sexta-feira, 7 de junho de 2013

CHEIRO DE MAR

Nazareth Aguiar Pessanha Tunholi,
escritora e poetisa; jornalista e promotoa de eventos.
Presidente do 11° encontro Internacional de
Escritoras - Brasilia - 2014 

Minha voz incansável não esgota

as exaltações que tenho para ti.

Oh! espressão máxima do belo,

Que em minha terra se esmera

Em exuberante e salgada dança.

Esparzindo cintilante fragrãncia

Que de tuas maleáveis axilas

Lanças à praia ao deitar tuas ondas
 
Que se enlaçam e se misturam

Agitando-se de gozo

Num clímax, sussurrante

De espumas derramadas

Quando seus odores extasiantes

Impregnam as areias,

Invadem a atmosfera reluzente

E todo o ambiente de Guriri.


                                                do livro Vôo da Águia poemas Imenso Azul

quinta-feira, 6 de junho de 2013

POEMAS DE JOSÉ HAROLDO

José Haroldo Evaristo Cavalcanti, poeta maranhense, uma pessoa vitoriosa cujas motivações para alcançar, sucesso,  segundo afirma, foi ter aprendido a ler fora da época. Aos 9 anos. Foi alvo de zombaria por colegas da escola.

 
AS INQUIETAÇÕES DA DOR
A dor invade o ser,
Ser, querer ser, não querer,
Inevitavelmente as dores incomodam
O ciúme
O individualismo
O egocentrismo
A solidão
São dores que não se sabem de onde vêm
E nem para onde nos levam
A insegurança e medo de resgatar o equilíbrio de viver
Impedem-nos de superar fraquezas por forças.
Dor! Dores! Quem nunca as teve?!
Agora resta ao ser, deliciar-se com o sabor da vida.
Sem receio
Sem medo
Sem destino
Sem dor.
 
A FLOR DE LARANJEIRA
A Flor da laranjeira por si mesma é soberana,
Por isso, se alimenta dia após dia, majestosamente,
Com a luz do sol e, ao anoitecer é beijada pela ternura da lua
Tem brilho próprio e reluz sua delicadeza
Aos olhos dos românticos e apaixonados
Pelo verde da vida e da natureza
 
REJEIÇÃO
Perdemo-nos então
À beira do encantamento
Da veracidade da vida
E dos fatos que nos unem:
O amor à vida e a rejeição à prepotência.
 

PARTES DE UM QUEBRA-CABEÇA

Heliana Mara Soares, 
do livro "Depois do silêncio.

Eu quero ouvir você falar do mundo, da vida,
alimentar-me do seu pensamento.
Sentar-me ao seu lado e me encher dos seus olhos,
me alegrar com seu sorriso.
... É que você é o complemento.

Eu quero ser sua alma para saber até onde estou.
Nós somos como quebra-cabeça de um brinquedo
que a vida ajuntou.
A vida o fez diferente, mas, como numa corrente,
os elos se encontram na volta que dá.

Como no quebra-cabeça deste brinquedo,
tudo é possível.
Partes desiguais se encaixaram.

Como um menino travesso, a vida continua a brincar.
Nós, desunidos, distantes, tentamos voltar:
tateando, procurando, quando juntos somos
a paz e a aflição.

Somos partes de um mesmo brinquedo:
de um quebra-cabeça.

Somos, de longe, tão diferentes.
Somos peças de um quebra-cabeça,
que nos separa a todo momento,
mas nos une num mesmo sentimento.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

MEIO AMBIENTE

UM DIA PARA O MEIO AMBIENTE

Faz-se sempre mais necessário repensar o meio ambiente. Um dia especial por isto lhe está consagrado! Trata-se do 5 de junho e se comemora com mais ou menos ênfase ou eventos em toda a terra.

