terça-feira, 6 de dezembro de 2011

POSSÍVEL INSENSIBILIDADE

O tempo de Natal nos coloca numa atitude de quem espera e, se espera é porque deseja, ou mesmo, porque ainda não tem.
Natal é uma entre as tantas manifestações do amor de Jesus por nós. Só o amor, e não qualquer amor, mas amor de Deus, Jesus é Deus, justifica a capacidade de renunciar à própria natureza divina e fazer-se homem, sujeito a todas as fragilidades comuns aos homens, à natureza humana, para restabelecer o elo quebrado da aliança de fidelidade feita por Javeh com o povo eleito, o povo escolhido como seu povo.
Apesar de saber dessas coisas, ainda existe quem seja capaz de ficar indiferente, ou de não se tocar, não se comover, conviver com a realidade, de forma tão natural que acaba transbordando na indiferença. Sabe que tudo que tem, que é, se pode alguma coisa, é pela graça do Espírito Santo, mas “vai tocando a vida sem compromisso ou deixando-se levar”.
Quem estiver diante de tal insensibilidade ou fraqueza, que se pergunte: eu sou capaz de entregar a minha vida para salvar a dos outros? Foi o que Jesus fez. Esses outros são muitos, muitos, gerações de outros. Jesus foi capaz.
Que Jesus nasça no nosso coração, eliminando a indiferença da nossa alma e abrindo-nos ao seu amor para ser despejado a serviço de quem precisa, na construção do mundo, grande lar em que habitam irmãos, os que chamamos ao mesmo Deus de Pai.

domingo, 4 de dezembro de 2011

VIVER E VIDAS

Um cotidiano denuncia a falta de pagamento do bônus assegurado a alunos que concluem a 4ª ou a 8ª série do curso fundamental, cerca de quatrocentos reais. Diante da página, entretanto, o que mais me despertou atenção foi a foto que a ilustra: cinco mães de tais alunos, braços cruzados - conforme instruídas pelo fotógrafo, certamente, - mesma busca, mas que diferença pode ser identificada no olhar de cada uma.
Deixei-me longamente observar aquelas expressões. A primeira olha simplesmente, momentaneamente desviada do seu foco; a segunda demonstra no olhar atitude de quem repreende; a terceira, quase sorri, quase, mas nada indiferente; a quarta traduz um como é que pode tamanha indiferença (lógico diante da situação), a expressão da quinta, em parte como da terceira, exprime um contido: tudo isso não passa de uma grande sacanagem. Das cinco, duas se preveniam contra frio, outras duas revelam não estar nem ai, a última, um tanto faz, ou linha do meio.
Somos todos iguais, mesma origem, mesmas circunstâncias a amealhar-nos as vidas, mesmo destino final. Mas ninguém é igual e reage conforme a percepção que tem do que sente, da forma como sente, cada um tem seu mapa, isto é, sua maneira de interpretar o que vê e assim, construímos mediante nossas individualidades o mosaico fantástico que povoa a terra e chamamos de humanidade.
Apesar de todas as denominações já dadas à vida, apesar dos tantos conceitos com que já a definimos, entre os quais, de que é bonita, é bonita e é bonita! pelo que: não se tenha vergonha de ser feliz, a vida é também um mistério a ser desvendado.
Deveria ser fácil viver, primeiro, porque aqueles de quem se fala são viventes já redimidos por um Deus redentor, depois, porque como ninguém discorda, o sol nasceu para todos.
Mas não é bem assim e do nascer ao ir vivendo, cada um passa do santo ao malabarista, pelo artista, do inventor ao estrategista, ao driblador, ao fazer-se rio desviando-se de obstáculos para chegar ao destino final, cada um como pode, administrando o que acontece, ou como náufrago, o certo é que: todos acabamos por chegar lá.
É só, só quis falar de mais uma das impressões que me assaltam enquanto leio a vida, aliás, minha leitura preferida.
Somos tantos, muitos, iguais, ao mesmo tempo tão diferentes, uma única vontade fundamental viver intensamente, os meios acontecem, o como do modo que se faz, aqui e agora.
Não edito a foto em respeito aos direitos autorais.

Grande abraço a todos os que me agraciam incluido-se como seguidores do meu blog e para os leitores franceses que acabo de identificar.

