sábado, 29 de setembro de 2012

UM FILÓSOFO




Nós o vemos por ai. Aqui, ali, acolá.  Poucos sabem o seu nome.
 
Quem conversou com ele afirma se tratar de um filósofo.
 
Um dia tirei da bolsa "um dinheirinho"  fui ao seu encontro.
 
Olhou-me com um olhar imenso, de quem não precisa de
 
nada. Agradeceu e não aceitou. 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

APENAS GENTIS



Sempre reflito quando ouço ou até mesmo eu mesma digo certas frases. Por exemplo, você está no elevador do prédio onde mora, um vizinho ao sair primeiro que você, diz: até logo, prazer em vê-la.

Que não seja um dizer formal, um mero repetir de uma frase gentil. Você já ouviu falar em “turbinar o carro” para que ele fique mais diversas coisas, mais ágil, mais... barulhento, tem gente que gosta!

Pois bem, é preciso turbinar as frases gentis que dissermos para que não sejam ditas apenas por dizer, não será melhor que não sejamos apenas gentis?

Pois bem, turbinar dizeres é se predispor, preparar-se antes, com intenção de que todas as vezes em que forem usadas   expressões gentis, hão de estar revestidas primeiro, do amor que toda pessoa merece, (sem esquecer que amor é verdade) porque aos outros se faz, só o que quisermos para nós; que seja um cumprimento sincero, que brote do âmago da gente, que traduza o que queremos dizer, ou é melhor não usar tais expressões. Fingir não pode.

Ao dizer antes, quero dizer que fizemos propósito de ter para com as pessoas aquele cuidado ético que facilita a convivência, que não constranja ninguém ou como diz o apóstolo Paulo “estar animados dos mesmos sentimentos de Jesus Cristo”.

AO CONTRÁRIO

Nunca me deixa dúvida a saudação de pessoa que absolutamente consciente do valor que tem, é espontânea no trato, ao ver o outro, recepciona com a maior simplicidade. Sorri com o mesmo sorriso, tem a mesma expressão da face, o mesmo brilho no olhar.

Vivenciei isto hoje ao ver Marly De Prá, num supermercado pela manhã, minha colega de faculdade, trata-se de uma pessoa querida que vi sempre igual, sempre a mesma, sempre livre de quaisquer amarras. Que linda!

Pode não parecer, mas eu bem que tento ser tudo isto, se não dá, malgrado meu, é porque me faltam virtudes que ainda não adquiri.

Mas é bom é tentar, até porque, em todo recomeço há glória.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

VIDA SE VIVE

Eis aqui uma conversa que não é raro ser ouvida.

- Como vai? Pergunta uma pessoa a outra.

- Vou levando...

Levando?  Levando a vida é como se traduz tal expressão e indo-se mais a fundo conclui-se: levando a vida significa prosseguir simplesmente a caminhada da existência por que não tem outro jeito, mas também não quer morrer. Ninguém quer morrer, mesmo os suicidas não é que queiram por termo à própria vida o que pensam é que deste modo acabam com as angústias pelas quais passam e são afligidos.
Arte da minha amiga Lu.
Ao contrário, tem gente que pensa diferente e até faz samba “retado” que contamina que é uma beleza! É o caso de Pagodinho, o Zeca: “Deixa a vida me levar, vida leva eu, deixa a vida me levar, vida leva eu... sou feliz e agradeço, por tudo que Deus me deu”.

Mas a vida é para levar? Partindo-se do significativo do termo levar, ou seja, é apanhar alguém ou algo que está em determinado ponto e transportar para um outro, não há ninguém que possa levar a vida. Vida é não se vê. Vida não é para ser levada, nem pode ser levada, vida é para viver. E viver é ser “eterno aprendiz”, aquele que capta cada ensinamento que lhe é oferecido e faz dele objeto do seu seguinte atuar, porque todo aprendizado só se concretiza mediante aplicação do que se aprende, projetando-se para o alto.

A vida é cheia de surpresas, alegrias, decepções, tanta coisa, e é claro, por exemplo,  que ninguém se alegra em ver num leito imóvel, inteiramente dependente, alguém que você sempre viu caminhando firme e com altivez (tenho em mente alguém). Nada mais que esperando a sua hora. Se se for elencar todos os casos semelhantes conhecidos, o caudal será deveras longo.

Todavia, importa viver. Viver sem fraquejar, sem deixar-se assaltar por maus sentimentos, perfídias, lembranças, saudades que causam mal estar e quase não dá para driblar.

Entregar-se significa criar hábito, do hábito se diz que sempre foi o principal moderador das ações humanas e uma vez consolidado haja capacidade para ao menos começar a superar.

