quinta-feira, 24 de abril de 2014

TENHAMOS A AUDÁCIA DO NOVO

Os atos comprovam que as autoridades constituídas para a manutenção da ordem e do direito de ir e vir do cidadão de bem se perderam na prepotência dos vândalos, inimigos da lei, daqueles cuja desordem emocional e dos conceitos pelos quais são comandados lhes dita, que melhor é deixar a senda do bem, do que é bom e provocar terrorismo, destruir, matar, agir segundo o inverso de tudo.

Entrevistado no “Bom dia, ES” o Secretário Estadual de Segurança  disse que no Rio de Janeiro, participara de um encontro com seus pares no Brasil. Em pauta, a forma de todos agirem em consonância ou segundo os mesmos princípios. Tinham em vista o horizonte nebuloso que já se vislumbra por aqui, por ocasião da Copa do Mundo.

E se bem entendi, a certa altura do debate e ante o sentimento de tanta e tamanha fragilidade, seus olhares se voltaram para o advento de uma nova lei em trâmite no Congresso que irá ajudar o policial “no front”, a saber como se determinar, ante as prováveis badernas que estão sendo projetadas, articuladas e que é difícil pensar que não vão acontecer, daqui a alguns dias, enquanto a bola rolar.

Causou-me imenso mal estar, pensar que caso não tenhamos a tal lei e ele mesmo falou da exiguidade do tempo para que seja votada e sancionada, estamos todos inexoravelmente condenados a subir todas as consequências dos mal intencionados descritos acima, ou constrangidos a nos fecharmos nas nossas casas.  Segundo o mesmo secretário, o novo texto determinará como agir contra quem depreda o patrimônio público, contra o agressor, contra os vândalos de toda sorte.

Qual mantra tenho repetido: não precisamos de mais leis. Com a legislação vigente no nosso país, temos todas as condições de inibir a violência, prevenir contra a desordem, punir os transgressores e conceder a todos o direito de viver sem medos.

Entre tantas dúvidas, uma certeza: o que está acontecendo é consequência da desordem que começa na cabeça de quem pode mais e que com tanto desgoverno, desgoverna o país e o povo. É verdade: “se este governo governar o Saara, em breve lá, não teremos um único grão de areia”.

Estamos marchando em passos sempre mais rápidos e mais largos rumo ao caos irreversível. Agora, ainda está em tempo. Coincidentemente, a sorte nos encontra em ano eleitoral, quando é possível mudar o rumo da história que protagonizamos.

“O voto que não tem preço, mas tem consequência”, é a arma poderosíssima da qual dispomos. Mudemos com ela o curso da nossa história.

Sejamos corajosos, tenhamos a audácia da aventura do novo, façamos do dia das próximas eleições, o primeiro dia do resto de nossas vidas com a qualidade que merecemos.


Marlusse Pestana Daher
Escritora e Mestre em Direito

24 de abril de 2014 18:05

domingo, 20 de abril de 2014

O REI ESTÁ NU


Segundo Heráclito de Éfeso (535 a.C.- 475 a.C.), filósofo grego, pré–socrático, pai da Dialética, todas as coisas trazem no seu seio a sua negação, a sua contrária: o bonito traz o feio, novo, o velho, a vida, a morte etc. É a matéria em movimento, em transformação. Em síntese: é a Dialética. 

No auge da prepotência do Regime Militar de 1964, o então Deputado Federal Francelino Pereira disse que a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) era “o maior Partido do Ocidente”, ao passo que Martha Suplicy (em 2008) e Luiz I. Lula da Silva (em 2010) disseram que o DEM (o Democratas: ex  ARENA, PFL e PDS) era um Partido em extinção, pois elitista, divorciado da realidade.

Em 1980, no ABC paulista, criou-se o Partido dos Trabalhadores, que hasteou as bandeiras da “ética” e da “moralidade”, prometendo um “modo diferente de governar”, o que encartava transparência, eficiência e honestidade, ideário que impressionava quem aspirasse a mudanças substanciais, sérias e justas.

