terça-feira, 4 de junho de 2013

DOIS POEMAS DE ZEZINHO


                               José - Zezinho - da Silva Casanova é poeta maranhense.   Há 270 dias, passou por uma grande dor, mas continua inteiro na sua poesia.
Dia 7 (junho) será lançada “AUTORES MARANHENSES”, antologia da qual faz parte. Foi apresentado pela amiga comum Rosenita Cantanhede.

 


POEMARANHA

 

Teço

De maneira vã

Minha teia de desejos

Na esperança de fisgar teus seios

A pulsar nos teus segredos.

 

Vejo

De maneira sã

Minha insana teoria do amar

Na incerteza que me tortura a alma

A desafinar tua canção.

 

Teço

De maneira fã

O emaranhado de contradições

Do tríplice aspecto da vida

Amar...viver... e ser (in)... feliz.

AUTOR: ZEZINHO CASANOVA

 

QUERENÇA

Busco em vão tua presença
na brisa leve em sutileza
caixa preta de minha querença
dos segredos de tua beleza
desejos esculpidos à nobre mão
meus desejos íntimos de saudade
ponto de contato da solidão
de evolução pra outra realidade
felicidade, livre, leva-me à mutação
onde pasmo, dominado e mudo
tento controlar a transformação
superar, cá dentro, o sentimento em estudo
tua tirania tende jogar ao mar
ausência causar, do direito de amar.



Sugiro que leiam após a leitura do segundo poema
 a primeira palavra de cada verso.

 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

E SERÁ QUE ESSA LEI PEGA

Marzia Figueira, (24/07/1937-16/12/2000) jornalista, escritora, membro da Academia Feminina Espirito-santense de Letras.

Deus é pai – além de Filho e Espírito Santo, amém. Mas não é que o congresso, até que enfim, faz algo de saudável dentro do caos que é a falida saúde brasileira?  Os homi aprovaram  a lei    contra o fumo! Tá proibido fumar em tudo quanto é recinto fechado. Breve, com a graça divina influindo e contribuindo mais uma vez, o cigarro vai ser vetado também em área aberta... Maravilha! O Brasil, devagar e sempre como sempre, ainda chaga a Primeiro Mundo, pode crer.

Vai ser proibido fumar em restaurantes, por exemplo. Um grande suspiro de alívio, além de uma profunda e revigorante inspiração de ar puro, saúda a medida. Sim, porque, finalmente, acaba a falta de educação geral e generalizada: enquanto os mais lentos ainda não terminaram sua refeição à mesa, os mais apressadinho qu, aliás comem cru, ou queimam a língua porque comem fervendo, sacam suas armas . Isqueiro e cigarro na mão, atacam sem dó nem pena – ou respeito.

Também vai ser proibido fumar em avião. Acaba a inútil escolha por poltronas para fumantes e não-fumante. Inútil porque não dá para separar a fumaça, nem prender a fumaça., nem cercar a fumaça, a fim de impedir que ela se evole e atinja as narinas mais sensíveis ao lado ou em frente.... Nos shoppings a farra dos fumantes também vai acabar – arrrááá! E nos ônibus municipais e interestaduais idem ibidem. O ilustre passageiro ao seu lado não corre mais o risco de morrer de bronquite. Salvo não pelo velho Rum Creosotado mas pela lei... Se é que essa lei pega no Brasil. No que pegar, todo mundo de mente e corpo sãos vai poder trafegar em paz e sossego, longe da prejudicial fumacinha e do odo  indefectível, seja de charuto, cachimbo, cigarrilha, cigarro, mata rato, o escambau.

