segunda-feira, 8 de julho de 2013

CONVENTO SÃO FRANCISCO É REINAUGURADO


REINAUGURA-SE HOJE UM DOS MAIS IMPORTANTES COMPONENTES DA HISTÓRIA RELIGIOSA DO ESPÍRITO SANTO

São Francisco: 1º convento franciscano da Região Sul do Brasil Colônia

Segundo Fernanda Neves Gomes, o Convento São Francisco começou a ser construído no final do século XVI pelos padres franciscanos frei Antônio dos Mártires e Antônio das Chagas, a pedido do segundo donatário da Capitania do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho Filho. Além da igreja dedicada a São Francisco, a edificação abrangia  as dependências necessárias ao monastério e a Capela da Ordem Terceira da Penitência.

A esse conjunto foi acrescentado, posteriormente, um cemitério municipal, que funcionou até 1908. Próximo ao local, uma capela sob a invocação de Nossa Senhora das Neves passou a ser necrotério. A capela, em arquitetura colonial, ainda hoje permanece nas dependências do convento.

O Convento abrigou diversas irmandades, dentre elas a Irmandade de São Benedito, que se reunia na Capela da Venerável Ordem Terceira e movimentava a cidade com suas festas e procissões. Com o tempo, o Convento ficou ocioso e as autoridades civis passaram a requisitá-lo para diversas finalidades, funcionando como escola e enfermaria para atender às vitimas das constantes epidemias que atacavam a cidade na metade do século XIX.

A partir daí, abrigou diversos usos, como Orfanato Cristo Rei (1926 a 1960); Residência Episcopal (1960 a 1985); Rádio Capixaba (1963 a 1973); Colégio Agostiniano (1970 a 1976) e Residência das Irmãs Carmelitas (1981 a 1985). Atualmente abriga a Cúria Metropolitana e diversas entidades ligadas à Igreja Católica.   

O frontispício, reformado em 1744 e 1784, foi o que restou do conjunto arquitetônico original do Convento São Francisco. Tombado pelo Conselho Estadual de Cultura em 1984, demarca o espaço do que foi o primeiro Convento Franciscano construído na Região Sul do Brasil Colônia.

 
Do acervo do Palácio Anchieta

Restauro revela importantes achados arqueológicos, noticiou o site da Arquidiocese.

 As obras de restauro em andamento no Convento de São Francisco de Assis, no Centro de Vitória, revelaram importantes descobertas sobre a estrutura original deste, que é o segundo monumento franciscano mais antigo do Brasil.

Durante os trabalhos para retirada das camadas de reboco, danificadas pelo tempo, foram encontrados vestígios que contam um pouco da história do edifício, como por exemplo, a descoberta de um grande vão de acesso para o antigo Convento localizada bem abaixo dos sinos. 

Além disso, o trabalho desenvolvido pelo arqueólogo Henrique Valadares revelou detalhes do piso original, construído pelos franciscanos no século XVII, e das cores (preto e vermelho) que um dia adornaram os ornamentos que compõem a fachada do edifício.

De acordo com Diovani Favoreto, gestora do projeto de restauro, as descobertas são "achados raros e que ajudam a trazer para conhecimento do público a história desse importante monumento histórico e religioso dos capixabas", afirma.

 

Projeto de restauração

Financiado pela Mineradora Vale por meio da Lei Rouanet, o projeto de restauração prevê o repasse R$400 mil para serem aplicados na recuperação do frontispício, na restauração da capela e na melhoria da acessibilidade aos portadores de deficiência física.

História

Erguido em 1591 por dois frades, o Convento de São Francisco de Assis é tombado pelo Conselho Estadual de Cultura como Patrimônio Arquitetônico Capixaba. A princípio serviu como abrigo para os noviços interessados em  seguir os ensinamentos de São Francisco de Assis. Atualmente, o local é ocupado pelas atividades administrativas da Arquidiocese de Vitoria e pela organização de assistência social Cáritas Arquidiocesana.

 

domingo, 7 de julho de 2013

POEMAS DE BEATRIZ

                                                                Beatriz Monjardim
CORAÇÃO DE POETA

Tenho minh'alma cheia de amarguras;
Sangra em meu peito um coração ferido;
Não sofro apenas minhas desventuras;
Tem todo poeta o coração partido.

Todo poeta sofre um mal sem cura;
Carrega a dor dos tristes e oprimidos,
Mas tem também um Dom, doce loucura:
Transforma em versos prantos e gemidos.

Assim a dor dói menos, logo passa...
Juntando rimas, faz com tanta graça,
Um soneto de amor profundo, intenso.

E do pranto amargo da ingratidão,
Faz guirlandas em versos de perdão.