Sinceramente, eu esperava que o PT, logo que conquistasse o Poder, pondo em prática seu ideário, imprimiria à administração pública novos métodos que, encartando, sobretudo, transparência, eficiência e honestidade, resolveria, em tempo razoável, os principais e crônicos problemas do País, em especial os centrados na Educação, na Saúde e na Segurança Pública.

Aliás, confesso que, naquela ocasião, só não ingressei no PT por duas razões: 1ª) porque não fui convidado; 2ª) porque não admito oferecer-me, pois temo a censura do provérbio “peixe oferecido está podre, ou está moído”.

Ledo engano!, Pois também o PT trazia consigo o germe do patrimonialismo - herança dos colonizadores - que consiste em fundir, confundir, misturar os interesses públicos com os interesses privados, em razão do que, muito cedo ainda, começou a sofrer a metamorfose preconizada pela Dialética.

Senão, vejamos:

- O PT não concordou com o texto da Constituição Federal |88, sob a alegação - segundo Lula, então Deputado Federal – de que ela não resolveria “todos os problemas da sociedade brasileira” (discurso de 22.09.1987), para, 20 anos depois, já na Presidência da República, fazendo mea culpa, dizer que ela era “um garante da democracia, esta é a verdade nua e crua”!
- O PT foi contra o Plano Real (30.07.1994), chegando a taxá-lo de “remendo” e lhe atribuindo “cheiro de estelionato eleitoral”, no entanto tal plano foi coroado de pleno êxito.
- O PT, inicialmente, posicionou-se contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, para, mais tarde, Antônio Palocci (PT), então Ministro da Fazenda, fazendo a autocrítica, dissera: “... a minha bancada, da qual eu fazia parte, falhou. Nós, naqueles idos de 2000, não demos apoio à lei” (LC nº 101|2000)!
- O PT, como já dito, do nascimento à conquista do Poder Central, manteve hasteada a bandeira da “ética” e da “moralidade”, com a promessa de governar de “forma diferente”, mal conquistou-o, passou a copiar práticas populistas e patrimonialistas:

1ª) – práticas populistas, apenas dois exemplos: criação de cotas e de bolsa família  (indignas migalhas, que ferem, de morte, o princípio da dignidade da pessoa humana, um dos fundamentos da República (art. 1º, III, da CF|88), com o que, ao invés de promover o bem-estar dos mais carentes e politicamente menos conscientes, mantém-nos subjugados, escravizados, acorrentados;

2ª) – práticas patrimonialistas, só dois exemplos:  o “Mensalão”, que, em 2005,  acarretou aos cofres públicos federais prejuízo de R$ 284 milhões; a “Operação Lava Jato”, da Polícia Federal, com foco na Petrobras, que gerou aos cofres públicos prejuízo de R$ 10 bilhões.

- O PT, enquanto na oposição, muito pugnou pela extinção da Contribuição Sindical, mas, ao conquistá-lo, apesar de contar com maioria no Congresso, passou a defender, como estratégia, apenas a realização de plebiscito. Por quê?  Porque, entre as (8) Centrais Sindicais, a CUT, ligada ao PT, recebeu dos cofres do Governo Federal, só em 2012, R$ 45,7 milhões!
- O PT, que, antes de conquistar o Poder, tanto lutou pelas Reformas Política, Agrária, Tributária etc., apesar de, tanto no “Governo Lula” como no “Governo Dilma”, contar com maioria no Congresso, e até “comprar votos” para aprovar os Projetos de seu interesse, não realizou nem mesmo a Reforma Agrária, que tanto o empolgava!
- O PT, que, como todo o povo brasileiro, tanto defendia a Petrobras, quebrou-a, e está a quebrar, também, a Eletrobras, pois, em 2012, ela teve prejuízo de R$ 6,8 bilhões, que, em 2013, subiu para R$ 13,1 bilhões, segundo nota de Cláudio Humberto, em A Tribuna, de 15.04.2014.

