confesso que a conclusão a qual cheguei, é: nada!
É que não consigo pensar, como é que alguma coisa neste mundão - que é grande mesmo - possa ser feita, sem que Deus esteja incluído. Aliás, e não é que nós O incluamos, é Ele que já faz parte de tudo.
E também, nem sou eu quem o diz. Consta por exemplo, do salmo 138, que lhe sugiro ler depois na íntegra. Aqui vai a transcrição de apenas alguns versículos:
Tu me cercaste... para onde me irei do teu espírito ou como me ocultarei da tua face...
Se subo ao céu, se me prostro no abismo te encontro lá...
Os teus olhos viram meu corpo ainda disforme...
Sonda-me ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos...
Se acreditamos assim, se estas são as nossas verdades, então como nos comportarmos diferente, como fazer alguma coisa sem pensar que Deus nos vê? E tem mais, “se sequer o nome de Jesus podemos pronunciar sem a ajuda do Espírito Santo”! (Paulo).
Como prescindir da presença de Deus ou do que lhe diz respeito, como fazer exceção?
Isto posto, decidi que com humildade e sem arrogância, por não vislumbrar como acatar as sugestões que me foram dadas no sentido, deixo-as onde estiverem.
E acho que bem finalizo com Tagore: “Abandonarei todas as honras, ó Senhor, menos a de Te servir!
Mas juro que não sou santa!
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
JUQUITA E INÁ
Iná pousara o crochê nos joelhos e deitou o olhar através da janela a contemplar no fundo do vale, a cachoeira que rumorejava e deslizava incansavelmente por anos sem fim . Mais além, balouçavam os galhos das roseiras, cobertas de flores que se desgarravam ao vento e deixavam o chão como um tapete imenso, todo matizado... Ao longe, pastavam alguns bois e por já ser tarde, os passarinhos antes de se recolherem aos ninhos, trinavam melodiosos cantos que espargiam na amplidão.
Era uma tarde assim, aquela em que Iná viu Juquita pela primeira vez, ele tinha 20 anos, ela 16. E o amor nasceu. A princípio, consistia na passagem cotidiana dele, frente a sua porta, ela naturalmente, lá estava feliz, desde antes, como a Raposa do Pequeno Príncipe, porque ele ia passar. Sorriam um para o outro, olhavam-se, era tudo, eram felizes.
Numa tarde de domingo, à saída da igreja, se encontraram, quase não falaram, a presença recíproca bastava. O amor botão desabrochou, fez-se forte e quatro anos depois se concretizava num sim.
E como este sim os levou longe!
As finanças nunca eram bastante, veio o primeiro filho e foi uma alegria imensa. Apesar de pobres... bem, pobreza não impede o nascimento de frutos do amor. E apesar de tudo eram felizes; veio o segundo filho, o terceiro veio, outros também vieram. A vida interiorana produzia pouco e as dificuldades não eram compreensíveis, abatiam-se implacavelmente. Mas Juquita foi sempre um folgazão, alegre, brincalhão, sempre a gozar de tudo e de todos e tristeza com ele não tinha vez.
Os meninos cresciam, precisavam ir para a escola, começaram a frequentar a mais próxima. E todos os dias as mesmas coisas aconteciam. Carinhosamente preparados pela mãe, estavam sempre limpas suas roupinhas ainda que de gente pobre.
Iná via-os sair, continuava depois a cuidar dos menores que não estavam em idade escolar e naqueles tempos, não havia este luxo de jardim de infância.
Na volta da escola, o Maurílio sempre apanhava do seu predecessor na família, o Marcelo. Mas também, com vontade ou sem ela, chorava até chegar a casa, só para ver o outro levar uns petelecos do pai.
O tempo passou. Os meninos se tornaram homens, cada qual foi-se colocando, os mais velhos ajudando os mais novos, todos se formaram e os velhos pais que também não eram tão velhos, chegados ao ápice de sua missão, rendiam graças a Deus, pelos netos que vinham, pela família que se reunia e enchia a casa com os risos das crianças, as gargalhadas dos rapazes.
Mas a saúde do Juquita debilitou e foi descendo sempre mais. Inspirava cuidados, muitas proibições lhe foram feitas e exatamente das coisas que mais gostava, o cigarro, uma gostosa polenta prá comer prá valer...
