quinta-feira, 6 de setembro de 2012

CUIDEMOS JUNTOS


Tive impressão  de que o povo uruguaio se mostra sensível ao que lê repetidamente. Diversas mensagens bem positivas podem ser lidas em diversos lugares, como  em vidro traseiro de ônibus, por exemplo. Gostei desta: não pense que é coisa de mulher, cuidar de quem precisa, cuidemos juntos.

A reflexão a seguir foi feita no dia 12 de março deste ano, no meu programa CINCO MINUTOS COM MARIA: parece um sentimento que se vai ausentando sempre mais e pode desaparecer.   É o sentimento do compromisso que cada um tem com o que acontece com o outro, na sociedade em geral.

Não somos ilhas, nossas almas se entrelaçam pela mesma origem, todas saíram das mãos de Deus criador que nos chamou à vida e conserva cada uma na palma de sua mão como se fosse o único objeto dos seus cuidados

O que acontece de bem ou mal com meu próximo reflete em mim, eu me elevo com os que se elevam e caio com os que caem.  Ioliallala How Lon conseguiu curar doenças de centenas de pessoas internadas numa casa de cura, partindo dele mesmo. Admite que as doenças dos outros também estão em nós e se nós nos curamos, o outro se cura.

As palavras: perdoe-me, sinto muito, te amo, sou grato, obrigada, repetidas em forma de mantra vão penetrando sempre mais fundo. Você sabe que o nosso íntimo vai guardando o bem ou o mal que depositamos nele, como na história do índio que disse: “dentro de mim há dois lobos, um manso e outro feroz". Então lhe perguntaram: 'qual dos dois lhe causa mais danos, o bom ou o mal'? Ele respondeu: "o que alimento".

Quais são os alimentos que estamos dando a nossa alma? Ao invés de ficar encucando negativismos, repitamos me perdoe, sinto muito, te amo, sou grato, por ai a fora.  

A vida vai ficar tão boa que nos surpreenderemos.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

PÁTRIA - FAMILIA AMPLIFICADA

É uma parcela do que há de melhor na literatura do Jurisconsulto do Brasil.
Está próximo o dia da Pátria, acho que vocês vão gostar. Degustem a sabedoria das afirmações.


A Pátria é a família amplificada – Rui Barbosa – 1903

 

O sentimento que divide, inimiza, retalia, detrai, amaldiçoa, persegue, não será jamais o da pátria. A Pátria é a família amplificada.

E a família, divinamente constituída, tem por elementos orgânicos a honra, a disciplina, a fidelidade, a benquerença, o sacrifício. É uma harmonia instintiva de vontades, uma desestudada permuta de abnegações, um tecido vivente de almas entrelaçadas. Multiplicai a célula, e tendes o organismo.

Multiplicai a família, e tereis a pátria. Sempre o mesmo plasma, a mesma substância nervosa, a mesma circulação sangüínea. Os homens não inventaram, antes adulteraram a fraternidade, de que Cristo lhes dera a fórmula sublime, ensinando-os a se amarem uns aos outros: “Diliges proximum tuuum sicut te ipsum”.

Dilatai a fraternidade cristã, e chegareis das afeições individuais às solidariedades coletivas, da família à nação, da nação à humanidade. Objetar-me-eis com a guerra!

Eu vos respondo com o arbitramento. O porvir é assaz vasto para comportar esta grande esperança. Ainda entre as nações, independentes, soberanas, o dever dos deveres está em respeitar nas outras os direitos da massa.

Aplicai-o agora dentro das raias desta: é o mesmo resultado; benqueiramo-nos uns aos outros, como nos queremos a nós mesmos. Se o casal do nosso vizinho cresce, enrica e pompeia, não nos amofine a ventura, de que não compartimos. Bendigamos, antes, na rapidez de sua medrança, no lustre da sua opulência, o avulsar da riqueza nacional, que se não pode compor da miséria de todos.

Por mais que os sucessos nos elevem, nos comícios, no foro, no parlamento, na administração, aprendamos a considerar no poder um instrumento de defesa comum, a agradecer nas oposições as válvulas essenciais da segurança da segurança da ordem, a sentir no conflito dos antagonismos descobertos a melhor garantia da nossa moralidade.

Não chamemos jamais de inimigos da pátria aos nossos contendores. Não averbemos jamais de traidores à pátria os nossos adversários mais irredutíveis.

A pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação.