Aceitem tão belas orquídeas,
fruto do amor de
 Maria Lucia Grossi Zunti,
querida amiga linharense. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

TEMPO DE ESPERA

O advento ou tempo de espera – precede o natal - se caracteriza por uma dimensão fundamental de espera. Quando nos colocamos numa atitude de quem espera que algo aconteça é porque ainda não temos, assim, a realização da esperança é a alegria de recebermos o que esperávamos.
CIDADE SOL
Não nos colocamos só em uma atitude de espera, mas reunimos sempre o que há de melhor em nós, concentramos ali nossas energias, organizamos nosso tempo para esse encontro, chegamos a sonhar com ele. Isto é advento.
E Natal é celebração do nascimento de Deus que se faz homem, mediante um nascimento humilde, sem estardalhaço, sem pompa, sem rendas, simplesmente uma criança. Nem poderia ser diferente, pois Jesus quis ser como nós e estar o mais perto de nós,  manifestando-se de forma a mais concreta ao mesmo tempo, a mais sublime.
É diferente do presépio onde percebemos a força da fragilidade de Deus, pondo-se totalmente à nossa disposição, convidando-nos ao acolhimento e ao serviço.
Podemos acolher essa continua novidade de Deus que se renova a cada Natal, de acordo com a nossa situação concreta, porque cada ano acontecem coisas diferentes e Deus entra na minha na sua história, com uma nova promessa, com alegria diferente.
A grande pergunta é onde quero que Deus esteja na minha vida? aqui e agora?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ADVENTO

Advento é preparação para a chegada de Jesus à terra. Volta para nos lembrar que seu amor não tem limite, é amor que só sabe amar, amor único.
Meu filho e meu Deus!
No mais íntimo de nós, nosso coração percebe que acontecem manifestações produzidas por uma expectativa de algo bem maior do que as que nos invadem, revestidas de luzes e cores, atraem nossa atenção, acrescidas de boa música nos enlevam e acabam por nos surpreender repetindo os mesmos acordes, enquanto se faz prepotente a ânsia de adquirir tais mimos, habilmente  dispostos nas vitrines e daí se conta somente um passo, adquirir o que não estamos precisando.
E nos enchemos de pacotes, gastamos o que não temos, comprometendo nosso salário e até nos endividando, e o que é pior a isso chamamos de natal. Somos enganados, ou melhor dizendo: deixamo-nos enganar.
Aquilo de que sentimos falta e que nos provoca ânsias não se preenche com coisas, bebidas ou comidas adquiridas com dinheiro. Nossa ânsia, o desejo mais profundo que inquieta nossa alma é o amor de Deus semeado pela fé em nós, pela graça, de graça, temos sede é de Deus.
Temos sede do Amor-Deus porque Deus é amor. O que queremos  na verdade é acolher aquele menino que nasceu do lado de fora porque as casas todas estavam muito cheias.
Abramos nosso coração à graça. Deixemos de fora as coisas que o dinheiro proporciona. Assim esvaziados, Jesus vai ter espaço para nascer em nós.