Um dia, num gesto muito seu, sobe numa goiabeira, ao vê-lo, a boa Iná o repreende:
- Juquita, você não tem juízo não?
- É que eu fui tirar esta goiaba prá você.
E quem podia dizer mais alguma coisa?
Solicitados pelos filhos, cada qual em cidades distantes, vão os dois passar dias aqui, recepcionar netinhos ali, visitar F. que quebrou o braço... E foi exatamente numa dessas visitas, São Mateus, onde mora Maurílio, que depois de ter conversado com tanta gente, de ter sido visto na janela por outros tantos, ele a chama:
- Iná, vem cá.
Pressurosa, ela corre e o encontra com aquelas características que o médico prevenira antecipar-lhe o fim. Apela para a mãe da nora, pessoa que lhe estava mais perto, o médico é chamado, vem rapidamente, tudo se fez, mas aquele era o dia em que o Senhor o elegera.
Que pena! Ela fica em pranto, choram todos, os amigos a cercam. Será que é possível continuar vivendo, voltar àquela casa... como sobreviver se ele já não existe? Como ...?
Eram estas as lembranças que aquela tarde, já quase absorvida pela noite, lhe trazia. De fato, era duro demais!
Contudo, como ensinara o Pajé a Tibicuera, os pais não morrem nunca. Eles continuam a viver nos filhos... é quando a pequenina Danielle, netinha de três anos, achegando-se a ela, toma-lhe as mãos e convida:
- Vovó, vem jantar vem!
Ela se deixa conduzir, uma estrela despontara no céu e dava-lhe impressão de falar-lhe como se fosse ele: A frente, Iná, a vida continua, no dia do Senhor, nós ressuscitaremos.
No coração de Iná reacende-se a fé que sempre a sustentara nos dias difíceis de outrora, quando nem tudo eram flores. Na igrejinha pequenina da cidade, os sinos dobravam, do seu coração brotou a prece do Angelus e em tempo algum foi mais intenso o seu ardor ao repetir : “faça-se em mim segundo a vossa vontade”.
Um conto de 1976.
domingo, 2 de janeiro de 2011
FELIZ ANIVERSÁRIO, WANDA ALKCMIN!
Conversa com Ailse.
Com Maria do Carmo, parceira das "Ave Marias"!
Como nos outros, cena de almoço de fim de ano.
Cidade Sol de um céu sempre azul, 2 de janeiro de 2011.
Querida Wanda,
Pelo fato de hoje ser seu aniversário dou prosseguimento a estas mal traçadas linhas que iniciei a escrever-lhe no dia 11 de dezembro passado, quando ia dizendo:
Saiba que foi motivada pela sensibilidade que exala sua presença que lhe enviei o texto “Imaculada”. Sei que você ama a Mãe querida de todos e lhe tem a devoção merecida. Não me surpreendeu a recepção calorosa que deu, o fato de não ter poupado palavras ao manifestar o quanto lhe agradou, ao pedir para lhe mandar em arquivo que pudesse copiar, ao imprimir e mandar para Minas, para que fosse lido para sua mãe, ao levar e ler na ocorrência do círculo preparatório da Novena de Natal.
Você é assim, Wanda, toda receptividade e ternura, leveza, como leve é sua silhueta que permite imaginar que flutua, ao invés de simplesmente andar.
É certo que sua atitude me alegrou, me enlevou, me gratificou. Você não tem medo de perder o que doa
Quando provo um momento assim, sempre avalio que os outros teem a mesma sensibilidade tal qual ensina essa regra de ouro do cristianismo: faça com o outro o que queres que seja feito a ti. Pena que sempre por um motivo ou outro, sempre adiamos ser ternos.
Sendo dia do seu aniversário precisa ser tratada com especial carinho. Acho que é em sua homenagem, para comemorar seu aniversário, que as chuvas torrenciais que caem nesse tempo fazem trégua e dão lugar ao Sol esplendido que brilha intensamente sobre a Cidade Luz, nesta manhã.
Parabéns, querida amiga e colega de Academia. Chovam bênçãos de Deus sobre você e Nossa Senhora, Mãe, Protetora e Guia, caminhe ao seu lado, dê-lhe a mão, conduza-a onde quer que vá.
Feliz Ano Novo! Grande abraço!
Marlusse
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