Tem Todo poeta coração imenso



MINHA CATEDRAL
Que bela é a minha castanheira!
Cresce orgulhosa, erguendo os ramos para os céus.
Altaneira, frondosa, triunfal,
A minha bela e verde catedral
Vestida agora de nova roupagem,
Já prepara uma nova floração.
As pequeninas flores da amendoeira,
Marcam a chegadade uma outra estação,
Mostrando da vida a continuidade...
O Senhor Deus, como o maior poeta,
Mostrou-a, um dia, ao jovem profeta,
Como o Seu símbolo de fidelidade!
E a minha castanheira está florida,
Não só de flores, mas também de vida!
Nela se abrigam pequeninos seres.
Zumbem abelhas, cantam cambaxirras,
correm esquilos pela galharia,
gritam bem-te-vis em altas vozes,
escondem-se lagartos na metamorfose...
Nela encontram alimento e segurança,
Nessa morada vestida de esperança,
Que cresce altaneira, frondosa e triunfal,
A minha bela e verde catedral
T

sábado, 6 de julho de 2013

SINTO MUITO, SOU GRATO.

O nosso individualismo é tanto, que podemos chegar ao ponto de achar que o que acontece a nossa volta, não nos atinge, que, realmente, nada temos a ver com nada que não se situe apenas no nosso próprio mundo,
individualmente. Há um sentimento que se vai ausentando sempre mais e pode desaparecer. É o sentimento do compromisso que cada um tem com o que acontece com o outro, com a sociedade em geral, exige cuidado, a ética do cuidado.


Não somos ilhas, nossas almas estão entrelaçadas pela mesma origem, todas saíram das mãos do Deus criador que nos chamou à vida e conserva cada um na palma de sua mão como se fosse o único objeto do seus cuidados.

O que acontece de bem ou mal com meu próximo reflete em mim, eu me elevo com os que se elevam e caio com os que caem. A alma que se eleva, eleva o mundo, já afirmara Elisabeth da Trindade.

Que coisa maravilhosa, por poucos pensada. O médico Hew Lan conseguiu curar doenças de centenas de pessoas internadas numa casa de cura, partindo dele mesmo, curando-se. Admite que as doenças dos outros também estão em nós e se nós nos curamos o outro se cura.

Exalta o valor das palavras do tipo, me perdoe, sinto muito, te amo, sou grato, obrigada, repetidas em forma de mantra, vão penetrando sempre mais fundo. Nosso íntimo vai guardando o bem ou o mal que depositamos nele. Neste sentido, a sabedoria de um velho índio é oportuna lembrança: Disse: Dentro de mim existem dois lobos. O lobo do ódio e o lobo do amor. Ambos disputam o poder sobre mim. - Qual vence? Aquele que eu alimento.

Ao invés de ficar encucando negativismos, isto é alimentando mal nossa alma, repitamos como mantra a que melhor nos convém na circunstância ou oportunidade que se afigurar. Sinto muito; me perdoe; sou grato...

A vida vai passar a ser tão boa que até nos surpreenderemos. É que “o hábito é o principal moderador das ações humanas; façamos, por conseguinte, todo o possível por contrair e conservar bons hábitos.” (Francis Bacon).

sexta-feira, 5 de julho de 2013

LAGOA JUPARANÃ

Quando nas águas
da juparanã
adentro
corpo inteiro
envolvido
no seu abraço
Maria Lucia
 
descanso em seu
regaço
ao topo do mundo
minha’alma
se alça
todo o espaço
do universo
me envolve
num sublime
molhado
e terno enlace.
 
Do livro No abraço das Águas, lançado recentemente.
 
Maria Lucia ao lado de uma de suas irmãs no dia do lançamento.
 

O ENCONTRO

 
Heliana Mara Soares,
presidente da Academia de Letras de Guaçui.
 
 
Onde estás,  poesia? Por que não te encontro?
Será que o dia te matou? Ou, sem esperança, segues
em meio a tragédias e tanto desamor?
Quero que surjas novamente e nos meus dedos
te enlaces, renascendo em mim.
Poesia, que do amor  viveu,
que dos lábios dos poetas seus versos emergiram,
onde estás?
 
Vagueias tão distante...  Quero achar-te.
Procuro-te nas palavras de um computador,
em pedaços de  papéis perdidos,
em  um  jornal folheado e relido.
Já não és minha.
Onde estás, poesia,
tu que a tantos olhos fizeste chorar
e que de tanta emoção te fizeste amar.
Melodia de despedida, inspiração perdida,
onde  estás?
 
Se olho diante de mim, vejo o homem
vivendo em meio a um mundo descolorido de ternura.
Perderam-se teus versos no curso sombrio do ser.
Sem métrica, sem rima, foste despedaçada.
Não acompanhaste a agilidade da vida nem a impunidade do tempo.
O homem  seguiu por outro caminho,
eleito por olhos sedentos de ter.
Tu ficaste  perdida, fugiste dos meus sonhos,
fugiste de mim e nos meus olhos marcados por manchetes sujas,
contaminadas, adormeceste distante.
 