O quanto o meio ambiente seja coisa nossa, certamente, ninguém mais pode pôr em dúvida. Reportando-nos a de onde vem, vamo-nos deparar com um Deus, aquele que é o Senhor, nosso Senhor, se ocupando com ele, criando-o com tal ternura, possível somente ao próprio Deus.

Assim é que, na abertura das Sagradas Escrituras, o primeiro dos seus livros, o Gênesis, registra: "Deus contemplou a sua obra e viu que tudo era bom. O Senhor Deus quando criou o homem, tinha plantado um jardim no Éden, ao lado do oriente e colocou o homem nele. O Senhor fez brotar da terra toda sorte de árvores de aspecto agradável e de frutos bons para comer, um rio saia do Éden para regar o jardim e dividia-se em seguida em quatro braços. O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim para o cultivar e guardar".

Tudo era bom, mas o homem caminhando no compasso do passo de um desenvolvimento a qualquer preço, onde ele mesmo pouco conta, porque o lucro passou a ser mais importante, foi devastando e cada vez mais comprometendo à própria qualidade de vida, via de conseqüência, sua saúde, outros bens próprios e igualmente valiosos.

Se por um lado, pode ser dito que em nenhum outro tempo, houve tanta riqueza e tanta fartura no mundo, por outro, é inegável que em nenhum outro tempo, houve tanta miséria, tanta degradação ambiental, tanta poluição e tanta desarmonia neste mesmo mundo, o meio em que o homem vive.

O resultado foi que a situação se tornou de tal forma gritante que finalmente começou-se a pensar numa saída que conciliasse desenvolvimento econômico e preservação ambiental incluindo o fim da pobreza na terra. "A humanidade de hoje tem a habilidade de desenvolver-se de uma forma sustentável, entretanto, é preciso garantir as necessidades do presente sem comprometer as habilidades das futuras gerações em satisfazer suas próprias necessidades" afirmaram os que escreveram a Agenda 21.

Em outras palavras, o que se pretende não é interromper o curso do desenvolvimento ou do progresso, mas sim, levá-lo a efeito de tal forma, que as futuras gerações possam caminhar sem artifícios, sem que estejam privadas de um ambiente capaz de assegurar-lhes uma vida conforme a sua natureza e respectivas necessidades. A este projeto se denominou desenvolvimento sustentável.

Em nosso país, adaptada aos ditames da atual Constituição, data de 1981, a Lei 6.938 que traça os rumos da Política Nacional do Meio Ambiente e que tem como "objetivo: a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana". Ela define o meio ambiente como "o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas". Como degradação da qualidade ambiental diz que é "a alteração adversa das características do meio ambiente" e como poluição, "a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que de forma direta ou indireta, prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; afetem desfavoravelmente a biota; afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos".
Poluidor é "a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental". Finalmente, são recursos ambientais: "a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo e os elementos da biosfera".

Neste meio, está o homem, agente reflexivo de suas ações. Ao mesmo tempo que age, sofre em bem ou em mal, os resultados do que faz.

Meio ambiente inclui a cidade com suas construções e sua memória.
Daí é que, quem de forma insensível causar desarmonia a ordem natural do ambiente é passível de ser repreendido. Não é que a legislação específica sobre cada um dos integrantes desse grande ecossistema, já não previsse, como é caso do código florestal, do de proteção a fauna e a flora, etc. Já eram previstas reprimendas equivalentes a toda conduta delitiva, mas foi com a festejada Lei 9605/98, a lei da natureza, que os crimes ambientais passaram a ter mais peso, até pela qualificação como crime e não mera contravenção, além da expressão do valor das multas que prevê. Sem se esquecer que estabeleceu como se reprime, quando a criminosa é uma pessoa jurídica.

E por falar em ecossistema, eu sempre penso que se as pessoas parassem e refletissem sobre o que é, não só cresceria seu respeito pelo meio ambiente como passaria a ter por ele mais que um simples olhar de contemplação sobre a beleza da qual é dotado. Haveria nada menos que reverenciá-lo. Certamente, o mínimo gesto que o pudesse afetar seria reprimido, ao menos muito pensado. É dolosa a ação que o agride.

