terça-feira, 8 de janeiro de 2013

PÁTRIA MADRASTA VIL


Tema: 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'
Por Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ


'PÁTRIA MADRASTA VIL'

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência... Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos.
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?
 
 
Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'

A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da UNESCO.
Favor, divulguem, aos poucos iremos acordar este "Brasil".
 
 
 


 
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

FESTA DE LUZ, É VERÃO

Dirigindo meu carro, saio da garagem e confirmo que temos um domingo cheio de sol, uma festa de luz e opto pelo caminho da praia, para chegar à Igreja onde pretendi assistir a missa das 11 h. Hoje é domingo!  Quando atravessei a ponte de Camburi, dei-me conta de que a partir da primeira entrada no bairro vizinho, a avenida está interditada, só passam banhistas.

Sem opção, prossegui. Mesmo porque me dispusera a ver pessoas, o colorido dos biquínis, das sungas, das saídas-de-praia, enfim, de tudo de que pouco se veste quem vai ao mar ou apenas à praia. 

Tive que adiar a Missa, atrasei-me, tendo que ir bem mais longe para fazer o retorno.

A rua interditada virou passarela, onde uns praticam corrida ou simplesmente caminham, outros vão de esqueite, ou dão voltas num improvisado quadriciclo, tocado a quatro pernas. Alguém encontrou uma forma de aumentar o orçamento. De forma bem artesanal, construiu vários, que ficam à disposição de quem os quiser alugar. Não falta quem queira.

Uma multidão está lá se deliciando com a brisa que mesmo o sol forte não impede de soprar, se o ambiente é praia. Centenas de sombrinhas compõem uma visão característica desse tempo. Famílias inteiras, jovens, adultos e crianças, dividem o mesmo ambiente, não é preciso ingresso para entrar, ninguém precisa pedir licença para estar. Na chegada, com esteira num braço, cadeira no outro, alguns levam isopor com comida e bebida, afinal de contas, toda praia que se presa tem que ter seus “farofeiros”. Um olhar geral e encontrado mesmo que pequeno espaço na areia, ali a barraca é armada e cada um por sua vez se aboleta confortavelmente, todos de frente para o mar. Em verdade, “melhor que isso só dois issos”.

Verão é para isso mesmo, para que as pessoas tenham oportunidade de tirar férias, viajar, quem puder, estar mais tempo com a família. No nosso país de praias maravilhosas, dificilmente há quem dispense procurá-las e desfrutar da melhor forma possível os agradáveis momentos que se pode proporcionar. Quem mora em Vitória, pois, tem acrescida a agradável sensação de estar na “cidade sol de um céu sempre azul”.
Observe-se: na praia, todos têm o mesmo objetivo, todos se vestem quase iguais, se acomodam de forma mais que semelhante, olhar para frente, vista do mar, delicia de contemplação com as ondas que vêm e que vão. Mesmo que não falem todos com todos, todos estão irmanados e respeitam as individualidades.

Bem que se pode repetir tal convivência onde não é mar.

Lá pelas 14 a dispersão começa progressivamente com volta à casa. Mas a praia e o mar não ficarão jamais sem presença humana, começa a chegar o pessoal da caminhada, mães, pais ou babás que empurram carrinhos com bebês para o passeio do entardecer, alguns jogam vôlei ou o que gostam.

No horizonte o sol se põe, o céu assume um tom áureo infinito, a cada olhar com intervalo breve, uma nova visão se oferece, até que o astro rei se esconde por inteiro, a noite vai chegando, enquanto ainda há gente que caminha.


domingo, 6 de janeiro de 2013

NA FEIRA DE JARDIM DA PENHA

Manhã de sábado, cumpro propósito de ir à feira de Jardim da Penha. Não propriamente para fazer compras, mas para estar no meio de uma pequena multidão, sentir contatos, ouvir vozes misturadas, experimentar o sabor de ser gente.