- O PT, ao suceder o PSDB, encontrou 26 Ministérios (o que já era exagero!). Para bem aparelhar a máquina estatal, criou mais 13, somando, hoje, 39 moedas de troca, enquanto nos Estados Unidos, só existem 15 Ministérios! Em virtude dos 39 Ministérios (moedas de troca!), dos 22.600 Cargos de Comissionados (moedas de troca!), dos milhares (em 2013: mais de 14 mil!) de Emendas Parlamentares, (que, em 2013, somaram R$ 8,9 bilhões: moedas de troca!) e (por enquanto!) 32 Partidos Políticos (cuja maioria é, também, moeda de troca!), criou-se, no Planalto, um verdadeiro “balcão de negócios”: “toma lá e da cá”, pois “é dando que se recebe”!

- O PT nunca teve Projeto de Governo. Tem, sim, um Projeto de Poder, para o que aparelhou a máquina estatal, intromete-se, indevidamente, nos entes públicos (ex.: IBGE e IPEA) e manipula estatísticas várias para esconder o que é ruim e mostrar o que não existe (vide ISTO, de 23.04.2014).  

- O PT, que, enquanto oposição, por qualquer pretexto, invocava o legítimo meio parlamentar de fiscalizar os atos irregulares do Executivo, hoje, no Poder, contraditoriamente, impede a instauração de CPI para investigar gravíssimos danos causados a nossa principal empresa estatal, a Petrobras, conduta que nega as tão badaladas transparência e honestidade: “o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde"!

- O PT, reitere-se, que, no nascedouro, hasteou a bandeira da “ética” e da “moralidade” e prometeu “forma diferente de governar”, o que encartava, especialmente, transparência, eficiência e honestidade, apoiado na dita “base aliada”, revelou-se, também, portador de mentalidade patrimonialista, conduta eminentemente promíscua, que funde, confunde, mistura interesse público com interesse privado, de que me parece ser parte integrante a expressão sui generis - “eu não sabia” – que tem sido frequentemente utilizada como meio de defesa por importantes petistas, em face de atos ímprobos.

Senão, vejamos:

Luiz Inácio Lula da Silva, ainda na Presidência da República, disse que “não sabia” do “Mensalão” e que, naquela ocasião, fora “traído” (por quem? Não revelou!) para, depois, admitir que dele soube através do ex Deputado Roberto Jéferson (PTB-RJ), que denunciara a existência de tal “maracutaia”.

Dilma Rousseff, Presidente da República, como aluna aplicada, também disse que “não sabia” que o parecer alusivo à compra da refinaria Pasadena era “técnica e juridicamente falho”, razão do prejuízo de U$ 1.18 bilhão causado à nossa Petrobras.

Maria das Graças Foste, Presidente da Petrobras, também disse que “não sabia” que desde 2006 havia um comitê interno na refinaria Pasadena, nem que, nela, a Petrobras era representada por seu ex diretor, Paulo Roberto Costa, que fora preso.
  
André Vargas (PT-PR), Vice-Presidente da Câmara, usou um jato fretado (por R$ 100.000,00) pelo doleiro Alberto Youssef, para ir, com a família, de Londrina (PR) a João Pessoa (Pb). Censurado, disse que “não sabia” que Alberto, seu amigo e “irmão” há 20 anos, era alvo de investigação da Polícia Federal, como chefe de esquema de lavagem de dinheiro. Reconheceu, porém, ter sido "imprudente" por aceitar um “verdadeiro presente de irmão”: o aluguel do jato.
Concluo, dizendo que não paira dúvida de que o PT, abandonando a bandeira da “ética” e da “moralidade” e ignorando a tão prometida “forma diferente de governar”, que encartava, sobretudo, transparência, honestidade e eficiência, sofreu tamanha metamorfose, que nos remete ao conto de fadas – A roupa nova do rei – de autoria do dinamarquês Hans Christian Andersen, farsa que, descoberta por uma criança, provocou-lhe a seguinte exclamação: “O REI ESTÁ NU!”