São hediondos os crimes dolosos contra a vida. É hedionda a conduta de quem não se compraz com o meio ambiente.

Um ecossistema é aquele meio, o mar, o mangue, a floresta, onde os seres que o habitam se integram, se comunicam, repartem o que são com todos, repartem não apenas o que os circunda, mas a própria essência, o próprio ser; não vivem apenas por si, nem simplesmente deixam os outros viverem, mas asseguram reciprocamente vida em comum, vida em plenitude, vida em potencial. E não obstante as próprias diferenças, não importa que este seja lama, enquanto aquele é crustáceo ou molusco; um é água o outro é raiz. A força do ar e a luz do sol também vão-lhes ao encontro e quando são plenitude servem ao homem indistintamente, mesmo àquele que o molesta.

Se quando olhas um ventre te enches de ternura, porque ali um novo ser se faz, quando olhares o ambiente lembra-te que aquela vida vai depender dele para viver em condições saudáveis. Se não tens coragem de agredi-lo porque sabes que tua mão perturbaria a paz de quem nele se encontra, poderia afetar seu vir a ser, antecipar uma hora que não é aquela da maturidade da vida, do vir à luz, jamais também a uses de forma a agredir o meio ambiente, em outro aspecto, ele tem igual sensibilidade; tua vida depende dele, em proporção e intensidade muito maior do quanto com toda tua inteligência, por mais brilhante que seja, possas imaginar.

A QUESTÃO É A CASA

Sim, a casa! Aquele "eco" que vem do grego "oikos" componente da palavra ecologia, quer dizer casa. Você sabia?

A preocupação com a nossa casa fez surgir uma consciência mundial da necessidade de todos os povos contribuírem na redução da emissão na atmosfera, de gás carbônico considerado o principal causador do "efeito estufa", que ameaça o aquecimento do planeta em até três graus Celsius, em cem anos, derretendo geleiras, causando alterações climáticas, repercutindo em ainda pior qualidade de vida dos que no futuro viverão.

Buscando amenizar, realizou-se em Kyoto, no Japão, (1997), uma conferência, no curso da qual ficou definido que os países mais desenvolvidos, líderes, por ironia, na emissão desse gás, deveriam diligenciar para que entre 2008 e 2012 tal emissão esteja reduzida em uma média global de 5,2%. Feito o cálculo do investimento respectivo resultou que são necessários bilhões e mais bilhões de dólares.

Surgiu portanto um outro questionamento, quem vai pagar a conta? E este foi, sem resultado satisfatório e sem unanimidade na conclusão, objeto da Conferência de Haia, encerrada na sexta-feira da semana que passou. O certo é que tem que ser feito. O desenvolvimento que já não se concebe sem o qualificativo sustentável, impõe o encontro dos meios, é problema de inadiável solução. E para dar continuidade ao debate, a VIIª Conferência se realizará no Marrocos, já no próximo ano.

O Brasil foi representado por Fábio Feldman, secretário executivo do "Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas". Por Luciana (16) de Brasília e por Martim (15) de Pelotas. É consolante constatar que as questões ambientais estão em pauta e são capazes de reunir gente do mundo inteiro e de toda idade.

O meio ambiente fascina! Carecemos de vontade inquebrantável, que impeça o desrespeito a bem que depois de ferido, nunca mais será o mesmo, é o caso do "Penedo", na Baía de Vitória. E não foi por falta de fazer ver "que um filho teu não foge a luta", porque sabemos dos esforços ingentes envidados por Beatriz Abaurre e seus colegas do Conselho Estadual de Cultura, quando ela estava presidente, no sentido de impedir. Inclusive, por se tratar de bem tombado. Quem sabe a ameaça que representa para o ecossistema mar, em Aracruz, a implantação Thotam? Está na Justiça, esperamos que ela não seja tão cega!

