sábado, 23 de julho de 2011

UM CÃO E UM MICO

Em nossa casa, só uma única vez tivemos animal de estimação. E como era de estimação!
Papai, como sempre, só podia ser ele, chegou em casa um dia, trazia um recém nascido cãozinho que encheu-nos de encantos e desde então participou das nossas brincadeiras e fez muitas de nossas alegrias. Brincava conosco, corria atrás de nós seguidamente e não cansávamos. Era branco não completamente, tinha algumas manchas de preto e tinha abundante pelo que lhe dava um belo visual, nós praticamente o amávamos.
Como não lhe demos nenhum nome e desde o início do nosso convívio, o chamávamos simplesmente Cachorrinho, Évila que ainda não falava bem, chamou-o Choinho. Pronto, este passou a ser seu nome próprio. 
Choinho acompanhava nossas andanças. Sempre fiel, atento, amigo. Não era um cão de guarda, era demasiado manso pra que se desse a tal afazer.
Lá pelos dez anos, Choinho ainda brincava, mas seus passos começaram a se tornar mais lentos. Já tinha 12 anos, quando um dia foi descoberto deitado e inerte. Silenciosamente, morrera.
Nosso pranto foi tanto e tanto durou que mamãe decidiu que nunca mais adotaríamos outro animal.
E quase que foi assim, até que um dia, não me lembro quem, presenteou-me com um Sagüi a que chamávamos Mico. Era lindo, comia banana e fazia trejeitos mil, uma diversão. Como eu gostava dele!
Mas eis que D. Terezinha, professora de Rachid, foi nos fazer uma visita. Gostou do Mico e para agradá-la, o presenteei a ela. Mamãe assistiu consternada a doação, prevendo como eu reagiria depois. Não deu outra.
Ao ver o Mico se distanciando no carona da bicicleta, chorei copiosamente. E a pobre da mamãe se pôs a cogitar o que fazer para pedir a D. Terezinha que me restituísse o Mico, esperava contar com a compreensão dela, certamente entenderia meu gesto de criança.
Proposta afinada, mamãe se pôs em ação enquanto eu me sentia aliviada por poder reaver meu bichinho.
E ai? E ai? Na mesma bicicleta D. Terezinha volta a nossa casa para anunciar cheia de compreensão e imenso pesar que quando chegava em casa, um cachorro do seu tio, voara sobre o indefeso Mico, pegou-o, sacudiu-o, estrangulou-o e ...

Entrou pela boca do pinto,
Saiu pela boca do pato,
Quem quiser que conte quatro.



quinta-feira, 21 de julho de 2011

A LIMPEZA NO MINISTÉRIO E O SOFÁ DA SALA

Ainda não se tem o número exato de exonerações no Ministério dos Transportes, mas já se sabe – uma vez que começou pelo próprio Ministro - que serão muitas, apesar de não serem todas as que deveriam ser efetivadas, dado que estará prevalecendo o critério político de limpeza.
Por este critério corta-se apenas o que for inevitável, visível, aparente, mas há que se preservar o apoio na Câmara e no Senado, tendo como premissa que se trata de representantes de um partido político que se envolveram em uma iniciativa dessa natureza, mas que fazem parte da base de apoio político de quem cabe a responsabilidade de conduzir o processo de limpeza política.
Os brasileiros já estão ficando tão acostumados com essas “limpezas políticas” que já não sentem – infelizmente - nestes episódios, um ponto para se preocupar e refletir. Vira o escândalo do dia, mais um entre os muitos do mês, esquecidos depois de um ano.
Esta estória da “limpeza política” do Ministério dos Transportes lembra a estória do marido traído em uma pequena cidade do interior.
Com uma mulher muito bonita e escultural, foi advertido por amigos que sua esposa o estava traindo quando o mesmo não estava em casa. A coisa era tão pública que a traição ocorria no sofá da sala da casa do marido inocente, sem a menor preocupação de fechar as janelas.
O marido ouvia o grupo de amigos que o avisava, mas não acreditava no fato. Tinha plena confiança na mulher e isso bastava para que se mantivesse alheio as falsas denúncias.
Mas tudo tem um limite; pelo menos, o do cansaço. Um dia, na metade da tarde, resolveu dar uma incerta na sua casa e, deste modo, definitivamente, comprovar que aquele mar de denúncias era totalmente sem razão e maldosas.
Ao chegar a casa – sem avisar – ao abrir a porta da sala vê a sua mulher no sofá da sala, em plena relação de amor com um seu aliado político na cidade. Não havia dúvida em relação ao que estava vendo; seu amigo e aliado político o estava traindo junto com a sua zelosa e prendada esposa..
Em poucos segundos viu pela frente anos de respeito e amor supostamente não correspondidos por parte da esposa infiel e do amigo. Raiva de si mesmo, pois havia sido avisado e não acreditou nos efetivos amigos, sendo agora o ridículo da cidade e motivo de zombarias, implícitas e explícitas, pelos moradores da cidade.
O ódio e o sentimento de vieram a sua cabeça e, com muita lucidez e equilíbrio, acabou decidindo que deveria tomar uma decisão que lavasse, na plenitude, a sua honra e que pudesse voltar a ser respeitado na cidade.
Partindo do princípio que a vingança é um prato que se deve comer frio, teve o cuidado de não fazer nada naquele momento, mas sim de tomar a decisão radical no dia seguinte.
No daí seguinte, logo pela manhã, a cidade pode conhecer a decisão radical do homem traído por seu amigo e aliado político. Abriu a porta da casa e – com estardalhaço – jogou o sofá da sala na rua, ou seja, retirou do seu lar a base da infidelidade de sua esposa. Deste modo, sem o sofá, acabava com todo o problema.
Que isso sirva de exemplo para aqueles que ainda acreditam – grupo em extinção - que coisas como esta – quando ocorrem na esfera política – terão soluções radicais e memoráveis, plenamente respaldadas no princípio da ética. Ou seja, sempre haverá um “sofá” a ser tirado da sala.
E há ainda quem defenda a tese do sigilo em relação aos custos das obras da Copa; será – tudo é possível – que estas pessoas ainda vão manter suas posições? Quem viver verá.

