quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

PONTES, PARA QUE SERVEM?



Fiz companhia a Sonia na divagação de suas lembranças daquele moinho. Daquele sim, porque embora na região em que viveu sua infância, pudessem ter existido outros moinhos, aquele era o da sua casa, seu moinho. Único entre tantos.
Nossa cronista, num passe literário, encadeou os atos e utilidades propiciadas pelo moinho que: “fazia o milho virar fubá, que era colocado em uma panela de barro, que se fazia uma polenta, que a polenta era o nosso jantar e que o moinho “amanhã” ia rodar novamente”. Quanta sabedoria havia nos antigos, em quem descobriu modos de não passar falta, ter os meios com que fazer, embora a luz elétrica não existisse em todo lugar.
Mas eis que de repente a amiga falou de solidão ao mesmo tempo que rechaçou a possibilidade de sentir-se só, até porque diz ela: “não suporto a idéia de que perdemos oportunidades de vivenciar momentos mágicos”.
Entretanto, confesso que precisei chegar à última frase, pois, de tudo o que  realmente me prendeu no seu escrito foi quando disse, encerrando o texto: “o meu amado moinho deu lugar a uma ponte pequena, por onde ninguém mais passa”. E o que parecia um encerramento na verdade se fez começo dessa feita, da minha divagação.
Para que servem pontes? É fácil responder, basta olhar uma. Elas são construídas desde as mais simples, apenas para o que servem. São utilidades que permitem às pessoas atravessarem por cima de canais fluviais de maneira mais segura, mais rápida, mais eficaz. São passagem de quem deixa o lado de cá, rumo ao lado de lá. Pontes servem para unir, quem vai ao encontro, separar quem não quer mais ficar.  Desse modo, se tornam relevantes, deveras importantes para a vida moderna, sua falta se constitui em dificuldades e  verdadeiro entrave ao desenvolvimento e ao progresso.
Imagino que no lugar do moinho havia um curso dágua em nada insignificante, até porque não foi simplesmente colocada uma “pinguela” (aquele tronco às vezes grosso, outras, nem tanto, que exigem equilíbrio),  mas se construiu uma ponte.
Como é que agora ninguém mais passa por lá? Não é só pela ponte das lembranças de Sonia que ninguém mais passa. Há inúmeras pontes que foram abandonadas, que caíram com o tempo e não foram refeitas, perderam importância.
É que essas pontes se constroem com cimento e ferro, ou com boa madeira como as que tio Gigi fazia. Há pontes que não precisam desses materiais, são representadas pelos sentimentos, por onde se passa livremente, não se paga pedágio. São seguras, afagam, enternecem, enxugam lágrimas, enriquecem, chamam-se amizade, acolhimento, misericórdia, ternura, amor, há quem prefira a travessia a nado, se cansa e demora mais, mas a grande maioria transita por elas num ir e vir constante, os transeuntes caminham com firmeza, ninguém entrava a passagem do outro.
As luzes-sorrisos representadas pelo brilho do olhar, pela placidez de cada face dão testemunho, é só contemplar.    
8/12/2010 00:08:54                   

Nenhum comentário:

Postar um comentário