quarta-feira, 13 de abril de 2011

TEM ABRAÇO E BOTAFUMEIRO

Muito se fala em Santiago de Compostela, cidade situada na Região da Galícia, na Espanha. Mais precisamente, fala-se da caminhada feita por alguns milhares de peregrinos que com mochilas nas costas, calçando botinas ou até simples sandálias, um cajado na mão, oriundos de diversos pontos, alguns fincados em países vizinhos, por dias entre subidas e descidas, paisagens bonitas, encontros, pousadas rumam à meta: a basílica de Santiago no Campo das Estrelas.
Tive oportunidade de ver vários deles chegando. Todos me causaram profundo respeito e admiração. Abracei uma moça que dava sinais de imenso cansaço, comunguei com um outro chegando solitário. O movimento dos lábios denotava murmúrio de orações e ao mesmo tempo esboçava um indizível sorriso de alegria, certamente, pela caminhada, pelo alcance da meta. Uma imagem de um momento que jamais esquecerei.
Descobri que há outras curiosidades e devocionais por lá! Eu mesma não sabia, nunca tinha ouvido falar. Uma é o ‘ABRAÇO DO SANTO’. Sobe-se por uma escadinha, passando por trás do altar; chega-se ao ponto central, onde então se pode dar um abraço em São Tiago, (na imagem, claro). Desce-se e sai-se pela outra parte. Logo abaixo está o túmulo dele. Ai é que enquanto estava sentada esperando a hora da Missa, vi um braço que se mexia. Uai, São Tiago está se mexendo? Claro que não, era o braço de alguém que passava, mais um abraço que estava ganhando.
A outra novidade é o “Botafumeiro”. Na realidade, um turíbulo enorme que resta pairando acima do altar. Remonta ao início das peregrinações a Santiago. Consistiu de um grande vaso de prata presenteado pelo Rei Luiz XI da França e roubado pelas tropas napoleônicas. O atual foi fundido em 1851. É de latão banhado de prata.
No momento de sua função, é descido até a altura do altar mediante cordas que o prendem. Ali o Sacerdote que motiva a Assembléia para mais que um ver, transformar o que vê em oração, deposita no seu interior uma quantidade de incenso. Um grupo de homens, os “tiraboleiros”, vestidos a caráter, mediante gestos precisos e concertados, imprimem-lhe movimento balanceado de um lado para o outro até se aproximar muito do teto do templo. É um espetáculo, fotografado e filmado por inúmeras máquinas dos que fazem questão de, mediante ação própria, levar para casa lembrança tão bonita. Chega a uma altura de 22 m e a velocidade equivalente a 70 km.
Se originalmente, o fumeiro era destinado a dissipar os odores desprendidos dos corpos suados dos peregrinos que chegavam da caminhada e deviam, conforme ritual que permanece assistir a Missa do Peregrino, (muitos sem ter onde se hospedar, faziam da Catedral também dormitório), hoje o sentido é outro. Tem seis datas fixas para acontecer, excepcionalmente, a pedido e mediante paga. Foi nessa circunstância que se deu a oportunidade que tive.
Há quatro registros de queda do grande turíbulo, sem consequências graves. Registros bem humorados também, como aquele que narra que o turíbulo destacando-se da corda, sai pela janela da catedral e cai exatamente em cima de uma pequena banca onde alguém vendia castanhas. “Aconteceu uma castanhada”.


A ORIGEM DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

O nome de Santiago de Compostela compõe-se de duas partes, São Tiago - o apóstolo, e Compostela - Campus stellae, cuja tradução quer dizer "Campo de estrelas". Este Campo de estrelas refere-se à lenda da origem desta cidade. Reza a referida lenda que, no ano 813, um habitante, de nome Pelayo, estando no local em que hoje se encontra a cidade, viu luzes e sinais no céu. Seguiu as pistas sugeridas pelos sinais e encontrou o túmulo e os restos mortais de São Tiago e dos seus discípulos. Relatou o sucedido ao Bispo Teodomiro de Iria Flavia, localidade situada a 20 km de Santiago de Compostela. O bispo mudou a sede do bispado para Compostela e informou o Rei Alfonso II daquilo que tinha sucedido. O Rei chegou ao lugar e ordenou a construção da primeira capela de Santiago de Compostela, para proteção do apóstolo e para que o recordassem.
Assim foi sendo edificada, passo a passo, a cidade atual, que ainda encerra um centro muito antigo.

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