Ame seu familiar e próximo, apesar de todas as brigas que houve entre vocês.
Pelas decepções e revoltas causadas por um irmão ou uma irmã que foi injusto(a) com você, que o desprezou, lesou, ofendeu, causando-lhe prejuízo econômico e prejuízo à sua honra, que falou mal de você, embora fosse seu irmão. Pelas decepções por causa de herança e terra...
Às vezes, irmãos e cunhados brigam entre si até por causa do cachorro. O problema com o animal passa, mas fica a decepção, a inimizade, enquanto o cachorro está belo e folgado.
Impressionante: no perdão está a raiz de tudo! Derrama, Senhor, sobre cada um de meus irmãos, a decisão de perdoar e amar.
Que Deus abençoe
Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova
quinta-feira, 25 de julho de 2013
segunda-feira, 22 de julho de 2013
O PAPA CHEGOU
Vim para a JMJ para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo atraídos pelos braços abertos pelo Cristo Redentor. Estes jovens provêm de diversos continentes, falam línguas diferentes, são portadores de variadas culturas e, todavia, em Cristo encontram as respostas para suas mais altas e comuns aspirações e podem saciar a fome de verdade límpida e de amor autêntico que os irmanem para além de toda diversidade."
Papa Francisco
O Papa Francisco chegou ao Brasil às 15h43 desta segunda-feira (22) para presidir a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e saudou os jovens em seu primeiro discurso, no Rio de Janeiro. "Cristo bota fé nos jovens", afirmou o pontífice argentino, que faz sua primeira viagem internacional desde que foi escolhido sucessor de Bento XVI. O Papa fica no país até domingo (28) e ainda visitará a cidade de Aparecida (SP), nesta quarta.
Leia a íntegra do discurso a seguir:
"Senhora Presidenta, Ilustres Autoridades, Irmãos e amigos!
Quis Deus na sua amorosa providência que a primeira viagem internacional do meu Pontificado me consentisse voltar à amada América Latina, precisamente ao Brasil, nação que se gloria de seus sólidos laços com a Sé Apostólica e dos profundos sentimentos de fé e amizade que sempre a uniram de modo singular ao Sucessor de Pedro. Dou graças a Deus pela sua benignidade.
Aprendi que para ter acesso ao Povo Brasileiro, é preciso ingressar pelo portal do seu imenso coração; por isso permitam-me que nesta hora eu possa bater delicadamente a esta porta.
Peço licença para entrar e transcorrer esta semana com vocês. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em seu Nome, para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração; e desejo que chegue a todos e a cada um a minha saudação: “A paz de Cristo esteja com vocês!”
Saúdo com deferência a senhora presidenta e os ilustres membros do seu governo. Obrigado pelo seu generoso acolhimento e por suas palavras que externaram a alegria dos brasileiros pela minha presença em sua Pátria. Cumprimento também o senhor governador deste Estado, que amavelmente nos recebe na sede do governo, e o senhor prefeito do Rio de Janeiro, bem como os Membros do Corpo Diplomático acreditado junto ao governo brasileiro, as demais autoridades presentes e todos quantos se prodigalizaram para tornar realidade esta minha visita.
Quero dirigir uma palavra de afeto aos meus irmãos no Episcopado, sobre quem pousa a tarefa de guiar o Rebanho de Deus neste imenso País, e às suas amadas igrejas particulares. Esta minha visita outra coisa não quer senão continuar a missão pastoral própria do Bispo de Roma de confirmar os seus irmãos na Fé em Cristo, de animá-los a testemunhar as razões da Esperança que d’Ele vem e de incentivá-los a oferecer a todos as inesgotáveis riquezas do seu Amor.
O motivo principal da minha presença no Brasil, como é sabido, transcende as suas fronteiras. Vim para a Jornada Mundial da Juventude. Vim para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor. Eles querem agasalhar-se no seu abraço para, junto de seu Coração, ouvir de novo o seu potente e claro chamado: "Ide e fazei discípulos entre todas as nações".
Estes jovens provêm dos diversos continentes, falam línguas diferentes, são portadores de variadas culturas e, todavia, em Cristo encontram as respostas para suas mais altas e comuns aspirações e podem saciar a fome de verdade límpida e de amor autêntico que os irmanem para além de toda diversidade.
Cristo abre espaço para eles, pois sabe que energia alguma pode ser mais potente que aquela que se desprende do coração dos jovens quando conquistados pela experiência da sua amizade. Cristo “bota fé” nos jovens e confia-lhes o futuro de sua própria causa: “Ide, fazei discípulos”. Ide para além das fronteiras do que é humanamente possível e criem um mundo de irmãos. Também os jovens “botam fé” em Cristo. Eles não têm medo de arriscar a única vida que possuem porque sabem que não serão desiludidos.
Ao iniciar esta minha visita ao Brasil, tenho consciência de que, ao dirigir-me aos jovens, falarei às suas famílias, às suas comunidades eclesiais e nacionais de origem, às sociedades nas quais estão inseridos, aos homens e às mulheres dos quais, em grande medida, depende o futuro destas novas gerações.
Os pais usam dizer por aqui: “os filhos são a menina dos nossos olhos”. Que bela expressão da sabedoria brasileira que aplica aos jovens a imagem da pupila dos olhos, janela pela qual entra a luz regalando-nos o milagre da visão! O que vai ser de nós, se não tomarmos conta dos nossos olhos? Como haveremos de seguir em frente? O meu auspício é que, nesta semana, cada um de nós se deixe interpelar por esta desafiadora pergunta.
A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo e, por isso, nos impõe grandes desafios. A nossa geração se demonstrará à altura da promessa contida em cada jovem quando souber abrir-lhe espaço; tutelar as condições materiais e imateriais para o seu pleno desenvolvimento; oferecer a ele fundamentos sólidos, sobre os quais construir a vida; garantir-lhe segurança e educação para que se torne aquilo que ele pode ser; transmitir-lhe valores duradouros pelos quais a vida mereça ser vivida, assegurar-lhe um horizonte transcendente que responda à sede de felicidade autêntica, suscitando nele a criatividade do bem; entregar-lhe a herança de um mundo que corresponda à medida da vida humana; despertar nele as melhores potencialidades para que seja sujeito do próprio amanhã e corresponsável do destino de todos.