A pátria não é um sistema, nem é uma seita, nem um monopólio, nenhuma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não inflamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo. Porque todos os sentimentos grandes são benignos e residem originariamente no amor. No próprio patriotismo armado o mais difícil da vocação, e a sua dignidade não está no matar, mas morrer. A guerra, legitimamente, não pode ser o extermínio, nem a ambição: é, simplesmente, a defesa. Além desses limites, seria um flagelo bárbaro, que o patriotismo repudia...

Texto: Rui Barbosa, 1903.

 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

UM ICONE CHAMADO BEATRIZ



Gracinha Neves, Beatriz, Jo Drumond e Marilena.
Uma distração ao marcar viagem, privou-me de comparecer ao evento do dia 31 de agosto último, quando no espaço sempre aberto a esse tipo, Aliança Francesa, foi lançado o livro de Maria do Carmo Marino Schneider: “BEATRIZ ABAURRE, um ícone da cultura capixaba”.

Ambas pertencem à Academia Feminina Espírito-santense de Letras – AFESL. Maria do Carmo foi quem fez a saudação no nosso ingresso, fomos empossadas no mesmo dia.  

O nome do livro não poderia ser mais próprio, pois é uma verdade inteira, a data muito feliz,  dia  do aniversário da homenageada.

Beatriz tem no seu currículo além de tudo que dela foi escrito por Madu, entre outras as quais se entregou inteirinha, a luta empreendida na preservação do Penedo na Baía de Vitória, quando presidiu o Conselho Estadual de Cultura.

Beatriz, Wanda Alkmin e Madu
Eu estava Coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente, do Patrimônio Histórico e Artístico do Ministério Público Estadual e a recebi diversas vezes, comunicando-me o que estava sendo feito e o que acontecia. Uma ação tramitava na justiça federal. Foi desolada que me disse que um Desembargador favorável a não preservação na íntegra do patrimônio tombado havia dito em sua decisão que “a construção do porto não impediria os capixabas da contemplação do Penedo nas tardes de domingo”.  O resultado é o que temos hoje.

Aliás, sobre patrimônio histórico os juristas em geral prescindem de conhecimentos que acabam por fazer falta.


Beatriz e sua familia
Não podendo comparecer, expedi e mails para quantos pude para que não faltassem. Fiquei sabendo que foi um sucesso o que muito me alegra.  Além de numerosos amigos e lógico familiares, não faltou a música, uma das paixões de Beatriz, crianças tocando violinos e a presença do consagrado Edu Rosa.

O sorriso da recompensa
Acadêmico Francisco Aurélio
Parabéns a Maria do Carmo pela brilhante iniciativa e concretização dela. Parabéns a cultura capixaba que vai contar com a história de uma de suas mais  apaixonadas  amantes. Obrigada Beatriz, por tudo que representa, pelo seu exemplo, pela sua garra, pelo suor despendido em tantos momentos que a música, a cultura, a literatura reclamaram seu concurso não se omitindo jamais.  


A simpatia da cronista Anna Célia entre Sonia Lora e amiga




 

sábado, 25 de agosto de 2012

MEDALHA CORA CORALINA


Vitória, 10 de março de 2008                               QUATRO ANOS DEPOIS

Querida Maria José




Se eu usasse a palavra genuflexa, seria um exagero, vez que tal atitude representa adoração e como dizem as escrituras: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás. (Lc 4,8) Mas estamos na Academia e na Academia pode, contanto que se explique o porquê.  

Então vamos lá: a Academia hoje se põe, nada menos que genuflexa em sua frente para homenageá-la, querida Maria José.  Há em cada coração de Acadêmica, a mais profunda e sincera alegria pela sua vida, pelos seus longos e bem vividos  95 anos. 

Alegria que se funde com gratidão a Deus, que a distinguiu com tantos dons entre eles o da palavra de cuja fonte, querida, você continua sabendo extrair expressões que traduzem os sentimentos que continuam lhe inundando a alma e transbordam em verso e prosa com os quais você continua nos brindando. 

Você merece que sua trajetória de vida seja aqui desfiada como contas de um rosário para deleitar quem nos ouve. Quantas coisas, quantas façanhas, quantas lutas protagonizadas e aquelas vezes em que, “dedo em riche” repeliu alguém ou algo quem sabe? Certamente, nem tudo foram flores, mas quem disse que existem rosas sem espinhos? Sobretudo, quanta vida, quantos amanheceres, quantos arrebóis, quantas tempestades foram atravessadas, mas igualmente, quantas vitórias e quantas possibilidades de ver do alto a paisagem que se descortina do cume depois de mais uma escalada... 