Os fabricantes devem estar esperneando e tomando medida  gástricas, como diria a Magda de Marisa Orth, impagável no programa da TV, Sai de Baixo, e mexendo todos os pauzinho disponíveis para não permitir que essa lei vigore. Mas não vai adiantar. Porque mesmo que uma marca famosa de cigarro veicule por aí que fumar significa free, não existe ninguém mais escravo que um fumante em exercício de sua deprimente atividade. Como disse há muitos anos o garoto que venceu com sua frase o concurso lançado pela Liga contra a Tuberculoso sobre o fumo: “Não fume ao meu lado, morra sozinho”. Ou o outro, 4° lugar, que aniquilou com os fumantes, viciados, assumidos: “Adulto também chupa chupeta: o cigarro” ... Que vexame. Vade retro! Chupetas fora! Afinal, vocês são Homo sapiens ou Pés de coentro?!... Pois recolham-se a sua humilhante condição de tempero (argh!), encerrem-se em sua autoclausura e deem vazão a sua patética escravidão.

Enquanto isso, a gente canta a liberdade. Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós – o povo eleito e autossuficiente que não depende de um rolinho de papel recheado com veneno para ser feliz.

Marzia Figueira em Os Inocentes, p. 108

domingo, 2 de junho de 2013

MINHA GRÃ-MESTRA


 

Weber José Vargas Müller é membro                                                                    
das Academias Marataizense de Letras, Letras e Cultura e Guaçuí,                                   da CAPAZZ- Confraria de Artistas e Poetas pela PAZ,                   
 Membro da Academia de Letras de G.

Ser filho de professora é muito bom, principalmente no meu caso, em que fui aluno da minha mãe, por dois anos consecutivos e pude estudar com todos os professores e professoras que ela mesma escolhia e me matriculava na turma 
Weber Müller


em que percebia que eu me  adaptaria aos métodos e prática pedagógica dos mestres. Pois bem, assim o fez durante toda a minha vida acadêmica  no ensino fundamental, onde pude experimentar maravilhosos saberes e vivências pedagógicas de verdadeiros  educadores, que me  motivaram a alçar voos mais altos  e ilustraram as páginas da minha vida com magias, palavras, conhecimentos, afetos, dedicação e vocação pelo magistério.


Exatamente no ano de 1980, ainda aluno na Escola de 1º. Grau “Antonio Carneiro Ribeiro”- Colégio Estadual, deparei-me com inúmeros professores, dedicados, zelosos, porém fora amedrontado pelos alunos mais velhos e de séries mais adiantadas de que eu não gostaria de estudar com uma determinada professora porque ela era  brava demais, exigente, severa, rígida e eu iria passar muito aperto. O desafio estava lançado. Minha reação inicial fora a de pedir à minha mãe para me transferir de sala, querendo logo fugir dessa “cascavel”, procurando o caminho mais fácil, quer seja , o de livrar-me e estudar com um professor menos exigente. Minha mãe, com sua sabedoria magistral, tino de educadora  e astuta, foi logo dizendo-me que nem sempre o caminho mais fácil é o melhor. Advertiu-me e desafiou-me a enfrentar a professora, procurando me empenhar , estudar e mostrar a ela que quando nós queremos, nós podemos e conseguimos  vislumbrar sucesso, independente de quem seja o nosso mestre. Assim o fiz. Fiquei, a contragosto, naquela turma  e fui, pouco a pouco, me encantando e  fascinando pela tão temível professora de Língua Portuguesa.  Não perdia uma palavra, um gesto, um detalhe sequer de suas aulas. Tomava nota de tudo o que ela falava, registrava seus comentários, fazia todas as tarefas, copiava tudo o que ela escrevia e passava como exemplos no quadro-negro e fui, a cada dia, me aliando à mestra, desmistificando essa figura horrenda que havia sido formada em minha memória. Construí no meu coração uma nova imagem: o de uma mulher rígida, porém doce. Uma imagem de uma mulher brava e ao mesmo tempo carinhosa. A figura de uma professora  que destruía o aluno, foi posta por terra e ergui uma imagem de uma professora  construtora de castelos e admiradora de todos os talentos edificados por ela. Essa imagem foi me proporcionando o amor pelas letras e pela sua maestria  como educadora, terna e eterna em minha vida. Recordo-me de suas aulas de gramática, à luz dos ensinamentos de Domingos Paschoal Cegalla, onde viajava por horas em suas lições e socialização de conhecimentos  incorporados por sua vivência em sala de aula. Conclusão: aquela cascavel não era venenosa, nem tampouco ameaçadora. Era sim uma  ourives que lapidou pedras brutas e nos transformou em joias de pessoas, homens responsáveis, comprometidos e verdadeiros cidadãos. Seus saberes  iam além dos parâmetros curriculares exigidos. Ela não se prendia a métodos e paradigmas, ensinava-nos a ser estudantes, pois sempre dizia que essa era a nossa profissão e devíamos exercê-la com dedicação e compromisso. Jamais esquecerei de uma grande lição deixada por ela. Numa de suas aulas, de interpretação de texto, em que líamos silenciosamente o texto e depois era feita uma leitura por vozes alternadas. Durante a leitura silenciosa, deparei-me com uma palavra desconhecida e perguntei a ela o significado e a professora , sem titubear, respondeu-me. Prossegui a leitura e novamente outro vocábulo tornou-se pedra no meu caminho. Perguntei à professora o significado e percebi que aquilo começara a tirá-la do sério , mas mesmo assim respondeu-me, com exatidão. Ao dar sequência à leitura, mais uma vez me vi obstaculizado por uma palavra desconhecida , não me hesitei e fui logo perguntando:

- Professora, o que significa Grão-mestre? Ela  retirou os óculos, olhou-me com uma expressão severa , respondeu-me o significado . Aquele olhar  tinha a intencionalidade de fazer-me parar de perguntar e apenas fazer a leitura silenciosa. Mas eu não poderia continuar a ler, se eu não soubesse o significado de vocábulos, pois assim não conseguiria depreender do texto a mensagem desejada e, certamente, não haveria comunicação alguma.

Como aluno crítico e sempre questionador que fui, atrevi-me a perguntar à professora o feminino de grão-mestre, porque fiquei pensando:  a professora não pode ser grão-mestre....O que ela será?

Não imaginem vocês a reação da professora.... Respondeu-me: Grã-mestra!!!!   E disse-me mais: de hoje em diante, nunca mais pergunte a professor algum o significado de uma palavra. Todas as vezes que você se deparar com algum verbete que desconheça, consulte o dicionário. Se não encontrar o que deseja, consulte alguém mais experiente, mais sábio.

A resposta veio-me à ponta da língua imediatamente:

- É o que tenho feito, Grã-Mestra, desde o início da aula!!!!!



Essa Grã-Mestra, é minha querida, amada, entusiasta e incentivadora Comendadora Ivanete da Silva Glória Dalmácio, ou, essencialmente,   IVANETE GLÓRIA!
Esta crônica, valeu ao autor o titulo de Melhor Cronista, pela Academia de Goiás, com a outorga da Comenda Palma Dourada.

sábado, 1 de junho de 2013

HONESTIDADE, CADÊ VOCÊ?


A palavra Honra resulta do terno latino Honor. Daí o ser humano honrado
dever ser puro, fiel, leal, digno, distinto, decente, consciencioso, sério, respeitoso, correto, precavido, escrupuloso, autêntico, verdadeiro, íntegro, enfim, probo. De igual modo, a palavra Honestidade origina-se do Latim: Honestas. A raiz de Honestidade é Honor. Honesto, por seu turno, é todo aquele que nutre lealdade, fidelidade, respeito, franqueza, decoro, responsabilidade, dignidade, decência, retidão, seriedade, correção, consciência, autenticidade, integridade, enfim, probidade. Daí a palavra tão em voga, hoje, especialmente pelo fato de reinar, no no País, certa liberdade de expressão: (im)probidade.