Mas quero eu achar-te, envolver-te nos meus lábios sedentos;
quero poder encontrar-te em suaves contornos dos meus dias.
Eu, que te vi morrendo  nos meus sentimentos,
quero refazer-te em total mistério.
Eu, que te vi te perderes  no  mais abrupto  momento,
quero de novo sentir-te, quero ver-te vibrando no meu pensar,
surgindo como dama do meu ser incontido,
sofrido e pungente, eternamente emotivo.
 
Quero encontrar-te infinitamente, sensível, totalmente aprazível,
fonte  inesgotável do saber.
Elejo tua forma; hás de seres minha companhia. 
Quero expandir, em mim, o que   havia perdido,
vislumbrar quanto estavas  presente   no meu viver.
E neste mundo de absurdos,
sujo em letras maquiadas de falso amor e tenra paixão,
ficarás como expressão selada,  fonte lacrada...
Não serás prostituída por palavras que fazem guerra,
porque tu és imaculada.
 
Poesia, que supostamente estavas morta, inacessível a mim,
chegaste, companheira, amiga de tantos desalentos,
parceira de grandes momentos,
escrevendo em lágrimas os  meus melhores sentimentos.
Viveste minhas perdas e vibraste com meu pensamento.
E assim, desnuda, vejo-te diante de mim, tão amante e fiel.
Não foste embora; estavas aqui, tão presente.
Fizeste tua cama em  minha alma e adormeceste docemente.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

UM ABRAÇO

UM GRANDE E CARINHOSÍSSIMO ABRAÇO PARA TODOS OS QUE SE TORNAM SEGUIDORES NO MEU BLOG.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O TEATRO DE NORMA


Em visita sucessiva ao Projeto Araçá, em São Mateus, fui presenteada com um livro, no qual foram reunidos diversos textos de apresentações teatrais protagonizadas por alunos.

Trata-se de ocupação em que jovens atores veem-se desenvolvendo sempre mais e, com sempre mais exuberância, “fazem explodir” o talento dos quais são dotados.

E meu pensamento voou aos anos sessenta, quando fui “atriz” em diversas produções da Profª Norma Zuliani Rios que no tempo, não avaliei, mas agora fiquei pensando, como é que ela fazia tanta coisa? Da produção à apresentação, tudo se devia a ela.

Igreja Velha

O teatro era o “cinema de S. Fernando”, parecia uma sala imensa, o palco no centro, de que tamanho poderia ser não sei, mas nos movimentávamos muito bem, na ribalta. Nas paredes, a maestria do artista, Cyro Sodré, imprimiu com óleo e pincel, imensos quadros.  Imensos? Bem não deveria ser tanto, mas ocupavam as paredes laterais. Claro, eu disso me lembro muito bem: um, a curva do rio Cricaré, outro, a Igreja Velha, os dois maiores símbolos paisagísticos de nossa cidade.

O Cricaré e suas curvas
Quando se entra hoje no restaurante ali existente, fica-se a imaginar: quão pequeno é esse espaço! Mas o cinema parecia tão grande!
Ali, Norma produzia suas peças e enchia a sala. Havia detalhes no cenário de acordo com o texto e a população comparecia. Depois de organizar tudo nos bastidores, ela ficava “no ponto”, a tudo, atentíssima.

Certa feita, a peça tinha um mordomo (Toninho Carvalho) de quem a governanta da casa (eu) era enamorada. Fomos maquiados para “amadurecer”. E como se tratava de amor não correspondido, ela aprontava todas pra cima dele.

Tio Jorge não sabia que a sobrinha estava “representando” e divertiu-se ainda mais, ao constatar que “aquela governanta” era ela. Na plateia, dava as mais gostosas gargalhadas. Parece que o vejo.

De outra feita, acho que era isto, fui uma menina que adormeceu debruçada  numa pedra e sonhou com Nossa Senhora. A pedra foi um papel pintado de preto. E dai aconteceu o estrago.

Mamãe preparou um vestido branco, muito bem engomado, eu o vestia. Quando a menina acordou e levantou-se, o vestido estava todo sujo de preto, braços e rosto também. Imagine se foi evitado o riso ou até gargalhada de alguém o que, com certeza, quebrou o clima esperado.

Se com os grandes acontece, imagine-se com amadores.

Havia sempre uma apresentação no final. Norma me achava capaz de tudo. Escolheu-me para ser a odalisca que dançaria para um sultão (Jorginho Daher) e começaram os ensaios na casa dela. A música era o bolero de Dante Santoro e Ghiaroni, tema de uma novela. (Partiu na caravana da ilusão, que tem o ouro, para comprar o seu amor...).

E foi ai que veio o complicador, eu não sabia rebolar de jeito nenhum, algo como a “dança do ventre”, Norma insistia e nada. Maria Helena Neves foi então chamada, sucesso total!

Era tão bom, alegro-me por acabar de registrar mais esta bonita lembrança e com ela presto sincera homenagem a Norma Rios, ícone da cultura Mateense.