Se continuar neste tom, não acabo hoje... E depois, estamos aqui para condecorá-la, para adornar-lhe o peito pelo mérito que lhe foi reconhecido de receber uma medalha cuja patrona é uma mulher de fibra, valorosa e guerreira, em tempos que a mulher pouco contava, mas cujos olhos não cerraram sem ver a libertação e o reconhecimento e aplausos pela obra que produziu no curso de sua vida, Cora Coralina, de quem a Acadêmica Maria do Carmo já nos falou. 

A AFESL instituiu esta medalha para brindar a quem realmente mereça, quem tenha produzido obras semelhantes à da poetisa, que lhe empresta o nome.  

Todas nós temos certeza que você a merece e eu estou muito honrada por ter sido escolhida para perenizar em sua lembrança e na dos seus familiares principalmente, desta sua fantástica filha Rainha, mas também da sua legião de amigos, toda a expressividade deste momento.  

Esta é a primeira Medalha do Mérito CORA CORALINA que a AFESL outorga. Você, Maria José, a primeira a ser com ela agraciada. E eu? A primeira a fazer tal entrega, só porque tive a idéia de instituí-la?  Confesso que me sinto homenageada igualmente e agradeço seja à Presidente da AFESL, Ester Abreu Vieira de Oliveira, seja às colegas que com ela acordaram para tanto.

Cumpre, pois, que a força do Espírito de Deus me ajude a reunir todas as forças da alma, todo o amor que existir em mim, toda ternura de que eu possa ser capaz,  que minhas mãos estejam purificadas de modo que quando a Medalha do Mérito “Cora Coralina” tocar-lhe o peito, carregue-o da aura benfazeja que vai emanar das minhas mãos as quais se somam às mãos de todas as acadêmicas.

A vida me ensinou que se deve dar a cada um o que é seu. Por tudo que lhe disse sei que você levaria sua medalha hoje para casa, lembraria de mim, de todo carinho que foi sempre uma recíproca entre nós. Tenho certeza que jamais cogitaria de que este momento pudesse ser diferente e até, sem falsa modéstia o digo, não porque não gostasse de qualquer outra acadêmica, mas gostou desta escolha.
 

Mas, tem um mas. Eu penso diferente e dou-me o direito de pensar diferente. Todo bem, todo amor, todo carinho, tudo que de melhor há que eu lhe possa oferecer fica muito aquém da intensidade que existe de tudo isto, em outra pessoa. Eu a amo, mas não tenho dúvida, uma pessoa há que a ama muito, muito mais.
 

E por isto, querida Maria José, declino em favor dela o privilégio que me foi dado, para mim fica valendo como se o tivesse feito...  Neste mundo que  anda de justiça tão carente, ao menos a que se pode, que se  faça  já.

 
Regina, (a filha) por favor aponha você esta medalha no peito de sua querida mãe.

 

 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012


REVITALIZAÇÃO DA AMALETRAS 


POSSE DE NOVOS ACADÊMICOS
 
Eliezer Ortolani Nardoto, Marlusse Pestana Daher, Antonio Eduardo Barbosa,
Jonas Bonomo, Sebastião Pereira, Iluzinilda Neves Martins, Beatriz Barbosa Pirola, Eliane Queiroz Auer e Luiz Costa 
 
No dia 22 de agosto, como previsto, entre familiares e alguns amigos,  ocorreu a solenidade de revitalização da Academia Mateense de Letras e posse de seis novos acadêmicos.

Eliezer, Marlusse,Antonio Eduardo
A mesa foi composta pela Presidente e fundadora da Academia Mateense de Letras, Acadêmica Marlusse Pestana Daher, pelos Acadêmicos Fundadores Antonio Eduardo Barbosa e Eliezer Ortolani Nardoto. Presente a mesa ainda, o Vereador Carlos Alberto Barbosa  Alves, presidente da Câmara Municipal,  o advogado, José Antonio de Souza Mathias e a oradora oficial da solenidade, Acadêmica  Karina de Rezende Tavares Fleury, da Academia Feminina Espirito-santense de Letras.