Concluindo, peço a todos a delicadeza da atenção e, se possível, a necessária empatia para estabelecer um diálogo de amigos. Nesta hora, os braços do Papa se alargam para abraçar a inteira nação brasileira, na sua complexa riqueza humana, cultural e religiosa. Desde a Amazônia até os pampas, dos sertões até o Pantanal, dos vilarejos até as metrópoles, ninguém se sinta excluído do afeto do Papa. Depois de amanhã, se Deus quiser, tenho em mente recordar-lhes todos a Nossa Senhora Aparecida, invocando sua proteção materna sobre seus lares e famílias. Desde já a todos abençoo. Obrigado pelo acolhimento!"
Papa Francisco
O Papa Francisco chegou ao Brasil às 15h43 desta segunda-feira (22) para presidir a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e saudou os jovens em seu primeiro discurso, no Rio de Janeiro. "Cristo bota fé nos jovens", afirmou o pontífice argentino, que faz sua primeira viagem internacional desde que foi escolhido sucessor de Bento XVI. O Papa fica no país até domingo (28) e ainda visitará a cidade de Aparecida (SP), nesta quarta.
Leia a íntegra do discurso a seguir:
"Senhora Presidenta, Ilustres Autoridades, Irmãos e amigos!
Quis Deus na sua amorosa providência que a primeira viagem internacional do meu Pontificado me consentisse voltar à amada América Latina, precisamente ao Brasil, nação que se gloria de seus sólidos laços com a Sé Apostólica e dos profundos sentimentos de fé e amizade que sempre a uniram de modo singular ao Sucessor de Pedro. Dou graças a Deus pela sua benignidade.
Aprendi que para ter acesso ao Povo Brasileiro, é preciso ingressar pelo portal do seu imenso coração; por isso permitam-me que nesta hora eu possa bater delicadamente a esta porta.
Peço licença para entrar e transcorrer esta semana com vocês. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em seu Nome, para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração; e desejo que chegue a todos e a cada um a minha saudação: “A paz de Cristo esteja com vocês!”
Saúdo com deferência a senhora presidenta e os ilustres membros do seu governo. Obrigado pelo seu generoso acolhimento e por suas palavras que externaram a alegria dos brasileiros pela minha presença em sua Pátria. Cumprimento também o senhor governador deste Estado, que amavelmente nos recebe na sede do governo, e o senhor prefeito do Rio de Janeiro, bem como os Membros do Corpo Diplomático acreditado junto ao governo brasileiro, as demais autoridades presentes e todos quantos se prodigalizaram para tornar realidade esta minha visita.
Quero dirigir uma palavra de afeto aos meus irmãos no Episcopado, sobre quem pousa a tarefa de guiar o Rebanho de Deus neste imenso País, e às suas amadas igrejas particulares. Esta minha visita outra coisa não quer senão continuar a missão pastoral própria do Bispo de Roma de confirmar os seus irmãos na Fé em Cristo, de animá-los a testemunhar as razões da Esperança que d’Ele vem e de incentivá-los a oferecer a todos as inesgotáveis riquezas do seu Amor.
O motivo principal da minha presença no Brasil, como é sabido, transcende as suas fronteiras. Vim para a Jornada Mundial da Juventude. Vim para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor. Eles querem agasalhar-se no seu abraço para, junto de seu Coração, ouvir de novo o seu potente e claro chamado: "Ide e fazei discípulos entre todas as nações".
Estes jovens provêm dos diversos continentes, falam línguas diferentes, são portadores de variadas culturas e, todavia, em Cristo encontram as respostas para suas mais altas e comuns aspirações e podem saciar a fome de verdade límpida e de amor autêntico que os irmanem para além de toda diversidade.
Cristo abre espaço para eles, pois sabe que energia alguma pode ser mais potente que aquela que se desprende do coração dos jovens quando conquistados pela experiência da sua amizade. Cristo “bota fé” nos jovens e confia-lhes o futuro de sua própria causa: “Ide, fazei discípulos”. Ide para além das fronteiras do que é humanamente possível e criem um mundo de irmãos. Também os jovens “botam fé” em Cristo. Eles não têm medo de arriscar a única vida que possuem porque sabem que não serão desiludidos.
Ao iniciar esta minha visita ao Brasil, tenho consciência de que, ao dirigir-me aos jovens, falarei às suas famílias, às suas comunidades eclesiais e nacionais de origem, às sociedades nas quais estão inseridos, aos homens e às mulheres dos quais, em grande medida, depende o futuro destas novas gerações.
Os pais usam dizer por aqui: “os filhos são a menina dos nossos olhos”. Que bela expressão da sabedoria brasileira que aplica aos jovens a imagem da pupila dos olhos, janela pela qual entra a luz regalando-nos o milagre da visão! O que vai ser de nós, se não tomarmos conta dos nossos olhos? Como haveremos de seguir em frente? O meu auspício é que, nesta semana, cada um de nós se deixe interpelar por esta desafiadora pergunta.
A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo e, por isso, nos impõe grandes desafios. A nossa geração se demonstrará à altura da promessa contida em cada jovem quando souber abrir-lhe espaço; tutelar as condições materiais e imateriais para o seu pleno desenvolvimento; oferecer a ele fundamentos sólidos, sobre os quais construir a vida; garantir-lhe segurança e educação para que se torne aquilo que ele pode ser; transmitir-lhe valores duradouros pelos quais a vida mereça ser vivida, assegurar-lhe um horizonte transcendente que responda à sede de felicidade autêntica, suscitando nele a criatividade do bem; entregar-lhe a herança de um mundo que corresponda à medida da vida humana; despertar nele as melhores potencialidades para que seja sujeito do próprio amanhã e corresponsável do destino de todos.
Concluindo, peço a todos a delicadeza da atenção e, se possível, a necessária empatia para estabelecer um diálogo de amigos. Nesta hora, os braços do Papa se alargam para abraçar a inteira nação brasileira, na sua complexa riqueza humana, cultural e religiosa. Desde a Amazônia até os pampas, dos sertões até o Pantanal, dos vilarejos até as metrópoles, ninguém se sinta excluído do afeto do Papa. Depois de amanhã, se Deus quiser, tenho em mente recordar-lhes todos a Nossa Senhora Aparecida, invocando sua proteção materna sobre seus lares e famílias. Desde já a todos abençoo. Obrigado pelo acolhimento!"
domingo, 14 de julho de 2013
PATRIMONIALISMO
Patrimonialismo
é característica do Estado, no qual não exista distinção entre o que é bem
público e o que é bem privado. É uma espécie de vírus que tem o
condão de fundir, misturar o interesse público com o interesse privado, sempre
em detrimento do interesse público. Era característica marcante dos Estados
absolutistas da Idade Média, cujos chefes eram monarcas (reis), dentre os quais
figurava Portugal, que descobriu o Brasil. Exemplifica bem tal concepção a
frase atribuída ao “Rei-Sol”, Luís XIV (1643-1715), da França,
consistente em “L´É tat c´est moi” (O Estado sou eu). Através da cultura
português, herdamos essa imoral endemia.