A meu ver, a Honestidade é uma virtude de natureza moral e cívica, em cujo território deve habitar o bom caráter. O caráter encerra, sempre, um conjunto de atributos, que classificam as pessoas. Se o conjunto de atributos corresponder a valores éticos e morais, seus portadores serão pessoas honradas, honestas.Se, ao contrário, tal conjunto encartar atributos aéticos e amorais, seus portadores serão, por óbvio, pessoas desonradas, desonestas, quer estejam na Política, quer estejam fora dela (em qualquer segmento da Sociedade), pois, quem perde o caráter, perde tudo. Tanto a Honestidade quanto a Desonestidade se revelam através da conduta que externamos diuturnamente. Se formos desonestos, praticaremos, por óbvio, condutas ilegais, imorais, injustas, desumanas. Ao contrário, se formos honestos, praticaremos condutas legais, éticas, justas e humanas.

Vejamos, primeiro, algumas expressões que traduzem o bom caráter, que, por conseguinte, deságuam na Honestidade: respeito ao direito alheio, que traduz a paz; transparência na conduta, que permite visibilidade ampla; humanismo na ação etc. etc. Em contrapartida, oportuno é também transcrevermos, aqui, o pensamento de Greta Garbo (1905-1990), atriz sueca, consistente no que segue: “Cada um de nós vive a sua vida apenas uma vez, se formos honestos, viver uma vez é suficiente.”

Vejamos, agora, algumas expressões corriqueiras, que podem encartar mal caráter, que deságuam na Desonestidade: “dá-se um jeitinho”; “quebra-se o galho”; “falta-lhe jogo de cintura”; “falta de esperteza”; deve ter vivacidade”, “está escolado”, “preciso de uma oportunidade”; em resumo: a adoção da chamada “Lei de Gérson”, que regula a conduta daqueles que querem levar vantagem em tudo. Por oportuno e conveniente, registre-se, aqui, que, dificilmente, os desonestos confessam que o são. Ao contrário, posam, sempre, como honestíssimos. Acho que, por esta razão, Juvenal (60-127 d. C.), poeta romano, teria afirmado: “A honestidade é elogiada por todos, mas morre de frio”. Abraham Lincoln (1809-1865), ex-Presidente dos Estrados Unidos da América do Norte, certa feita, assim se pronunciou sobre o ser humano: “Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder.”

John Emerick Edward Dalberg (1834-1902), historiador britânico, disse: “O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente”. Daí a importância, não só de um regime democrático, mas, também, de uma oposição forte e atuante, para, sobretudo, legislar e fiscalizar, com eficiência e êxito, todos os atos que praticar a situação. A respeito dos desmandos e da corrupção que, há 150 anos, já corroíam as entranhas da Sociedade brasileira, sentenciara o saudoso Rui Barbosa:
“De tanto ver triunfar as nulidades,
De tanto ver prosperar a desonra,
De tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus,
O homem chega a desanimar da virtude,
Rir-se da honra e ter vergonha de ser HONESTO.”

É de se perguntar: honestidade, cadê você? Onde está que não responde?
Concluindo, ouso dizer: não basta sermos honestos e dizermos que somos honesto; é preciso combatermos a desonestidade, sob pena de sermos coniventes com todos os erros (atos aéticos, imorais e ilícitos), que, com muita frequência, ocorrem, à luz do dia, em torno de nós.

Salvador Bonomo.
Ex-Deputado Estadual e Promotor de Justiça aposentado.

O GUERREIRO


Memórias de um Soldado

Bárbara Perez, poetisa, fundadora e presidente da Academia Marataizense de Letras, Correspondente da Academia Cachoeirense de Letras, em breve Acadêmica ACLAV. 
Guerreira e defensora dos ideais literários e poéticos.

Bárbara, à  direita.
       Estou deitado no coração de uma mulher e pelos seus ouvidos apurados em insígnias poéticas, vou ditando palavras em regras assimiladas, postagens de uma missão e pela sua boca transbordante em sons ictéricos, vou murmurando entre lágrimas e dores a minha velha história... Éramos mais de 700 soldados convocados para uma missão de rigoroso treinamento de guerra na Mata Atlântica. Carregávamos nos corações o fardo pesado da saudade, deixada em marcas de cicatrizes por mãos calejadas dos fuzis empinados no corpo da mulher amada. O pesado fardo das mochilas com nossos artefatos, comidas, rifles e bombas não eram tão pesadas quanto à dor da saudade (esse sentimento estilhaçado pelo bombardeio dos nossos corações apaixonados).