Composta a mesa, acompanhados dos Acadêmicos Fundadores Antonio Eduardo Barbosa e Eliezer Ortolani Nardoto os empossandos foram trazidos aos lugares a eles destinados.


Os acadêmicos fundadores recebem as insígnias respectivas.

Iniciou-se a cerimônia de posse dos novos Acadêmicos. A Presidente convidou-os a se colocarem a frente: Poetisa, Beatriz Barbosa Pirola, poetisa Eliane Queiroz Auer; poetisa e declamadora Iluzinilda Neves Martins; escritor e teatrólogo Jonas Bonomo; poeta e ator Luiz Costa e o romancista, escritor Sebastião Pereira, interrogando-os:

1. As senhoras e os senhores pretendem pertencer  como membros efetivos da Academia Mateense de Letras. Foi-lhes dado a conhecer as finalidades que estão postas no Estatuto da AMALETRAS, para sua vitalidade e o serviço que deve prestar à sociedade.

2. Vossas Senhorias declaram conhecer o Estatuto da AMALETRAS E SUAS FINALIDADES?

 3. Vossas Senhorias prometem cumprir com fidelidade o Estatuto envidando todo esforço possível  no sentido que se cumpram?

Concluiu: ante suas respostas afirmativas, na condição de Presidente da Academia Mateense de Letras, declaro-os empossados como membros efetivos e no sentido que nas academias é dado ao termo, declaro-os também imortais.

O empossados receberam suas insígnias das pessoas pelos mesmos escolhidas, receberam o diploma e assinaram o termo de posse

Cadeira nº  3  -   Luiz Costa                   -    Graciano Santos Neves

Cadeira nº  4 -   Iluzinilda  Neves Martins -    Elza Cunha

Cadeira nº  5 -   Eliane Queiroz Auer            -               Mesquita Neto

Cadeira nº  7  -   Sebastião Pereira         -    Clarice Lispector

Cadeira nº  8 -  Beatriz Barbosa Pirola   -       Bartolomeu Campos Queirós

Cadeira nº   9 -  Jonas Bonomo              -      Castro Alves

Feita a leitura do currículo da Acadêmica Karina de Rezende Tavares Fleury pronunciou-se com extrema propriedade ao momento.

O terceiro momento foi marcado por entrega de títulos como membros honorários, segundo o art. 15 do Estatuto da AMALETRAS: receberam seus títulos: Iosana Fundão Azevedo, professora e diretora de escola, pessoa comprometida com os problemas sociais do município, atualmente alegrando o grupo da melhor idade; o advogado José Antonio de Souza Mathias, pelo seu compromisso com sua cidade, sendo pessoa prestigiada e querida pela sociedade; Karina de Rezende Tavares Fleury, sendo pouco, pelo muito que trouxe ao momento; o Professor da UFES, Renato Pirola, que dirigiu a entidade em São Mateus, finalizando sua carreira com o legado de uma magnífica biblioteca; a  Professora Vera Fundão Maciel Altoé, cujo entusiasmo e apoio a AMALETRAS cumpre ser reconhecido, o Vereador e Presidente da Câmara Municipal, Carlos Alberto Barbosa Alves que   ostentava seu título de Membro Honorário,  deixando  palavra de gratidão e apoio a toda iniciativa de igual porte. Outros agraciados não compareceram.

 
Pronunciou-se também o Dr. José A. S. Mathias que se demonstrou entusiasmado pelo que ouvira e exortou os jovens a seguirem os passos dos acadêmicos.

Encerrada a solenidade os presentes se dirigiram a um salão local para a comemoração de estilo.
 

  Saudação da Acadêmica Karina de Rezende Tavares Fleury

 UM PAUZINHO, DOIS ‘PAUZINHO’ 

Acadêmica Karina Fleury
De acordo com a tese aristotélica, “O homem é um animal social”. Ele tem a absoluta necessidade de agrupar-se, de unir-se a seus semelhantes não só para satisfazer aos seus desejos, mas também para satisfazer as suas necessidades materiais e de cultura, buscando, assim, alcançar a realização de um bem melhor.
Daí a constituição das comunidades em geral que compõem a estrutura de toda sociedade, tais como: as famílias, as igrejas, as escolas, as ONGs, as polícias, as redes sociais e, como não poderia deixar de ser, as Academias, sejam elas “mistas” (de Letras e de Artes, de Letras e de Música) ou “categorizadas” (de Médicos, de Maçons, de Letras Jurídicas).