Salvador Bonomo
Ex Deputado Estadual e Promotor de Justiça aposentado
Vitória, ES, 20.04.2014.


BONS DIAS DE SANTAS PÁSCOAS

Lembramos o episódio a respeito daqueles dois discípulos, um deles de nome Cléofas, que depois dos acontecimentos finalizados no Gólgota, desolados empreendiam volta para a cidade de Emaús.


Estavam desesperançados, tendo em vista que jogaram todas as suas fichas no êxito do reino que pensavam que Jesus tivesse vindo fundar e ao contrário, viram-no morrer de forma desumana e cruel sem que dos seus gestos desprendessem, segundo as suas cabecinhas, um mínimo sinal de que fosse o filho de Deus.

Durante a caminhada foram abordados por Jesus num encontro ao longo da estrada por onde comentavam o fato e iam muito tristes. Jesus interroga o que os deixava em tal estado e admirados eles respondem:  Como então, não sabe que Jesus, o grande Mestre, foi traído e morto covardemente?

Nesse ínterim, os dois chegam ao destino, enquanto Jesus demonstra propósito de prosseguir.

Mas não! Dizem, fazendo com que Jesus ficasse: fica conosco, Senhor, é tarde o dia declina e a noite já vem. Fica, vamos ceiar juntos. Jesus condecede e fica.

Já a mesa,  foi no momento em que tomando o pão, partiu-o,  foi reconhecido e os discípulos exultaram, mas Jesus desapareceu.

- Cara, bem que o nosso coração ardia enquanto Ele nos falava. É Ele, Jesus está vivo! Ressuscitou como disse. 

Supondo que todos tenhamos ressuscitado com Cristo, certamente só nos ocuparemos das coisas do alto. É bom estar muito atento para ouvir o que diz o outro, é a voz de Deus que arde no nosso coração enquanto ouvimos.


É assim, que todos os dias serão bons dias de Santas Páscoas.

sábado, 19 de abril de 2014

SE ERGUES DA JUSTIÇA A CLAVA FORTE


Naquele fórum, somente falariam quatro debatedoras, por dois minutos. A primeira favorecida transferiu seu tempo para outra, que a considerar pela aparência, coisa de neo fariseu, no entanto, impressionou pelas palavras recheadas de fina sabedoria e sutil conhecimento. 

A ela me referi, no artigo: “Lei Maria da Penha, ainda mera falácia”. Subsidia-me de novo, pois não é possível passar despercebida sua sapientíssima observação após ter contado as agruras pelas quais passa, resultado da impunidade que campeia, que beneficia o ex-marido e a alcança. Criticou então a “justiça”, lembrando: “no Hino Nacional se canta: “se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu, não foge a luta”. Interpreto: uma lutadora, sozinha cria os filhos, acredita no trabalho de artesã e no projeto “economia solidária”. Dispensa as tais “bolsas de tudo”, esmola de governo que prefere encabrestar a ensinar a pescar. E insinua: posso me cansar, Brasil, “não fugir da luta só é possível, se a clava forte da justiça for erguida”.
 
Ainda que possamos reconhecer as razões que o Judiciário sempre elenca em sua defesa, não se pode dizer que sua atuação tem sido resposta eficaz ao papel que lhe cabe na democracia. Não se tem havido à altura do poder que a Nação lhe outorgou, já que, é do povo que todo poder emana, nos termos da Constituição que prevê a forma de ingresso em tal sodalício.

Ao Judiciário particularmente se reservou o poder de punir, quando não o faz, concorre (este verbo tipifica a coautoria no Código Penal Brasileiro) para a multiplicidade de crimes, para a frequência com que são perpetrados, para a desorganização social, para o desequilíbrio das Instituições. Pior, quando se queda indiferente, ante fatos com todas as nuances das quais se revestem e provam que caminhamos para profundezas não dimensionadas, posto que inegável: o caos se instalou.