     Nossa missão seguiu até certo trecho do caminho em vários caminhões camuflados, depois, dando continuidade ao comando ordenado, seguíamos a pé, embrenhados em cerrado bucólico, na missão de treinamentos ostensivos de guerra, em sentinelas e sentidos, obedientes, submissos aos ofícios determinados.     Era a nossa missão: ofícios de comandos rigorosos e os nossos destinos de homens. Quais são as regras impostas, imposições e regimes altamente treinados, se o coração do soldado camuflado segue uma ética e moral que assimilam a sua conduta e disciplina pessoal? Um intercâmbio entre a missão militar e o homem vulnerável, porém disciplinado!

    Ó, Meu Deus! Era até bonito de se ver, mais de 700 soldados seguindo marcha reta, cantando o Hino da Marinha do Brasil: “Soldados da Liberdade”. Adentramos cada vez mais por entre os cerrados bucólicos;  e  ali, longas noites nos foram companhias; perdíamos a noção de tempo, de frações, de minutos... Mas, que tirania a nossa pensarmos em tais detalhes fugazes, se a determinação seria alcançada, a missão cumprida. Venceríamos o tempo, a fome, a solidão covarde e a saudade da mulher amada!  Até nesses momentos rigorosos, o coração guerreiro camuflado, eleva ao infinito esverdeado uma prece de apoio militar. Que importavam os uivos assustadores, os sons extravagantes desconhecidos, típicos da mata, as longas noites de perseguições aos inimigos de uma guerra simulada nas emboscadas frias e calculistas?

   Foram dias intermináveis, onde o silêncio da Mata Atlântica era açoitado pelos tiros e bombas, fazendo retomar o coração selvagem do soldado apaixonado. O homem em confronto com todas as abstinências carnais, deparando entre a missão e a natureza: trava-se um duelo pessoal!

   Quem se importaria com os soldados picados e estraçalhados pelos bichos peçonhentos, olhos vermelhos vencidos pelo cansaço de longas noites em vigílias?

    Que importâncias dariam aos nossos corpos emagrecidos, desfalecidos, perseguidos pela fome na missão determinada? Na hora do “picado”, já também ficando escasso, e quantas vezes em nosso “engodo”, bichos voadores nos faziam companhia invadindo a panela de barro encardido, exposta no chão nu... Mas, para que lamentações indignadas, se nesse momento sofrido, mais parecia uma exuberância destemida dos soldados camuflados?

   E eu a reclamar de coisas tão insignificantes... Se todos esses momentos se transformariam num cenário ao longo dos anos, a ser contado pelos soldados nas mais diversas formas! Foram mais de cem dias embrenhados pela Mata Atlântica... E então, para que falar da malvada solidão, se a mulher amada me espera no parapeito da janela rústica, onde em pose de rainha aguarda o seu soldado guerreiro, vindo de uma missão cumprida?

    O soldado retorna. Feito um bicho feroz, portão adentra, buscando sentir no faro os cheiros domésticos tão peculiares, mas o que encontrou foi um mórbido silêncio fúnebre.

     O cão com os olhos tristonhos não fazia algazarras; o viveiro repleto de canários estava silencioso; a janela majestosa estava fechada e a rainha de olhos brilhantes e festivos não repete a mesma cena, pois havia um vazio em toda a casa.

   O soldado mostra-se estático... Receoso... Alarmado! O coração selvagem dispara os batimentos, alterando-lhe a cor e o pulsar das veias acelerado pelo frenesi do corpo estremecido...

   O cão tristonho já sabia de sua trágica história, os canários, também cúmplices da tristeza, emudeceram e a casa aquietava... Em cada cômodo a dor e a solidão seriam plágios e réplicas de uma saudade interminável, onde o destino em imensuráveis atropelos escondia do homem a sua própria covardia!