O termo Academia remonta ao ano 387 a.C.. É que Platão fundou aquela que consideramos a primeira Academia da história: tratava-se de uma escola filosófica situada junto das muralhas de Atenas, no bosque Heros AKademos (daí o nome Academia). Naquela época, academia era, segundo o conceito dicionarizado, o “lugar aprazível e solitário em que Platão ensinava filosofia”, onde se buscava o conhecimento e o saber, pelo questionamento e pelo debate. Esse, como se sabe, é objetivo que movimenta os homens em todo tempo e lugar.

Ainda hoje, embora o formato da Academia, e aqui, por razões obvias, refiro-me às Academias de Letras, tenha se modificado ao longo dos séculos, tais objetivos não só não se perderam, mas também a eles foram somados outros tantos, como: incentivar, propor e desenvolver projetos e programas que despertem o gosto pelas letras, o aprimoramento da língua portuguesa e a elevação à cultura; pugnar pelo incentivo à literatura, principalmente no âmbito de sua atuação, em todo o território nacional e no exterior; promover cursos e concursos, seminários e conferências, debates e recitais; promover, desenvolver e divulgar a pesquisa nos diversos campos culturais. Como se pode perceber, não é pouco o trabalho, nem é inconsistente a responsabilidade de quem se propõe a ocupar um lugar no panteão da história. Filiar-se a uma Academia de Letras requer, acima de tudo, comprometimento.

Antes mesmo da fundação da matriarca de todas as agremiações literárias como conhecemos hoje, L’Académie Francaise, organizada pelo Cardeal Richelieu, em 1635, muitas surgiram e desapareceram; outras se reestruturaram e se renovaram. No Brasil, no fim do século XIX, alguns intelectuais começaram a se manifestar a favor da criação de uma academia literária nacional, nos moldes da Academia Francesa. O movimento tomou corpo e, em 20 de julho de 1897, realizou-se, no Rio de Janeiro, a sessão inaugural da Academia Brasileira de Letras, tendo como presidente Machado de Assis.

No Espírito Santo, o Bispo Dom Benedito foi quem primeiro presidiu a Academia Espírito-Santense de Letras, que é a nossa segunda entidade cultural mais antiga, antecedida pelo Instituto Histórico e Geográfico do ES e precedida pela Academia Feminina Espírito-Santense de Letras. Fundada em 04 de setembro de 1921, a AESL manteve, durante cerca de 60 anos, as suas portas fechadas para as mulheres intelectuais do Estado, sendo Judith Leão Castello Ribeiro a primeira mulher a tomar posse em 10 de setembro de 1981 (na ABL, Raquel de Queiroz foi a pioneira, eleita em 1977. E na Academia Francesa? Ah, lá a escritora belga Marguerite Yourcenar foi quem conseguiu transpor a barreira, em 1980, 345 anos depois da fundação da entidade). Porém, somente em 2002 é que veio o reconhecimento e a valorização da participação ativa da mulher escritora capixaba no espaço público: foi quando Maria Helena Teixeira de Siqueira sagrou-se a presidente da AESL (na ABL, foi Nélida Piñon, a primeira mulher, em 100 anos, a presidir a referida Academia).

Talvez vocês estejam se perguntando por que eu abri tantos parênteses em minha fala, nesse último parágrafo; por que acentuei as informações sobre a presença da mulher nas Academias. Afinal, não estamos aqui hoje testemunhando a revitalização de uma Academia Feminina, não é mesmo? Sendo assim, seguem minhas explicações.

Como vimos, as Academias de Letras que até agora citei neste breve estudo foram idealizadas e fundadas pelos homens. As mulheres só foram aceitas décadas, ou mesmo, séculos depois. Valeram-se das mais diversas estratégias para escapar das amarras falocêntricas e, assim, ascender em sua condição social, econômica e cultural. Já vai longe o tempo em que as mulheres escritoras eram mal vistas e que seus escritos, constantemente desprestigiados. Quando muito, eram tidos como “literatura de moça”, inofensiva, inocente e sem qualidade literária.