Entre muito mais: não se respeitam leis, ai estão os vândalos mascarados que driblam a polícia como bons atletas da bola driblam adversários para fazer gol e após dois saltos a frente, destroem tudo que visaram ou encontram. E voltam para onde moram, que lares não podem ser, felizes por serem suficientemente tão loucos, certos da impunidade.

Os papéis se inverteram.

Não se duvide do que diz uma mulher sábia e aquela nos lembrou. É de se temer, mas estamos todos na iminência funesta de fugir da luta, já que a indispensável clava forte da justiça jaz abaixada.

Marlusse Pestana Daher

Vitória, 28 de março de 2014 10:13. 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

ENCONTRO DO FILHO COM A MÃE

Quarta-feira da Semana Santa.
Adicionar legenda

As comemorações em muito lugares, nem todos, continua sendo com a realização da chamada “procissão do encontro”, solenidade que focaliza em especial, o momento em que a Virgem Maria depois que tomou conhecimento de que seu filho havia sido julgado e condenado à morte, em companhia de algumas amigas, entre elas Maria Madalena, aquela que muito amou, vai-lhe ao encontro e de fato, quando O vê, constata as atrocidades das quais foi vítima, a rudez dos açoites, da coroação de espinhos e o quanto estava abatido e humilhado por todo sofrimento que lhe foi causado.

Pode-se imaginar a dor experimentada por Maria ao ver o Filho naquela condição e é como se justifica a expressão colocada em seus lábios: vede se há dor maior que a minha dor.

Mas não se tem notícia de que Maria tenha aberto seus lábios para fazer qualquer tipo de queixa ou para falar contra, insultar ainda que minimamente, os agressores do seu Filho.

Cumpre seu papel de Mãe, permanecendo ao lado Dele, acompanhou-O pelo restante da via dolorosa. Permaneceu assim, viu-O cair e levantar-se, consolar as mulheres de Jerusalém, e nem ante a atroz crucificação, quando seus pés e mãos foram traspassados por pregos, a Mãe recuou.

Ficou no Gólgota, recebeu seu Filho morto nos braços e lhe deu sepultura.
Quem reflete sobre esta cena, descobre muitos outros aspectos e pode avaliar a profundidade do Sim que Maria proferiu na anunciação e foi repetindo durante toda sua vida, em cada momento que se fez necessário provar a mais perfeita comunhão de sua vontade com a vontade de Deus. 

Procuremos penetrar fundo no mistério de paixão, encontraremos razões para valorizar o preço do gesto da salvação operada por Jesus para resgatar-nos da morte e do pecado.


Boa Semana Santa!

terça-feira, 15 de abril de 2014

VOZES FEMININAS

Por J. G. de Araujo Jorge
1914 - 1987  Poeta e político. 
Para o observador desavisado, a impressão é a de que no Brasil de nossos dias, apenas um nome de mulher se impõe entre os grandes poetas, o de Cecília Meireles. Na verdade, ultimamente, a crítica brasileira tem esquecido injustamente muitos valores expressivos da nossa poesia feminina,   Ainda agora, ao lançar, inteiramente refundida, a terceira edição de “Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou”, volume I, poesia brasileira, contendo quatrocentos sonetos de todos os tempos e escolas, relendo suas provas comprovei essa realidade, diante de peças líricas da maior beleza e emoção, assinadas por nossas poetisas. E figuram no volume, entre outras, mais antigas, ou mais recentes: Amélia Tomás, Ana Amélia, Beatrix dos Reis Carvalho, Benedita de Melo, Carmem Cinira, Colombina (Ylde Schloembach), Corina Rebuá, Cíntia Castelo Branco, Francisca Júlia, Heli Menegali, Gilka Machado, Henriqueta Lisboa, Ilka Sanches, Itacy de Souza Teles, Lilinha Fernandes, Maria Eugênia Celso, Maria José Giglio, Maria José Aranha de Resende, Maria Sabina, Maria Teresa de Andrade Cunha, Nísia Nóbrega, Seleneh de Medeiros, Vivência Jambo da Costa, Vicentina de Carvalho, e mais algumas, todo um grupo de nomes, no mesmo plano em que se encontram nossos melhores poetas.
    Nas exíguas proporções de nossa crônica, gostaríamos de destacar quatro vozes líricas, de diapasões diferentes, inexplicavelmente silenciadas ou desconhecidas do grande público. Uma, já desaparecida; três delas, ainda em nosso convívio, muito embora seus cantos se percam na azoada vida contemporânea, onde música e ruído se confundem, onde poesia e charada se identificam.
   