O sol está quente e o calor é sufocante. Algumas pessoas estão ali, pelas mãos vazias denotam que como eu, não foram para comprar nada, aliás, Verinha, minha irmã que se foi há quase quatro anos, (que saudade...) um dia me disse que um nosso conhecido vai à feira todo sábado para comer pastel e beber caldo de cana. Não deixa de ser um bom programa ao qual eu também acabo por aderir, notando que o caldo não está tão doce, como em frequentadíssimas lanchonetes ao longo da BR 101, que estão usando cana para fabricação de álcool, desagradavelmente doce demais, ao menos para gosto como o meu.

Começo meu passeio, as bancas exibem quase a mesma coisa, banana, laranja, batata, maçã, uva e outras frutas, verduras, legumes, peixe, galinha. Muitos conversam descontraídos nesse ponto de encontro semanal. Pelo tom de voz falam de amenidades, ou indiferentes a que sejam ouvidos. Não são segredos. Poucas crianças em carrinhos protegidas o mais possível dos raios do sol.

 Vendem-se toalhas de prato bordadas, pintadas, bancos, pequenas mesas e colher de pau, flores já preparadas em belos arranjos, da simples margarida à orquídea. Todos os gostos podem ser satisfeitos e vi várias pessoas que caminhavam levando flores nos braços, animei-me a fazer o mesmo, mas deixei para o final.

Alguns adolescentes com carrinhos que só Deus sabe o que carregaram antes, digo-o por achá-los sujos, acompanham pessoas que não querem carregar peso enquanto compram. Faz sentido.

A feira tem de tudo. As chamadas madames, no entanto, não são vistas por lá. Feira popular é sinônimo de simplicidade, traje despojado, chinelo de borracha. Tem que saber a povão, ou à feira não se vai.

Olho para lá e para cá, nenhum rosto conhecido. Prossigo, finalmente vejo uma amiga de infância e me dirijo a ela, depois da saudação inicial, um papo inevitável, quando a família é o tema.  De repente, somos abordadas por uma pedinte, cuja expressão revelava juventude, asseada, vestida direitinho. Pede esmola, claro que não dei e observei que tem condições de trabalhar. Foi o bastante para que me dirigisse tudo de chingamento que sabe e se vai, não antes sem voltar, para dizer mais imoralidades das quais se lembrou.

Curioso, muitas faces, em nenhuma delas vi sorrisos. As pessoas estão sérias demais. Por que será? Caminham firmes sérias; desviam-se de alguém ou de algum pedinte que sentou no chão, sérias. Sérias, pedem ao vendedor o que desejam, pagam e se vão. Mas também não é que mostrem tristeza, pelo que penso: não é que não tenham problemas ou não sintam saudades... problemas, pranto e dor é privilégio de todos... 

Um sorriso ilumina o rosto como reflexo da alma em paz, lamentavelmente, não temos a cultura de sorrir, além de estarmos carentes de paz.

Fui até o fim da feira, voltei até ao começo dela. Comprei alguma coisa ah... comprei flores! Entro no carro que está – como se diz – fervendo e tomo o caminho de casa. Estou acompanhada daquele colorido que reveste as bancas, da mulher que insulta quem não lhe dá esmola, intrigada e querendo descobrir, entre mais, como fazer as pessoas sorrirem.

 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

QUAL A SAÍDA?

SOBRE MULTAS E PUNIÇÕES ALEATÓRIAS - QUAL A SAÍDA?


O Congresso Nacional acaba de aprovar o endurecimento da “Lei Seca”. O valor da multa, tomara que iniba, repercutirá sensivelmente no bolso de quem dirigir após beber, se... for pego.