       Roosevelt S. Fernandes, enamorado conhecedor do que diz
respeito ao meio ambiente e  sua proteção.
Excelente palestrante.

terça-feira, 19 de julho de 2011

GRATIDÃO


Que poderei retribuir ao Senhor por tudo aquilo que me tem dado?

Erguerei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor!

Salmo 116

sábado, 16 de julho de 2011

QUERER É PODER

        Além daquelas ameaças que sempre rondaram nossas vidas, hoje se acresce uma incerteza: a de saber, se quando saímos de casa iremos voltar.
Todos os dias jornais e TV nos proporcionam avalanches de notícias tristes. Enchentes, deslizamento de barreiras aqui, vendavais ali, terremoto acolá e como se não bastasse humanos se voltam contra seus semelhantes, fazem reféns, colocam sob mira de revólveres, assaltam, matam.
Foi um entre tantos, o caso daquela moça que passava casualmente pela calçada de um estabelecimento comercial que acabara de ser assaltado.
O bandido, tem-se que usar este termo, o bandido em fuga rouba-lhe o celular, prossegue correndo, não sem voltar-se para trás, disparar contra ela e a pobrezinha morre ali mesmo, na hora, antes que tenha tido tempo de refazer-se do trauma sofrido. É mais uma vítima indefesa a perder a vida.
        Não foi a primeira, não será a última, malgrado nosso.
        A tudo assistimos atônitos, sentindo-nos impotentes.  É verdade que não nos falta consciência de que importa proceder a uma mudança real de paradigmas; importa crer que somos todos responsáveis e como tal devemos procurar saber o que é que devíamos fazer e não estamos fazendo, como devemos agir e não estamos agindo, nos omitimos.
        A maioria de nós está inerte, a maioria aboletou-se no banquinho de sua comodidade e não assumimos nosso lugar no grande espetáculo da vida, não desempenhamos nosso papel na luta em que tantos pessoas cotidianamente se cansam e se consomem buscando transformar as situações de injustiça que existem, procurando despertar nossos governantes que dormem, enfim tudo fazendo até porque, como está todos acabam perdendo.
Há crianças vindo ao mundo de forma irresponsável, seus direitos, apesar do slogan “criança prioridade absoluta”, não são respeitados. Suas mães não teem como proporcinar-lhes um ambiente sadio onde se desenvolverem, alimento suficiente, as vezes ainda que o mínimo do mínimo indispensável.
Comem mal, vestem-se mal, não estudam porque acabam desestimuladas e abandonam a escola, trocam a casa pela rua, mas há sempre uma forma que acaba por lhes permitir saber que existe um mundo mais atraente do que aquele em que vivem.. Descobrem também que é com dinheiro que se compra “tudo”.
E porque são frágeis, acabam por se tornar presas fáceis dos chefões de poderosas quadrilhas e ainda adolescentes enveredam pelos caminhos pedregosos do tráfico, do assalto à mão armada, dos homicídios, etc, etc. Muitos morrem antes  da vida amanhecer.
Viver sob o temor do que nos pode acontecer de um momento para o outro, pois ninguém está livre, é certo não é a solução.
Existem muitas pessoas vigorosas e capazes que sob  o pretexto de se terem aposentado,  entregam-se a dolce far niente, mesmo sendo capazes de contribuir para que as coisas mudem.
Conclama-se todos a arregaçarem as mangas. É preciso querer e querer é poder.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Velho...


De tão vergados
seus ombros,
o corpo
não se rege mais.

Os passos se tornaram
incertos...
E a vida lhe pesa
ainda mais.

Caminha,
como quem ainda
tem para onde ir.

Mas não vai tão longe,
a passada larga
estreita agora se refaz.

