A Festa de todos os santos
é incluída no ciclo anual do ano litúrgico. Neste dia, a Igreja celebra a
memória dos mártires e de outros santos. “Proclama o mistério pascal” em todas
aquelas pessoas que sofreram com Cristo e com Ele estão glorificados.
Ao apresentar o exemplo
dos santos, a Igreja espera atrair todos, por Cristo, ao Pai.
Ler a vida dos santos é de
grande valia para nossa vida. Tomamos conhecimento da caminhada deles por esta terra,
das dificuldades que encontraram e como foi que superaram tantos obstáculos no
amor de Jesus Cristo e pelo amor Dele.
É bom dizer que a
santidade não é privilegio de uns poucos. Todos fomos chamados à santidade, é
nossa primeira vocação. Para chegar à santidade somos convidados a trilhar um
caminho de uma vocação particular, ao casamento ou à vida consagrada em uma das
suas diferentes expressões. Desde em relação ao Papa como ao mais simples dos
fiéis, (a maioria) a santidade é única.
O dia de hoje favorece nossa
reflexão sobre a santidade. Devemos ser santos, não só como Me. Teresa de
Calcutá que viveu e amou tanto os pobres, os mais pobres. Nem mesmo só como
Nossa Senhora, a mais perfeita das criaturas, mas santos como é santo o Pai que está no céu. (Mt. 5,48).
Nem se pense que o caminho
que leva à santidade seja fácil, mas os que “começam a subir jamais cessam de
progredir, de começo em começo, por começos que não têm fim. É um caminho de
luz e a caminhada se dá na mais absoluta paz, seja o que for que aconteça em torno deste vocacionado. O entendimento dos
valores superiores se dá, na forma preconizada pelo Apóstolo Paulo: nenhum olho
viu, nenhum ouvido ouviu o que Deus tem reservado para aqueles que o amam. (1
Cor. 2,9).
Mateus 5,1-12: As bem-aventuranças como caminho de
santidade - Ildo Bohn Gass
"Felizes
os que são pobres no espírito, porque deles é o reino dos céus"
(Mateus
5,3).
Todas as
pessoas são chamadas à santidade, a fim de serem bem-aventuradas. "Sede
santos, porque eu, Javé vosso Deus, sou santo" (Levítico 19,2). A
comunidade de Mateus faria uma releitura desse chamado da seguinte forma:
"Sede perfeitos, como o Pai celeste é perfeito" (Mateus 5,48).
Coerente com sua experiência com o Deus da misericórdia, a comunidade de Lucas
formula assim o mesmo convite: "Sede misericordiosos como vosso Pai é
misericordioso" (Lucas 6,36).
Dia 02 de
novembro é um dia especial em que milhões de pessoas refletem sobre todas as
pessoas bem-aventuradas e que já se encontram na glória do Pai. Para nós, que
ainda peregrinamos neste mundo na promoção de vida digna, Jesus nos propõe um
caminho de santidade e que já começa nesta vida. Conforme a comunidade de Mateus,
as oito bem-aventuranças são esse caminho.
Quando
Mateus apresenta Jesus fazendo cinco grandes discursos (Mateus 5-7; 10;
13,1-52; 18; 24-25), sua intenção é apresentá-lo como o novo Moisés, a quem
eram atribuídos os cinco livros da Lei, o Pentateuco. A Lei era considerada a
expressão da vontade de Deus. No tempo de Jesus, muitos fariseus estavam
preocupados em viver a Lei em todos os seus pormenores. Jesus, porém, vive e
anuncia essa vontade de Deus indo além da letra da Lei. Diz que, mais que a
letra, é o espírito da Lei que interessa. Disse ainda que o espírito da Lei
consiste na vivência do amor a Deus e ao próximo como a si mesmo (Mateus
22,34-40). Assim, o amor passa a ser a orientação fundamental para o nosso agir
(cf. Mateus 12,1-8; 23). Mateus chama essa vontade de Deus de justiça do Reino
(cf. Mateus 6,33). Se Moisés era o antigo mestre da Lei, Jesus é o novo mestre
da justiça a nos ensinar o caminho de Deus, o caminho da santidade no amor.
O primeiro
grande ensinamento do mestre da justiça, o Sermão da Montanha (Mateus 5-7), é
um conjunto de orientações para a boa convivência na comunidade. Tal como
Moisés escrevera as palavras da Lei estando sobre um monte, Jesus dá as novas
orientações também numa montanha (Êxodo 34,28; Mateus 5,1).