O
Brasil, frise-se, descoberto (1500) e colonizado por Portugal, obsorveu a
cultura portuguesa, dentre cujas características se destacava a mentalidade
patrimonialista, que atravessou o Período Colonial (1500-1822), que percorreu o
Período Imperial (1882-1889), que enveredou pela República Velha (1889-1930),
chegando aos nossos dias ainda com muita pujança.
Como
o Corporativismo e a Corrupção, o Patrimonialismo é enfermidade, de natureza
imoral, que contamina, seriamente, as Administrações Públicas em geral, pelo
que, há muito, está a exigir antídoto adequado e urgente. O Patrimonialismo, em
regra, assume formas as mais diversas, dentre as quais, destacamos os
seguintes exemplos: 1) – concursos públicos fraudulentos para aprovação de
parentes e amigos, a ponto de transformarem setores da Administração Pública em
verdadeiros “condomínios familiares”; 2) – licitações públicas viciadas, para
beneficiarem empresas financiadoras de campanhas políticas; 3) – entrega, a
Partidos Políticos “da base”, de Empresas Públicas, Secretarias, com status
de Ministério, e inclusive Ministérios, “de porteira
fechada””, em troca de algo moral ou eticamente condenável, o que
ocasionou, durante o primeiro ano de governo da atual Presidente, a exoneração
de 06 Ministros, todos suspeitos de graves irregularidades; 4) – uso frequente
de nepotismo, clientelismo e fisiologismo; 5) – uso, bem recentemente, de
3 aviões da Força Aérea Brasileira, por Luiz Henrique Alves, Presidente da
Câmara, por Renan Calheiros, Presidente do Senado, e por Garibaldi Alves,
Senador e Ministro da Previdência Social, para atender interesses eminentemente
pessoais; 6) – e ... até tu, Joaquim Barbosa!!!
Quem,
afinal, é a vítima do Patrimonialismo? Por óbvio, toda a Sociedade, que deveria
ser beneficiária direta, exclusiva e permanente num Estado que se diz
Democrático de Direito, cujas Administrações devem observar, rigorosamente, os
princípios constitucionais, sobretudo o da legalidade, o da razoabilidade, o da
moralidade, o da Impessoalidade, o da publicidade e o da eficiência.
Concluindo,
urge que perguntemos: a quem compete fiscalizar os atos das Administrações
Públicas em geral? Resposta: compete às Corregedorias, aos Legislativos,
aos Tribunais de Conta, aos Ministérios Públicos, ao Poder Judiciário (como
ente julgador) e, também, à Sociedade Civil Organizada, pois a cada qual cabe
uma parcela de responsabilidade na luta para que se materialize tal desiderato.
A propósito, invocamos a dicção de Louhanne Mota: “Lutar, sempre; vencer,
talvez; desistir, jamais”.
Salvador Bonomo.
Ex-Deputado estadual e Promotor de Justiça, aposentado.
Vitória, ES, 5.07.2013.
sábado, 13 de julho de 2013
SÓ CRISTO IMPORTA
A ideologia cristã
É neste palco que surgiu o cristianismo, pregando, a partir da periferia do mundo de então, uma nova ideologia, uma "Boa Nova", que despertava muito a atenção do povo, sobretudo os mais pobres. O Apóstolo Paulo, pregando em língua grega em todos os grandes centros, consolidou um novo modelo de cristianismo que diferia do cristianismo Ortodoxo original, existente em Jerusalém e ao Judaísmo. A grande aceitação do cristianismo entre os gregos e romanos, os gentios,foi porque passaram a se perceber como "depositários da fé e filhos da Promessa".Opondo-se ao pensamento grego racionalista e teórico, o pensamento semita afirmou a historicidade e dramaticidade da vida humana, o sujeito, a pessoa, a consciência, o sentimento, a irreversibilidade do tempo, a Providência de Deus Pai e a salvação para todos por um gesto misteriosamente eficaz de um "Deus-Homem", Jesus Cristo. Esta era a "Boa Nova" (em grego Evangélion) anunciada de cidade em cidade e que atraía milhares de adeptos bem como incomodava os círculos do poder.
Em Roma, o cristianismo emancipou-se depois de três séculos de contradições e perseguições. Qual seria o perigo que ele representava? Outra vez deixaremos as causas mais históricas e específicas para determo-nos em dois pontos: a pregação cristã e o culto a Cristo. A pregação cristã era dirigida sobretudo a periferia de Roma. A estes povos dominados, massacrados, tidos como "povinho" pela ideologia da superioridade romana; explorados, escravizados e constantemente ameaçados, o cristianismo prega: a igualdade de todos os homens, a filiação divina de todos, a criação e a paterna providência de Deus, a salvação de todos e a ressurreição, uma outra vida para os sofridos e pobres, a caridade para com o próximo e, sobretudo a repartição das riquezas, condição, para a conversão à comunidade "dos eleitos". Isto criou toda uma espiritualidade dos grupos perseguidos, que passou a chamar a atenção dos povos naquele tempo.
Esta plataforma pregada com a tenacidade e o testemunho da morte (Pedro e Paulo morrem em Roma crucificados e decapitados) tem efeito explosivo e transformador. As perseguições aos cristão são, sobretudo, pelo perigo que a sua pregação acarretava na decadente Roma dos séculos I e II d.C.. E o outro ponto importante é a pertença a uma comunidade, uma identidade religiosa onde todos "tinham tudo em comum e dividiam seus bens com alegria de modo que não havia necessitados entre eles".
O segundo ponto é o culto ao Christós, o filho de Deus, completamente puro de todo o pecado, título divino que os cristão tinham dado a Jesus de Nazaré, o Jesus histórico. Afirmar que o Jesus de Nazaré, histórico, é o "Christós" do universo e da sua vida é o primeiro ato da fé cristã, libertando-se do Judaísmo. Mas o importante é que o culto a Cristo é a negação do culto ao Augusto, título igualmente divino e prerrogativa de todos os Césares a partir de Otávio, que instituiu este culto, para todo o império, como suporte ideológico-político de sua dominação, paralelo ao culto dos demais deuses do panteão romano copiado dos gregos, Detenhamo-nos no seu aspecto político-religioso. Afirmar que o sol não era deus significava deixar inúmeros templos vazios e sacerdotes sem função, e mesmo deixar o Exército sem proteção. Afirmar que o imperador não é Deus é subversão política que as leis classificavam como crime de morte. Dizer que o imperador não é Deus é negar a sua efígie na moeda que corre, é negar os valores desta sociedade da qual ele é o símbolo e a sanção sagrada. Tudo isso é ser subversivo e as camadas dominantes rapidamente perceberam isto. Mas as perseguições, aliadas a outras causas internas e externas, aceleraram o processo de transformação do império romano. Do ano 50, quando chegou a Roma, o cristianismo sofreu quatorze grandes perseguições, até que em 313 foi proclamado "religião oficial do Estado" pelo imperador Constantino. Começou então uma nova época para o cristianismo, a união entre poder político e religioso que gerou a cristandade medieval. Era a superação da cultura romana elaborada em sua interioridade e o surgimento de nova síntese cultural: a "cristandade", que se opunha à superada "romanidade".