Não se rege,
            já não lhe pedem opinião,                 
seus conceitos
não importam mais não.

Suas idéias geniais?
de luz,
de grandeza,
de certezas,
a quem importa mais?

Ah! o tempo,,,
que murcha os lábios...
enruga a face...
e os cabelos prateiam...

Que estranho fator
é envelhecer!

As experiências,
a sabedoria,
a ciência,
que valeram tanto
e por tanto tempo
são patrimônios,
históricos sim,
nada mais!


sexta-feira, 1 de julho de 2011

UNIÃO ESTÁVEL

Apesar da clareza com que penso que escrevi os diversos artigos já publicados sobre união estável, não me cessam de chegar e-mails de pessoas que os leem, mas continuam com interrogações. Certamente, por detalhes particulares que guardam particular aspecto com a própria situação em que se encontram e que muitas vezes afligem.   

Isto só consagra a certeza de que em se tratando de gente, mesmo que as aparências possam levar a crer que esse e aqule são o mesmo caso, pode não ser, ou não é. Gente é assim, cada pessoa é indivíduo.
Voltemos a considerar o que diz a Constiuição e a Lei. A primeira diz que: - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. (§ 3º). Proteção do Estado quer dizer se aplica a união estável e lhe são estendidos direitos e obrigações inerentes à sociedade conjugal com faculdade do respectivo exercício igualmente pelo homem e pela mulher.(§ 5º). Ambos segundo o art  art. 226 que prevê: a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. (O Supremo Tribunal Federal passou borracha nas palavras homem e mulher).
A união estável se dá entre um homem e uma mulher, portanto é uma sociedade hetero sexual,  é entidade familiar, está sob a proteção do Estado e deve ser facilitada sua conversão em casamento, é evidente que implica em os conviventes poderem-se casar.
A viúva e o viúvo que contrairem novas núpcias não perdem eventual pensão que recebam uma vez que esta,  uma vez obtida, se integra como valor indispensável  à sua sobrevivência. E mesmo que o outro tenha posses bastante, o direito não é retirado, é também patrimômino que o(a) beneficiado(a) levará, até como forma asseguratória às vezes somente como uma certa independência financeira, sempre tão útil em qualquer fase da vida.
Conviventes que depois de anos decidem casar, apenas transformam em de direito uma circunstância em verdade, apenas de fato. “Os anos de casa” que antecedem as núpcias não se apagam como se o casamento acrescentasse obrigações ou espurgasse um passado.
Por analogia, pode ser dito que o regime de comunhão de bens, anterior à lei é o universal, ao passo que depois dela, certamente, importa em ser interpretado como parcial, isto é, no caso de separação só será partilhado o que tiver sido adquirido pelo esforço comum dos dois. A herança que se constitui em expectativa de direito, se reserva igualmente, exclusivamente a quem for herdeiro(a).
Em todos os casos de litígio ou resolução não pacífica de partilha é necessário aferir pormenorizadamente as diversas circunstâncias. União estável como já foi dito é como no casamento, comunhão que se dá desde o afeto aos bens materiais, pelo que, quem se tiver acomodado deixando o peso do provimento da família somente a cargo de uma das partes não poderá arguir direitos.
Ma é lógico que a faina doméstica continuará representando concurso para os fins familiares. 

domingo, 26 de junho de 2011

PAI NOSSO

Pai Nosso que estás no céu, na terra e em toda parte, faze que quando eu disser: seja feita a tua  vontade, todo meu ser esteja unido à minha vontade; que todo o meu ser se una aos meus lábios e brote do mais profundo de mim o propósito de que “assim seja”. 

Eu sei que nem sempre é fácil!

Não é fácil porque nosso entendimento humano é desproporcionalmente menor que teu desígnio de amor e assim não alcança tudo que queres.

Essa constatação, no entanto atesta a importância da fé sem a qual se torna impossível comungar com a tua vontade. Dá-nos pois de fazer por onde esta fé que é dom cresça em nós.

Quando o mistério ultrapassa nossa inteligência só mediante uma fé profunda é possível prosseguir sem vacilar. Precisamos ter fé.

Pai, no dia em que fomos batizados enxertados no Corpo de Cristo e passamos a ser da sua própria natureza, infundiste em nós o dom da fé, asseguraste assim que mediante  o exercício de tal virtude nos fosse possível  saber dar valor a tudo que nos dás. Que não nos afastemos de teus caminhos, que não nos tornemos surdos a tua voz e que cumpramos com dignidade teu mandamento de amor.

Com Maria, nossa mãe terna e boa, queremos aprender o dom da humildade e não obstante a diferença que existe entre nós criaturas e Tu que és Deus, acreditemos no teu amor!

Para que em seguida partamos para onde quer que esse amor nos convide para dizer aos outros da alegria que nos invade por tanto favor e partilhemos o privilégio indecantável de “termos sido tornados dignos de estar em Tua presença e TE servir”.