   O soldado ao voltar, recebeu a trágica notícia do precoce falecimento de sua amada companheira, levando consigo no abdômen pulsante, um feto em composição de uma vida! E perdeu-se nessas duas vidas, a sua própria vida!

   O soldado fora condecorado nessa missão e em tantas outras também, sendo sempre o melhor dos melhores.

   As medalhas e os troféus estão empoeirados num canto qualquer da casa e representam a história de um guerreiro que até hoje se mantém de pé e lutando.

    Às vezes, quando estendido ao longo de sua solidão, duas lágrimas grandes tiradas da alma vêm lavar seu rosto trêmulo, coberto de rugas, consequências do tempo...

    E, nesse momento perverso, sofrido, ele murmura por entre as duas lágrimas:

      - O soldado perde a sua própria vida, mas não perde uma batalha!

 Dedicado ao Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

MEMÓRIAS FEMININAS DA CONSTRUÇÃO DE BRASILIA

 
A exposição Memórias da Construção de Brasília resgata os primórdios da construção pelo olhar  das mulheres que aqui chegaram vindas de todas as partes do Brasil e do mundo.

Documentos, objetos e imagens raras das primeiras construções de Brasília e das experiências vividas pelas  mulheres em uma época que tudo estava por ser feito são os materiais apresentados na exposição.

Em espaços cenográficos, foi criada a ambientação do universo feminino relacionado com a casa, a cozinha do  acampamento e o local de trabalho, exibindo utensílios, mobiliários e vestuários originais da década de 60.

Na exposição, há um mini cinema, onde será exibido o documentário Poeira e Batom - 50 Mulheres na Construção de  Brasília, que apresenta entrevistas com mulheres pioneiras e filmes históricos.
 
 
 
 
 
Tomei conhecimento do evento, através de Tania Fontenele que conheci  em 2008, Brasilia - DF, na oportunidade em que a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS MULHERES DE CARREIRA JURIDICA discutiu nossa participação dos afazeres do MERCOSUL.
 
Ela fazia uma pesquisa pelo que me pareceu que fosse interessante, conhecer a história de D. Leda através do livro de Hamilton de Almeida: O LUGAR DE TODA POBREZA.
 
Não sendo Brasilia ali, não me foi possível comparecer, até porque tinha compromissos em Vitória, mas bem que tive vontade. 
Detalhes da exposição.  
 








A Capital que ia surgindo no sertão.

POEMA INACABADO


Mãe, eu sei que fui um sinal vermelho na tua avenida de esperança.

Neste mundo tecnológico, onde o tempo é raro,

onde a chegada é dos que correm melhor,

eu sou um convite à perfeição do amor.

Mãe, se nos desertos até dos cactos

brotam flores nas manhãs primaveris,

quanto mais eu, diante da tua aceitação, diante do teu amor,

neste mundo materialista, onde a beleza exterior

é o começo de toda felicidade, de todo sucesso, de toda paixão...

Eu nasci para ensinar aos homens a se entregarem

simplesmente por amor.

Eu nasci para que os homens cresçam.

O anormal é aquele que

Heliana toma posse na Academia Marataizense de Letras
teve tudo e nada deu em troca.

Anormal é aquele que segue qual saco vazio,

folha branca evitando ser escrita,

folha seca que se arrasta pelo chão.

Porque eu, apesar das minhas deficiências,

ainda caminho, mãe, ainda sei dar as mãos.

É incrível, mas, apesar de tudo, eu sei sorrir.

Vim para mostrar à sociedade que as rosas são belas,

mas, se não houvesse os espinhos para aperfeiçoá-las,

não passariam de botões.

Mãe, é difícil entenderes que jamais serei algo de concreto,

um intelectual, um doutor; jamais serei teu sonho realizado.

Mas os poemas idealizados também são imperfeitos,

e, no entanto, conseguem construir vidas.

Aceite-me como um poema de amor,
um poema inacabado.


Heliana Mara Soares é presidente da Academia Gauaçuiense de Letras e Cultura, membro da Academia Marataizense de Letras, conta com vasta publicação dos seus belos poemas como este que acima se lê.