Nos dois séculos seguintes, IV e V, um outro fenômeno aconteceu em nível da religião (comunidade) e do império. Na comunidade surgiu uma crescente categoria que usurpou cada vez mais os poderes religiosos comunitários e concentrou os ministérios e funções em suas mãos: o clero. Desenvolvem uma ideologia (teologia) de justificação da função (O Cristo cabeça e a figura do Pastor) e aliam-se cada vez mais aos grupos dominantes. Deus Pai, que é amoroso e envia ao Mundo seu Filho para dizer que Ele quer salvar a Humanidade, é transformado em Deus carrasco que vê pecado em tudo e julga a humanidade com mão de ferro. Santo Agostinho é um dos teóricos deste movimento, propondo a divisão do poder em seu livro "Cidade de Deus e Cidade dos Homens", duas figuras básicas para explicar o poder da igreja e do Imperador. O papa, bispo de Roma com a justificação ideológica do primado de Pedro, toma o poder sobre os demais bispos e se configura em um novo "imperador" com palácios, títulos, vestes e bastão, símbolos de poder.
O triunfo histórico do cristianismo
Quando o Império Romano afundava sobre os ataques dos povos bárbaros, que vieram do norte, a Igreja já tinha poder suficiente para empreender a catequese destes povos. Faz do chefe bárbaro um imperador e impõe sobre ele a doutrina cristã, erigindo-se como a nova realidade do mundo: A Idade Média. Nessa época, com o surgimento de povos do norte que começam a invadir o Império Romano, o povo começa a fugir das cidades romanas. Os bárbaros povo de origem germânica, que não falava latim) que invadiam as cidades, saqueavam, violentavam mulheres, levavam jovens para ser soldados; incendiavam as cidades), foram responsáveis por mudanças no Império Romano. O povo com medo dos bárbaros fugia para os campos, chamados feudos (espécie de vilas ou fazendas) onde se ofereciam para trabalhar para os proprietários. Em troca do trabalho, moradia, alimentação e proteção, faziam um acordo de permanecer na terra do senhor enquanto vivessem e seus filhos da mesma forma. Este sistema, que se chamou de Feudalismo e permaneceu até surgir a Idade Moderna.O cristianismo floresceu nesse meio. As vilas foram crescendo com a chegada cada vez maior de pessoas provindas das cidades. As vilas tinham o castelo do Senhor e o Templo, onde eram celebradas as missas; cumpridas as orações, da manhã, meio dia, anoitecer, sendo marcadas com o toque do sino. O povo devia obrigação de participar das orações e missa, confessar seus pecados, receber a hóstia, obedecer os mandamentos e dar as ofertas.
MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA A JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE
Escrita no pontificado de Bento XVI.
Desejo, em
primeiro lugar, renovar a vós o convite para participardes nesse importante
evento. A conhecida estátua do Cristo Redentor, que se eleva sobre àquela bela
cidade brasileira, será o símbolo eloquente deste convite: seus braços abertos
são o sinal da acolhida que o Senhor reservará a todos quantos vierem até Ele,
e o seu coração retrata o imenso amor que Ele tem por cada um e cada uma de
vós. Deixai-vos atrair por Ele! Vivei essa experiência de encontro com Cristo,
junto com tantos outros jovens que se reunirão no Rio para o próximo encontro
mundial! Deixai-vos amar por Ele e sereis as testemunhas de que o mundo
precisa.
![]() |
| Bento XVI Papa Emérito |
“Ide e fazei
discípulos entre as nações!” (cf. Mt 28,19)
Queridos
jovens, Desejo fazer chegar a todos vós minha saudação cheia de alegria e
afeto. Tenho a certeza que muitos de vós regressastes a casa da Jornada Mundial
da Juventude em Madri mais “enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé”
(cf. Col 2,7). Este ano, inspirados pelo tema: “Alegrai-vos sempre no Senhor”
(Fil 4,4) celebramos a alegria de ser cristãos nas várias dioceses. E agora
estamos nos preparando para a próxima Jornada Mundial, que será celebrada no
Rio de Janeiro, Brasil, em julho de 2013.
Convido a
vos preparardes para a Jornada Mundial do Rio de Janeiro, meditando desde já
sobre o tema do encontro: “Ide e fazei discípulos entre as nações” (cf. Mt
28,19). Trata-se da grande exortação missionária que Cristo deixou para toda a
Igreja e que permanece atual ainda hoje, dois mil anos depois. Agora, este
mandato deve ressoar fortemente em vosso coração. O ano de preparação para o
encontro do Rio coincide com o Ano da Fé, no início do qual o Sínodo dos Bispos
dedicou os seus trabalhos à “nova evangelização para a transmissão da fé
cristã”. Por isso, me alegro que também vós, queridos jovens, sejais envolvidos
neste impulso missionário de toda a Igreja: fazer conhecer Cristo é o dom mais
precioso que podeis fazer aos outros.
1. UMA
CHAMADA URGENTE
A história
mostra-nos muitos jovens que, através do dom generoso de si mesmos,
contribuíram grandemente para o Reino de Deus e para o desenvolvimento deste
mundo, anunciando o Evangelho. Com grande entusiasmo, levaram a Boa Nova do
Amor de Deus manifestado em Cristo, com meios e possibilidades muito inferiores
àqueles de que dispomos hoje em dia. Penso, por exemplo, no Beato José de
Anchieta, jovem jesuíta espanhol do século 16, que partiu em missão para o
Brasil quando tinha menos de 20 anos e se tornou um grande apóstolo do Novo
Mundo. Mas penso também em tantos de vós que se dedicam generosamente à missão
da Igreja: disto mesmo tive um testemunho surpreendente na Jornada Mundial de
Madri, em particular na reunião com os voluntários.