Quem se lembra de Carmem Cinira? Carioca, falecida com menos de trinta anos, em 1933, seus versos eram publicados por jornais e revistas na última década de sua vida. De uma poesia simples, comunicativa, encontrou no soneto uma de suas formas preferidas de expressão. Selecionei de Carmem Cinira três sonetos para a antologia, um deles, realmente antológico, copiado nos cadernos de poesia, obrigatoriamente incluído em qualquer seleção no gênero. É o intitulado.

INCANSÁVEL
Velho sonho de amor que me fascina,                                                 causa das mágoas que me têm pungido                                                      e que, entanto, conservo na retina                                                      como a fonte de um bem inatingido... 

Flana velada, cântico em surdina  
de uma alma triste, um coração ferido,
nem pode haver linguagem que defina 
o que eu tenho, em silêncio padecido!  

Mas, ainda que mal recompensado      
meu amor há de sempre desculpar-te  
humilde, carinhoso, devotado...   

Bendito seja o dia em que te vi,  
pois não há maior glória do que amar-te      
nem melhor gozo que sofrer por ti!

    Citemos agora o nome de uma das maiores poetisas brasileiras de todos os tempos: Gilka Machado. De uma poesia sensorial, de ritmos quentes, pletórica de imagens, Gilka dá continuidade à melhor tradição de nossa sensibilidade e de nossa etnia. Permanece entretanto em silêncio, um injustificado silêncio que nos priva de seus versos tão cheios de belezas. E aqui fica uma pergunta aos nossos editores: porque não reeditar a obra de Gilka Machado, ou pelo menos um volume de suas poesias escolhidas?    
    Certos antolhos críticos, estreitas convenções estéticas vêm sufocando o que de melhor existe em nossas letras. Gilka Machado é uma vítima dessa “segregação”. Vou escolher ao acaso, um dos quatro sonetos que incluí na antologia:    

SONÊTO


Sob o céu, sobre o mar, dentre um profundo
silêncio de ermo, em meio às rochas nuas,   
aninhamos na noite, como duas   
aves, ébrios de nós, longe do mundo.   

Em teus olhos de treva ardiam luas;     
errava um cheiro, não sei onde oriundo;       
e minhas mãos, de tuas mãos no fundo,       
tinham desejos de morrer nas tuas.     

Sangrando luz, pendida a trança flava, 
uma estrela do além se despenhava...  
? Sorriste olhando-a, entristeci-me ao vê-la...

Com a alma em fogo, pela noite fria,   
em vertigens de amor eu me sentia     
rolar no abismo como aquela estrela.


    Destaquemos em seguida, aquela que poderíamos chamar de a nossa Virginia Vitorino: Benedita de Melo. Exímia sonetista, com um verso musical, tal como a grande poetisa portuguesa, Benedita de Melo possui apenas um livro publicado: “Luz da Minha Vida”. E é realmente a sua luz, pois a poetisa cega encontra na poesia seu iluminado mundo interior. Sua lírica vem valorizada pela capacidade de fixar conflitos psicológicos e situações do cotidiano. Um dos mais belos momentos de inspiração é este  

VERGONHA


- “Menina!” Disse alguém, no grande instante
em que era dividido em dois um ser...  
E essa palavra, pelo mundo avante,     
foi meu santo orgulho de viver... 

Ser menina. Ser moça. Ser constante.  
Ser caráter. Ser honra. Ser dever.       
Por mais tropeços que encontrasse adiante   
nunca me entristeci de ser mulher.      