As bem-aventuranças
(Mateus 5,1-12) são a porta de entrada ao Sermão da Montanha (Mateus 5-7). São
um programa de vida para trazer felicidade plena a quem adere à Boa-Nova de
Jesus.
A justiça do
Reino dos Céus (= de Deus), isto é, a vontade de Deus, é o carro-chefe das
bem-aventuranças. O Reino é o projeto na primeira e na oitava bem-aventurança.
E, no centro, estão a busca da justiça (do projeto do Reino) e a busca da
misericórdia (ter o coração voltado para quem está na miséria). Uma vez
realizada a justiça de Deus, os empobrecidos deixarão de ser oprimidos, pois
haverá partilha e solidariedade. Por isso, Jesus os declara felizes.
A primeira
bem-aventurança é a mais importante. As demais são desdobramentos desta. Os
pobres são aqueles que choram, são os mansos ou humildes (no Salmo 37,11,
texto-base para esta bem-aventurança, são chamados de anawim, isto é, de
pobres), os que têm fome, os misericordiosos, os puros de coração, os que
promovem a paz e as pessoas perseguidas por causa da justiça. E as dádivas para
os empobrecidos são: o Reino de Deus, o conforto, a terra partilhada, a
fartura, a misericórdia, a contemplação de Deus e a filiação divina (agir à
imagem e semelhança de Deus ou ter as mesmas atitudes de Deus).
Porém, ser
pobre não é suficiente. Está claro que os empobrecidos são os preferidos de
Deus, justamente porque ele não pode ver nenhum de seus filhos e nenhuma de
suas filhas passando por necessidades. Ainda mais, quando a pobreza é fruto da
injustiça humana. É interessante notar que esta mesma bem-aventurança, no
Evangelho segundo Lucas, reza assim: "Felizes vós, os pobres, porque vosso
é o Reino de Deus" (Lucas 6,20).
Quando a
comunidade de Mateus acrescentou "no espírito" à primeira
bem-aventurança de Jesus (Mateus 5,3), também estava preocupada com o fato de
que há pobres com coração e mente impregnados com o espírito de rico, buscando
o sentido mais profundo para a vida na riqueza e no poder. Por isso, quis
deixar bem claro para seus destinatários que não basta ser pobre, mas que é
preciso ser "pobre no espírito", isto é, viver de acordo com o
espírito do próprio Deus. É possível que a comunidade de Mateus, ao acrescentar
à parábola do banquete a presença de um homem sem a veste nupcial (Mateus
22,1-14; comparar com Lucas 14,16-24), queira justamente se referir à
necessidade de também ser pobre no espírito, ou seja, livre de tudo que
escraviza. Ser pobre no espírito também é a opção pelo projeto da justiça e da
misericórdia, é viver na total confiança e dependência de Deus, é confiar na
partilha, na vida simples e na fraternidade.
Aliás, são
justamente as pessoas que buscam a felicidade no consumismo, na acumulação e no
individualismo que perseguem aos que lutam pela justiça do Reino, pela paz e
pela partilha. Foi assim que, no passado, os poderosos perseguiram os profetas
(Mateus 5,10-12).
E hoje,
Jesus renova o convite para nós: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus
e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo"
(Mateus 6,33). E o caminho da justiça do Reino, o caminho da santidade está na
prática do espírito da Lei proposto nas orientações fundamentais para a vida, e
que Jesus sintetiza nas bem-aventuranças.
Focalizamos nesta reflexão, a mágoa ou a culpa guardadas. Uma como outra podem causar sérios prejuízos à nossa saúde além de roubar nossa paz. Quando estivermos no sufoco, não adianta nada querermos resolver sozinhos os nossos problemas. Quando estivermos abatidos, precisamos encontrar alguém com quem partilhar, alguém a quem contar o que estamos passando, pois, falando podemos ao menos desabafar. Todos podemos precisar daquele ombro amigo, daquele coração acolhedor, daquela pessoa que sabe parar para ouvir. Muita gente começa a passar por sérios sofrimentos, por medo ou vergonha se encolhe e como sempre acontece, o mal-estar vai-se acumulando e o sofrimento só tende a aumentar. Em outras circunstâncias, uma boa confissão pode ser o que resolve. Pode ser que a pessoa pense que cometeu algum deslize, vive-se martirizando como consequência, tem aquilo como um pecado. Então procure um padre em quem confie, peça ajuda, se confesse. A confissão não caiu de moda é sacramento que dá a graça. Nem é o caso de se se sentir pecador e que só merece mais é sofrer mesmo. Por favor, Deus nos criou para a alegria e nada nos pede sem nos dar as forças necessárias para realizar o que pediu. Se você se encontra numa situação assim, peça ajuda a Nossa Senhora, que ela lhe tire da fossa, se desabafe com alguém, confesse, se for o caso, não deixe de lutar, não esqueça que você tem todo direito de ser feliz.