Hoje, não
poucos jovens duvidam profundamente que a vida seja um bem, e não veem com
clareza o próprio caminho. De um modo geral, diante das dificuldades do mundo
contemporâneo, muitos se perguntam: E eu, que posso fazer? A luz da fé ilumina
esta escuridão, nos fazendo compreender que toda existência tem um valor
inestimável, porque é fruto do amor de Deus. Ele ama mesmo quem se distanciou
ou esqueceu d’Ele: tem paciência e espera; mais que isso, deu o seu Filho,
morto e ressuscitado, para nos libertar radicalmente do mal. E Cristo enviou os
seus discípulos para levar a todos os povos este alegre anúncio de salvação e
de vida nova.
A Igreja,
para continuar esta missão de evangelização, conta também convosco. Queridos
jovens, vós sois os primeiros missionários no meio dos jovens da vossa idade!
No final do Concílio Ecumênico Vaticano II, cujo cinquentenário celebramos
neste ano, o Servo de Deus Paulo VI entregou aos jovens e às jovens do mundo
inteiro uma mensagem que começava com estas palavras: “É a vós, rapazes e moças
de todo o mundo, que o Concílio quer dirigir a sua última mensagem, pois sereis
vós a recolher o facho das mãos dos vossos antepassados e a viver no mundo no
momento das mais gigantescas transformações da sua história, sois vós quem, recolhendo
o melhor do exemplo e do ensinamento dos vossos pais e mestres, ides constituir
a sociedade de amanhã: salvar-vos-eis ou perecereis com ela”. E concluía com um
apelo: “Construí com entusiasmo um mundo melhor que o dos vossos antepassados!”
(Mensagem aos jovens, 8 de dezembro de 1965).
Queridos
amigos, este convite é extremamente atual. Estamos passando por um período
histórico muito particular: o progresso técnico nos deu oportunidades inéditas
de interação entre os homens e entre os povos, mas a globalização destas
relações só será positiva e fará crescer o mundo em humanidade se estiver
fundada não sobre o materialismo, mas sobre o amor, a única realidade capaz de
encher o coração de cada um e unir as pessoas. Deus é amor. O homem que esquece
Deus fica sem esperança e se torna incapaz de amar seu semelhante. Por isso é
urgente testemunhar a presença de Deus para que todos possam experimentá-la:
está em jogo a salvação da humanidade, a salvação de cada um de nós. Qualquer
pessoa que entenda essa necessidade, não poderá deixar de exclamar com São
Paulo: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho” (1 Cor 9,16).
2.
TORNAI-VOS DISCÍPULOS DE CRISTO
Esta chamada
missionária vos é dirigida também por outro motivo: é necessário para o nosso
caminho de fé pessoal. O Beato João Paulo II escrevia: “É dando a fé que ela se
fortalece” (Encíclica “Redemptoris missio”, 2). Ao anunciar o Evangelho, vós
mesmos cresceis em um enraizamento cada vez mais profundo em Cristo, vos
tornais cristãos maduros. O compromisso missionário é uma dimensão essencial da
fé: não se crê verdadeiramente, se não se evangeliza. E o anúncio do Evangelho
não pode ser senão consequência da alegria de ter encontrado Cristo e ter
descoberto n’Ele a rocha sobre a qual construir a própria existência.
Comprometendo-vos no serviço aos demais e no anúncio do Evangelho, a vossa
vida, muitas vezes fragmentada entre tantas atividades diversas, encontrará no
Senhor a sua unidade; construir-vos-eis também a vós mesmos; crescereis e
amadurecereis em humanidade.
Mas, que
significa ser missionário? Significa acima de tudo ser discípulo de Cristo e
ouvir sem cessar o convite a segui-Lo, o convite a fixar o olhar n’Ele:
“Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). O
discípulo, de fato, é uma pessoa que se põe à escuta da Palavra de Jesus (cf.
Lc 10,39), a quem reconhece como o Mestre que nos amou até o dom de sua vida.
Trata-se, portanto, de cada um de vós deixar-se plasmar diariamente pela
Palavra de Deus: ela vos transformará em amigos do Senhor Jesus, capazes de
fazer outros jovens entrar nesta mesma amizade com Ele.
Aconselho-vos
a guardar na memória os dons recebidos de Deus, para poder transmiti-los ao
vosso redor. Aprendei a reler a vossa história pessoal, tomai consciência
também do maravilhoso legado recebido das gerações que vos precederam: tantos
cristãos nos transmitiram a fé com coragem, enfrentando obstáculos e
incompreensões. Não o esqueçamos jamais! Fazemos parte de uma longa cadeia de
homens e mulheres que nos transmitiram a verdade da fé e contam conosco para
que outros a recebam. Ser missionário pressupõe o conhecimento deste patrimônio
recebido que é a fé da Igreja: é necessário conhecer aquilo em que se crê, para
podê-lo anunciar. Como escrevi na introdução do YouCat, o Catecismo para jovens
que vos entreguei no Encontro Mundial de Madri, “tendes de conhecer a vossa fé
como um especialista em informática domina o sistema operacional de um
computador. Tendes de compreendê-la como um bom músico entende uma partitura.
Sim, tendes de estar enraizados na fé ainda mais profundamente que a geração
dos vossos pais, para enfrentar os desafios e as tentações deste tempo com
força e determinação” (Prefácio).
3. IDE!
Jesus enviou
os seus discípulos em missão com este mandato: “Ide pelo mundo inteiro e
anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo” (Mc
16,15-16). Evangelizar significa levar aos outros a Boa Nova da salvação, e
esta Boa Nova é uma pessoa: Jesus Cristo. Quando O encontro, quando descubro
até que ponto sou amado por Deus e salvo por Ele, nasce em mim não apenas o
desejo, mas a necessidade de fazê-lo conhecido pelos demais. No início do
Evangelho de João, vemos como André, depois de ter encontrado Jesus, se apressa
em conduzir a Ele seu irmão Simão (cf. 1,40-42). A evangelização sempre parte
do encontro com o Senhor Jesus: quem se aproximou d’Ele e experimentou o seu
amor, quer logo partilhar a beleza desse encontro e a alegria que nasce dessa
amizade. Quanto mais conhecemos a Cristo, tanto mais queremos anunciá-lo.
Quanto mais falamos com Ele, tanto mais queremos falar d’Ele. Quanto mais somos
conquistados por Ele, tanto mais desejamos levar outras pessoas para Ele.