Não levemos a vida, vivamo-la, mesmo quando demandar esforço desmedido, porque a felicidade que é direito mais que universal é de graça, não percamos.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

DO PRINCÍPIO AO FIM


D o p r i n c í p i o...

Gentileza coisa boa

que pouca gente entende,

mas que tolice, ó gente,

ser gentil de pouco depende.

 

Pedi  ao vento que parasse,

ele me respondeu não posso,

mas um instantinho só.

Não me respondeu mais nada.

O que passava já não era

aquele que me ouviu.

 

Perguntei ao céu:

onde está  o silêncio?
 

E se fez bis...

Ainda mais intrigada repito:

céus, céus, onde estão?

De novo o silêncio fez bis.

 
Em corrida vertiginosa parti,

mais que pude corri.

Rocha me detém e me pergunta:

- onde pensa que pode chegar?

O peito dolorido aumenta ainda mais

a ânsia e tudo se apagou,

em mim, tudo silenciou.

 

Não sei por quanto tempo,

quando acordo me apercebo em supina.

Placidez imensa  me envolve.

O céu pelo qual clamei,

paira o mais azul possível sobre mim,

aconchego-me à relva sobre a qual tombei

sonho os mais belos sonhos,

canto os mais plangentes cantos,

sem dormir, passou-se muito  tempo,

até que acordei.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

É BOM E EU APRECIO

Nação é povo. Povo são famílias cujos direitos humanos nascem com cada pessoa, as que a integram. Observá-los é condição de dignidade e justiça e obriga todos.

Em reportagem desse jornal (25/08/2012), professor da rede pública revelou sua impotência com o nível de indisciplina dos alunos. Suas atitudes são denotativas de já terem sido acoplados pela “dinastia do tráfico” onde o respeito pelo outro é zero.  Nesta semana, mais um fato: um aluno arrancou a unha da professora.
A lei 12.594/2012 “regulamenta a execução das medidas destinadas a adolescente que pratique ato infracional”. Projeto de Lei em trâmite no Congresso diz: “na condição de estudante, é dever da criança e do adolescente observar os códigos de ética e de conduta da instituição de ensino a que estiver vinculado, assim como respeitar a autoridade intelectual e moral de seus docentes”. Parágrafo único: “o descumprimento do disposto no caput sujeitará a criança ou adolescente à suspensão por prazo determinado pela instituição de ensino e, na hipótese de reincidência grave, ao seu encaminhamento à autoridade judiciária competente”.

Tudo, em virtude de ideia dominante de que é com leis que se resolvem problemas.

De ordem do Conselho Nacional de Justiça, duas juízas de direito percorrem o Brasil, aferindo se as estruturas existentes nos Estados favorecem a obtenção de resultados, na aplicação das medidas correspondentes ao adolescente infrator. As constatações não surpreenderam.

O que resolvem medidas ou leis?  ou não teríamos problema nenhum. Nem se pense que ao povo passa despercebido as leis que dizem o óbvio, que por ser óbvio pode-se prescindir delas. Não é a “condição de estudante” que obriga todos de qualquer gênero, idade ou raça a respeitar o outro, muito menos a reincidência precisa ser “grave”.

Na escola, certas verbosidades em relação ao mestre, ao colega ou a quem for pode ser injúria; ofender a integridade física ou moral é lesões corporais; quebrar móveis é destruição do patrimônio público, todas são condutas que correspondem a crimes tipificados no Código Penal e portanto, sujeita o autor à representação e consequente aplicação de medida socioeducativa. Já existe a lei ponha-se em prática.

O de que precisamos são políticas públicas preventivas eficazes que acompanhem os brasileiros em cada fase da vida, assistindo sua formação.

Não precisamos de leis, precisamos desde o berço aprender a ser éticos, a saber, como diziam os antigos e repitamos os modernos: “respeito é bom e eu aprecio”.

 
 

domingo, 23 de setembro de 2012

UM QUASE DIÁRIO NO URUGUAI


Praça da República

Ontem, (25/08/2012) eram aproximadamente 23 h, mesma do Brasil, quando fazia controle de passaporte, no aeroporto de Montevidéu. Sai de casa às 10 h. Imagine-se quanto tempo de espera. De voos mesmo não chegaram a quatro.

No primeiro dia, optei por um “city tour” e gostei muito de tudo que vi. É uma capital muito bonita e sua gente – ela é que me faz escrever agora, - é muito gentil, prestativa, educada.

Logo que sai do apartamento a camareira me ofereceu um café no quarto, em antecipação ao desjejum. A cada pessoa a quem disse obrigada, ouvi de volta “de nada”, com uma pronúncia bem aberta, diferente do nosso “di nada”, acrescentado de um, “por favor”.