Notícias recentes nos chegam de que se pretende melhor proteger o Parque Nacional do Caparaó, o que se traduz no aumento de sua área de entorno. Embora devidamente indenizada, significa destruição de lavouras de café. E ai coloco uma questão: tudo bem, proteger o meio ambiente é uma aspiração humana e justa, aquela beleza merece, mas não consigo entender, que a solução preservar, passe exatamente por arrancar o que com muito trabalho alguém plantou.


Há muito mais meio ambiente sendo degradado por aqui, esperando solução muito mais urgente do que o entorno de Caparaó e não se diga que faltam recursos, pois, pelo visto, quando a vontade é forte, o dinheiro sempre aparece. Logo, não é por falta de recurso que não se faz.

 


terça-feira, 4 de junho de 2013

DOIS POEMAS DE ZEZINHO


                               José - Zezinho - da Silva Casanova é poeta maranhense.   Há 270 dias, passou por uma grande dor, mas continua inteiro na sua poesia.
Dia 7 (junho) será lançada “AUTORES MARANHENSES”, antologia da qual faz parte. Foi apresentado pela amiga comum Rosenita Cantanhede.

 


POEMARANHA

 

Teço

De maneira vã

Minha teia de desejos

Na esperança de fisgar teus seios

A pulsar nos teus segredos.

 

Vejo

De maneira sã

Minha insana teoria do amar

Na incerteza que me tortura a alma

A desafinar tua canção.

 

Teço

De maneira fã

O emaranhado de contradições

Do tríplice aspecto da vida

Amar...viver... e ser (in)... feliz.

AUTOR: ZEZINHO CASANOVA

 

QUERENÇA

Busco em vão tua presença
na brisa leve em sutileza
caixa preta de minha querença
dos segredos de tua beleza
desejos esculpidos à nobre mão
meus desejos íntimos de saudade
ponto de contato da solidão
de evolução pra outra realidade
felicidade, livre, leva-me à mutação
onde pasmo, dominado e mudo
tento controlar a transformação
superar, cá dentro, o sentimento em estudo
tua tirania tende jogar ao mar
ausência causar, do direito de amar.



Sugiro que leiam após a leitura do segundo poema
 a primeira palavra de cada verso.

 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

E SERÁ QUE ESSA LEI PEGA

Marzia Figueira, (24/07/1937-16/12/2000) jornalista, escritora, membro da Academia Feminina Espirito-santense de Letras.

Deus é pai – além de Filho e Espírito Santo, amém. Mas não é que o congresso, até que enfim, faz algo de saudável dentro do caos que é a falida saúde brasileira?  Os homi aprovaram  a lei    contra o fumo! Tá proibido fumar em tudo quanto é recinto fechado. Breve, com a graça divina influindo e contribuindo mais uma vez, o cigarro vai ser vetado também em área aberta... Maravilha! O Brasil, devagar e sempre como sempre, ainda chaga a Primeiro Mundo, pode crer.

Vai ser proibido fumar em restaurantes, por exemplo. Um grande suspiro de alívio, além de uma profunda e revigorante inspiração de ar puro, saúda a medida. Sim, porque, finalmente, acaba a falta de educação geral e generalizada: enquanto os mais lentos ainda não terminaram sua refeição à mesa, os mais apressadinho qu, aliás comem cru, ou queimam a língua porque comem fervendo, sacam suas armas . Isqueiro e cigarro na mão, atacam sem dó nem pena – ou respeito.