Pelo
Batismo, que nos gera para a vida nova, o Espírito Santo vem habitar em nós e
inflama a nossa mente e o nosso coração: é Ele que nos guia para conhecer a Deus
e entrar em uma amizade sempre mais profunda com Cristo. É o Espírito que nos
impulsiona a fazer o bem, servindo os outros com o dom de nós mesmos. Depois,
através do sacramento da Confirmação, somos fortalecidos pelos seus dons, para
testemunhar de modo sempre mais maduro o Evangelho. Assim, o Espírito de amor é
a alma da missão: Ele nos impele a sair de nós mesmos para “ir” e evangelizar.
Queridos jovens, deixai-vos conduzir pela força do amor de Deus, deixai que
este amor vença a tendência de fechar-se no próprio mundo, nos próprios
problemas, nos próprios hábitos; tende a coragem de “sair” de vós mesmos para
“ir” ao encontro dos outros e guiá-los ao encontro de Deus.
4. ALCANÇAI
TODOS OS POVOS
Cristo
ressuscitado enviou os seus discípulos para dar testemunho de sua presença
salvífica a todos os povos, porque Deus, no seu amor superabundante, quer que
todos sejam salvos e ninguém se perca. Com o sacrifício de amor na Cruz, Jesus
abriu o caminho para que todo homem e toda mulher possa conhecer a Deus e
entrar em comunhão de amor com Ele. E constituiu uma comunidade de discípulos
para levar o anúncio salvífico do Evangelho até os confins da terra, a fim de
alcançar os homens e as mulheres de todos os lugares e de todos os tempos.
Façamos nosso esse desejo de Deus!
Queridos
amigos, estendei o olhar e vede ao vosso redor: tantos jovens perderam o
sentido da sua existência. Ide! Cristo precisa também de vós. Deixai-vos
envolver pelo seu amor, sede instrumentos desse amor imenso, para que alcance a
todos, especialmente aos “afastados”. Alguns encontram-se geograficamente
distantes, enquanto outros estão longe porque a sua cultura não dá espaço para
Deus; alguns ainda não acolheram o Evangelho pessoalmente, enquanto outros,
apesar de o terem recebido, vivem como se Deus não existisse. A todos abramos a
porta do nosso coração; procuremos entrar em diálogo com simplicidade e
respeito: este diálogo, se vivido com uma amizade verdadeira, dará seus frutos.
Os “povos”, aos quais somos enviados, não são apenas os outros países, mas
também os diversos âmbitos de vida: as famílias, os bairros, os ambientes de
estudo ou de trabalho, os grupos de amigos e os locais de lazer. O jubiloso
anúncio do Evangelho se destina a todos os âmbitos da nossa vida, sem exceção.
Gostaria de
destacar dois campos, nos quais deve fazer-se ainda mais solícito o vosso
empenho missionário. O primeiro é o das comunicações sociais, em particular o
mundo da internet. Como tive já oportunidade de dizer-vos, queridos jovens,
“senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo ambiente
comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a vossa vida! [...]
A vós, jovens, que vos encontrais quase espontaneamente em sintonia com estes
novos meios de comunicação, compete de modo particular a tarefa da
evangelização deste “continente digital” (Mensagem para o XLIII Dia Mundial das
Comunicações Sociais, 24 de maio de 2009). Aprendei, portanto, a usar com
sabedoria este meio, levando em conta também os perigos que ele traz consigo,
particularmente o risco da dependência, de confundir o mundo real com o
virtual, de substituir o encontro e o diálogo direto com as pessoas por
contatos na rede.
O segundo
campo é o da mobilidade. Hoje são sempre mais numerosos os jovens que viajam,
seja por motivos de estudo ou de trabalho, seja por diversão. Mas penso também
em todos os movimentos migratórios, que levam milhões de pessoas,
frequentemente jovens, a se transferir e mudar de região ou país, por razões
econômicas ou sociais. Também estes fenômenos podem se tornar ocasiões
providenciais para a difusão do Evangelho. Queridos jovens, não tenhais medo de
testemunhar a vossa fé também nesses contextos: para aqueles com quem vos
deparareis, é um dom precioso a comunicação da alegria do encontro com Cristo.
5. FAZEI
DISCÍPULOS!
Penso que já
várias vezes experimentastes a dificuldade de envolver os jovens da vossa idade
na experiência da fé. Frequentemente tereis constatado que em muitos deles,
especialmente em certas fases do caminho da vida, existe o desejo de conhecer a
Cristo e viver os valores do Evangelho, mas tal desejo é acompanhado pela
sensação de ser inadequados e incapazes. Que fazer? Em primeiro lugar, a vossa
solicitude e a simplicidade do vosso testemunho serão um canal através do qual
Deus poderá tocar seu coração. O anúncio de Cristo não passa somente através
das palavras, mas deve envolver toda a vida e traduzir-se em gestos de amor. A
ação de evangelizar nasce do amor que Cristo infundiu em nós; por isso, o nosso
amor deve conformar-se sempre mais ao d’Ele. Como o Bom Samaritano, devemos
manter-nos solidários com quem encontramos, sabendo escutar, compreender e
ajudar, para conduzir quem procura a verdade e o sentido da vida, à casa de
Deus que é a Igreja, onde há esperança e salvação (cf. Lc 10,29-37). Queridos
amigos, nunca esqueçais que o primeiro ato de amor que podeis fazer ao próximo
é partilhar a fonte da nossa esperança: quem não dá Deus, dá muito pouco. Aos
seus apóstolos, Jesus ordena: “Fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os
em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o
que vos ordenei” (Mt 28,19-20). Os meios que temos para “fazer discípulos” são
principalmente o Batismo e a catequese. Isto significa que devemos conduzir as
pessoas que estamos evangelizando ao encontro com Cristo vivo, particularmente
na sua Palavra e nos Sacramentos: assim poderão crer n’Ele, conhecerão a Deus e
viverão da sua graça. Gostaria que cada um de vós se perguntasse: Alguma vez
tive a coragem de propor o Batismo a jovens que ainda não o receberam? Convidei
alguém a seguir um caminho de descoberta da fé cristã? Queridos amigos, não
tenhais medo de propor aos jovens da vossa idade o encontro com Cristo. Invocai
o Espírito Santo: Ele vos guiará para entrardes sempre mais no conhecimento e
no amor de Cristo, e vos tornará criativos na transmissão do Evangelho.
6. FIRMES NA
FÉ
Diante das
dificuldades na missão de evangelizar, às vezes sereis tentados a dizer como o
profeta Jeremias: “Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo”. Mas,
também a vós, Deus responde: “Não digas que és muito novo; a todos a quem eu te
enviar, irás” (Jr 1,6-7). Quando vos sentirdes inadequados, incapazes e frágeis
para anunciar e testemunhar a fé, não tenhais medo. A evangelização não é uma
iniciativa nossa nem depende primariamente dos nossos talentos, mas é uma
resposta confiante e obediente à chamada de Deus, e portanto não se baseia
sobre a nossa força, mas na d’Ele. Isso mesmo experimentou o apóstolo Paulo:
“Trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este
poder extraordinário vem de Deus e não de nós” (2 Cor 4,7).