Esse por favor, como faz a diferença! É igual a dizer não fiz nada, não tem de que, por favor, não é o caso de agradecer.


Casa Carlos Paes Vilaro
Coincidentemente, no Brasil acompanhamos uma campanha pró-gentileza, tomara que pegue: “gentileza gera gentileza”.

Daniel, meu neto, quem me conhece sabe quem é, aprendeu e desde pequenino, agradece o que lhe é dado e ainda o ouço acrescentar meu nome: obrigado, Usse! Aprendi com ele agradecer com mais frequência, passei a dizer mais vezes, obrigada.

Pura verdade, uma palavra diz muito mais do que significa, contrariamente àquelas respostas com simples olhares, que simplesmente desconsertam quem os vê.

Ser gentil é hábito e hábitos são resultados de repetições, vou fazer como os uruguaios, doravante, a quem me agradecer alguma coisa, vou responder não só de nada, mas o acréscimo, por favor, ah vai!

NO DIA SEGUINTE

Não é que apenas “dormiquei”, mas dormi mesmo até o meio dia, descansei. Arrumei-me e sai, não tinha fome, rumei ao shopping, sem saber que era o mesmo, onde a guia turística nos deixou – quem quis, - depois do “tour” de ontem.

Fui de ônibus de linha, é ótimo para ver melhor a cidade estando entre pessoas de vários estilos, entre paradas e tudo mais que todos conhecem. Em meia hora estava lá.

Peregrino pelas lojas e me estarreço com tanta coisa bonita em liquidação de inverno das quais pouco precisamos, quase tudo “made in China”. Lá pelas 16 h me aconselho almoçar, não tinha comido nada até então. Foi difícil escolher, aquele “toletão de carne assada” que me provocou o gosto ao inverso. E dai, toquei só de salada mesmo, berinjela cozida e uma espécie de bolinho não sei de que lá, enfeitado com uma cereja fisgada num palito, mas que não era doce.

A esta altura já me havia rendido a algumas compras, poucas, mas fez volume e ainda tive que despir o casaco, dito de pele de camelo, será? porque tinha outros adereços que me esquentavam.

Quando vou saindo, vejo ao lado uma Igreja, Nossa Senhora do Salvador, se não tivesse a cabeça inclinada para a direita, seria Nossa Senhora Auxiliadora, aquela de cuja coroação participei, (quando era criancinha pequena lá em São Mateus).

Entrei, o Santíssimo estava exposto e havia adoradores. Conversamos um pouco, Ele e eu, depois sai à procura de um taxi. Um finalmente para, eu entro e vejo que o taxímetro começa com o n° 1, o de ontem, começou com 13,20.

Embora sendo chegante, tive certeza de que ele passou por caminhos desnecessários, acrescentando o velocímetro que deu 95 pesos, mas ele disse que eram 97. Paguei.

Mas o de hoje? Dê a nota você. O velocímetro marcava 35 pesos e ele disse: são cem pesos. Mas ontem paguei menos, retruquei, ele repetiu forte: ”são cem pesos”. (Equivale a 10 reais e aqui nenhuma corrida se paga mais isto) Paguei. Ao fechar a porta por onde sai, verificando que ainda ficara aberta, repeti o gesto, não bati e por isto a porta não fechou. Ele então gritou, gritou mesmo, comigo. Ai, dei-lhe as costas me dizendo: feche sua porta. Não é que confirmando que “toda regra tem exceção”, um uruguaio me mandou para a “pqp”?

Mas a camareira voltou a ser gentil e me ofereceu chá, a recepcionista continuou gentil e solicita, protestando alegrar-se por eu ter gostado do passeio que fiz.

Não se pode empanar o brilho de todos com a falta de educação de alguns.


Sacramento - Patrimônio da Humanidade


E pelo que meus leitores já notaram, escrevi bastante por lá. E conto outra: estamos no tempo dos tabletes, dos fones, seus congêneres e ainda se veem bastante os not books. Porque acho que pesa não levo o meu. Como escrevo? Aquelas folhas usadas que têm o verso em branco? Faço bloco com elas e ali é que entre as modernidades, posso ser vista a escrever a mão. O único problema é ter que passar a limpo depois.

sábado, 22 de setembro de 2012


Há quatro anos, enquanto a primavera chegava, você partia...
O pranto ainda jorra abundante dos nossos olhos e rola pela face...
Tudo que se faz é inútil, são vãs todas as tentativas de aplacar a dor imensa que sua ausência nos causa, a saudade sem tréguas que sentimos de você.