sábado, 26 de novembro de 2011

DOLORES SIERRA

       Quantas vezes terei cantado, claro, imitando a postura da voz de Nelson Gonçalves, “Dolores Sierra”, aquela, que “vive em Barcelona, na beira do cais”.
Não tinha castanholas e sua companhia era a de quem desse mais. Nascida em Salamanca, de um pai lavrador, chegada à maior idade, parte para o mundo. Passara toda a adolescência nas asas da imaginação, em sonhos fantásticos mil, entre eles, mudar para a cidade grande.
Não obstante o pranto copioso da mãe, sua fantasia forjada longamente, foi capaz de superar tudo. E, mesmo depois das lágrimas abundantes que também seus olhos versaram, afinal de contas, amava muito os seus, partiu.
Praticamente, no mesmo dia de sua vida catalunha, conheceu D. Pedrito. Tinha que ser um Pedro, cujo nome se associa sempre a quem é muito levado e “apronta todas”!
Pois bem, encantado com tamanha e angelical pureza, tomado da cobiça e da vaidade de “ser o primeiro”, aproxima-se, seduze-a, nada menos, e lhe faz promessas inúmeras nos dias que passaram a viver  juntos numa pensão nas imediações do hoje “Porto Velho” de Barcelona. Mas está tão bem cuidado, tão limpo e majestoso, que de velho só resta o nome.
As promessas? Faria de Dolores rainha, cobri-la-ia de seda do Líbano, de aromas de França, sapatos macios e na mesa nunca faltariam as melhores iguarias. Imagine-se todo esplendor por onde quer que estivessem ou passassem!
Na casa onde viveriam... de amor, contaria com serviçais altamente qualificados, quem melhor pudesse prestar. Bastaria que ela permanecesse linda, produzida no melhor estilo, com hoje se diz, contando as horas da ausência dele, até que  pudesse voltar.
Num tocar de sonoras campainhas, aliás, diversas, cada som traduziria uma finalidade, todas as solicitações, todos os desejos que tivesse seriam prontamente satisfeitos.
Foram poucos aqueles dias, mas o suficiente para ter sido profundamente sugada.
Naquela manhã, um facho de luz consegue transpor as cortinas da janela e atingiu-lhe a face. Era de meio-dia a pino. Virou-se, ainda de olhos fechados, mas com um sorriso emoldurando os lábios, suas mãos procuraram o corpo do amado que ali já não estava.- Bem, terá saído...
Mas as horas passam, veio a noite e nada. Sem saber mais o que pensar, de tão cansada, acaba adormecendo...
Desperta cedo no dia seguinte e dirige-se ao restaurante para o desjejum. Ao fim, o dono da pensão a chama e comunica que suas diárias pagas findavam ali.
Apesar de nascida na roça, era dotada de inteligência bastante para entender que fora enganada. No quarto, chorou todas as lágrimas que pôde e como o meio dia se aproximava, reuniu o que era seu e ao transpor a soleira daquela porta, pisou a sarjeta, era mais um autômato que gente.
Rumou na direção que a conduziram seus passos e quando pôde perceber, viu-se no cais do porto.
Sentada num degrau de pequena escada, passou o resto da tarde e quando a noite totalmente se fez, sem nem divisar o rosto do homem que lhe estende a mão e ajuda a levantar-se, deixou-se conduzir.
Dia seguinte, primeiras horas da manhã ainda, ele a despede depondo-lhe na mão, uma peseta.
Faminta, com sede, com frio, passa a viver os dias, à beira do cais. Posto que muito bela, não lhe faltava companhia, a de  “quem desse mais”. Até quando?
Pelo que se ouve, nosso poeta também a conheceu, esteve em sua companhia, tanto que “pagou a despesa”. Mas ele também como tantos, ao apito do navio, foi-se, não sem antes dizer adeus, a Barcelona e a Dolores Sierra.
O tempo passou, o nome de Barcelona ancorou na minha memória ligado a essa história triste, em música tão agradável cantada.
Em viagem às plagas catalúnicas, me propus, tenho que conhecer o cenário da vida dessa mulher imaginária que são todas que podem contar história idêntica a sua.
E não é que após longa caminhada, primeiro por ruelas estreitas, maravilhosas, a partir da Praça da Catedral, me vi em Las Hamblas, onde acabei por chegar ao Porto Velho!
Pelo passeio central, deparei-me com um cenário de tantos ambientes, tanta variedade de nacionalidades, de demonstrações teatrais, grupos de dança, de todo tipo de criatividade que se puder imaginar.
Lá está também, resultado da comemoração dos 500 anos de descobrimento da América, um monumento com uma estátua de Cristóvão Colombo, voltada para os mares “nunca dantes navegados”. O pedestal  de tão alto, obriga inclusive quem muito alto é, para olhar, a voltar a cabeça inteiramente para trás.
Que mania, pôr tão alto quem  não se pode mais ver, nem ser visto! É por isto que faço parte dos que acham que toda ternura que se quiser demonstrar a qualquer ser humano, que se faça agora, adiar ou esquecer resulta inútil.
Estavam lá, um paço enorme que precede a chegada à beira do cais, edifícios bem cuidados, dezenas de embarcações multicoloridas, gente que caminha de lá para cá, ônibus que trafega com turistas, tudo demonstra ares de quem, recentemente, sediou edição de jogos olímpicos mundiais.
Depois de ter fotografado tudo, girando-me como em círculo, pergunto-me onde Dolores Sierra se encolhera naquele triste dia? Em que degrau sentou-se, se aqueles que ali estão só servem de passagem para quem chega a vistosas embarcações de passeios ao largo?
É que aquele já não é o cais do porto que acolheu Dolores, ela não está mais ali... Mas que minha divagação valeu, ah isto valeu e como!