Também vai ser proibido fumar em avião. Acaba a inútil escolha por poltronas para fumantes e não-fumante. Inútil porque não dá para separar a fumaça, nem prender a fumaça., nem cercar a fumaça, a fim de impedir que ela se evole e atinja as narinas mais sensíveis ao lado ou em frente.... Nos shoppings a farra dos fumantes também vai acabar – arrrááá! E nos ônibus municipais e interestaduais idem ibidem. O ilustre passageiro ao seu lado não corre mais o risco de morrer de bronquite. Salvo não pelo velho Rum Creosotado mas pela lei... Se é que essa lei pega no Brasil. No que pegar, todo mundo de mente e corpo sãos vai poder trafegar em paz e sossego, longe da prejudicial fumacinha e do odo  indefectível, seja de charuto, cachimbo, cigarrilha, cigarro, mata rato, o escambau.

Os fabricantes devem estar esperneando e tomando medida  gástricas, como diria a Magda de Marisa Orth, impagável no programa da TV, Sai de Baixo, e mexendo todos os pauzinho disponíveis para não permitir que essa lei vigore. Mas não vai adiantar. Porque mesmo que uma marca famosa de cigarro veicule por aí que fumar significa free, não existe ninguém mais escravo que um fumante em exercício de sua deprimente atividade. Como disse há muitos anos o garoto que venceu com sua frase o concurso lançado pela Liga contra a Tuberculoso sobre o fumo: “Não fume ao meu lado, morra sozinho”. Ou o outro, 4° lugar, que aniquilou com os fumantes, viciados, assumidos: “Adulto também chupa chupeta: o cigarro” ... Que vexame. Vade retro! Chupetas fora! Afinal, vocês são Homo sapiens ou Pés de coentro?!... Pois recolham-se a sua humilhante condição de tempero (argh!), encerrem-se em sua autoclausura e deem vazão a sua patética escravidão.

Enquanto isso, a gente canta a liberdade. Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós – o povo eleito e autossuficiente que não depende de um rolinho de papel recheado com veneno para ser feliz.

Marzia Figueira em Os Inocentes, p. 108

domingo, 2 de junho de 2013

MINHA GRÃ-MESTRA


 

Weber José Vargas Müller é membro                                                                    
das Academias Marataizense de Letras, Letras e Cultura e Guaçuí,                                   da CAPAZZ- Confraria de Artistas e Poetas pela PAZ,                   
 Membro da Academia de Letras de G.

Ser filho de professora é muito bom, principalmente no meu caso, em que fui aluno da minha mãe, por dois anos consecutivos e pude estudar com todos os professores e professoras que ela mesma escolhia e me matriculava na turma 
Weber Müller


em que percebia que eu me  adaptaria aos métodos e prática pedagógica dos mestres. Pois bem, assim o fez durante toda a minha vida acadêmica  no ensino fundamental, onde pude experimentar maravilhosos saberes e vivências pedagógicas de verdadeiros  educadores, que me  motivaram a alçar voos mais altos  e ilustraram as páginas da minha vida com magias, palavras, conhecimentos, afetos, dedicação e vocação pelo magistério.