Mas veio o Amor. Veio a traição ferina  
e todo o orgulho meu de ser menina,   
roubou-o a sorte, malfadada e crua;    

e veio a dor, e veio a mágoa, o tédio,  
e a vergonha escaldante e sem remédio       
de ter sido mulher para ser tua.
  Finalmente, uma outra poetisa de que poucos terão ouvido falar. E a razão é a mesma: possui também apenas um livro publicado. Uma coleção de poemas e sonetos líricos: “Primavera, Escuta...”
Conhecia-a há anos, muito mocinha, em Friburgo. Sei que se casou, que reside em São Paulo, que é uma dona-de-casa feliz, às voltas com todos os problemas rotineiros de um lar. Telefonou-me faz algum tempo, quando lancei a primeira edição da antologia, para agradecer-me o fato de “tê-la incluído entre tantos poetas consagrados”. Mas não fiz favor. Maria Teresa de Andrade Cunha, este o seu nome de solteira, o seu nome literário, disse-me também que não tem mais tempo para a poesia. Não acredito. Estou certo de que apenas recolhe o canto, até nova surpresa. É uma poetisa como as demais, neo-romântica, de expressão moderna. Se poesia é emoção e simplicidade, Maria Teresa faz poesia, e da mais pura. Vamos ouvi-la, numa homenagem à sua arte e à de Friburgo daquele tempo, com o seu soneto:


QUERIA QUE CHEGASSES    

Festiva, em frente, se ergue a serrania 
tocada de um dourado cambiante;       
queria que chegasses neste instante;    
nem sabes como está bonito o dia!      

Anda no ar transparente uma alegria   
uma alegria imensa, delirante...  
Como está perto o azul do céu distante!
Que perfume e que luz, na tarde fria!   

Queria que chegasses de surpresa.      
É tão maravilhosa a natureza,     
juncando esse caminho, há tanta flor!  

...Sairíamos juntos, devagar...    
Sem destino, sem pressa de voltar       
de mãos dadas, felizes, meu amor!      

(Crônicas.  de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"No Mundo da Poesia" Edição do Autor -1969 )


segunda-feira, 14 de abril de 2014

DOMINGO DE RAMOS


Como parte das celebrações que acontecem no período da quaresma se encontram os momentos que vivenciamos ontem: a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, ou seja, quando Jesus é aclamado rei pelo povo.

Naquele momento, montava um jumento. Jesus foi aclamado entre hosanas ao rei, pelos filhos de hebreus que portavam ramos de oliveira, dai o nome Domingo de Ramos.

Foi o momento de manifestas glórias que Jesus viveu, enquanto passava pela terra dos homens. Mas esta sensação ou certeza de ter um rei durou muito pouco.

Era o povo que depois esqueceria o que seus lábios disseram e ia preferir que Barrabás, ladrão inveterado e malfeitor fosse solto, ao invés de Jesus, quando a escolha foi deixada a seu critério.

Foi uma clara demonstração de que as massas se determinam na forma com que é provocada e repete o que ouve como se fosse realmente o que quer dizer.

E a história se repete, ainda hoje, as massas isto é, o povo dependente do resultado das ações ou atitudes de alguns, passa a se determinar na forma por esses sugerida.

Exemplo claro são os que recebem bolsa família, um programa que deve existir para ajudar quem precisa por um tempo apenas, até ser capaz de sustentar-se mas que fica para sempre, favorecendo a preguiça e o não querer ser o dono de si, assumir potencialmente  sua vida.

É ai que fica escravizado e no caso de eleição, por exemplo,  vota sempre em quem assim o favorece. Não vê que na verdade renunciou a ser dono de si mesmo, de sua vida, de sua capacidade de ser livre porque foi para  a liberdade que Cristo nos libertou.

Iniciamos a Semana Santa, desejo a você e a mim que a vivamos bem para que ressuscitemos com Cristo, no próximo domingo de Páscoa.