É consolador ver aqueles aos quais compete adotar providências no sentido de minimizar os ais que resultam de acidentes. Não menos é desolador constatar que não se importam com o comprometimento de tanta gente que respeita a lei e se vê punida por ela, porque aferem com o mesmo peso todas as condutas, consideram todos “farinha do mesmo saco”. Refiro-me à multiplicação de radares. Minha experiência é na BR 101 N, onde não se justifica a redução da velocidade de 80 km para até 50 km. Há radares que se denunciam de longe, mas há os denominados “fixos discretos”, inconcebíveis, até pela precariedade.

O indeferimento sistemático desestimula proceder aos recursos. Será que chegam a ser apreciados ou é tudo automático feito para negar? Acrescente-se, a falta do carimbo de postagem no envelope deixa o notificado a mercê do que está escrito. Neste caso, ou o DNIT ou o Correio, ambos Estado, supera o multado em delinquência, pois, nega o direito de saber quando os atos se efetivaram; nega a ampla defesa que a Constituição Federal assegura; contribui para o descrédito nas Instituições. Pune, quem sabe, pela incapacidade de ser efetivo. O correio não pode atrasar em até trinta dias entrega de uma notificação.

No entanto, quem é que está considerando que no percurso pela mesma estrada, se gasta muito, muito mais que o tempo necessário para se chegar aonde se vai?  Quem é que ainda não sabe da submissão cotidiana a longas filas, com paradas sucessivas, velocidade que não ultrapassa 10 ou 20 km a que está sujeito o viajante?  Ou ainda, permanecer atrás de um caminhão, de uma máquina qualquer, por não poder ultrapassar, ou porque a fila desaconselha, ou diversos outros motivos que a prudência recomenda esperar.

Isto é ignorado, mas as multas, “que ninguém sabe onde vão parar”, são cobradas implacavelmente, os pontos se somam na carteira. Quanto à dor de cabeça já que a cabeça é sua, se vire você. Quem mandou ter cabeça (?).

Não é justo!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

QUANTO NOS CUSTA UM EX-PRESIDENTE


DECRETO Nº 6.381, DE 27 DE FEVEREIRO DE 2008.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei no 7.474, de 8 de maio de 1986,

DECRETA:

Art. 1º Findo o mandato do Presidente da República, quem o houver exercido, em caráter permanente, terá direito:

I — aos serviços de quatro servidores para atividades de segurança e apoio pessoal;

II — a dois veículos oficiais, com os respectivos motoristas;

III — ao assessoramento de dois servidores ocupantes de cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS nível 5.

Art. 2º Os servidores e motoristas a que se refere o art. 1º serão de livre escolha do

Ex -Presidente da República e nomeados para cargo em comissão destinado ao apoio a ex- presidentes da República, integrante do quadro dos cargos em comissão e das funções gratificadas da Casa Civil da Presidência da República.

Art. 3º Para atendimento do disposto no art. 1º, a Secretaria de Administração da Casa Civil da Presidência da República poderá dispor, para cada ex -presidente, de até oito cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores — DAS, sendo dois DAS 102.5, dois DAS 102.4, dois DAS 102.2 e dois DAS 102.1.

Art. 4º Os servidores em atividade de segurança e os motoristas de que trata o art. 1o receberão treinamento para se capacitar, respectivamente, para o exercício da função de segurança pessoal e de condutor de veículo de segurança, pelo Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

Art. 5º Os servidores em atividade de segurança e os motoristas aprovados no treinamento de capacitação na forma do art. 4º, enquanto estiverem em exercício nos respectivos cargos em comissão da Casa Civil, ficarão vinculados tecnicamente ao Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional, sendo considerados, para os fins do art. 6º, inciso V, segunda parte, da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003, agentes daquele Departamento.

Art. 6º Aos servidores de que trata o art. 5º poderá ser disponibilizado, por solicitação do ex - residente ou seu representante, porte de arma institucional do Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional, desde que cumpridos os seguintes requisitos, além daqueles previstos na Lei no 10.826, de 2003, em seu regulamento e em portaria do Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional:

I — avaliação que ateste a capacidade técnica e aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo, a ser realizada pelo Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional;

II — observância dos procedimentos relativos às condições para a utilização da arma institucional, estabelecidos em ato normativo interno do Gabinete de Segurança Institucional;

III — que se tratem de pessoas originárias das situações previstas no art. 6º, incisos I, II e V, da Lei no 10.826, de 2003.