Exatamente no ano de 1980, ainda aluno na Escola de 1º. Grau “Antonio Carneiro Ribeiro”- Colégio Estadual, deparei-me com inúmeros professores, dedicados, zelosos, porém fora amedrontado pelos alunos mais velhos e de séries mais adiantadas de que eu não gostaria de estudar com uma determinada professora porque ela era  brava demais, exigente, severa, rígida e eu iria passar muito aperto. O desafio estava lançado. Minha reação inicial fora a de pedir à minha mãe para me transferir de sala, querendo logo fugir dessa “cascavel”, procurando o caminho mais fácil, quer seja , o de livrar-me e estudar com um professor menos exigente. Minha mãe, com sua sabedoria magistral, tino de educadora  e astuta, foi logo dizendo-me que nem sempre o caminho mais fácil é o melhor. Advertiu-me e desafiou-me a enfrentar a professora, procurando me empenhar , estudar e mostrar a ela que quando nós queremos, nós podemos e conseguimos  vislumbrar sucesso, independente de quem seja o nosso mestre. Assim o fiz. Fiquei, a contragosto, naquela turma  e fui, pouco a pouco, me encantando e  fascinando pela tão temível professora de Língua Portuguesa.  Não perdia uma palavra, um gesto, um detalhe sequer de suas aulas. Tomava nota de tudo o que ela falava, registrava seus comentários, fazia todas as tarefas, copiava tudo o que ela escrevia e passava como exemplos no quadro-negro e fui, a cada dia, me aliando à mestra, desmistificando essa figura horrenda que havia sido formada em minha memória. Construí no meu coração uma nova imagem: o de uma mulher rígida, porém doce. Uma imagem de uma mulher brava e ao mesmo tempo carinhosa. A figura de uma professora  que destruía o aluno, foi posta por terra e ergui uma imagem de uma professora  construtora de castelos e admiradora de todos os talentos edificados por ela. Essa imagem foi me proporcionando o amor pelas letras e pela sua maestria  como educadora, terna e eterna em minha vida. Recordo-me de suas aulas de gramática, à luz dos ensinamentos de Domingos Paschoal Cegalla, onde viajava por horas em suas lições e socialização de conhecimentos  incorporados por sua vivência em sala de aula. Conclusão: aquela cascavel não era venenosa, nem tampouco ameaçadora. Era sim uma  ourives que lapidou pedras brutas e nos transformou em joias de pessoas, homens responsáveis, comprometidos e verdadeiros cidadãos. Seus saberes  iam além dos parâmetros curriculares exigidos. Ela não se prendia a métodos e paradigmas, ensinava-nos a ser estudantes, pois sempre dizia que essa era a nossa profissão e devíamos exercê-la com dedicação e compromisso. Jamais esquecerei de uma grande lição deixada por ela. Numa de suas aulas, de interpretação de texto, em que líamos silenciosamente o texto e depois era feita uma leitura por vozes alternadas. Durante a leitura silenciosa, deparei-me com uma palavra desconhecida e perguntei a ela o significado e a professora , sem titubear, respondeu-me. Prossegui a leitura e novamente outro vocábulo tornou-se pedra no meu caminho. Perguntei à professora o significado e percebi que aquilo começara a tirá-la do sério , mas mesmo assim respondeu-me, com exatidão. Ao dar sequência à leitura, mais uma vez me vi obstaculizado por uma palavra desconhecida , não me hesitei e fui logo perguntando:

- Professora, o que significa Grão-mestre? Ela  retirou os óculos, olhou-me com uma expressão severa , respondeu-me o significado . Aquele olhar  tinha a intencionalidade de fazer-me parar de perguntar e apenas fazer a leitura silenciosa. Mas eu não poderia continuar a ler, se eu não soubesse o significado de vocábulos, pois assim não conseguiria depreender do texto a mensagem desejada e, certamente, não haveria comunicação alguma.

Como aluno crítico e sempre questionador que fui, atrevi-me a perguntar à professora o feminino de grão-mestre, porque fiquei pensando:  a professora não pode ser grão-mestre....O que ela será?

Não imaginem vocês a reação da professora.... Respondeu-me: Grã-mestra!!!!   E disse-me mais: de hoje em diante, nunca mais pergunte a professor algum o significado de uma palavra. Todas as vezes que você se deparar com algum verbete que desconheça, consulte o dicionário. Se não encontrar o que deseja, consulte alguém mais experiente, mais sábio.

A resposta veio-me à ponta da língua imediatamente:

- É o que tenho feito, Grã-Mestra, desde o início da aula!!!!!



Essa Grã-Mestra, é minha querida, amada, entusiasta e incentivadora Comendadora Ivanete da Silva Glória Dalmácio, ou, essencialmente,   IVANETE GLÓRIA!
Esta crônica, valeu ao autor o titulo de Melhor Cronista, pela Academia de Goiás, com a outorga da Comenda Palma Dourada.