Barcelona, 8 de setembro de 2006




















terça-feira, 22 de novembro de 2011

O BEM NÃO FAZ BARULHO

        Todos nos devemos manter atualizados, saber o que se passa ao nosso lado, além de nós, e até em outras fronteiras.
O meio destinado à promoção desta possibilidade é a mídia: jornais, televisão, rádios e revistas. Entretanto, já há pessoas que se recusam a ler jornais. Uma expressão comum entre muitas é a de que, “se torcermos o jornal, sai sangue”, traduz-se em dizer que as notícias estampadas em suas páginas são sempre de desastres, crimes de toda sorte, morte.
De fato, os jornais optaram preferencialmente por anunciar o mal, as coisas ruins que acontecem. Dizem que é disto que o povo gosta e se não usarem de tal expediente, o jornal não é comprado. É claro, que como empresas que são, devem dar lucro.  Daí ser este o principal objetivo deles.
Antes de escrever, examinei ao menos seis edições de um determinado jornal e a constatação não foi outra.
Entretanto, os que cremos em Deus não nos podemos incluir entre os arautos do caos. Importa crer que “Jesus Cristo é o Senhor”, (Fil. 2,11) que são muito mais os que creem nele, do que os que o renegam e que, numa “nação, cujo Deus é o Senhor”, (Sl 143,15) não obstante as aparências, devemos continuar acreditando, que nem tudo está perdido.
Podemos ter desviado o rumo de muitas coisas, muitas mesmo. Perdemos o sentido da grandeza de Deus, deixamo-nos levar por outros deuses e seguimos ao invés dos verdadeiros pastores, lobos vorazes.
Perdemos o rumo da família que “recebeu a missão divina de ser a primeira célula vital da sociedade... se torna uma espécie de santuário doméstico da Igreja, quando a piedade de seus membros os reune na oração comum, ... pratica a hospitalidade, promove a justiça e se põe a serviço dos que passam necessidade”. (Vat II 955).  Somos levados a não levar a sério a voz da consciência e, mesmo, quando sentimos os apelos que nos são feitos de forma categórica, achamos que o destinatário pode ser “um outro”.
A Palavra de Deus é ouvida, mas pouco posta em prática. Abdicamos do nosso potencial de cidadãos e não nos posicionamos de forma mais categórica ante os representantes que elegemos, que não cumprem o que prometem, e ainda assim, levados por falsos cantos de sereia, os discursos de palanque, acabamos por reconduzi-los aos cargos dos quais se valem, somente, para a própria promoção.
Marginalizamos ou não conhecemos nossos direitos, ao invés, somos capazes de criar, inexistentes.
Formamos a comunidade humana que só será bem definida, só será plena e conduzirá todos a serem efetivamente iguais perante a lei, se todos, neste sentido, se empenharem.
Nós também formamos o que na natureza se chama de ecossistema, comunidade de seres vivos que se entrosam, colaboram uns com os outros e ainda servem ao homem, por acréscimo.  Já dissera Raul Folereau: “ninguém tem o direito de ser feliz sozinho”. 
É preciso buscar o bem e saber contrapô-lo ao mal. É preciso não comprar o jornal puro sangue. É preciso proclamar pelas ruas e praças que o bem existe.
O bem é de Deus e assim é discreto, age silenciosamente, persistentemente, dá sem nada pedir em troca, é fermento que leveda a massa e a faz crescer. O mau precisa de palco e dá espetáculo para ser visto.
Não é verdade que tudo vai de mal a pior. Ou o sacrifício redentor do Cristo, Filho de Deus, de nada teria valido.
Talvez precisemos mudar as cores das lentes dos óculos através dos quais contemplamos as coisas e acabaremos por constatar que como o bem não faz barulho, o barulho não faz bem.




segunda-feira, 21 de novembro de 2011

CARINHOSAMENTE

Bafejada pelo sol que brilha maravilhoso nesta manhã de segunda-feira, saudo os que me lêem na Malásia, na Suécia, na Argentina, em Cingapura, no Reino Unido, em Cabo Verde, em Portugal, na Itália, na Alemanha, na Rússia, nos Estados Unidos, na Espanha, em Costa Rica e claro, no Brasil.

Aquele abraço

Marlusse
marlusse2010@gmail.com