Parágrafo único. O porte de arma institucional de que trata o caput terá prazo de validade determinado e, para sua renovação, deverá ser realizada novamente a avaliação de que trata o inciso I do caput, nos termos de portaria do Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

Art. 7º Durante os períodos de treinamento e avaliação de que tratam os arts. 4º e 6º, o servidor em atividade de segurança e motorista de ex-residente poderá ser substituído temporariamente, mediante solicitação do ex-residente ou seu representante, por agente de segurança do Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional.

Art. 8º O planejamento, a coordenação, o controle e o zelo pela segurança patrimonial e pessoal de ex-residente caberá aos servidores de que trata o art. 1º, conforme estrutura e organização própria estabelecida.

Art. 9º A execução dos atos administrativos internos relacionados com a gestão dos servidores de que trata o art. 1º e a disponibilidade de dois veículos para o ex-residente serão praticadas pela Casa Civil, que arcará com as despesas decorrentes.

Art. 10. Os candidatos à Presidência da República terão direito a segurança pessoal, exercida por agentes da Polícia Federal, a partir da homologação da respectiva candidatura em convenção partidária.

Art. 11. O Ministro de Estado da Justiça, no que diz respeito ao art. 10, o Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, no que concerne aos arts. 4º, 5º, 6º e 7º, e o Secretário de Administração da Casa Civil, quanto ao disposto nos arts. 2º e 9º, baixarão as instruções e os atos necessários à execução do disposto neste Decreto.

Art. 12. Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação.

Art. 13. Revoga-se o Decreto no 1.347, de 28 de dezembro de 1994.

Brasília, 27 de fevereiro de 2008; 187º da Independência e 120º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Tarso Genro

Jorge Armando Felix

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Juscelino Kubitschek ao terminar o governo, em 1960, para sobreviver, procurou emprego em um banco.

O automóvel com o qual e no qual morreu em um acidente (?!) na via Dutra, em 1976, era um velho chevrolet 1970- com seu motorista de sempre e velho amigo, Geraldo Ribeiro.

JK. Criança, em Diamantina, órfão de pai, aos seis anos caminhava oito quilômetros, descalço, em terreno pedregoso, para chegar à escola. Seu primeiro par de sapatos conquistou aos 10 anos de idade. Nunca teve aposentadoria de terrorista.

 

 

 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O PAVÃO

2013: Centenário de RUBEM BRAGA
 
O Pavão
Rubem Braga

Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores;
é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão.
Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma.
O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos.
De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita
e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar.
Ele me cobre de glórias e me faz magnífico
Rio, novembro, 1958


Simples e ternas. Assim são as lindas crônicas de Rubem Braga.

Texto extraído do livro "Ai de ti, Copacabana", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 149. Agradeço ao Antônio pela lembrança.
 
 
Obrigada Eliane Auer que me mandou esta crônica ao apagar das luzes em 2012.
Desejo-lhe igualmente o que há de melhor.
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ENCERRAMOS 2012 COM 13.000 ACESSOS A ESTE BLOG

2013

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

PERCEBE


Percebe que debaixo de uma máscara de segurança,           esconde-se sempre uma necessidade de acolhimento.

Percebe que sob uma couraça de autossuficiência,                         e esconde sempre um clamor por ajuda.

Percebe que na aparência externa de insatisfação,                        tudo passa pela procura de algo mais.

Percebe que atrás de certas portas fechadas,                           existe um desejo imenso de encontro.

Percebe que algumas formas de litigância e cinismo                       manifestam vontade inconfessada por um abraço.

(Autor desconhecido).