Por isso
convido-vos a enraizar-vos na oração e nos sacramentos. A evangelização
autêntica nasce sempre da oração e é sustentada por esta: para poder falar de
Deus, devemos primeiro falar com Deus. E, na oração, confiamos ao Senhor as
pessoas às quais somos enviados, suplicando-Lhe que toque o seu coração;
pedimos ao Espírito Santo que nos torne seus instrumentos para a salvação dessas
pessoas; pedimos a Cristo que coloque as palavras nos nossos lábios e faça de
nós sinais do seu amor. E, de modo mais geral, rezamos pela missão de toda a
Igreja, de acordo com a ordem explícita de Jesus: “Pedi, pois, ao dono da messe
que envie trabalhadores para a sua colheita!” (Mt 9,38). Sabei encontrar na
Eucaristia a fonte da vossa vida de fé e do vosso testemunho cristão,
participando com fidelidade na missa ao domingo e sempre que possível também
durante a semana. Recorrei frequentemente ao sacramento da Reconciliação: é um
encontro precioso com a misericórdia de Deus que nos acolhe, perdoa e renova os
nossos corações na caridade. E, se ainda não o recebestes, não hesiteis em
receber o sacramento da Confirmação ou Crisma, preparando-vos com cuidado e
solicitude. Junto com a Eucaristia, esse é o sacramento da missão, porque nos
dá a força e o amor do Espírito Santo para professar sem medo a fé.
Encorajo-vos ainda à prática da adoração eucarística: permanecer à escuta e em
diálogo com Jesus presente no Santíssimo Sacramento, torna-se ponto de partida
para um renovado impulso missionário.
Se seguirdes
este caminho, o próprio Cristo vos dará a capacidade de ser plenamente fiéis à
sua Palavra e de testemunhá-Lo com lealdade e coragem. Algumas vezes sereis
chamados a dar provas de perseverança, particularmente quando a Palavra de Deus
suscitar reservas ou oposições. Em certas regiões do mundo, alguns de vós
sofrem por não poder testemunhar publicamente a fé em Cristo, por falta de
liberdade religiosa. E há quem já tenha pagado com a vida o preço da própria
pertença à Igreja. Encorajo-vos a permanecer firmes na fé, certos de que Cristo
está ao vosso lado em todas as provas. Ele vos repete: “Bem-aventurados sois
vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal
contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa
recompensa nos céus” (Mt 5,11-12).
7. COM TODA
A IGREJA
Queridos
jovens, para permanecer firmes na confissão da fé cristã nos vários lugares
onde sois enviados, precisais da Igreja. Ninguém pode ser testemunha do
Evangelho sozinho. Jesus enviou em missão os seus discípulos juntos: o mandato
“fazei discípulos” é formulado no plural. Assim, é sempre como membros da
comunidade cristã que prestamos o nosso testemunho, e a nossa missão torna-se
fecunda pela comunhão que vivemos na Igreja: seremos reconhecidos como
discípulos de Cristo pela unidade e o amor que tivermos uns com os outros (cf.
Jo 13,35). Agradeço ao Senhor pela preciosa obra de evangelização que realizam
as nossas comunidades cristãs, as nossas paróquias, os nossos movimentos
eclesiais. Os frutos desta evangelização pertencem a toda a Igreja: “um é o que
semeia e outro o que colhe”, dizia Jesus (Jo 4,37).
A propósito,
não posso deixar de dar graças pelo grande dom dos missionários, que dedicam
toda a sua vida ao anúncio do Evangelho até os confins da terra. Do mesmo modo
bendigo o Senhor pelos sacerdotes e os consagrados, que ofertam inteiramente as
suas vidas para que Jesus Cristo seja anunciado e amado. Desejo aqui encorajar
os jovens chamados por Deus a alguma dessas vocações, para que se comprometam
com entusiasmo: “Há mais alegria em dar do que em receber!” (At 20,35). Àqueles
que deixam tudo para segui-Lo, Jesus prometeu o cêntuplo e a vida eterna (cf.
Mt 19,29).
Dou graças
também por todos os fiéis leigos que se empenham por viver o seu dia a dia como
missão, nos diversos lugares onde se encontram, tanto em família como no
trabalho, para que Cristo seja amado e cresça o Reino de Deus. Penso
particularmente em quantos atuam no campo da educação, da saúde, do mundo
empresarial, da política e da economia, e em tantos outros âmbitos do
apostolado dos leigos. Cristo precisa do vosso empenho e do vosso testemunho.
Que nada – nem as dificuldades, nem as incompreensões – vos faça renunciar a
levar o Evangelho de Cristo aos lugares onde vos encontrais: cada um de vós é
precioso no grande mosaico da evangelização!
8. “AQUI
ESTOU, SENHOR!”
Em suma,
queridos jovens, queria vos convidar a escutar no íntimo de vós mesmos a
chamada de Jesus para anunciar o seu Evangelho. Como mostra a grande estátua do
Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o seu coração está aberto para amar a todos
sem distinção, e seus braços estendidos para alcançar a cada um. Sede vós o
coração e os braços de Jesus. Ide testemunhar o seu amor, sede os novos
missionários animados pelo seu amor e acolhimento. Segui o exemplo dos grandes
missionários da Igreja, como São Francisco Xavier e muitos outros.
No final da
Jornada Mundial da Juventude em Madri, dei a bênção a alguns jovens de
diferentes continentes que partiam em missão. Representavam a multidão de
jovens que, fazendo eco às palavras do profeta Isaías, diziam ao Senhor: “Aqui
estou! Envia-me” (Is 6,8). A Igreja tem confiança em vós e vos está
profundamente grata pela alegria e o dinamismo que trazeis: usai os vossos
talentos generosamente ao serviço do anúncio do Evangelho. Sabemos que o
Espírito Santo se dá a quantos, com humildade de coração, se tornam disponíveis
para tal anúncio. E não tenhais medo! Jesus, Salvador do mundo, está conosco
todos os dias, até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20).