Um repórter perguntou à Cora Coralina o que é viver bem. Ela lhe disse:
... Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo pra você, não pense. Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso. Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia. Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais. Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio! Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou? Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filha dessa abençoada terra de Goiás. Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos. Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo. Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes. O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.
No dia de hoje, 11 de outubro de 1962, teve início em Roma o Concílio Vaticano II que o Papa João XXIII convocou, ao vislumbrar que a Igreja carecia de respirar novos ares. A data marca ainda os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica e em celebração de tão auspiciosos eventos eclesiais, tem início o Ano da Fé, que termina em 24 de novembro de 2013, Festa de Jesus Cristo Rei.
Acreditar ou admitir profundamente sobre uma verdade, direcionar nossa atenção sobre algo ou um ser em que recaia nossa atenção, significa ter fé! Fé é acreditar de forma inquebrantável no objeto sobre o qual nos debruçamos, mediante o qual nos orientamos, segundo ele, agimos.
Usa-se a palavra em referências menores, mas é a princípios religiosos que ela está mais estreitamente ligada. Segundo a catolicidade, a fé deita raízes na chamada profissão dos apóstolos, o Credo, oração em que se repetem as principais verdades ou sejam: “unidade e trindade de Deus, criador do céu e da terra, na encarnação do Verbo pela força do Espírito Santo, na paixão, morte e ressurreição do Salvador”.
Cardeal Cláudio Hummes
Nossa Igreja é hierárquica. O Papa é sucessor de Pedro, aquele a quem Jesus entregou as chaves do reino, assegurando que o que ligasse na terra estaria ligado no céu.
Ao atual Pontífice, Papa Bento XVI, não passou despercebido que a fé vem-se debilitando com reflexos desairosos na vida de todas as pessoas. Na busca de melhoramento, entendeu pela necessidade de uma forma de reavivá-la em todos e optou, por proclamar um ano temático, O ANO DA FÉ.
Para tanto, escreveu ao mundo uma carta a qual chamou PORTA DA FÉ. A festa do padroeiro da cidade de São Mateus, o apóstolo escritor do primeiro dos quatro Evangelhos, foi marcada pela presença de um Cardeal naquela cidade proferindo sábia palestra sobre exatamente, o ano da fé.
Coube ao Bispo da Diocese, D. Zanoni, saudar o visitante, oportunidade na qual afirmou a necessidade de ter a fé como epicentro dos valores desejados pela cultura. Sem fundamentalismo, sem imposição de verdades.
Em sua fala forjada no curso dos anos sobre os valores do Reino, o Cardeal Hummes, evidenciou o surgimento de uma cultura cada vez mais forte, repreendeu os que usam meios impositivos e agressivos para proclamar a verdade, enquanto ignoram a invasão de uma cultura que penetra cada vez mais profundamente através dos meios de comunicação social sempre mais ao alcance das massas, que a guisa de “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, disseminam joio onde foi plantado trigo. E dai, o perigo de que as pessoas mais frágeis se deixem influenciar gerando uma sociedade em que tudo é relativo. Nada é válido para todos, nossa origem, por exemplo, porque somos para onde iremos. Aceita-se tudo como se ocorresse uma votação em que a maioria ganha.
A moral foi diluída, tudo é fragmentário, ao invés de lamentarmos ou lutar contra, achamos bonito. É esta a crise que angustia a Igreja e o Papa.
O Ano da Fé tem como escopo, restaurar a força da fé, vale a pena, existem ótimos motivos para recuperar a própria fé, saber como vivê-la e transmiti-la.
A porta da fé nos leva a Jesus Cristo, o grande amigo pelo qual se faz qualquer coisa. Encontrar-se com Jesus Cristo concretiza a grande descoberta do amor, do quanto se ama e se é por Ele amado. Com isto afastam-se angústias e dores, erige-se a cultura de paz.