No entanto, e graças a Deus por isso, já vai longe este tempo amargo. E a comprovação dessa minha assertiva está na história da Academia Mateense de Letras e na realização deste evento. A AMALETRAS, desde a sua fundação, em 16 de fevereiro de 2001, sob a presidência de Marlusse Pestana Daher, mostrou-se moderna no seu modo de ver, de pensar, de estar no mundo. Mesmo tendo passado por um período de inatividade, a AMALETRAS tem em sua gênese a voz da mulher ecoando entre a voz de seus pares. O que estamos presenciando aqui, nesta noite, é a reorganização e a posse de sete novos membros de uma instituição cultural que, agregando os mais nobres valores humanos universais, recupera o lema dos ideais iluministas que visa a liberdade, a igualdade e a fraternidade.

Isso é o bastante para me fazer lembrar uma das histórias contadas por Clarissa Pinkola Éstes, em Mulheres que correm com lobos (Rocco, 1994). O tema é a transmissão ancestral de valores. Um costume dos antigos reis africanos, escreve a autora. Chama-se “Um pauzinho, dois pauzinho” (p. 154) que aqui cito um excerto:

Na história, um velho está à morte, e chama a família para perto de si. Ele dá um pauzinho curto e resistente a cada um dos seus muitos rebentos, esposas e parentes. “Quebrem o pauzinho”, determina ele. Com algum esforço, todos conseguem quebrar seus pauzinhos ao meio.

“É isso o que acontece quando uma pessoa está só e sem ninguém. Ela pode ser quebrada com facilidade”.

Em seguida, o velho dá a cada parente mais um pauzinho.

“É assim que eu gostaria que vocês vivessem depois que eu me for. Juntem seus pauzinhos em feixes de dois ou três. Agora, partam esses feixes ao meio”.

Ninguém consegue quebrar os pauzinhos quando eles estão em feixes de dois ou mais. O velho sorri.

“Temos força quando nos juntamos a outra pessoa. Quando estamos juntos, não podemos ser quebrados” (ÉSTES, 1994, p. 154).

A lição de vida que o moribundo africano nos dá é aquela que, no senso comum, dizemos: a união faz a força! No entanto, chamo a atenção para o caráter antissexista, uma vez que as esposas são parte ativa do grupo (vale lembrar que, neste caso, o plural desse substantivo tem conotações culturais que não serão discutidas neste ensaio), e não segregário no que se refere à inclusão das crianças (“rebentos”) e às demais pessoas que fazem parte da “família” (“parentes”).

Juntos, todos são igualmente importantes para a manutenção da harmonia e do sucesso em prol de um bem comum. Reparemos que o título da história é “um pauzinho, dois pauzinho”, assim mesmo, no diminutivo. O desfecho da narrativa nos leva a entender que para se alcançar o sucesso, a coletividade (“dois”) tem de se perceber como um só corpo (“pauzinho”). Ressoa novamente a máxima de Platão de que o homem, este ser político, social, ancora-se em grupos para viver melhor: “Quando estamos juntos, não podemos ser quebrados”. É nesse sentido que justifico minhas reflexões sobre a AMALETRAS que, nesta noite, ao reinscreve seu nome na história da sociedade mateense, é por esta acolhida como parte fundamental de um todo que trabalha pela elevação da tradição literária e cultural da cidade de São Mateus.

E para finalizar, dedico-lhes, caros Acadêmicos da AMALETRAS, um trecho da mensagem proferida por Machado de Assis, na abertura da memorável sessão de fundação da ABL: “Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles o transmitam aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira”.


 

QUADRAS


havia mais que poesia,
havia sonho,
havia amor e havia
alegria como condimento.

o tempo não passava
congelara-se
quem disse que o tempo para,
tempo como vento sempre vai.

da vida que se leva,
é o que se leva da vida.
não se deixe levar pela vida.
leve a vida, você.

nem aos trancos e barrancos,
nem menos entre tapas e beijos
aprume-se olhar pra frente
é assim a vida da gente.

há enorme diferença
entre quem diz e não faz
entre quem cala e não consente
e te desconserta. simplesmente.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

AMIGOS/AS


Eu sempre achei que amigo é coisa para se guardar dentro do peito, debaixo de sete chaves, fui refletindo e encontrei exatamente o que me disse, quando se pensa que perdeu algum, é porque este nunca se teve.
A foto veio no fc de Liz Elisabeth Amâncio Pereira - Procuradora de Justiça - ES.

1ª  REUNIÃO ESTE ANO PARA REVITALIZAR A AMALETRAS CUJO GRANDE DIA ACONTECE AMANHÃ COM A PREENÇA DE FAMILIARES  E  AMIGOS.

Sebastião, Beatriz, Jonas, Marlusse, Luiz, Célia e Barbara