Dirigido aos
jovens de toda a Terra, este apelo assume uma importância particular para vós,
queridos jovens da América Latina. De fato, na V Conferência Geral do
Episcopado Latino-Americano, realizada em Aparecida, no ano de 2007, os bispos
lançaram uma “missão continental”. E os jovens, que constituem a maioria da
população naquele continente, representam uma força importante e preciosa para
a Igreja e para a sociedade. Por isso sede vós os primeiros missionários. Agora
que a Jornada Mundial da Juventude retorna à América Latina, exorto todos os jovens
do continente: transmiti aos vossos coetâneos do mundo inteiro o entusiasmo da
vossa fé.
A Virgem
Maria, Estrela da Nova Evangelização, também invocada sob os títulos de Nossa
Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Guadalupe, acompanhe cada um de vós em
vossa missão de testemunhas do amor de Deus. A todos, com especial carinho,
concedo a minha bênção apostólica.
Vaticano, 18
de outubro de 2012
Benedictus
pp XVI
sexta-feira, 12 de julho de 2013
A POESIA DE KARINA FLEURY
ia só na vi-
da, forte
sem par
e de só ca-
minhocar so-
mente ilha-
do ente vi…
da, forte
sem par
e de só ca-
minhocar so-
mente ilha-
do ente vi…
Inconsciente
tenho sonhado:
corpos nus, suados, colados
como outrora os nossos entrelaçados
hoje, (en)fadados, a sós.
corpos nus, suados, colados
como outrora os nossos entrelaçados
hoje, (en)fadados, a sós.
Palco
arrepio palavras
enquanto você,
falácia sem sal,
encena seu ato final.
enquanto você,
falácia sem sal,
encena seu ato final.
Rodovi(d)a
No calor do teu abraço
Sou tudo, sou nada
Me faço, me desfaço
Puta, amante, namorada
Sua voz me chama
Como é mesmo teu nome?
A chama nos consome
Suor, lágrima, solidão
Uma cotovia casquina lá fora
É hora de voltar para a esquina
Após uma noite, um dia
Após um dia, um outro
Eta vida de louco, Meu Deus!
Sou tudo, sou nada
Me faço, me desfaço
Puta, amante, namorada
Sua voz me chama
Como é mesmo teu nome?
A chama nos consome
Suor, lágrima, solidão
Uma cotovia casquina lá fora
É hora de voltar para a esquina
Após uma noite, um dia
Após um dia, um outro
Eta vida de louco, Meu Deus!
Fugaz
o que há por trás do eu
é o instante-nunca
que em você jaz.
é o instante-nunca
que em você jaz.
Perguntei a poetisa Karina Fleury, qual o nome dado ao tipo de poesia que comete. Como
ela, também o poeta Jorge Elias Neto, por exemplo, além de outros.
Eis a resposta:
- Não classificamos assim textos como os que
escrevo ou Wilbett Oliveira ou Jorge Elias. Na verdade, não estamos muito mais
preocupados com as tais nomenclaturas. Buscamos sim reconhecer alguns traços, influências
de leituras do autor... O
pós-modernismo, como expressão literária vive sob o signo da multiplicidade: é
um monte de estilos, vivendo sem briga, num mesmo saco. Não há mais hierarquia.
"A literatura do século XX e também do XXI, num
diálogo constante e produtivo com as crises do homem, levou os escritores a
experimentarem, entre outras aventuras de risco, diversos tipos de droga, na
tentativa de alargar a visão e o estar no mundo e, em decorrência, manipular
novos tipos de linguagem" . (Paulo Venturelli). Acho que é mais ou menos
isso,
EXPERIÊNCIA NO PROJETO RONDON
A rua se desenhava subindo
o morro, algumas casinhas foram construídas à sua margem, humildes, pequenas,
mas bem juntas uma das outras como para se sustentarem e sentindo-se unidas
terem coragem de enfrentar os olhares de quem passando as fixasse.
O casebre de João Lúcio e
Auristela era ainda menor, ainda mais pobre e fora erguido na baixada, a bem
uns 15 m do alinhamento. E descendo é que fui encontrá-los.
João Lúcio, solícito, abriu
as portas... do coração é claro, como quem recebe gente ilustre porque a porta
da casa está sempre aberta, e até três bacorinhos me pareceram muito familiares
ali, naqueles 15 metros quadrados de imensa pobreza. A um canto, o fogão onde o
fogo não ardia e panelas nada cozinhavam.
Auristela, de cócoras,
numa água que nem antes me pareceu pudesse ter sido limpa, banhava Ciciane.
Olhou-me ao entrar, sem hostilidade, mas também sem alegria. Uma face que
realmente, se cuidada, pareceria muito bonita. Enxugou Ciciane, deixando-a
sobre a enxerga a contemplar os porcos que comiam casca de manga no chão.
Eu me pus a pensar se
haveria revolta naquela vida, entusiasmo era evidente que não, ou o que havia. Vestiu uma calcinha em
Eliane e passou com a mesma tristeza nos olhos e depois nas palavras a falar
comigo que a esta altura entusiasmava João Lúcio a obter sua carteira
profissional e lhe dizia: quem o vir com uma carteira dessa na mão, vai ver que
você é um trabalhador, protegido pelo Ministério do Trabalho e Previdência
Social. Eu acreditava que era mesmo assim.
- É, mas eu vivo de
carregar água, não tenho “registro”. No tempo das eleições, lutei para
conseguir, mas não consegui”. E noutro tom, resignado e sincero: “Eu acho que
não tenho sorte”!
Senti uma pena imensa, mas
uma luz brilhou em mim e lhe respondi: não, João, talvez você não tenha sido
esperto, isto é, não chegou primeiro na fila. Nessas circunstâncias, a gente
tem que chegar uma hora antes e não deixar que ninguém passe na frente da
gente.
Ele sorriu convencido: “sabe
que é isso mesmo”?
Eliane e Ciciane também
não estão registradas e João não tem dinheiro para isso, neste dia, nem para
comer havia alguma coisa.
Quase me arrependi de
falar que o fotógrafo até fizera uma diferença de Cr$ 1,50 no preço de seis fotografias
para que todos tirem sua carteira profissional e que S. Nenê cobrará só Cr$
8,00 por registro, para que ele pudesse registrar as filhinhas por quem notei
ter muito carinho.
No final, meus braços caíram
sem alento, só a voz se conservou.
-É, João, infelizmente, eu
não tenho mais a lhe dar. Que Deus abençoe você, sua família, sua casa. Até
logo!
Atrás de mim, ainda ouvi o
clássico sertanejo: seja feliz...
Por dentro eu dizia:
abençoa mesmo, dá um jeito, meu Deus, João não pode ser decepcionado, se
alcançar a profundidade do meu voto.
Como é maravilhosa a ação
do nosso Projeto Rondon, estamos descobrindo problemas, poderemos
solucioná-los?
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